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31 de dezembro de 2008

Pavor na Cidade dos Zumbis

A esta altura, as duas principais vertentes do cinema comercial italiano se fundiam: O radicalismo dos canibais e a podridão dos zumbis. Foi aí que Lucio Fulci se consagrou mestre, sempre criativo em climas sem abandonar os mais repulsivos recursos para gosto dos de estômago forte. Um argumento tão bem amarradinho que as várias forçadas de barra merecem ser relevadas. Parapsicóloga prevê que numa cidade, construída sobre a antiga Salem, um padre enforcado abriria literalmente as portas do inferno. Com a ajuda de desconhecido, vai descobri aonde tal cidade fica e desenterrar o religioso antes do por do sol. Enquanto isso, várias casos bizarros começam a surpreender os moradores, embora nem sempre as maiores brutalidades sejam feitas pelos mortos. Há violência explícita aos borbotões, com efeitos quase sempre realistas, mas também um insuportável clima claustrofóbico. Aliás, a cena da protagonista acordando dentro do caixão serviu de inspiração a Tarantino duas vezes. No episódio especial que dirigiu para CSI (Grave Danger, lançado em DVD no Brasil como Perigo a Sete Palmos) e em Kill Bill Vol. 2. Planet Terror guarda familiaridade tanto na maquiagem dos mortos-vivos, como na trilha sonora espetacular outra vez a cargo de Fabio Frizzi. Produzido pra entreter e dar medo, assim como um filme pornográfico se propõe a dar tesão, não é um marco ou obra prima, mas cumpre plenamente suas intenções. O que, cá pra nós, já não é pouco.

Pavor na Cidade dos Zumbis - Paura nella città dei morti viventi

- Itália 1983 De Lucio Fulci Com Christopher George, Catriona MacColl, Carlo De Mejo, Antonella Interlenghi, Giovanni Lombardo Radice, Daniela Doria, Fabrizio Jovine, Luca Venantini, Janet Agren 93’Horror


Cotação:

16 de dezembro de 2008

Faster, Pussycat! Kill! Kill!

Strippers caratecas assassinas fazendo arruaça pelo deserto em carrões envenenados. Com estas peças, tem como decepcionar? Até poderia se tudo descambasse para a ação descontrolada ou qualquer outro extremo. Russ Meyer demonstra ter controle de tudo, uma absurda noção do lixo pulp que estava dirigindo sem a mínima culpa de ser sexplotation. Não leva o material a sério em nenhum momento, mas é respeitoso com os paradigmas da cultura pop ainda em formação na metade dos 60. Cada quadro é em sua vulgaridade de uma beleza plástica inacreditável! A trama é pura desculpa pra usar as personagens em seus dotes máximos, parecendo mais piloto de seriado de aventura do que outra coisa. As três, lideradas por Varla (Tura Satana, pinup de verdade!) encontram um casal boboca, acabam matando o carinha e seqüestrando a mocinha. Vão se meter com desajustada família de caipiras endinheirados, por acaso, farinha do mesmo saco das fulanas. Engraçado, tem ainda uma trilha sonora de jazz dialogando perfeitamente tanto nas cenas de aventura quanto nas do mais puro dramalhão barato. Há um boato, faz muito tempo, de que Tarantino estaria interessado num remake. Chegaram até a noticiar a escolha de Britney Spears para ser a Varla, o que não tem sentido algum. O diretor já usou incontáveis elementos dele em seus filmes desde Cães de Aluguel até Death Proof.

Faster, Pussycat! Kill! Kill!

- EUA 1965 De Russ Meyer Com Tura Satana, Haji, Lori Williams, Sue Bernard, Stuart Lancaster, Paul Trinka, Dennis Busch, Ray Barlow 83’Ação/Comédia


Cotação:

15 de dezembro de 2008

De Volta ao Planeta dos Macacos

Fato: Filme comercial bem sucedido com pitadas de existencialismo ganha uma seqüência muito mais morna, voltada ao que tinha de mais comum. Foi assim com Matrix e antes já tinha sido com Planeta dos Macacos! Aqui também optaram por muito mais ação e entretenimento e diluir qualquer conversa sobre sociedade, filosofia e religião. O que continuou igualzinho foi o tom épico e assombroso, que chega a tirar o fôlego em muitos momentos, inclusive no desfecho apocalíptico e pessimista. Em pelo menos duas ou três incríveis seqüências alguém deve ter se machucado, ou o cavalo ou o dublê. A gente sempre torce para que não seja o cavalinho... E por ser de 1970 sabe-se que aquilo é real (uau!), e não obra de GC! Acharam uma boa desculpa pra Charlton Heston tomar chá de sumiço boa parte do filme, sendo que há um novo piloto (fisicamente muito parecido) a ir parar no planeta dos símios que acham que são gente. Depois de se encantar com a belezura da Linda Harrison (novamente entra muda e sai calada) descobrirá uma estranha raça humana subterrânea adoradora da bomba atômica. Uma coisa que engana direitinho, é que Roddy McDowall aparece como Cornellius apenas em algumas cenas de arquivo,sendo na maior parte do tempo foi substituído por David Watson, ator especializado em produções televisivas. Além de o personagem ter menos importância aqui, debaixo de tanta maquiagem tanto faz...

De Volta ao Planeta dos Macacos – Beneath the Planet of the Apes

- EUA 1970 De Ted Post Com James Franciscus, Kim Hunter, Maurice Evans, Linda Harrison, Paul Richards, Charlton Heston, Victor Buono, James Gregory, Roddy McDowall 95’ Aventura


DVD- Lançado e relançado pela Fox das mais diversas maneiras, exatamente como todo e qualquer coisa de seu catálogo. Essa edição, ao contrário do primeiro duplo, tem como extras os trailers de todos da série cinematográfica, pouco texto e poucas fotos. É um porre só poder trocar legendas e áudio pelo menu, mas os menus animados estão bacanas.

Cotação:

26 de novembro de 2008

A Mansão de Drácula

O roteiro parece fruto de alguma gincana para ver quem conseguia usar mais monstros da Universal em menos metragem. Com evidente desgaste na fórmula, nada faz muito sentido. Drácula procura um conceituado médico porque cansou de ser vampiro. E não é que Talbot, o Lobisomem, teve exatamente a mesma idéia? O doutor, coitado, que vive isolado num velho laboratório cercado por duas ajudantes bonitonas, fará o possível para ajudá-los, mesmo estando mais preocupado em curar a corcunda de uma delas. No meio do tumulto, acabam encontrando o monstro de Frankenstein jogado numa caverna, e quando a trama tomar ares de Dr. Jekyll e Mister Hyde, pode apostar que haverá tentativas de revivê-lo. A enxurrada de efeitos especiais é outra diversão à parte, quase sempre funcionais até para os dias de hoje, exceto o morceguinho com os fios de nylon aparentes. Estapafúrdias há parte, é um trash de classe, produzido pelo estúdio que cravou no imaginário popular as principais criaturas da literatura de horror na década passada. Qualquer crítica é inútil se levarmos em conta seu interesse histórico e o sabor de entretenimento saudosista. Ao contrário do bem sucedido crossover cômico de Abbout e Costello, que contou com Bela Lugosi revivendo Drácula, nenhum dos atores originais está presente, embora Lon Chaney Jr. tenha ficado marcado pelo papel de Lobisomem. O conde da Transilvânia é interpretado por outra lenda do gênero, o longilíneo John Carradine. Por trás da maquiagem de monstro de Frankenstein está Glenn Strange assim como em alguns outros filmes. Hoje em dia é confundido volta e meia com Boris Karloff pela similaridade à primeira vista.

A Mansão de Drácula – House of Dracula

- EUA 1945 De Erle C. Kenton Com John Carradine, Lon Chaney Jr., Martha O'Driscoll, Lionel Atwill, Onslow Stevens, Glenn Strange, Ludwig Stössel, Jane Adams 67’ Horror


DVD- Outro disco da coleção Ataúde Macabro da finada Dark Side (London/Works DVD). A arte da capa e os menus (que chegam a dar calafrios de tão sombrios) estão bem bacanas. Ainda trazem informações técnicas e textos relevantes na contracapa. Acompanha outro filme raro da Universal, A Mansão de Frankenstein, onde curiosamente o iconográfico Karloff assume o papel de cientista louco e não do monstro. Com imagem e o áudio excelentes, acompanha os trailers de A Filha de Drácula, O Filho de Drácula, Drácula (já presentes em outros exemplares da coleção), A Mansão de Frankenstein, Frankenstein Contra O Lobisomem e O Fantasma de Frankenstein.

Cotação:

18 de novembro de 2008

Vidas em Jogo

David Fincher vinha de Seven, que embora banal, conseguiu cair nas graças da massa. E essa pode ter sido a delícia que virou maldição para explicar como este Vidas em Jogo, muito mais original e elaborado , tenha passado batido entre a maioria das pessoas. Toda a expectativa que ele cria durante seu desenrolar jamais seria compensada por mais mirabolante que fosse o final. Relaxe sem esperar nada e fique de boca aberta por mais de duas horas com intrincado quebra-cabeças! Michael Douglas (excelente sendo Michael Douglas) é um executivo podre de rico e igualmente pobre de espírito. Ás vésperas de seu aniversário, ganha do irmão caçula o convite pra participar de um inusitado jogo sem hora pra começar ou acabar. Na verdade, a entrada a um gigantesco pesadelo que lhe ensinará o real sentido da vida. De cara nos remete a Depois de Horas, comédia de Martin Scorsese hilária e infelizmente esquecida em DVD no Brasil e filmes de gato e rato do tipo Sem Saída com Kevin Costner. A genialidade está em nos fazer entrar no jogo e jamais termos conta do que é “brincadeira” ou um fabuloso crime muito bem planejado. Acabamos envolvidos tanto quanto o personagem de Douglas. É um filme agradável, inteligente e feliz em todos os sentidos imagináveis, daqueles pouco comuns onde se percebe o envolvimento absoluto de elenco e direção. Pode não ser uma obra-prima, exatamente porque sempre há um sabor de “já te vi”, mas merece ser redescoberto.

Vidas em Jogo – The Game

- EUA 1997 De David Fincher Com Michael Douglas, Sean Penn, Deborah Kara Unger, James Rebhorn, Carroll Baker, Anna Katarina, Armin MuellerStahl 128’ Suspense


DVD - Pra piorar, além da quebra de expectativas inevitáveis e frustrantes que o filme faz uso sem dó, a produtora Polygram faliu nesse meio tempo. The Game foi parar no limbo até que a Universal saiu com esta edição de luxo. Caprichadíssimo, o DVD tem faixas de comentários (legendadas em português!), trailers, bastidores e um chocho final alternativo.

Cotação:

11 de novembro de 2008

Vamp – A Noite dos Vampiros

A primeira surpresa é que o nome não se trata de picaretagem dos distribuidores brasileiros pra lucrar em cima da telenovela homônima. O filme de 1986 realmente se chama Vamp, e foi comercializado em VHS em 1991 junto ao sucesso dos vampiros da TV Globo. A outra surpresa é que embora tudo indique o contrário, é muito bacaninha valendo o baixo custo da aquisição! O humor e horror estão bem dosados, com alguns sustos eficazes. Fazendo uso do mote dos inferninhos dominados por sugadores de sangue (como Um Drink no Inferno de Robert Rodriguez, que continua inédito em DVD no Brasil), três adolescentes em busca de aceitação entre os populares da faculdade partem para a cidade grande para contratar stripers que topem animar a festa da galera. E é isso, com praticamente toda a ação se passando economicamente naquele espaço, ótima desculpa para algumas garotas de pouca roupa dar o ar da graça. Furos no roteiro, com saídas fáceis em certos momentos não deve ser algo a se reclamar pra quem não esperava nada. Lógico que a presença forte da pop star jamaicana Grace Jones como a rainha de todos os vampiros é um interesse a mais na produção. Ela entra muda e sai calada no sentido real da expressão, usando figurinos tão extravagantes quando engraçados ou constrangedores. No elenco ainda Dedee Pfeifer, a irmã mais sem graça da Michelle.

Vamp – A Noite dos Vampiros – Vamp

- EUA 1986 De Richard Wenk Com Grace Jones, Robert Rusler, Dedee Pfeiffer, Chris Makepeace, Brad Logan, Gedde Watanabe 93’ Horror


DVD - Como aqui não foi lançado em sua época, será graças ao DVD que este filme se consagrará entre os amantes de filmes B. Até porque, a editora NBO primeiro o distribuiu em bancas de revista e agora pode ser achado em grandes hipermercados custando uma ninharia. A imagem está ótima, com o escopo original preservado de forma anamórfica. Há apenas texto como extra ao contrário da edição americana (onde é Cult) que inclue faixa de comentários com os envolvidos no projeto.

Cotação:

4 de novembro de 2008

Abbott e Costello Encontram Frankenstein

Acusada historicamente de ser a pázinha de cal sob os monstros clássicos da Universal, esta palhaçada com Abbot e Costello sobreviveu à passagem do tempo de forma digna. Menos estúpido do que se espera, o humor pastelão a lá Didi Mocó da dupla não compromete o prazer em ver o maior croossover fantasmagórico já feito. Todos os atores que tinham na década anterior interpretado com enorme êxito as mais famosas assombrações nos cinemas regressaram aqui, numa época em que desgastados não conseguiam mais dar medo e alcançar a mesma bilheteria. A exceção é Boris Karloff, a criatura de Frankenstein, que deu outra vez lugar a Glenn Strange. A história gira em torno do gordinho Abbott, um pobre coitado que arruma uma namorada bonitona demais para seu tipo físico. O que ele não sabe é que Sandra na verdade é uma cientista seguidora de Drácula, que planeja usar seu pouco cérebro para reavivar o monstro de Frankenstein sem perigo de querer pensar demais. Muito bacana rever Bela Lugosi como Drácula numa produção do próprio estúdio que o alçou à fama em 1931 ao contrário das toneladas de lixo que protagonizava desde então. Agora o conde (com bastante destaque na trama) se torna morcego diante de nossos olhos numa trucagem bem feitinha e ainda aproveita a energia negativa do anel para outros fins além de hipnotizar moçoilas desprotegidas. A Universal usou exatamente o mesmo cenário do castelo que aparece no clássico, mas agora não mais em ruínas. Lon Chaney Jr. repete seu lobisomem cheio de culpa, embora feroz como de costume, está do lado dos heróis quando não transformado. Se há um erro grosseiro é seu título. Talvez o nome em espanhol Abbott e Costello Contra Os Monstros faça bem mais sentido já que todos têm peso igual no roteiro. A propósito, o Dr. Frankenstein não aparece, e sim sua criatura. A velha confusão...

Abbott e Costello Encontram Frankenstein – Bud Abbott Lou Costello Meet Frankenstein

- EUA 1948 De Charles Barton Com Bud Abbott, Lou Costello, Bela Lugosi, Lon Chaney Jr., Glenn Strange, Lénore Aubert, Jane Randolph 83’Horror/Comédia


Cotação:

31 de outubro de 2008

Canibal Ferox

Essa grossura em forma de película se orgulha de ser o filme mais violento já feito. Proibido em 34 países, deveria ter sido em outros tantos só pela escrotice do diretor em sacrificar e maltratar animais pra conseguir tal mérito. Há uma tomada bem curta dos atores com o jipe em movimento onde se vê o pobre quati pendurado pela cordinha sendo arrastado do lado de fora. Da parte dos humanos, embora aja boa tensão, nem sempre os efeitos de violência explícita ficaram bem feitos. E em matéria de gore, o que não choca faz rir, não há meio termo! A história vai e volta das ruas de Nova York à selva Amazônica, o que além de dispersar o interesse pelo grupo de jovens perdidos na expõe o amadorismo técnico da produção. Pertencente à vertente (bem popular na Itália nos 70’s) dos filmes sobre canibalismo, é apenas uma grande curiosidade de gosto duvidoso, um grande teste de estômago para espectadores sem coisa melhor pra assistir. Como cinema deixa muito a desejar, sendo que a principal mensagem (quem é mais selvagem, os nativos da floresta ou nós, seres pseudo civilizados?) bem escancarada, dita inclusive pelos atores, ajuda a dar ainda mais sabor de obvio em tanta gratuidade. Em suma, uma grande selvageria artística no mau sentido.

Canibal Ferox – Cannibal Ferox

- Itália 1981 De Umberto Lenzi Com Giovanni Lombardo Radice, Lorraine De Selle, Danilo Mattei, Zora Kerova, Walter Lucchini, Fiamma Maglione, Robert Kerman, Venantino Venantini, 'El Indio' Rincon 93’ Horror


Cotação:

17 de outubro de 2008

Diabolik

Nada parece ser mais pop que cinema italiano comercial. Adaptação de personagem de quadrinhos local muito popular, cada frame de Diabolik é um deleite kitsch assinado por Mario Bava, produzido pelo não menos lendário Dino De Laurentiis e trilha sonora (menos swingada do que se espera) de Ennio Morricone. Não uma trama em si, mas um infinito gato e rato do anti-herói (John Phillip Law) com a polícia e a máfia. Com alguns personagens sumindo da ação depois de um tempo, além de seguir divertidamente lógica física inverossímil, dá pra perceber que o roteiro (também de Bava) é uma grande colcha patchwork reaproveitando situações dos quadrinhos. Também engraçado o personagem seguir um estilo James Bond, cheio de apetrechos tecnológicos, mas é um ladrão que não pensa duas vezes em matar quem se colocar à sua frente, mesmo se for apenas um pau mandado do chefão. Seus planos mirabolantes não são para roubar dos ricos e dar aos pobres, mas pra puro e simplesmente enriquecer e dar tudo o que sua amada Eva (Marisa Mell belíssima) quer. O mais próximo do heróico que seus atos fazem é desestabilizar o sistema vigente. Explode vários prédios públicos obrigando o ministro ir à TV pedir aos cidadãos que por amor à pátria declarem novamente seu imposto de renda, já que todos os registros foram perdidos. “Só pode ser piada!” declara um nobre tiozinho enquanto toma sua biritinha num boteco. É esse espírito que o põe muito acima de 9 entre dez versões cinematográficas do gênero, cada vez mais enquadradas na burrice da média intelectual das platéias. O ator Law, falecido em 2008, apareceria como o anjo de Barbarella, outro filme de heróis do mesmo ano.

Diabolik - Danger: Diabolik

- Itália/França 1968 De Mario Bava Com John Phillip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli, Adolfo Celi, Claudio Gora, Mario Donen, Renzo Palmer 105’ Aventura


Cotação:

16 de outubro de 2008

Topkapi

A coisa mais engraçada desta comédia (pouco engraçada) é Melina Mercouri como a larapia ninfomaníaca suspirando pra qualquer mancebo desprevenido. Bem levezinho, pertence ao subgênero comum na época de grupo de ladrões metidos a espertos que têm plano mirabolante a colocar em prática, no caso, roubar valiosa jóia pertencente ao museu de Topkapi, na Turquia. Pesa contra, além do humor mediterrâneo ímpar, as infinitas seqüências onde se discute o tal plano. O elenco internacional passeia livremente por vários países em locações ensolaradas e belas, o que também exige a mínima localização geográfica de quem o assiste. Fora isso poderia ser uma comédia do Black Edwards sem o mesmo jogo de cintura, mas cheio do colorido espírito 60’s. Seus momentos finais são espetaculares minutos de suspense similares à famosa cena dirigida por Brian de Palma no primeiro Missão Impossível. Peter Ustinov fazendo o paspalho que entre pro bando sem saber ao certo do que se trata, acabou valendo-lhe o Oscar de Ator daquele ano. Nos extras de Spartacus ele aparece em entrevista recente contando sobre as incríveis coincidências envolvendo o número 13 que o fizeram ter certeza de que seria o premiado da noite embora não fosse o favorito.

Topkapi

- EUA 1964 De Jules Dassin Com Melina Mercouri, Peter Ustinov, Maximilian Schell, Robert Morley, Jess Hahn, Gilles Ségal, Akim Tamiroff 119’ Comédia


DVD - Edição boa da New Line Home Video, respeitando o estilo do filme nos menus animados e na arte da capa. Como extras, incluíram o trailer e biografias em texto incluindo o da atriz grega Mercouri, que se dedicaria à política em seu país de origem .

Cotação:

11 de outubro de 2008

King Kong Vs Godzilla

Foi o evento do ano sem dúvida! O confronto dos monstros gigantes mais famosos de todos os tempos e ainda por cima ambos pela primeira vez em cores. Como King Kong era bem mais popular no Japão do que o conterrâneo Godzilla, os personagens evidenciam uma torcida por ele, mas a gente acha os dois uma graça e torce para que nenhum saia muito ferido. Por incrível que pareça, a idéia deste crossover surgiu de um produtor americano que tendo seu projeto “King Kong Vs Frankenstein” recusado pelos estúdios de Hollywood foi bater na porta dos japoneses da Toho. Embora os créditos iniciais indiquem que o macaco está sob autorização da RKO, há substanciais mudanças com o que conhecemos no clássico de 31. A começar, lógico, pela troca do bonequinho em stop motion por um homem numa fantasia ridícula. A técnica é usada apenas nos closes, sendo que a figura original aparece nas fotos do departamento de divulgação enfrentando Godzilla em tosca montagem. Ele também não vivia mais na Ilha da Caveira, mas numa outra onde japoneses da raça negra dançam coreografias fáceis. É levado à civilização graças a um ambicioso e atrapalhado empresário do ramo farmacológico e pra não ficar tão em desvantagem com o lagartão que cospe fogo, King Kong fica super forte ao entrar em contato com a rede elétrica, ou levar raios na cabeça... Com carinhos de brinquedo, navios, etc. fingindo ser de verdade, e as sempre engraçadas cenas de multidões em pânico garantem a diversão. Lamentável que estes filmes só chegam até o ocidente com dublagem em inglês e a adição de atores americanos, mas em meio ao samba do criolo doido do roteiro, o que há pra reclamar? Talvez do broxante final do embate...

King Kong Vs Godzilla – Kingu Kongu tai Gojira

- Japão/EUA 1962 De Ishirô Honda Com Tadao Takashima, Kenji Sahara, Yu Fujiki, Ichirô Arishima, Jun Tazaki, Akihiko Hirata, Mie Hama, Akiko Wakabayashi, Akemi Negishi, Senshô Matsumoto, Senkichi Omura 91’ Ação


Cotação:

1 de outubro de 2008

O Homem dos Olhos de Raio X

Cientista bonzinho (Ray Milland) cria colírio que o permite ver absolutamente tudo o que há no mundo sem barreiras. Ao resolver aplicar em si, acarreta uma série de incidentes, além de ficar inebriado com o poder. Esta estranha ficção científica tem a assinatura de Roger Corman, cientista louco como protagonista, fotografia de um bizarro “novo“ sistema com nome engraçado e mesmo assim é muito bom! Transcende o gosto de filmes B só porque são mal feitos ao ponto de involuntariamente causarem risos. Por uma merrequinha Corman colocou o ex-grande astro (oscarizado e tudo) pra trabalhar num roteiro bastante envolvente e divertido, imerso de aura 60’s. Consegue discutir filosoficamente o enxergar além, e os transtornos e delicias que isto acarreta, sem perder o bom humor literalmente de vista. A cena da festinha regada a iê-iê-iê, quando o doutor usa seus poderes para ver todo mundo peladão, é antológica. Há quem critique o tom moralista que a fita assume nos momentos finais, mas seu impacto é compensador.

O Homem dos Olhos de Raio X - X: The Man with the X-Ray Eyes

- EUA 1963 De Roger Corman Com Ray Milland, Diana Van der Vlis, Harold J. Stone, John Hoyt, Don Rickles 79’ Horror/Ficção Científica


Cotação:

23 de setembro de 2008

Blacula

Com a blaxploitation a todo vapor, tomando partido da busca por uma identidade negra no fim dos anos 60, inicio dos 70, não houve gênero que escapasse de seus tentáculos. Embora muito mais afeita aos filmes de gangues, o horror teve com este Blacula o exemplar mais iconográfico e cult. Só o título já soa risível pelo absurdo da idéia de converter um personagem da literatura conhecidamente branco, vindo dos Cárpatos, para a raça negra. A trama, bem simples, começa realmente como um filme de terror, mas o desenrolar acaba ganhando contornos de policial pé de chinelo bem previsível. Em 1800 e qualquer coisa, príncipe africano vai com a esposa até a Transilvânia pedir ao Conde Drácula que pare com o comércio de escravos. “Para nossa surpresa”, ele é mordido, e sua esposa deixada à míngua. Corte rápido, vamos para a atualidade, ou seja, início dos 70, quando casal inter-racial de decoradores bichas compra um caixão sem saber que contem Blacula. Desperto, claro que o Conde africano achará sua esposa reencarnada, enquanto vai mordendo muitos pescoços ao som da soul music. Paralelamente, detetive tenta desvendar porque cadáveres estão voltando à vida, a começar pelo gay Black Power do começo, que mesmo morto freqüenta os bas-fonds à caça de sangue másculo. De produção miserável, a primeira mostra do que nos aguarda está no séquito de Drácula usando dentaduras daquelas que vendem em banca de revistas e perucas de ráfia brilhante. Diferente do que se está a costumado a ver nos vampiros, Blacula quando vai atacar muda de aparência, com mono celha e costeletas avantajadas, mas fora isso, todo o resto foi preservado. De charme trash irresistível, sua metragem é bem curta, o que garante diversão sem qualquer aborrecimento.

Blacula

- EUA 1972 De William Crain Com William Marshall, Vonetta McGee, Denise Nicholas, Thalmus Rasulala, Gordon Pinsent, Emily Yancy, Lance Taylor Sr., Ted Harris, Elisha Cook Jr. 93’ Horror


Cotação:

19 de setembro de 2008

Minority Report – A Nova Lei

Num futuro próximo, a polícia de uma grande cidade consegue controlar o número de crimes existentes a zero. Ela age antes graças ao uso de três videntes que prevêem os assassinatos a serem cometidos. Tudo vai bem e etéreo até que num belo dia, entre estas revelações, aparece o principal detetive mandando ao espaço um completo desconhecido. Caberá ao bom mocinho descobrir quem é o cara que ele irá apagar, por que, e de quebra fugir dos ex colegas, maluquinhos pra colocá-lo atrás das grades. Assim como Blade Runner, é baseado em história de Philip K. Dick, o que já é garantia de muitos subtextos sempre sobre o direito de escolhe, o ir e vir, etc e tal. Nas mãos de outro diretor seria um clássico tal e qual a obra de Ridley Scott de 1982, mas tristemente é Spielberg até o osso. Comprometido acima de tudo com o lucro da classe média americana, não há muito que pensar já que o filme é o mais explícito possível. Tão evidente que dá pra matar a charada logo nos primeiros 10 minutos, o que nos obriga assistir até o final feliz (ei, é Spielberg!) só pra gente dizer: “Eu sabia! Eu sabia!”. Fora isso temos, claro, sua costumeira fixação familiar, que pode até ficar bacaninha em comercial de margarina, mas em suas produções não raras vezes beira o sentimentalismo barato. Papai separado do filhinho, remoendo lembranças, choro... O esmero técnico também outra de suas marcas chama a atenção, embora nestes tempos de tecnologia barata e cada vez mais comum, o visual já está datado e vulgarmente cafona.

Minority Report – A Nova Lei
– Minority Report


- EUA 2002 De Steven Spielberg Com Tom Cruise, Max von Sydow, Steve Harris, Neal McDonough, Patrick Kilpatrick, Jessica Capshaw, Colin Farrell 148’ Ficção Científica


DVD - Como o diretor ainda não entendeu a lógica de um DVD, deixando seus lançamentos a cargo do estúdio que os entope de qualquer tranqueira, dá pra dispensar o duplo. Este simples tem menus muito poluídos de difícil uso. Achar um capítulo é quase trabalho para vidente! Pra piorar, não há nem o trailer, e trocar áudio só sendo obrigado a escaramuçar o tal menu e não pelo controle remoto.

Cotação:

28 de agosto de 2008

O Invasor Galáctico

Vergonha alheia! Legítimo herdeiro das ficções científicas 50’s, mas que não fica na paródia, na avacalhação o que é pouco comum. É interessante a tentativa de seguir ipsis litteris uma rebuscada produção científica com os recursos artísticos e financeiros que tinham a seu alcance! O resultado? É quase impossível não cair às gargalhadas durante todo o tempo. Efeitos especiais péssimos, diálogos sem sentido, fotografia acidental, interpretações que nem nas épocas de cruzadinha na igreja vi semelhantes. E o principal: elenco medonho, trajando o último grito da moda do começo dos 80. A história é simples e eficiente. Alienígena, parecido com o Mostro da Lagoa Negra, sabe Deus por que, cai na Terra, precisamente na zona rural (!!!) de Baltimore, o que despertará a cobiça de um grupo de caipiras malvados que decidem capturá-lo para ganhar dinheiro. Muitos mortos, armas laser de plástico e um plot familiar mal e parcamente explorado durante uma hora e 20 minutos. Está ruim? Espere pelo final inacreditável!



O Invasor Galáctico – The Galaxy Invader

- EUA 1985 De Don Dohler Com Richard Ruxton, Faye Tilles, George Stover, Greg Dohler, Anne Frith, Richard Dyszel, Kim Dohler 80’ Ficção Científica


DVD - Nos últimos suspiros da Works DVD (London Films) ela vendeu estas produções baixadas de sites que disponibilizam produções aparentemente sem copyrights. A tiragem pequena fez com que desaparecessem das lojas num estalo. Cada disco traz dois filmes do mesmo gênero, com qualidade precária, nos minutos finais a imagem simplesmente some como se a matriz em VHS (!!!) estivesse mofada. Vale sem dúvida para se guardar estas obras primas classe Z.

Cotação:

22 de agosto de 2008

Pacto Sinistro

Obra prima de Alfred Hitchcock, embora pouco lembrada como um dos melhores já produzidos em Hollywood. Era o início da feliz fase que entraria na década de 50, embora tecnicamente, aparente ser mais antigo. Por mais frescor que exigisse de seus roteiros (por acaso a estréia em adaptações dos livros de Patricia Highsmith), Hitchcock preservava muitos cacoetes já fora de moda. Retro projeções ao invés de externas, câmera acelerada em cenas de perseguição, etc. Óbvio que este pode ser um de seus diferenciais, fez tudo do jeito que sempre quis, com aprovação da platéia e de forma pouco vista, pelos estúdios. Em uma viagem de trem, jogador célebre de tênis cruza com Bruno (Robert Walken), um pretenso fã. Conversa vai, conversa vem, o desconhecido conta-lhe sua idéia de crime perfeito. Cada qual assassinaria um desafeto do outro, e como não há relação alguma entre ambos, jamais seriam descobertos. O esportista tem a ex-esposa libertina a lhe empacar e Bruno, seu pai magnata e intransigente. Claro que não há como levar a sério tais devaneios, embora o desconhecido creia no pacto selado, cumpre sua parte, e passa a exigir o mesmo do outro. O circo está armado e o que não faltam são momentos do mais puro talento artístico! Adaptado por Raymond Chandler (entre outros), polemicamente como muitas das parcerias do mestre, é um dos textos mais bem amarrados que já filmou. Conduz a platéia a uma espécie de funil macabro, enquanto ricamente dá espaço às mais variadas interpretações, inclusive sexuais. Walken, que faleceria logo depois graças ao alcoolismo, entrou para a diminuta galeria de atores que conseguiram ter seu talento destacado em um filme de Hitchcock.

Pacto Sinistro - Strangers On A Train

- EUA 1951 De Alfred Hitchcock Com Farley Granger, Robert Walken, Ruth Roman, Patricia Hitchcock, Laura Elliot, Marion Lorn, Norma Vaden 101’ Suspense


DVD - Outro clássico lançado com a dignidade que merece pela Warner, distribuidora número um para este tipo de filme. Embalado em luva de papelão, só a faixa de áudio com comentários e o trailer não estão com legendas em português. No segundo disco, a versão integral de Pacto Sinistro conforme foi exibido numa pré estréia, com alguns minutos a mais e sem a cena final no trem. São quatro documentários: Um com historiadores contando detalhes de bastidores, outro com Patricia (filha de Hitchcock e participante do elenco) com as filhas relembrando fatos familiares, um terceiro com a atriz que faz a vitima míope e o mais curioso com M. Night Shiamalan analisando o roteiro.

Cotação:

12 de agosto de 2008

Marte Ataca!

Além de levar o pouco honroso título de o primeiro filme baseado em figurinhas de chiclete, ainda se deu ao luxo de usar um dos elencos mais estrelares já reunidos. Tão escachado e ao mesmo tempo tão hermético, é político-social crítico como poucas vezes vimos vindo de um grande estúdio de Hollywood. Tim Burton usou a série de imagens 60’s para reverter a interpretação que as produções com invasões alienígenas se prestavam no passado. “Pobre EUA, sempre sendo ameaçado por forças externas terríveis!”. Nos mornos anos noventa a Guerra Fria com seus perversos comunistas à espera de uma brecha da grande águia democrática já tinha saído faz tempo do imaginário popular. Deu lugar à não menos xenófoba paranóia quanto à invasiva chegada de latinos (ou qualquer outro estranegiro) em busca de seu lugar ao sol. Não é à toa de que o grande herói se revelará o adolescente xicano vendedor de Donuts, enquanto os americanos aparecem mais idiotas e presunçosos do que de costume. Como não há quem goste de dedos em riste contra seu nariz, não houve por lá quem achasse graça. Deste lado do equador, para quem se permitir rir e pensar ao mesmo tempo, aplaudirá o espetáculo de referências aos “grandes” momentos do cinema B da décadas 50 e 60. Burton não abriu mão inclusive de misturar inúmeras imagens de arquivos de velhas fitas catastróficas como convinha ao gênero. Ainda arranjou papéis para muitos astros de outros tempos como Pam Grier, musa dos blaxploitation que depois trabalharia com Quentin Tarantino, e Sylvia Sidney, que como a vovozinha esquecida num asilo teve seu último trabalho na tela grande antes da morte em 1997. O compositor Danny Elfman tem na trilha sonora de Marte Ataca! um dos pontos altos de sua carreira.

Marte Ataca! – Mars Attacks!

- EUA 1996 De Tim Burton Com Jack Nicholson, Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Tom Jones, Lukas Haas, Pam Grier, Lisa Marie, Natalie Portman, Sylvia Sidney, Christina Applegate, Black Jack 106’ Ficção Científica/Comédia


DVD - Este lançamento antigo da Warner recebeu reimpressão substituindo capinhas de papelão perecíveis. O conteúdo continuou o mesmo, com os desconfortáveis dois lados, tendo fullscreen e widescreen em cada um, o que nos faz sempre deixar marcas de dedos. O filme roda automaticamente, o que parece outra lembrança da época pré-histórica do DVD. No menu principal não há a função iniciar, o que nos obriga a entrar no filme através da seleção de capítulos. De extras, muito texto em inglês, dois trailers também sem versão em português, e a opção de se assistir à película sem os diálogos. Ao entrar em o áudio, repare na opção “marciano” e clique!

Cotação:

8 de agosto de 2008

Los Angeles – Cidade Proibida

Quem tem asas voa na cidade dos anjos. Quem não tem se envolve até o pescoço com todo tipo de sujeira. A grande sacada deste filme, dirigido pelo então apenas medíocre Curtis Hanson, não é em apelar para o realismo de uma época, mas desenrolar a história justamente no imaginário popular sobre o que teria sido a primeira metade da década de 50. A Califórnia repleta de espertalhões mamando na efervescência local à revelia de uma polícia considerada a melhor do mundo. Como não poderia deixar de ser, perambulando pelo roteiro inúmeras referências à Hollywood clássica, sendo a mais saborosa a agência Flor de Lis, especializada em prostitutas sósias de atrizes famosas. Nesse cenário surge a personagem de Kim Basinger, uma ode ao saudosismo relembrando a fatal Veronica Lake. Ela é o contrapeso aveludado entre os policiais bonzinhos e durões, arrastados para a disputa do tráfico local. Tem presença luminosa, embora seu desempenho não seja lá essas coisas pra ter levado o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 97. Mero detalhe perto da reconstituição de época, trilha sonora, direção de arte, tudo parece funcionar! Só não é uma obra-prima porque há subtramas e personagens demais ao ponto de depois da primeira hora ficar confuso, quase maçante. Assista aos créditos finais inteiros.

Los Angeles – Cidade Proibida – L.A. Confidential

- EUA 1997 De Curtis Hanson Com Kevin Spacey, Russell Crowe, Guy Pearce, James Cromwell, Kim Basinger, Danny DeVito, David Strathairn, 138’ Policial


DVD - Muito bem feito, com a estética dos menus lembrando uma revista sensacionalista, tal e qual a revista Hush-hush do filme. O material em texto sobre os 50’s é bem interessante, dando um panorama geral aos pontos relacionados à ficção que se acabou de ver. Falha grave a falta de legendas não só no making off de quase meia hora, mas no resto dos extras. Há um mapinha com as localidades de Los Angeles onde cada ícone ao ser clicado exibe trecho do filme com algumas explicações, e uma galeria curiosa com Hanson mostrando imagens que serviram de base para a produção. Ele confirma que o galã B Aldo Rey teria servido de inspiração para Russel Crowe, inclusive o corte de cabelo. Está presente a opção (típica dos DVDs mais antigos) de se assistir ao filme só com as músicas, função não muito prática graças aos longos minutos silenciosos sem os diálogos. Além disso, spots de TV e trailer de cinema.

Cotação:

7 de agosto de 2008

Envolto nas Sombras

No começo é inevitável esperar que Lucille Ball faça algo engraçado. Mas nada disso! Aqui ela é a secretária competente de um detetive particular. Daqueles sujeitos durões que usam pra trabalhar chapéu elegante, porta de vidro, e recebem pedidos de auxílio de belas garotas fumando longos cigarros brancos. Noir com N maiúsculo! A fotografia praticamente esnoba qualquer tom de cinza, parecendo um gibi com caras maus desenhado a nanquim. Não poupa nada do que estava em moda naquela época, em plena era de ouro de Hollywood, onde em seus filmes nem os fracos ou os sem algum aplomb tinha vez. Todos, antes de qualquer coisa, esbanjam glamour nesta história tão envolvente quanto barata. Um detetive de passado discutível passa a ser perseguido mortalmente por alguém sem motivo aparente além, lógico, de alguma enrascada do passado. Terá, com a ajuda da fiel secretária, que desembaralhar o quebra cabeças de pistas falsas, ainda que aqui, deste lado da tela, descubra-se antes dele quem está por trás de tudo. Não há do que reclamar da chuva de clichês detetivescos, porque embora se saiba não ter sido um dos primeiros, é uma produção do auge do gênero. Com alguma violência explícita, filmes de detetives vieram para substituir os de gângster da década passada, depois que o código de moral e conduta entrou em vigor. De nariz em pé e com a habitual classe, Clifton Webb é a personificação definitiva do magnata megalomaníaco.

Envolto nas Sombras – The Dark Corner

- EUA 1946 De Henry Hathaway Com Lucille Ball, Clifton Webb, William Bendix, Mark Stevens, Kurt Kreuger, Cathy Downs 99’ Policial


DVD - Mais um da série Fox Classics lançado como se fosse um favor, com arte da capa e menus padronizados. Possui na parte interna um cartão postal com o pôster original do filme, mas nem sempre os outros volumes possuem este brinde, que justificaria o relaxo da capa. Em contrapartida, todos têm imagem muito bem restaurada e as proporções de tela preservadas, além do trailer de cinema.

Cotação:

Cega Obsessão

Estudo hardcore sobre a cegueira da paixão incondicional, a evidente servidão do algoz diante das recusas do ser preterido. Tem ecos de vários outros de mocinhas aprisionadas, quase um subgênero dos romances, ou histórias de amor para adultos, sem finais tão óbvios. Como em Nunca Fui Santa, Ata me! e O Colecionador, desconfia-se pouco de que as tentativas da garota em fugir vão acabar em suplicas de afeto eterno. Pelo contrário, há sempre reviravoltas aqui e ali, e muitas vezes o final feliz tem sabor discutível. No caso deste exemplar nipônico, espera-se um radicalismo maior e não nos decepciona. Doentio em sua estética discorre ainda sobre a figura materna (onipresente) na vida de um homem adulto, muito mais do que discussões sobre caminhos relevantes da arte. Tema, aliás, que acabou diluído entre tantos emaranhados psicológicos. O enredo é basicamente sobre modelo de pouco sucesso que se submete a fazer trabalhos (fotos e esculturas) de nudez, despertando a atenção de artista plástico cego. Junto a sua possessiva mãe, seqüestra a beldade a fim de que pose só para ele. Apenas com três atores e um grande e bizarro cenário com mórbidos pedaços de corpos de argila, consegue nos fazer pensar ininterruptamente em meio à claustrofobia incessante. É um grande filme, artesanal, muito mais preocupado em apontar sentimentos do que declarar verdades sombrias.

Cega Obsessão – Môjû

- Japão 1969 De Yasuzo Masumura Com Eiji Funakoshi, Mako Midori, Noriko Sengoku 84’ Drama/Suspense


DVD - Impossível não reparar de cara o erro grosseiro no nome da distribuidora Magnus Opus, mas graças ao interesse dela temos inúmeros filmes que nem em uma próxima encarnação seriam lançados no Brasil. O longa tem imagem de escopo original, legendas boas e o esforço dos esforços em extras. Em uma produção rara como Obsessão Cega, até o material em texto se torna precioso. Há também o dramático trailer de cinema, biografias e um videozinho em texto ridículo de outros lançamentos. O ponto ruim é seu preço elevado, sendo que o disco vem acondicionado numa embalagem plástica de péssima qualidade, semelhante à usada pelos camelôs. Nem dá pra fechar direito.

Cotação: