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Tão espetacular que a limitação técnica da falta de som torna-se mero detalhe. Lon Chaney é um perigoso bandido, que para fugir da polícia, refugia-se num circo. Como possui seis dedos em cada mão (o que o identificaria facilmente), disfarça-se de atirador de facas sem braços. Na tenra idade, Joan Crawford é a belíssima filha do dono do circo e partner de picadeiro do malfeitor. Por coincidência, a garota tem aversão a que homens lhe toquem, portanto, vira alvo fácil do falso deficiente enquanto escapa dos galanteios do Homem Forte. E espere um verdadeiro desfile de personagens e ações bizarras, como automutilação e muitas reviravoltas na trama. Até um vigoroso final, ainda de prender o fôlego 82 anos depois! Chaney faz jus à alcunha de homem das mil faces num desempenho emocional e físico difícil de ser superado. Consegue, por exemplo, acender e fumar cigarro só com os pés com espantosa desenvoltura, assim como tocar violão. Parece que fez isso a vida toda. O diretor Tod Browning é muito famoso por ter feito Drácula, aquele de 31 com Bela Lugosi, e o maldito Monstros (Freaks, 1932), mas não há dúvidas de que neste O Monstro do Circo chegava ao auge de seu talento. Alegórico e divertido, traça um vigoroso estudo sobre a natureza humana, numa época em que a psicologia não estava tão avançado. O Monstro do Circo – The Unknown
- EUA 1927 De Tod Browning Com Lon Chaney, Joan Crawford, Nick De Ruiz, John George, Frank Lanning 63’ HorrorCotação:
Um filme brasileiro recente que não se passa em morro carioca, sertão ou nos brinde com as agruras amorosas da classe média já é louvável por si só! E confesso que comecei a assistir com as quatro patas no chão. A fotografia granulada e câmera trêmula me cheiravam a pretensão artística de atorzinho da Globo tentando ser gente no cinema. Preconceito! Ambos acordam completamente com o ambiente doméstico ao qual a história transcorre. Há que se lembrar que junto à tecnologia, a arte (essa coisa tão humana...) de interpretar sofre transformações, e a estréia de Selton Mello como diretor aponta caminhos novos tão drásticos a atores quanto a chegada do áudio ou o zoom. Interpretações tão cristalinas só possíveis no teatro, mas sem os exageros do palco. Ou melhor, a câmera digital nos transporta dolorosamente para dentro da ação quase como bisbilhoteiros, vasculhando cada emoção por mais sutil que seja em “tempo real”. E o cineasta se cercou de um elenco tarimbado, embora não óbvio, para que a experiência seja a mais correta possível. Darlene Glória, por exemplo, está estupenda como a mãe alcoólatra que já desistiu a muito tempo de segurar as pontas da família em frangalhos. Mello acertou na primeira tacada não só pelo que se assiste, mas pelo filme continuar a existir em nossa mente quando ele acaba. Tijolo por tijolo os personagens vão se revelando, tão ricos e tão miseráveis em sua existência que mesmo sem sobrar o que ser amarrado no final é nítido que pertencem a este mundo. Feliz Natal – Feliz Natal
- Brasil 2008 De Selton Mello Com Darlene Glória, Paulo Guarnieri, Lúcio Mauro, Leonardo Medeiros, Graziela Moretto, Fabricio Reis, 100’ Drama Cotação:
Pela pretensão de colocar foco numa figura tão controvérsia quanto Bob Mizer é louvável por si só. Ele tomou de assalto as bancas norte-americanas entre os anos 40 e 50 com a Athletic Model Guild (AMG), revista de belos rapazes quase nus, entrando pra história pela coragem e por criar um estilo homoerótico. Foi perseguido pela polícia e preso por, entre outras coisas, favorecer a prostituição, hoje é tido como um dos maiores fotógrafos do século passado. Como se sabe muito pouco sobre o assunto, há várias curiosidades saborosas, por exemplo, de que era a mãe do retratista quem costurava os famosos tapa-sexo, e de que forma recrutava seus “modelos”. Acaba por confirmar o imaginário popular, com aquelas pessoas desembarcavam em Hollywood com a ambição de se tornarem estrelas de cinema, cedendo ao convite de tirar a roupa pra não morrerem de fome. Carne Fresca decidiu-se por seguir a linha drama intercalado pelos depoimentos de alguns sobreviventes, agora, todos velhos senhores logicamente. E um dos problemas vem daí, resultando em algo muito contido e ágil, dando a sensação de que desperdiçaram os entrevistados ou a curioso biografado. Não chega a emocionar em momento algum, embora a reconstituição de época e o clima seja puro 50’s. Difícil de acreditar que Joe Dallesandro, também muso de Andy Warhol, tinha 19 anos naquele tempo sendo que diz estar com 50, mas enfim... É perceptível como “falha” também, que todo o trabalho de Mizer tem uma forte estética american way pós-guerra, e o filme é uma co-produção de baixo orçamento canadense, francesa e inglesa, de fotografia bem iluminada. O artista merecia algo made in Hollywood tipo L.A. Confidential. Por falta de glamour decadente não deixará de ser feito. Carne Fresca – Beefcake
- Canadá/Inglaterra/França 1998 De Thom Fitzgerald Com Daniel MacIvor, Joshua Peace, Jack Griffin Mazeika, Joe Dallesandro, Carroll Godsman, Thomas Cawood, Daniel McLaren, 97’ Drama/ DocumentárioCotação:
A mais incensada sci-fi 50’s exige boa dose de paciência. Isso porque, esbarra na precariedade de tantas outras da época. Sem recursos financeiros ou artísticos, enchiam o roteiro de diálogos ao invés das coisas acontecerem ou serem mostradas. E aqui é um infinito blábláblá sobre tecnologia de mentirinha que só com muita boa vontade para acompanhar até o fim. Nos últimos minutos torna-se sensacional, com efeitos especiais ainda impressionantes e a grande sacada na conclusão da história envolvendo o Monstro ID. Aliás, argumento inspirado em A Tempestade de Shakespeare, o que torna a produção mais invulgar ainda. Muito bem humorado, o filme mostra a chegada de uma tripulação terráquea ao planeta Altair I, após investigar inusitado silencio onde antes era habitado. Agora vivem apenas duas pessoas, um cientista com mania de grandeza e sua filha, uma gatinha de roupas provocantes que deixará qualquer um dos astronautas a beijar na boca e sabe Deus o que mais. E claro, um robô humanóide com as falas mais divertidas. Outra coisa curiosa, e que chega a incomodar a princípio, é Leslie Nielsen jovem sendo o capitão. Não dá pra não esperar algumas caretas dele. Mas dá conta do recado na luta contra o mal obscuro comum a todos. O Planeta Proibido – Forbidden Planet
- EUA 1956 De Fred M. Wilcox Com Walter Pidgeon, Leslie Nielsen, Anne Francis, Warren Stevens, Richard Anderson, George Wallace, Robert Dix 98’ Ficção CientíficaCotação:
E assim, cai o pano da forma épica que o desfecho de uma trilogia inovadora como foi Evil Dead merece. Ash como no final do anterior, entre no portal por acidente indo parar na Idade Média. Lá irá se transformar no herói que o Necronomicon apregoava existir, mas também o causador de grandes transtornos ao despertar a fúria do Exército das Sombras. Não tendo no título original “Evil Dead”, nem o número 3, leva muito mais a sério a cronologia do que o episódio anterior, embora não seja nada fiel na cena que serve de ponte entre eles. Num flashback, algumas sequências foram refeitas, com Bridget Fonda sendo Linda, a namorada possuída. Diversão garantida para quem não levar tudo tão a sério ou não esperar o mesmo horror de antes. Aliás, sua violência está mais gráfica, assumindo de vez sua inspiração em desenhos tipo Perna Longa ou nos velhos episódios de Os Três Patetas. A ambiciosa produção faz com que mesmo com mais grana as dificuldades sejam semelhantes ao de 1982, feito por Sam Raimi com um punhado de dólares em 16 mm. Não que a mente do diretor seja pouco fértil ao ponto de deixar de executar alguma de suas idéias malucas por falta de dinheiro ou recursos tecnológicos da época. O tal exercito das sombras, por exemplo, é parte fantoche, parte atores fantasiados e parte stop-motion e mesmo assim é um raro momento mágico entre as fitas de aventura. Sabor puro de Sessão da Tarde! Noite Alucinante 3 – Army of Darkness
- EUA 1992 De Sam Raimi Com Bruce Campbell, Embeth Davidtz, Marcus Gilbert, Ian Abercrombie, Richard Grove, Timothy Patrick Quill, Michael Earl Reid, Bruce Thomas, Bridget Fonda 96’ Comédia/HorrorCotação:
Dois episódios: Alô Buça e O Unicórnio. No primeiro, as desventuras de uma mulher casada e leviana às voltas com sua vagina que resolveu falar tudo o que sente. Pouco a pouco ela vai mandando na vida da “dona” sendo muito indiscreta. Chega a recusar que um parceiro coloque a boca em si por causa do mau hálito. A outra historinha é sobre um marido traído (Germano Vezzani que chegou a fazer ponta em telenovela da Globo) que ao invés de chifre vê nascer um insaciável pênis em sua cabeça! Em ambos os casos, é evidente que se trata de uma crítica a quem tem a vida em torno do sexo, praticamente deixa que um órgão comande sua roda social. Tão engraçado e chulo que beira a genialidade! Dá pra rir só de imaginar a atriz que dublou a vagina, ou como aqueles closes na hora que ela fala devem ter ficado vistos numa tela grande de cinema. O momento chave é a dona cantando uma música de dor de cotovelo e a genitália indo de “Isso me dá um tique tique nervoso...”!!! Mas o grande barato das pornochanchadas dessa fase explícita é usar sua displicência pra colocar a sacanagem no seu devido lugar: Como a coisa mais óbvia e comum que existe desde que o mundo é mundo! A cena final é de se suspeitar ter sido fonte de inspiração a John Waters. O filme Clube dos Pervertidos se encerra exatamente da mesma forma. Senta No Meu Que Eu Entro Na Tua
- Brasil 1985 De Ody Fraga Com Germano Vezzani, Jaime Cardoso , Sílvia Dumont, Walter Gabarron,Sandra Midori, Débora Muniz, Kelly Muriel, 88’ Comédia/Sexo ExplicitoCotação:
O fato de ser a única direção do ator Charles Laughton só amplifica seu fascínio de obra prima. É como se Da Vinci só tivesse pintado a Mona Lisa... Se equilibrando entre conto de fadas e uma tenebrosa história de serial killer irredutível, é bonito o suficiente para ir além de mero filme para causar medo. Notadamente influenciado pelo expressionismo alemão e na literatura gótica, consegue ser desconcertante em muitos momentos. Tanto visualmente (com momentos até ridículos de tão doces) quanto psicologicamente, nos mostrando que criancinhas inseguras somos nós, apegadas a velhas máscaras sacras para poder confiar no próximo! A diva Lilian Gish, aquela altura já era uma senhorinha que teria relutado pra sair da aposentadoria, abre o espetáculo entre estrelinhas. Recita alguns trechos bíblicos para só aí sermos apresentados ao lobo em pele de cordeiro. Não é sempre que vemos um ator encontrando o papel de sua vida como Robert Mitchum aqui. Quando aparece (vestido como respeitável religioso) num show de strip-tease, e no ápice salta de entre suas pernas um lustroso canivete, sabe-se de qual espécie de fera estamos diante. Disfarçado de pastor, aplica golpes em viúvas desamparadas, até que na cadeia escuta de um condenado à morte sobre a fabulosa fortuna que deixou escondida entre sua família. E o resto da metragem será gasto com o pilantra primeiro conquistando a pobre viuvinha (Shelley Winters, quem mais?) e depois atrás das criancinhas fofas, detentoras do segredo milionário. Nada menos do que um dos mais perversos jogos de gato e rato que o cinema já mostrou.O Mensageiro do Diabo - The Night of the Hunter
- EUA 1955 De Charles Laughton Com Robert Mitchum, Shelley Winters, Lillian Gish, James Gleason, Evelyn Varden, Peter Graves, Don Beddoe, Billy Chapin 93’ SuspenseCotação:
Desde Macunaíma não tínhamos um personagem tão brasileiro nas telas. O canalha com justificativas passa a perna até na Dora de Central do Brasil. Lourenço é o dono de uma casa de penhores que pra ganhar mais precisa se desfazer do que lhe oferecem. No começo tinha dó, depois acabou se acostumando porque “precisa sobreviver”. Daí a tratar pessoas como as quinquilharias que o cercam será um pulo. Solitário, apaixona-se pela bunda da balconista do boteco. Leia bem, não a balconista, só a bunda! O título bizarro combina tal e qual com a galeria de seres que aparecem a todo instante. Todos sem nomes, fora a empregada doméstica que depois de sete anos avisa Lourenço do equivoco que ele comete a chamando de forma errada. É um filme leve e inteligente, feliz em seu disfarce de comédia ligeira. Só que com sua busca desesperada em conseguir uma estética Cult demora a nos envolver naquele universo. Nos extras descobre-se que a inspiração principal talvez seja as pornochanchadas, porque o Selton Mello (excelente como protagonista embora aparente ter muito menos idade do que o personagem) assume a inspiração em Paulo César Pereio. Já a produção assume lado algum. Tentando parecer internacional, atemporal, todo o resultado foi pra lugar nenhum, uma espécie de limbo artístico. Aquele mesmo lugar onde o Coyote busca incansavelmente capturar o Papa-Léguas. Bacana mas distante.O Cheiro do Ralo
- Brasil 2006 De Heitor Dhalia Com Selton Mello, Paula Braun, Paulo Alves, Susana Alves, Roberto Audio, Jorge Cerruti, Fabiana Guglielmetti, Sílvia Lourenço, Lourenço Mutarelli 112’ ComédiaDVD- Dá pra imaginar pelas cenas deletadas o trabalho que a edição deve ter dado. Nenhuma delas aparenta estar inferior ao que vimos na tela. Tem um making of profissional, tipo filme mesmo, diferente dos tapa buraco que as distribuidoras de DVD por hábito costumam nos impingir. Outra demonstração de capricho da Universal é o diário longo do Selton Mello, onde se sente o sacrifício que deve ter ser fazer cinema com tão pouca grana. Cotação:
A esta altura, as duas principais vertentes do cinema comercial italiano se fundiam: O radicalismo dos canibais e a podridão dos zumbis. Foi aí que Lucio Fulci se consagrou mestre, sempre criativo em climas sem abandonar os mais repulsivos recursos para gosto dos de estômago forte. Um argumento tão bem amarradinho que as várias forçadas de barra merecem ser relevadas. Parapsicóloga prevê que numa cidade, construída sobre a antiga Salem, um padre enforcado abriria literalmente as portas do inferno. Com a ajuda de desconhecido, vai descobri aonde tal cidade fica e desenterrar o religioso antes do por do sol. Enquanto isso, várias casos bizarros começam a surpreender os moradores, embora nem sempre as maiores brutalidades sejam feitas pelos mortos. Há violência explícita aos borbotões, com efeitos quase sempre realistas, mas também um insuportável clima claustrofóbico. Aliás, a cena da protagonista acordando dentro do caixão serviu de inspiração a Tarantino duas vezes. No episódio especial que dirigiu para CSI (Grave Danger, lançado em DVD no Brasil como Perigo a Sete Palmos) e em Kill Bill Vol. 2. Planet Terror guarda familiaridade tanto na maquiagem dos mortos-vivos, como na trilha sonora espetacular outra vez a cargo de Fabio Frizzi. Produzido pra entreter e dar medo, assim como um filme pornográfico se propõe a dar tesão, não é um marco ou obra prima, mas cumpre plenamente suas intenções. O que, cá pra nós, já não é pouco. Pavor na Cidade dos Zumbis - Paura nella città dei morti viventi
- Itália 1983 De Lucio Fulci Com Christopher George, Catriona MacColl, Carlo De Mejo, Antonella Interlenghi, Giovanni Lombardo Radice, Daniela Doria, Fabrizio Jovine, Luca Venantini, Janet Agren 93’HorrorCotação:
Olha o pedigree: roteiro de Truman Capote, fotografia de Freddie Francis, estrelado por Deborah Kerr e baseado no romance A Outra Volta do Parafuso de Henry James. Essa é a receita para uma das produções psicologicamente mais aterradoras já filmadas. Um dos melhores e mais chocantes de horror não explícito. Se o que é dito e sugerido fosse mostrado, pode ter certeza de que seria insuportável de ser assistido. Muito escuro, a protagonista passa maior parte do tempo vagando pelo casarão vitoriano empunhando um castiçal, prestando atenção a qualquer ruído que possa surgir. Babá (Kerr) é contratada por milionário para cuidar de seus dois sobrinhos órfãos. Moram em uma afastada propriedade na companhia apenas dos empregados, sendo que dois deles morreram em circunstâncias suspeitas há algum tempo. Pouco a pouco, ela começará a perceber que a docilidade das crianças pode ser uma manobra para esconder terríveis segredos do passado. Como só a babá vê os mortos (assustadores!), não se chega a saber se não é ela quem levou tanto transtorno aquela casa, ou se realmente suas suspeitas estão corretas. Correto em seus contornos fantasmagóricos e múltiplas interpretações, é um camafeu gótico sem sustos fáceis, mas tão angustiante que mesmo depois de seu confuso desfecho fica-se engasgado. Os Inocentes – The Innocents
- Inglaterra 1961 De Jack Clayton Com Deborah Kerr, Peter Wyngarde, Megs Jenkins, Michael Redgrave, Martin Stephens, Pamela Franklin, Clytie Jessop, Isla Cameron 100’ HorrorDVD- É da Fox mas poderia ser de uma distribuidora pirata qualquer. Capa tosca com a Deborah Kerr parecendo o Michael Jackson na capa do CD Invincible, menus estáticos mal feitos, fotos da contra-capa mal colorizadas, sendo que o filme é preto-e-branco, e nem trailer de extra vem!Cotação:
Pra começo de conversa, a mocinha parece muito anêmica para ser interesse de um vampiro. Se bem que estes novos vampiros adolescentes são de butique: Nada de sexo, nada de sangue humano, medo da luz solar, nem caninos pontiagudos. Uns chatos mesmo! O filme não esconde sua ambição de levar às telas todos os livros que o inspiraram, o deixando ainda mais com cara de piloto de seriado de TV, cheio de pontas a serem atadas posteriormente. Se fosse um produto televisivo não seria nada mal, na tela grande, as mais de duas horas de chove não molha púbere chega a dar certa impaciência. Isso talvez porque sou velho pro material e aqueles marmanjões de 17 anos fugindo da naturalidade da vida fazem pouco sentido, além de cheirar a demagogia norte-americana. Mas a molecada deve amar! A sala lotada de menininhas que faziam “hihihihihi” a cada investida do casalzinho inter-racial é um sinal a não ser desprezado. A mocinha (Um misto de Jennifer Garner com Ingrid Guimarães mas muito mais pálida) vai morar com o pai numa pequena cidade depois que a mãe casa pela segunda vez. O motivo exato talvez seja descoberto nos evidentes próximos filmes. Lá, se encanta com o garoto da escola mais estranho (mas feio! Muito feio mesmo!), se apaixonam, e depois ficam naquela de que deve ser vampira também ou não. O que também não faz muito sentido já que vampiros são seres maravilhosos e amiguinhos que vivem numa belíssima casa de vidro no meio da floresta, sem nada que os desabone. Aliás, sabe o que acontece quando saem ao sol? Brilham! Como se tivessem tomado banho de purpurina. Cruzes! Crepúsculo - Twilight
- EUA 2008 De Catherine Hardwicke Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Billy Burke, Nikki Reed, Jackson Rathbone, Kellan Lutz, Peter Facinelli, Cam Gigandet 122’Romance*** Em Cartaz ***
Cotação:
Belezinha 100% fundo de quintal que leva o honroso título de ser um dos primeiros gore pelo menos em cores. Tripas e qualquer outro órgão são escancarados em vermelho berrante semelhante aqueles albinhos de fotos que tia velha nos mostra pra dizer que já foi a tal. É essa a sensação cafona que rola assistindo Blood Feast, algo familiar, feito entre amigos de bairro para exibições no máximo entre eles. Só não está pau a pau com Plan 9 From Outer Space porque há uma historinha até que bem amarrada. Um serial killer exótico ataca mocinhas loiras para roubar órgãos. Por coincidência, uma grã fina espalhafatosa contrata o Buffet de misterioso professor egípcio, sem saber que o velho é na verdade o maior procurado pela polícia do país, e que planeja repetir milenar ritual de sacrifício. Ou pra saber até onde aquilo tudo vai ou os incontáveis momentos de riso involuntário, ficamos entretidos masoquistamente durante seus curtos 67 minutos. Não daria pra enumerar suas falhas técnicas, e quando digo “falhas técnicas” são “falhas técnicas” mesmo! Como o vilão ser muito jovem e terem pintado o cabelo dele de branco provavelmente usando talco, elenco bem mal escalado, interpretações semelhantes aquelas que se vê em teatrinho de igreja, incontáveis furos de roteiro... Enfim, um incontestável Cult! Blood Feast
- EUA 1963 De Herschell Gordon Lewis Com William Kerwin, Mal Arnold, Connie Mason, Lyn Bolton, Scott H. Hall, Christy Foushee, Ashlyn Martin, Gene Courtier, Al Golden 67’HorrorCotação:
Archibaldo é um menino tão rico quanto estranho. Prefere ficar dentro do armário vestido com as roupas da mãe do que usufruir de todos os brinquedos que o dinheiro dos pais pode lhe comprar. Numa bela noite, sua educadora, bisbilhotando a revolução mexicana na janela, leva um balaço, cai morta de pernas pro alto (literalmente!), e o guri passa a acreditar que tem poderes mágicos graças á caixinha de música que ouvia. Quando vira adulto, Archie (para os íntimos) passa a associar a musiquinha que ouvia naquela hora com o trágico primeiro momento sexualmente excitante de sua vida. Dali a querer ver de novo uma mulher de pernas de fora sangrando é um pulo! Narrado em imenso flashback pelo protagonista a um delegado, tem um senso de humor mórbido e folhetinesco, com muitas reviravoltas a cada dez minutos. Interpretado de forma exagerada como se fosse uma telenovela (ehr...) mexicana, Buñuel discorre sobre a psique humana e sua persistência em buscar os prazeres sentidos na infância com sabor de melodrama assinado por Glória Magadan. Tanto o ricaço protagonista, que se diz entre santo e criminoso, quanto as vítimas em potencial, que não foram crianças tão felizes quanto ele, todos procuram algo que jamais lhes pertenceu. Ensaio de Um Crime - Ensayo de un crimen
- México 1955 De Luis Buñuel Com Ernesto Alonso, Miroslava Stern, Rita Macedo, Ariadna Welter, Eva Calvo, Enrique Díaz 'Indiano', Enrique García Álvarez 89’Comédia/SuspenseCotação:
Strippers caratecas assassinas fazendo arruaça pelo deserto em carrões envenenados. Com estas peças, tem como decepcionar? Até poderia se tudo descambasse para a ação descontrolada ou qualquer outro extremo. Russ Meyer demonstra ter controle de tudo, uma absurda noção do lixo pulp que estava dirigindo sem a mínima culpa de ser sexplotation. Não leva o material a sério em nenhum momento, mas é respeitoso com os paradigmas da cultura pop ainda em formação na metade dos 60. Cada quadro é em sua vulgaridade de uma beleza plástica inacreditável! A trama é pura desculpa pra usar as personagens em seus dotes máximos, parecendo mais piloto de seriado de aventura do que outra coisa. As três, lideradas por Varla (Tura Satana, pinup de verdade!) encontram um casal boboca, acabam matando o carinha e seqüestrando a mocinha. Vão se meter com desajustada família de caipiras endinheirados, por acaso, farinha do mesmo saco das fulanas. Engraçado, tem ainda uma trilha sonora de jazz dialogando perfeitamente tanto nas cenas de aventura quanto nas do mais puro dramalhão barato. Há um boato, faz muito tempo, de que Tarantino estaria interessado num remake. Chegaram até a noticiar a escolha de Britney Spears para ser a Varla, o que não tem sentido algum. O diretor já usou incontáveis elementos dele em seus filmes desde Cães de Aluguel até Death Proof.Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- EUA 1965 De Russ Meyer Com Tura Satana, Haji, Lori Williams, Sue Bernard, Stuart Lancaster, Paul Trinka, Dennis Busch, Ray Barlow 83’Ação/ComédiaCotação:
Fato: Filme comercial bem sucedido com pitadas de existencialismo ganha uma seqüência muito mais morna, voltada ao que tinha de mais comum. Foi assim com Matrix e antes já tinha sido com Planeta dos Macacos! Aqui também optaram por muito mais ação e entretenimento e diluir qualquer conversa sobre sociedade, filosofia e religião. O que continuou igualzinho foi o tom épico e assombroso, que chega a tirar o fôlego em muitos momentos, inclusive no desfecho apocalíptico e pessimista. Em pelo menos duas ou três incríveis seqüências alguém deve ter se machucado, ou o cavalo ou o dublê. A gente sempre torce para que não seja o cavalinho... E por ser de 1970 sabe-se que aquilo é real (uau!), e não obra de GC! Acharam uma boa desculpa pra Charlton Heston tomar chá de sumiço boa parte do filme, sendo que há um novo piloto (fisicamente muito parecido) a ir parar no planeta dos símios que acham que são gente. Depois de se encantar com a belezura da Linda Harrison (novamente entra muda e sai calada) descobrirá uma estranha raça humana subterrânea adoradora da bomba atômica. Uma coisa que engana direitinho, é que Roddy McDowall aparece como Cornellius apenas em algumas cenas de arquivo,sendo na maior parte do tempo foi substituído por David Watson, ator especializado em produções televisivas. Além de o personagem ter menos importância aqui, debaixo de tanta maquiagem tanto faz... De Volta ao Planeta dos Macacos – Beneath the Planet of the Apes
- EUA 1970 De Ted Post Com James Franciscus, Kim Hunter, Maurice Evans, Linda Harrison, Paul Richards, Charlton Heston, Victor Buono, James Gregory, Roddy McDowall 95’ AventuraDVD- Lançado e relançado pela Fox das mais diversas maneiras, exatamente como todo e qualquer coisa de seu catálogo. Essa edição, ao contrário do primeiro duplo, tem como extras os trailers de todos da série cinematográfica, pouco texto e poucas fotos. É um porre só poder trocar legendas e áudio pelo menu, mas os menus animados estão bacanas.Cotação: