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30 de janeiro de 2009

O Planeta Proibido

A mais incensada sci-fi 50’s exige boa dose de paciência. Isso porque, esbarra na precariedade de tantas outras da época. Sem recursos financeiros ou artísticos, enchiam o roteiro de diálogos ao invés das coisas acontecerem ou serem mostradas. E aqui é um infinito blábláblá sobre tecnologia de mentirinha que só com muita boa vontade para acompanhar até o fim. Nos últimos minutos torna-se sensacional, com efeitos especiais ainda impressionantes e a grande sacada na conclusão da história envolvendo o Monstro ID. Aliás, argumento inspirado em A Tempestade de Shakespeare, o que torna a produção mais invulgar ainda. Muito bem humorado, o filme mostra a chegada de uma tripulação terráquea ao planeta Altair I, após investigar inusitado silencio onde antes era habitado. Agora vivem apenas duas pessoas, um cientista com mania de grandeza e sua filha, uma gatinha de roupas provocantes que deixará qualquer um dos astronautas a beijar na boca e sabe Deus o que mais. E claro, um robô humanóide com as falas mais divertidas. Outra coisa curiosa, e que chega a incomodar a princípio, é Leslie Nielsen jovem sendo o capitão. Não dá pra não esperar algumas caretas dele. Mas dá conta do recado na luta contra o mal obscuro comum a todos.

O Planeta Proibido – Forbidden Planet

- EUA 1956 De Fred M. Wilcox Com Walter Pidgeon, Leslie Nielsen, Anne Francis, Warren Stevens, Richard Anderson, George Wallace, Robert Dix 98’ Ficção Científica


Cotação:

28 de outubro de 2008

A Batalha dos Monstros

Ocidentais adoram teorizar sobre o sucesso dos monstros gigantes dos filmes japoneses. Se a do trauma causado pelas bombas atômicas americanas em Hiroshima e Nagasaki estiver correto, este A Batalha dos Monstros ganha sabor de paz na Terra total! Para conquistar de vez as platéias dos EUA há dois personagens ocidentais importantes, e não apenas cenas enxertadas no país do Tio Sam como a Toho fez com os do Godzilla. Dois garotos curiosos (um japonês e outro inexplicavelmente norte americano), entram numa nave espacial que imediatamente os leva a outro planeta, mais precisamente Tera, o 10º do Sistema Solar. A armadilha foi criada por duas habitantes locais que pretendem comer seus cérebros e assim adquirir todo o conhecimento necessário (!!!) para a conquista da Terra. O roteiro não especifica em momento algum porque com tantos cientistas coisa e tal, escolheram dois garotinhos, mas enfim... Lógico que serão salvos por Gamera, a tartaruga gigante que cospe fogo por todos os orifícios e é uma espécie de Godzilla, mas com personalidade menos volúvel do que ele. Desde a sua primeira produção é amiga das criancinhas e ponto! Aqui enfrentará Giron, um dos seus famosos arquiinimigos, misto de serrote com tubarão e toupeira. E dá-lhe pancadaria em cenários de papelão hiper coloridos... Ingênuo, brega e hilário! Espere para a mensagem pacifista final e não caia na gargalhada se conseguir.

A Batalha dos Monstros – Gamera tai daiakuju Giron (Attack of the Monsters)

- Japão 1969 De Noriaki Yuasa Com Nobuhiro Kajima, Miyuki Akiyama, Christopher Murphy, Yuko Hamada, Eiji Funakoshi, Kon Omura, Edith Hanson 80’ Ficção Científica


DVD - Oportunidade única! Dois filmes de Gamera num mesmo DVD. A London (WorksDVD) incluiu A Batalha dos Monstros e Destruam Toda a Terra no box Sci-Fi, juntamente a outras 18 perolas retrô, incluindo o primeiro da tartaruga gigante. Todos agora são encontrados em pequenas lojas a preços pra lá de camaradas. A imagem está bem ruim em fullscreen e o áudio dublado de qualquer jeito em inglês, mas numa produção deste tipo qualquer qualidade se torna luxo inimaginável.

Cotação:

11 de outubro de 2008

King Kong Vs Godzilla

Foi o evento do ano sem dúvida! O confronto dos monstros gigantes mais famosos de todos os tempos e ainda por cima ambos pela primeira vez em cores. Como King Kong era bem mais popular no Japão do que o conterrâneo Godzilla, os personagens evidenciam uma torcida por ele, mas a gente acha os dois uma graça e torce para que nenhum saia muito ferido. Por incrível que pareça, a idéia deste crossover surgiu de um produtor americano que tendo seu projeto “King Kong Vs Frankenstein” recusado pelos estúdios de Hollywood foi bater na porta dos japoneses da Toho. Embora os créditos iniciais indiquem que o macaco está sob autorização da RKO, há substanciais mudanças com o que conhecemos no clássico de 31. A começar, lógico, pela troca do bonequinho em stop motion por um homem numa fantasia ridícula. A técnica é usada apenas nos closes, sendo que a figura original aparece nas fotos do departamento de divulgação enfrentando Godzilla em tosca montagem. Ele também não vivia mais na Ilha da Caveira, mas numa outra onde japoneses da raça negra dançam coreografias fáceis. É levado à civilização graças a um ambicioso e atrapalhado empresário do ramo farmacológico e pra não ficar tão em desvantagem com o lagartão que cospe fogo, King Kong fica super forte ao entrar em contato com a rede elétrica, ou levar raios na cabeça... Com carinhos de brinquedo, navios, etc. fingindo ser de verdade, e as sempre engraçadas cenas de multidões em pânico garantem a diversão. Lamentável que estes filmes só chegam até o ocidente com dublagem em inglês e a adição de atores americanos, mas em meio ao samba do criolo doido do roteiro, o que há pra reclamar? Talvez do broxante final do embate...

King Kong Vs Godzilla – Kingu Kongu tai Gojira

- Japão/EUA 1962 De Ishirô Honda Com Tadao Takashima, Kenji Sahara, Yu Fujiki, Ichirô Arishima, Jun Tazaki, Akihiko Hirata, Mie Hama, Akiko Wakabayashi, Akemi Negishi, Senshô Matsumoto, Senkichi Omura 91’ Ação


Cotação:

20 de setembro de 2008

Os Fantasmas se Divertem

Contado como comédia surreal do ponto de vista de fantasmas às voltas com os moradores vivos de sua casa, é antes de tudo um filme sobre costumes. A tradicional América perdendo espaço para a globalização dos hábitos, degeneração já bem avançada em Nova York. Tim Burton, praticamente em seu primeiro longa, voltaria inúmeras outras vezes ao mesmo tema. Das casinhas suburbanas, aos figurinos de Geena Davis e Alec Baldwin, tudo nos remete ao amado american way de outros tempos. O principal mérito é usar assuntos tão mórbidos e pesados com uma leveza ímpar. Ao final, nos sentimos tentados a olhar para almas penadas com muito mais respeito ao invés do medo costumeiro, embora isso não seja suficiente para que o desfecho conciliador faça algum sentido. Conseguiu bilheteria suficiente para que a mitologia gerasse um desenho animado, vídeo-game e uma há anos comentada seqüência que nunca apareceu. E lógico, credenciou o diretor para assinar Batman, divisor de águas no cinema da década de 90. Cada frame é a cara do cineasta, tanto nos efeitos óticos, ainda interessantes, quanto no visual. Se prestarmos atenção, até a cabeça de Jack Skellington aparece ornamentando o chapéu de Beetlejuice, sendo que o personagem só apareceria em O Estranho Mundo de Jack, que Burton produziu, quatro anos depois. Há também muitas regras engraçadas ditadas, como a que nós só enxergamos o óbvio e que suicidas invariavelmente tornam-se funcionários públicos no além! Sem esquecer a principal delas: Problemas com os vivos? Basta chamar três vezes: Beetlejuice! Beetlejuice! Beetlejuice!

Os Fantasmas se Divertem – Beetle Juice

- EUA 1988 De Tim Burton Com Michael Keaton, Geena Davis, Alec Baldwin, Catherine O'Hara, Winona Ryder, Glenn Shadix, Sylvia Sidney 92’ Comédia


DVD- Caquético e ainda por cima em tela cheia. Ficamos na torcida para que a Warner lance também no Brasil a mesma edição comemorativa dos 20 anos que está saindo nos EUA. Sem falar de As Grandes Aventuras de Pee-Wee que continua inédito em DVD aqui.

Cotação:

11 de setembro de 2008

As 7 Faces do Dr. Lao

Voltar a esse filme depois de tanto tempo é como se deparar com as mais misteriosas e profundas crenças infantis. Tentando desvencilhar qualquer saudosismo, a produção se mantém válida e saborosa para todas as idades. Até porque, os valores defendidos por ela não vão morrer nunca, nem o encanto de crianças por mitológicas criaturas executadas com capricho técnico. Velho chinês chega com seu circo mágico a Abalone, pequena e nada próspera cidade do velho oeste. Ela será extinta graças a um soberbo homem que quer comprar as casinhas de todos, convencendo o povo mesquinho de que aquele lugar não vale nada! No circo do Dr. Lao descobrirão que a abundância chegará sim, além de ganharem lições de moral com cada uma das figuras bizarras. Tremendo fracasso de bilheteria em seu lançamento, cozinhou a carreira do diretor, embora a atriz Barbara Eden fosse consagrada logo depois na série Jeannie, É Um Gênio. As 7 Faces do Dr. Lao é uma daquelas produções que se tornaram clássicas na posteridade devido às constantes reprises na TV. Gerações inteiras aprenderam a amá-lo, assim como A Fantástica Fábrica de Chocolate, Fúria de Titãs, O Pássaro Azul entre tantos outros. Tony Randall, muito popular na época, tem desempenho fenomenal fazendo seis papéis com ajuda de maquiagem. Mereceu o único Oscar do filme, especial de melhor maquiagem, já que tal categoria ainda não existia. Curioso como quando Randall envelheceu de verdade ficou muito parecido com o adivinho cego Apollonius de Tyana, interpretado quando tinha 44 anos. O mundo realmente é um circo...

As 7 Faces do Dr. Lao – 7 Faces of Dr. Lao

- EUA 1964 De George Pal Com Tony Randall, Barbara Eden, Arthur O'Connell, John Ericson, Noah Beery Jr., Peggy Rea, John Doucette 100’ Comédia/Fantasia


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12 de agosto de 2008

Marte Ataca!

Além de levar o pouco honroso título de o primeiro filme baseado em figurinhas de chiclete, ainda se deu ao luxo de usar um dos elencos mais estrelares já reunidos. Tão escachado e ao mesmo tempo tão hermético, é político-social crítico como poucas vezes vimos vindo de um grande estúdio de Hollywood. Tim Burton usou a série de imagens 60’s para reverter a interpretação que as produções com invasões alienígenas se prestavam no passado. “Pobre EUA, sempre sendo ameaçado por forças externas terríveis!”. Nos mornos anos noventa a Guerra Fria com seus perversos comunistas à espera de uma brecha da grande águia democrática já tinha saído faz tempo do imaginário popular. Deu lugar à não menos xenófoba paranóia quanto à invasiva chegada de latinos (ou qualquer outro estranegiro) em busca de seu lugar ao sol. Não é à toa de que o grande herói se revelará o adolescente xicano vendedor de Donuts, enquanto os americanos aparecem mais idiotas e presunçosos do que de costume. Como não há quem goste de dedos em riste contra seu nariz, não houve por lá quem achasse graça. Deste lado do equador, para quem se permitir rir e pensar ao mesmo tempo, aplaudirá o espetáculo de referências aos “grandes” momentos do cinema B da décadas 50 e 60. Burton não abriu mão inclusive de misturar inúmeras imagens de arquivos de velhas fitas catastróficas como convinha ao gênero. Ainda arranjou papéis para muitos astros de outros tempos como Pam Grier, musa dos blaxploitation que depois trabalharia com Quentin Tarantino, e Sylvia Sidney, que como a vovozinha esquecida num asilo teve seu último trabalho na tela grande antes da morte em 1997. O compositor Danny Elfman tem na trilha sonora de Marte Ataca! um dos pontos altos de sua carreira.

Marte Ataca! – Mars Attacks!

- EUA 1996 De Tim Burton Com Jack Nicholson, Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Tom Jones, Lukas Haas, Pam Grier, Lisa Marie, Natalie Portman, Sylvia Sidney, Christina Applegate, Black Jack 106’ Ficção Científica/Comédia


DVD - Este lançamento antigo da Warner recebeu reimpressão substituindo capinhas de papelão perecíveis. O conteúdo continuou o mesmo, com os desconfortáveis dois lados, tendo fullscreen e widescreen em cada um, o que nos faz sempre deixar marcas de dedos. O filme roda automaticamente, o que parece outra lembrança da época pré-histórica do DVD. No menu principal não há a função iniciar, o que nos obriga a entrar no filme através da seleção de capítulos. De extras, muito texto em inglês, dois trailers também sem versão em português, e a opção de se assistir à película sem os diálogos. Ao entrar em o áudio, repare na opção “marciano” e clique!

Cotação:

17 de junho de 2008

Akira

Esta animação tornou-se Cult já em sua época de lançamento. Ao estrear no Brasil com 4 anos de defasagem estava consagrada no mudo inteiro. Ainda abriu o mercado para muitas outras produções japonesas e seu mangá original (na verdade uma tradução do colorizado norte americano) ganhou versão em português pela Editora Globo, tornando-se um dos primeiros quadrinhos do gênero aqui. É de enlouquecer qualquer garoto com suas gangues de motoqueiros rebeldes, drogas sintéticas, possessões e seitas apocalípticas em uma Tókio futurista. Claro que muito daquilo, o fundo político, por exemplo, é de difícil compreensão pelos mais jovens, mesmo assim, Akira é tão bem produzido que há motivos suficientes na tela para não se desgrudar do sofá. Estruturalmente temos o conflito clássico de dois amigos de infância que passam a se odiar junto a seu amadurecimento, a parte inovadora fica por conta da visão realista do futuro a partir dos rumos pessoais e governamentais que forem tomados. Sem um personagem central no comando da ação, Neo-Tokyo (Tókio após a 3ª Guerra Mundial) assume o lugar de cenário e protagonista, de aparência tão repelente e encantadora quanto a metrópole de Blade Runner. Se antes era Cult, não há como não bradá-lo como clássico, até porque, além de permanecer um espetáculo fantástico, pouca coisa tão elaborada surgiu em vinte anos. Com leves mudanças do mangá original muito bem costuradas, está em pé de igualdade com outras grandes ficções científicas, o que o faz ser reverenciado até por quem não tem o costume de assistir animações. Tanto tempo depois nos promove uma alegria saudosista, com muitos pontos melhor compreendidos agora, e também porque as TVs atuais, com áudio dividido em canais e a mídia DVD (com as vozes japonesas originais) dão a impressão de finalmente se conhecer a obra completa. A parte triste é que embora sonhássemos com isso, se descobre que nunca, nem de raspão, nos tornamos parecidos com Kaneda. E ficamos longe de ter uma moto tão bacana quanto à dele.

Akira – Akira

- Japão 1988 De Katsuhiro Ôtomo 124’ Animação/Ficção Científica


DVD - Uma das ausências mais sentidas em DVD parece ter valido a pena! A Focus o lançou em uma lata limitada cheia de “brindes” e extras em comemoração a seus 20 anos!!! Também comercializa o DVD simples em widescreen, o que é uma pena já que a maioria dos bônus (muito bons) está no outro disco, com a versão fullscreen. A embalagem especial contém os dois discos separados, sendo que o em tela cheia serve para mostrar a qualidade em que o filme foi comercializado no passado, e o outro totalmente restaurado. O que mais incomodava nas cópias em VHS era que só existiam dubladas em português, descartando o trabalhão que foi gravar as vozes em japonês antes dos desenhos serem feitos para a sincronia ser total. Os extras são muitos documentários sobre cada passo de sua feitura, entrevista com Ôtomo, videoclipe, Trailers, spots de TV, glossário interativo, storyboards, e no fim deles uma fantástica galeria com pôsteres, desenhos, acetatos, capas do mangá de vários países, inclusive do Brasil, e capas da trilha sonora, LCD, VHS, etc. Ah sim, e as aberturas antigas de He-Man, She-Ra, O Elo Perdido e a Flauta Mágica. Tudo legendado! Os “brindes” são dois cartões, camiseta tamanho G e pôster gigante com a arte moderna. Detalhe que a imagem dele é a mesma usada na capa do DVD widescreen, sendo que no outro optaram inteligentemente pelo desenho do Kaneda conforme era no VHS. As únicas coisas ruins, mas muito ruins, são áudio e legendas não puderem ser trocados durante o filme e 4 (!!!) anúncios antipirataria toda vez que se inicia a película. Se voltarmos ao menu de áudio durante o filme, ao retornarmos volta-se ao inicio, e somos obrigados a ver os anúncios de novo, e eles não podem ser pulados, retrocedidos pausados nem nada! A dica é usar o menu de capítulos.

Cotação:

12 de junho de 2008

Supergirl

É uma aventura na cola do mega hit que foi o Superman de 1978. Mas poderia ser uma comédia. Involuntária, claro! Os produtores cercaram-se de tudo o que poderia ser bom, menos de um roteiro condizente, adulto, que exigisse o mínimo da inteligência madura da platéia. Tivesse meia hora a menos e crianças de 6 a 8 anos iriam adorar! Alguns sobreviventes de Kripton, sabe-se lá como, sobreviveram e moram em nave (ou planeta) pacificamente. Um cientista (Peter O'Toole pagando seus pecados), mesmo tendo criado tudo aquilo, é idiota o bastante para roubar uma bola sagrada vital ao funcionamento de tudo para manufaturar esculturas de isopor. Acidentalmente a garota Kara (de pau?), prima do Homem de Aço (repetirá isso o tempo todo!), cria uma libélula gigante (!!!) que quebra o vidro (plástico) o que faz com tal bola perca-se no espaço graças ao vácuo. Por ter colocado todos os kriptonianos em perigo novamente, a loirinha então parte em uma nave experimental rumo à Terra, e o roteiro também nunca explica como sabia a trajetória do artefato... Tá! A esfera poderosa cairá no molho da ambiciosa bruxa Selena (Faye Dunaway!!!), em um piquenique. A sucessão de absurdos parece infinita. Ao cair no fundo de um lago, a garota já sai voando, e seus trajes de toga grega viram o de cheerleader jeitosinha como mágica. Esse poder de transmutação não é nada perto do disfarce que usará para passar como humana. Ao contrário do primo famoso que usa óculos e um terno, ela muda a cor do cabelo para preto como Linda Lee! Se ele necessita de uma cabine telefônica para se trocar, ela muito mais prática simplesmente se transforma! Se ele tem como meta salvar o mundo de um empresário terrorista, ela está mais envolvida em resolver problemas do coração, ou escapar da tal bruxa que enfeitiça (e disputa) seu interesse amoroso. Vergonhoso teatrinho infantil! Helen Slater foi considerada uma das causas do fracasso, mas é óbvio que dos males o menor. Agora os grandes nomes envolvidos no projeto, atuando no piloto automático são revoltantes. Dunaway e O'Toole disputaram a Framboesa de Ouro daquele ano merecidamente. Esqueceram de Mia Farow como mãe da protagonista, talvez porque seja uma pequena participação, mas igualmente triste! Mas sabe o que é divertido? Notar tanto dinheiro gasto em algo hilário de tão cafona e achar as falhas dos efeitos especiais muito amadores. Os cabos responsáveis pelo vôo da Supermoça são visíveis o tempo todo! Ou a sombra das roldanas que os sustentam... Taí uma super vídeo cacetada!

Supergirl – Supergirl

- EUA 1984 De Jeannot Szwarc Com Helen Slater, Faye Dunaway, Peter O'Toole, Mia Farrow, Peter Cook, Simon Ward, Maureen Teefy, Hart Bochner, Brenda Vaccaro 124’ Aventura


DVD - Epa! Nem só de horror vive a Works (London Films)! Se bem que Supergirl em termos de trash bate de 10 a zero em qualquer filme da Hammer. Tem ótima qualidade de imagem e áudio, tinindo de novos. Os menus animados também são bacanas, com a música (irritante) composta por Jerry Goldsmith. Não há nada de extra, mas lá fora saiu uma edição do diretor, com minutos a mais, o que desperta algum interesse pelo tamanho do abacaxi que é a edição comercial, já bastante longa.

Cotação:

22 de maio de 2008

Hulk

Calcado muito mais em interpretações do que em mega efeitos especiais, tornou-se um dos mais injustiçados nessa já cansativa série de adaptações de quadrinhos pra tela grande. Cabe uma ressalva, porque não é que não tenha efeitos, até tem muitos, sendo o personagem principal um deles, mas o desenrolar da ação não necessita apenas dos pixels da criatura verde para existir. O que não surpreende, já que o diretor Ang Lee, é sabidamente um artista sentimental, como já havia se visto em O Banquete de Casamento, ou Tempestade de Gelo. O mertiolate do arranhão comercial chamado Hulk chegaria algum tempo depois com O Segredo de Brokeback Mountain e seus não sei quantos Oscars. Aqui, interessou-lhe contar tempestuosos conflitos de gerações com a não menos velha discussão do que é herdado geneticamente ou adquirido. Dá pra lembrar ainda de Hamlet, porque não? O monstro tão xingado parece pouco, e sua existência em CG não deixa de ser uma ousadia. Em meio à história, só se pararmos pra perceber seus movimentos de cartoon é que a magia cai com seu artificialismo. Mais defeito do que ele é o exaustivo uso de transições digitais um tanto quanto óbvias. Não a linguagem de quadrinhos da edição, que ainda dão um aspecto 70’s, mas as transições entre as cenas mesmo. E claro, sua duração de mais de duas horas. Ficará para a posteridade como um raro exemplo de filme de super herói, tão subgênero banalizado na atualidade, voltado à platéia adulta. Faixa etária cada vez mais relegada a segundo plano pela indústria hollywoodiana.

Hulk – Hulk

- EUA 2003 De Ang Lee com Eric Bana, Jennifer Connelly, Sam Elliott, Josh Lucas, Nick Nolte, Kevin Rankin 101’ Ação/Drama


DVD - O estojo plástico verde esmeralda nos lembra aqueles antigos VHS da Disney, mas a impressão da capa, metalizada, dá todo o destaque que o filme merece na nossa estante. Os menus são iguais ao que a Warner faria mais tarde para Batman Begins, com fusões entre os quadrinhos e o filme. Há uma batelada de extras, e alguma coisa para ser acessada em DVD Room. Destaque para Ang Lee servindo de molde na captura de movimentos para a criação do Hulk.

Cotação:

13 de abril de 2008

Ed Wood

Normalmente biografias só são filmadas quando há uma superação de limites físicos, quando alguém morre por uma grande causa, enfim, retratam heróis, pessoas vencedoras. Isso faz com que esta biografia de Ed Wood Jr. seja mais estranha. O afamado pior de todos os diretores do mundo, dono de uma filmografia com bombas do gênero Glen ou Glenda, Plan 9 From Outer Space, A Noiva do Átomo ainda por cima tinha a péssima mania de usar calcinha e sutiã! Claro que seria um fracasso de público embora muito elogiado pela crítica e adoradores de cinema. É sobretudo a obra prima de Tim Burton, diretor igualmente esquisito, e que vive nos dias de hoje ganhando milhões com fetiches e bizarrias igualmente amante da sétima arte. Não nos mostra apenas ao auge, se é que aquela sucessão de fracassos pode ser considerada auge de alguma coisa, de Ed Wood, mas a paixão que move a vida de um homem não longe do medíocre. O descompasso entre capacidade e a ambição, produzido como se realmente fosse uma divertida produção ruim 50’s. E os envolvidos parecem ter abraçado o projeto com a mesma loucura. Interpretações fantásticas, como a de Martin Landau de Bela Lugosi, premiada com o Oscar daquele ano, fotografia preto e branco de contrastes fortes a trilha sonora que se dá ao luxo de usar Teremim, secular instrumento musical eletrônico ouvido naquele período à exaustão em ficções científicas. Junto a Crepúsculo dos Deuses e Cecil Bem Demente, é o melhor filme sobre cinema, celebridades e teimosia! Seu coração suportará estes chocantes fatos?

Ed Wood – Ed Wood

- EUA 1994 De Tim Burton Com Johnny Depp, Martin Landau, Sarah Jessica Parker, Patricia Arquette, Jeffrey Jones, Bill Murray, Lisa Marie, Juliet Landau, George 'The Animal' Steele 127’ Drama/Comédia


DVD - Além de resgatar a imagem original widescreen, há alguns extras simplesmente imprescindíveis não mencionados na contracapa! Mesmo não sendo a edição definitiva lançada lá fora. Dois documentários, por exemplo, estendem assuntos tratados no filme: travestismo (!!!) e o uso do teremim, verdadeiras aulas de psicologia e história musical. Cenas deletadas, making of, clip musical com Lisa Marie dançando de Vampira, etc. O destaque é a faixa em áudio com comentários do diretor, Martin Landau, roteiristas e produtores, que teria sido um dos motivos para o DVD em seu primeiro lançamento nos EUA ser recolhido tamanha franqueza nas declarações. Gravada com eles separadamente, mas com depoimentos costurados pela voz de Landau encarnando Bela Lugosi, temos o distanciamento necessário de quando o filme foi feito para todos revelarem muitas curiosidades. Os roteiristas lembram por exemplo quando fizeram O Pestinha, que originalmente seria uma comédia inteligente adulta e depois de tanto mexida virou uma comedinha infantil ruim explorada em continuações e série de TV. Sucesso de público os colocou artisticamente numa espécie de limbo, porque ninguém queria trabalhar com eles. E fazer um filme ruim não era a sua intenção, assim como Ed Wood.

Cotação:

29 de março de 2008

Os Adolescentes do Espaço

Este lixo da ficção científica tipicamente 50’s tem todos os elementos que se espera de tais produções. Naves com fios de nylon aparente, armas laser “similares” a secadores de cabelo, monstros gigantes, e pobres donzelas que diante do perigo soltam um berro ao invés de tomarem qualquer atitude eficaz. O que não se esperava era um roteiro redondinho, divertido, leve! Nossa, e o galã ainda por cima se chama David Love! Que óbvio, assim como todo elenco despontou para o anonimato, junto ao diretor Tom Graeff, que acumula três ou quatro funções nos créditos iniciais como nos melhores trashes que se tem noticia. Diziam as mais línguas que os dois eram amantes! O cenário da casa da mocinha, na verdade era onde os dois moravam há algum tempo... A trama não poderia ser melhor: equipe de alienígenas (todos jovens bonitões) chegam à Terra para implantar uma espécie de viveiros de Gargons. As criaturas que são o alimento preferido de seu povo, mas a gente jura se tratar de lagostas, ao entrarem em contato com a atmosfera terrestre ganharão proporções colossais. Além dos costumes e moda para jovens daquela época, os efeitos especiais são incrivelmente risíveis! O principal deles é o que acontece às pessoas ao serem atingidas pela arma possante dos invasores, se tornando um esqueleto. Detalhe, não há esforço algum em esconder os arames que seguram os ossos. Pobre Sparky, cãozinho corajoso e primeira vítima dos malvados aliens a ser desintegrado! Ei, mas você também queria o que de um filme que expõe no título as palavras “Teenagers” e “from Outer Space”? Um trabalho do Kubrick?

Os Adolescentes do Espaço – Teenagers from Outer Space

- EUA 1959 De Tom Graeff Com David Love, Dawn Bender, Bryan Grant, Harvey B. Dunn, Tom Graeff, Frederick Welch, Carl Dickensen 85’ Ficção Científica


DVD - A Works DVD (ou London Films, nunca se sabe!) é realmente uma mãezinha! Disponibilizou no mesmo DVD Os Adolescentes do Espaço e Papai Noel Conquista os Marcianos, presente na lista do IMDB com os 50 piores filmes já feitos. Os menuzinhos para cada filme estão caprichados como sempre, e ainda há sinopses e biografias na medida do possível. Nesses textos, erros de ortografia e redação são gritantes!

Cotação:

27 de fevereiro de 2008

Gammera, O Monstro Invencível

Explosão atômica e os ienes de Godzilla despertaram Gammera, a tartaruga gigante! Junto com o réptil famoso e Mothra, a mariposa carnavalesca, formam a santíssima trindade dos monstros super crescidos que ameaçam Tóquio eternamente. Quem já foi criança algum dia a princípio achará tudo uma graça. Dos aviões de brinquedo, cidades inteiras miniaturizadas fingindo ser de verdade ao alerta antibélico, na cola da então vigente guerra fria, é puro nostalgia.. Sem falar do menino, que embora Gammera mande tudo ao espaço entre labaredas e porrada, ainda acredita se tratar de uma criatura boazinha. A principal curiosidade (e defeito) é que esta copia, dublada em inglês, trata-se de hibrido multinacional, tal e qual o Power Rangers da TV. Lançada no mercado americano um ano depois do japonês faz uso de enxertos com com atores americanos. E aí mora o perigo! Enquanto as cenas originais são sérias, e por isso engraçadas, o elenco ocidental está quase esbarrando no humor proposital tipo A Praça é Nossa. E a ação destrutiva que se desenrola na terra do sol nascente é relativamente pouca perto das dezenas de seqüências passadas na ONU num blábláblá que deixa o filme parecer interminável. A gente já sabe que os russos são malvados, e que Gammera é invencível pero no mucho...

Gammera, O Monstro Invencível – Daikaijū Gamera (Gammera, the Invincible)

- Japão/EUA 1966 De Noriaki Yuasa e Sandy Howard Com Albert Dekker, Eiji Funakoshi, Michiko Sugata, Harumi Kiritachi, Dick O'Neill 86’ Ficção Científica


DVD - Vem no mesmo DVD de O Alerta do Espaço, o que dá um novo sentido à expressão filme B nesta era digital. Assim como o outro tem imagem e áudio terrivelmente sofrível.

Cotação:

22 de fevereiro de 2008

Pequenos Espiões 2 - A Ilha dos Sonhos Perdidos

Os irmãos Carmen e Juni Cortez cresceram mais um pouco e tornaram-se dois espiões respeitadíssimos na sua agência. Mas não foram só eles! Muito mais maduro Robert Rodriguez chega quase ás raias da genialidade em se tratando de um filme direcionado às crianças!!! Dá saudades daqueles filmes que passavam ininterruptamente na Sessão da Tarde da década de 80. Os monstros digitais são tão marcantes quanto os em stop motion que a gente viu em clássicos como Fúria de Titãs, As Sete Faces do Doutor Lao, O Mágico de Oz, Jasão e o Velocípede de Ouro, entre muitos outros! A pista principal está no título, uma óbvia alusão a criança abandonada por todos nós ao conseguirmos nossos 32 dentes de que nos são de direito! Volta-se a sonhar com cientistas loucos, seres mitológicos, o poder da mente perante recursos externos, civilizações perdidas, naves espaciais e a possibilidade de que há sempre um mundo mais prazeroso... É o melhor da trilogia, de roteiro melhor acabado e de uma falta de maniqueísmo desconcertante. Irresistível não aderir aquele clichê: “Imperdível! Um filme para todas as idades”. Até porque, deve-se ser inteligente o suficiente para mantermos todas as idades dentro da gente...

Pequenos Espiões 2 - A Ilha dos Sonhos Perdidos – Spy Kids 2 The Island of Lost Dreams

- EUA 2002 De Robert Rodriguez Com Alexa Vega, Daryl Sabara, Antônio Banderas, Carla Gugino, Alan Cummig , Cheech Marin, Danny Trejo, Ricardo Montalban, Mike Judge, Steve Busceni 99’ Aventura


DVD - As costumeiras faixas de áudio de Rodriguez sempre são inspiradoras pelo desprendimento em que revela alguns segredos. Temos mais um curta que ele normalmente coloca nos DVDs de seus filmes chamados “Escola de cinema em 10 minutos”, além de inúmeros making offs, cenas deletadas, erros de gravação e uma visita à casa de Alexa Veja, a atriz preferida de muitas crianças. Aliás, há um vídeo clip com ela cantando a música tema do filme já exibido nos créditos finais.

Cotação:

14 de fevereiro de 2008

Matinê – Uma Sessão Muito Louca

Muito criticado não por seus defeitos, mas pelo que poderia ter sido. Joe Dante, de Piranha, Grito de Horror e Gremlins, optou pela sacarina ao contar a história de uma cidadezinha que na década de 60 teve fim de semana caótico envolvendo mísseis cubanos e a visita de um diretor de filmes de monstro. Quando lançado, uma época remota onde só os aficionados e americanos tinham acesso a pérolas B, tinha lá seu valor. Com elenco basicamente adolescente, não consegue escapar das preocupações de tal faixa etária: Primeiro amor, paqueras, problemas familiares, etc. Mas o principal pecado é desperdiçar o personagem de John Goodman, o tal cineasta sensacionalista claramente inspirado em William Castle, que ficou com personalidade entre a fadinha bondosa e um Rambo salvador de todos os males. Na tela os personagens assistem Mant (Meio home, meio formiga!), um trashão muito mais divertido. Repare a presença de vários astros do cinema podreira de outrora, principalmente Kevin McCarty de Vampiros de Almas. Aliás, ganha um picolé de morango quem achar uma Naomi Watts bem jovem entre o elenco!

Matinê – Uma Sessão Muito Louca – Matinee
- EUA 1993 De Joe Dante Com John Goodman, Cathy Moriarty, Simon Fenton 98’ Comédia


DVD - Só há algum texto de extra, e uma galeria de fotos feitas com screenshots do próprio filme. Mas os menus estão uma graça, bem ao estilo 50’s. Ah, fica cada vez mais difícil tolerar DVD em fullscreen, o que faz com que boa parte da graça se escoa pelo ralo!

Cotação:

22 de janeiro de 2008

O Gigante de Ferro

Este filme deve configurar em toda lista que se preze dos mais injustiçados de todos os tempos. A brilhante animação que Brad Bird (Os Incríveis)fez para a Warner enfrentou inúmeros problemas de distribuição quando lançado nos cinemas, e consecutivamente foi parar direto nas locadoras do Brasil, em pouquíssimas cópias VHS. Uma pena! Consagra-se com a passagem do tempo em clássico, um dos maiores êxitos artísticos da animação produzida nos EUA. Deixa qualquer sentimentalismo barato da Disney no chinelo, diga-se de passagem. Aliás, não há bichinhos fofinhos, nem cantorias desnecessárias para ser indicado ao Oscar. Certa vez o diretor disse em entrevista que se irrita quando colocam seus filmes na categoria “animação”, porque esta seria a técnica empregada, não um gênero em si. O Gigante de Ferro é uma história interessante, que por acaso é contada através de desenho animado. Numa bela tarde, menino solitário e caçador de aventuras encontra um robô gigante vindo do espaço sideral. Partirá desta simplicidade recheada de referências ao mundo pop algumas impressões nada maniqueístas sobre a natureza original de cada um. Em cores pastel e traço retrô, de acordo com a época retratada (50’s), temos aqui a melhor representação fora de seu tempo à paranóica guerra fria. Inteligente o suficiente para ir além do que seria previsível, o apelo antibélico, ecoando até seu surpreendente final pouco feliz (!?) a esperança na amizade pura entre desiguais. Para se aplaudir de pé!

O Gigante de Ferro – The Iron Giant
- EUA 1999 De Brad Bird 87’ Drama/Aventura/Animação


DVD - Não temos a comentada edição de luxo lançada lá fora, mas ainda um DVD digno de nota. Primeiro porque resgata as vozes originais (no VHS só havia a versão em português) de gente como Jennifer Aniston e um Van Diesel em começo de carreira. Depois porque nos primórdios da Internet, um dos sites mais legais era justo o deste filme. Ao colocar o DVD no drive do PC, surpresa! Ele está inteirinho lá! Até com um joguinho em flash, papel de parede, pôsteres, páginas em html e mais um monte de coisa. Ao contrário das faixas para DVD Rom atuais da Warner que trazem quase sempre apenas aquele péssimo player que se instala automaticamente. Detalhe, na capinha os únicos extras descritos são um making of (sem legendas em português) e videoclipe.

Cotação:

28 de novembro de 2007

King Kong (2005)

Lamentavelmente esta corajosa segunda versão do clássico de 33 não teve a mesma repercussão que os 3 trabalhos anteriores de Peter Jackson. Eu mesmo torci o nariz por algum tempo principalmente porque é uma história manjadíssima. A versão de 76, com Jéssica Lange, foi reprisada á exaustão na TV por toda a nossa infância. Lembro da campanha da Globo em 1985 quando ele foi estrear Tela Quente, a “nova” sessão de filmes do canal, junto com outros sucessos do tipo Alcatraz. Um cara fazia mímicas e vozes em off tentavam descobrir qual era o filme. Essa onda pega! Outro repelente foi a duração de mais de 3 (!!!) horas. Ah sim! A massificação de O Senhor dos Anéis me deixou com os pés atrás também! Preconceitos de lado, passei 187 minutos (que pareceram 60 graças ao roteiro brilhantemente elaborado) envolvido com o que há de melhor no cinema de fantasia dos grandes estúdios. Tipo, se velhas raposas como George Lucas ou Steven Spielberg ainda tivesse algum interesse além de engordar seus cofrinhos, como faziam no inicio das suas carreiras, estariam assinando coisas assim! Ok, a história já estamos carecas de saber, inclusive o final, mas há tantos elementos novos, complementares, que deixam a experiência única! Naomi Watts com o papel que antes foi de Fay Wray não está mais do que sensacional! Até Jack Black,que todos acusaram a principio como falha na escalação de elenco, se justifica, usando em detrimento da história sua indisfarçável petulância natural. Somam-se a isto efeitos especiais (a cargo da Weta) do mais alto padrão, que nos fazem crer que realmente estamos diante de Nova York dos anos 30, com toda miséria causada pelo Crash em meio á sua esplendorosa arquitetura art decó. Raramente há furos dos efeitos, ou sinais de gratuidade. Exceto a manada de dinossauros correndo atrás da equipe, que além de exagerada torna-se cansativa. E uma das principais falhas, justo na imagem emblemática da cultura pop envolvendo o macacão: Quanto ele carrega a mocinha nas mãos fica evidente que uma animação substitui a atriz, assim como ficava claro no original que era uma bonequinha. Mas quanto ao protagonista, o macaco digital em si, é tanto realismo que quando levado à cidade e apresentado como a 8ª maravilha do mundo, sua expressão é tão desesperadora, que o filme quase se torna dolorosamente insuportável de ser assistido. E o fim, no topo do Empire State, quando tudo parece bem e se ouve pela primeira vez o som dos aviões tente não sentir um nó na garganta...

King Kong – King Kong
- EUA 2005 De Peter Jackson Com Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Thomas Kretschmann 187’ Aventura


DVD - Uma luva de papelão envolve esta edição dupla. O que dá um ar chique ao produto e claro o encarece. Não que o filme não mereça cada centavo investido nele, mas seu conteúdo é um tanto quanto decepcionante para o que se poderia esperar. Não há faixa de comentário do diretor nem tão pouco trailer original. Peter Jackson aparece no segundo disco apresentando o material, basicamente os diários da produção, antes exibidos no site Kong Is The King e dois documentários. Um sobre a criação da Ilha da Caveira e o mais bacana sobre Nova York na década de 30. Talvez a explicação seja que nos EUA há cerca de 5 edições incluindo a Blue Ray. O que é uma grandíssima sacanagem com o dinheiro alheio essas infinitas edições definitivas.

Cotação:

17 de novembro de 2007

Guerra dos Mundos (2005)

Muita bobagem já foi dita desta releitura de Steven Spielberg para o romance homônimo de H. G. Wells. Não se engane! Você terá exatamente o que imagina, quase duas horas de ininterrupta adrenalina! Óbvio que as comparações com o clássico de 1952 existem, mas aqueles eram outros tempos... Os paralelos com os que vêm do espaço sideral são muito mais fortes em qualquer ameaça á instituição “Família” do que comunistas á espreita da tão querida América. Seus olhos verão coisas assustadoras e absurdamente reais e tais apuros técnicos valem sim o tempo gasto assistindo ao sempre canastrão Tom Cruise tentando proteger não o mundo, como se deveria esperar de um herói altruísta de outrora, mas sua prole. Mesmo que sua filha, a prodígio Dakota Fanning, seja insuportável o suficiente para se torcer que seu fim chegue o quanto antes nas garras de um tripod! Estamos diante de um filme do senhor Spielberg, exibindo ainda fôlego para nos mostrar que qualquer coisa com sua assinatura é garantia de diversão espetacular, familiar e os melhores efeitos especiais. O calcanhar de Aquiles é exatamente essa sua assinatura, que compromete vergonhosamente o final da história. Durante toda a metragem os efeitos são tão sensacionais, os alienígenas são tão maléficos e colossais que quase nos leva às gargalhadas o simples e ridículo desfecho. É impossível ao final o saborzinho de ter sua inteligência subjugada por um velhinho que há muitos anos só repete sua fórmula de extremista em pirotecnia cinematográfica e o pior do caretismo classe média estadunidense.

Guerra dos Mundos – War of Worlds
- EUA 2005 De Steven Spielberg Com Tom Cruise, Dakota Fanning, Miranda Otto, Tim Robbins 116’ Ficção Científica/Aventura


DVD - O que estes filmes, feitos pelas majors americanas, têm de óbvios suas edições duplas em DVD seguem os mesmos passos. Os menus animados (e cansativos) nada mais são que cenas do próprio longa, e os extras não trazem nada além do making of gigantesco, dividido em 4 documentários como diários da produção. O que não é de todo ruim. Estranho que temas tão saborosos tenham sido ignorados. O autor H.G. Wells tem um rapidíssimo especial, e sobre a versão clássica (da própria Paramount diga-se de passagem) ouve-se só de raspão. Assim como a película, só mais um produto aprovado por um engravatado atrás de uma grande mesa em Hollywood á espera do fio metal.

Cotação:

17 de novembro de 2006

King Kong (1933)

Pra começo de conversa há certa emoção ver este bisavô de todos os blockbusters, ainda mais em versão digital, com imagem e áudio cristalino como provavelmente nem as eufóricas platéias de 1933 tiverem oportunidade de assistir. E perceber que muito de seu frescor continua intacto como filme e não apenas com uma peça de museu. Tente se imaginar com os olhos de alguém da época e divirta-se em dobro! Incomoda claro, a cara de idiota que o protagonista, o gorila gigante, tem nessa versão, mas rapidinho se esquece disso (e de que ele é só uma animação em stop motion) tamanha competência técnica em que foi produzido. E de se pensar que oficialmente fazia apenas 4 anos que o cinema era sonoro... Não só digno de todos os louros pelos efeitos especiais, mas o roteiro (com estrutura diferente dos que se assiste hoje em dia) muito bem amarrado. Há sutilezas aqui e acolá, mas se não se quiser dar pelota pra elas ainda é uma película saborosamente fantástica. O que talvez o torne não só o clássico que é, mas o eleve a uma categoria especial, a daqueles filmes que nos dão uma fagulha criativa, que nos fazem querer saber mais, produzir algo parecido, que nos transformam em crianças imaginativas novamente... Wow! E não foi exatamente isso que Peter Jackson justificou para fazer a recente refilmagem?

King Kong
- EUA 1933 De Merian C. Cooper Com Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot 104’ Aventura


DVD - Há três edições distribuídas no Brasil em DVD. Duas delas paupérrimas de extras e esta produzida por Peter Jackson e lançada pela Warner. Duplo, vale cada centavo gasto. A começar pela capa com arte que nos faz crer piamente se tratar de um produto da década de 30 se naquela época, claro, houvesse os queridos disquinhos digitais. Linda, linda, linda! Os menus estáticos, o que poderia irritar, nesse caso até que combinam com o produto. No disco um o filme em si contendo até o áudio em português antiguíssimo e galeria de trailers de vários trabalhos de Merian C. Cooper. E é nesse disquinho que se está o único porém : Faixa de áudio com comentários, inclusive com a mocinha Fay Wray, sem legendas!!! O supra-sumo do contentamento de um cinéfilo está no disco 2! Um documentário gigante e de uma riqueza absurda sobre Cooper, personagem cinematográfica essencial que eu por ignorância desconhecia. O outro documentário presente é assustadoramente revelador, feito para o DVD com os bastidores da produção. Podendo ser assistido todo ou aos pedaços por tema, cada parte deve ter quase meia hora! Possui não só imagens raríssimas da produção, mas de toda uma época, além de depoimentos de sobreviventes, celebridades e historiadores atuais. Destaque para a seqüência perdida e refeita pelos técnicos de Weta (a mesma equipe de O Senhor dos Anéis) e comandada por Peter Jackson. E mais! Todos os Storyboards (Com narração do roteiro) de O Mundo Perdido, produção anterior a King Kong e que a RKO jamais concluiu. Ufa! E ainda testes de stop motion comentados pelo genial Ray Harryhausen, unanimidade na técnica, e responsável pelos efeitos de A Fúria de Tias entre muitos outros. Tudinho legendado em português como cabe á oitava maravilha!

Cotação: