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6 de maio de 2009

Feliz Natal

Um filme brasileiro recente que não se passa em morro carioca, sertão ou nos brinde com as agruras amorosas da classe média já é louvável por si só! E confesso que comecei a assistir com as quatro patas no chão. A fotografia granulada e câmera trêmula me cheiravam a pretensão artística de atorzinho da Globo tentando ser gente no cinema. Preconceito! Ambos acordam completamente com o ambiente doméstico ao qual a história transcorre. Há que se lembrar que junto à tecnologia, a arte (essa coisa tão humana...) de interpretar sofre transformações, e a estréia de Selton Mello como diretor aponta caminhos novos tão drásticos a atores quanto a chegada do áudio ou o zoom. Interpretações tão cristalinas só possíveis no teatro, mas sem os exageros do palco. Ou melhor, a câmera digital nos transporta dolorosamente para dentro da ação quase como bisbilhoteiros, vasculhando cada emoção por mais sutil que seja em “tempo real”. E o cineasta se cercou de um elenco tarimbado, embora não óbvio, para que a experiência seja a mais correta possível. Darlene Glória, por exemplo, está estupenda como a mãe alcoólatra que já desistiu a muito tempo de segurar as pontas da família em frangalhos. Mello acertou na primeira tacada não só pelo que se assiste, mas pelo filme continuar a existir em nossa mente quando ele acaba. Tijolo por tijolo os personagens vão se revelando, tão ricos e tão miseráveis em sua existência que mesmo sem sobrar o que ser amarrado no final é nítido que pertencem a este mundo.

Feliz Natal – Feliz Natal

- Brasil 2008 De Selton Mello Com Darlene Glória, Paulo Guarnieri, Lúcio Mauro, Leonardo Medeiros, Graziela Moretto, Fabricio Reis, 100’ Drama


Cotação:

2 de setembro de 2008

Imitação da Vida

Melodrama barato de sabor irresistivelmente kitsh. Lá pela metade nos dá a sensação de que estamos vendo uma novela com a Regina Duarte às voltas com a filha problemática. É só sensação mesmo, porque é um produto Holywoodianíssimo! Lana Turner transpira um glamour que mesmo quando o filme foi feito já era raro entre as divas. Antes filmado com Claudette Colbert, esta segunda versão da história, uma das campeãs em lágrimas dentro das salas de cinema, gira em torno de duas mães, Turner uma aspirante a atriz que já passou da idade e Juanita Moore, negra, pobre, sofredora e religiosa. Cada qual possui uma filha, que confrontarão ao extremo as posturas exageradas das mães, tanto subserviência quanto ambição desenfreada. Só quase no fim a da atriz, quando estiver bem rica e poderosa, lhe encostará à parede cobrando afeto e sua presença, já a de Juanita, coitada, desde pequenininha deixará bem claro morrer de vergonha da mãe negra. É um dramalhão tão lascado, mas ao mesmo tempo tão exageradamente artificial que se torna engraçado. Susan Kohner, muito parecida com Natalie Wood, a primeira opção para o papel, não só nega a pobre mãe como foge para cair na vida, divertindo velhos senhores em um cabaré de quinta categoria. Turner de pobrezinha escrupulosa no inicio convence muito pouco, e de certa forma nos faz torcer para que o sucesso chegue logo à sua carreira. Já vá esperando choro que lhe será arrancado a fórceps no final!

Imitação da Vida – Imitation of Life

- EUA 1959 De Douglas Sirk Com Lana Turner, John Gavin, Juanita Moore, Karin Dicker, Sandra Dee, Susan Kohner 125’ Drama


Cotação:

27 de agosto de 2008

Problemas Femininos

Divine encara uma (anti) heroína do porte de Scarlett Ohara. Acompanha-se a trajetória de Dawn Davenport de adolescente rebelde no início dos 60 à vida adulta, marginal com tendências a modelo e atriz. Ao descobrir que seus pais não lhe compraram sapatinhos de cha-cha-cha na manhã de natal, dá uma surra neles e foge de casa. Na rua acaba violentada ao pegar carona com um sujeito mal encarado, a própria Divine em momento homem. Mãe solteira, a pobre moça faz de tudo para sobreviver: Garçonete, stripper, prostituta e assaltante na companhia das amigas Chicklette e Concetta. Ainda tendo que aturar uma filha problemática, sua trajetória “da ambição ao crime” desembocará num salão de beleza onde conhecerá seu futuro marido (o único hetero no local) e sua beleza reconhecida como top model. Para John Waters, Problemas Femininos significa, sobretudo, um avanço técnico, com argumento melhor desenvolvido, câmera com mais foco, figurinos e cenários próprios, etc. Artisticamente confirma a consistência de sua filmografia, mesmo nesta época de vacas magras, suas idéias absolutamente críticas à classe média, se sobressaem a qualquer falta de recursos financeiros. Esta grande festa entre amigos muitas vezes peca pelo excesso de diálogos interpretados de forma amadora, mas não corre o risco de perder interesse já que as situações absurdas e jocosas se sucedem até o último segundo.

Problemas Femininos – Female Trouble

- EUA 1974 De John Waters Com Divine, Mink Stole, Mary Vivian Pearce, David Lochary, Cookie Mueller, Susan Walsh, George Hulse, Ed Peranio, Elisha Cook Jr. 92’ Comédia


DVD - Inédito no Brasil, lamentavelmente distribuído pela Continental em uma edição paupérrima. Tão podre que a capa mais parece Xerox colorido, com erros grosseiros no argumento da contracapa e nas legendas. Outra coisa de sabor duvidoso é estampar “Trash Collection”... O que é mais lixo, John Waters ou Christopher Nolan? Ter dinheiro suficiente para as massas aplaudirem porcarias conforme o departamento de marketing de um estúdio quer?

Cotação:

6 de agosto de 2008

Não Somos Anjos

Comedinha muito bonitinha, cheia de intenções boazinhas, que se tivesse sido filmada 20 anos antes daria pra jurar ter a assinatura de Frank Capra. Estranho é Michael Curtiz (de Casablanca) não só o dirigir de forma cinematograficamente careta, mas também sem o mínimo esforço em adaptar/disfarçar para a tela grande as origens teatrais do enredo. Toda a ação se passa em apenas um cenário, inclusive sem o uso da chamada quarta parede. Num natal do final do século 19, ao escaparem da prisão, três perigosos bandidos se refugiam numa loja. A intenção de dar golpe vai se diluindo conforme se envolvem sentimentalmente com a pacata família proprietária. Resolverão os problemas domésticos fazendo uso dos dons que cada qual possui e que antes serviam à criminalidade. Simpático mas envelhecido, a mensagem de que é possível se redimir sem deixarmos de ser quem sempre fomos ainda parece válida. O elenco talvez seja o principal motivo para assisti-lo, encabeçado por Humphrey Bogart visto raramente fazendo humor, Aldo Ray, galã de muitos filmes B, e Peter Ustimov, o imperador insano de vários épicos. Foi uma das primeiras produções fotografadas em Cinemascope, o que justifica o trio de protagonistas a fim de ocupar toda a tela. Tateando na técnica, inúmeros longas-metragens do período tiveram igualmente três atores: Dançando nas Nuvens, Dá-Me Um Beijo, Como Agarrar um Milionário, etc. Em 1988 gerou remake dirigido por Neil Jordan.

Não Somos Anjos – We're No Angels

- EUA 1955 De Michael Curtiz Com Humphrey Bogart, Aldo Ray, Peter Ustinov, Joan Bennett, Basil Rathbone, Leo G. Carroll, Gloria Talbott, John Baer 106’ Comédia


DVD - Esculachada da Paramount! Nem com trailer vem, e a arte dos menus pouco remete ao filme. Com formato widescreen preservado, imagem bem nítida e restaurada, é bacana parecer uma produção atual que se passa no passado. O visual de Aldo Ray, por exemplo, cabeça raspada e os braços tatuados, aparenta modernidade. Foi exibido tanto nos cinemas brasileiros quanto na TV com o título nada haver de Veneno de Cobra, tendo ganhado a tradução literal quando lançado em VHS. A dublagem em português presente ainda o chama pelo velho nome.

Cotação:

17 de julho de 2008

A Lei do Desejo

Tão erótico quanto engraçado, esta fábula em cores berrantes sobre a diversidade sexual e cultural é uma das melhores coisas já feitas em termos de melodramas cinematográficos. O título entrega tudo! Os personagens seguem apenas uma lei, a do desejo, e jogam-se a ela invariavelmente de cabeça, para depois pensarem o que fazer. Pablo é um celebrado cineasta underground que consegue levar pra cama todos os mancebos a que deseja, embora seja apaixonado apenas por um deles. Eis que surge em seu caminho Antônio, se diz não homossexual, embora se permita ser possuído por ele. Em troca, obcecadamente pretende possuir tudo o que Pablo tem. Carmen Maura faz Tina, a irmã transexual do diretor às voltas com seu passado e sua antiga namorada lésbica interpretada por Bibiana Fernández. Resta lembrar que Bibiana Fernández se chamava na época das filmagens Bibí Andersen, então esposa de Almodóvar e transexual de verdade. Tudo pontoado por trilha sonora inspiradíssima que incluí antigas canções do próprio Almodóvar à brasileira Maysa numa das melhores versões de Ne Me Quitte Pas. Sentimentalmente suburbano, é bem cru perto do que veríamos na filmografia do espanhol em todos estes anos. Após um crime parece que a trama corre demais, dando muitas amarras em pouco tempo como último capítulo de telenovela. Há várias referências a seus próximos trabalhos, como a peça “A Voz Humana” de Jacques Cocteu, que seria a base para Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. E também a coisas anteriores como certas cenas antes lidas em seu romance Fogo nas Entranhas de 1981. Exibido em alguns festivais brasileiros em 87, só seria comercializado 10 anos depois, após Bandeiras ficar famoso nos EUA, e, portanto explorando as tórridas cenas gays em que participa.

A Lei do Desejo – La Ley del Deseo

- Espanha 1987 De Pedro Almodóvar Com Eusebio Poncela, Carmen Maura, Antonio Banderas, Miguel Molina, Fernando Guillén, Nacho Martínez, Bibiana Fernández, Helga Liné, Manuela Velasco 100’ Drama


DVD - Comercializado pela Van Blad (especialista em filmes de sacanagem nas bancas), não tem a mínima graça reclamar dos extras apenas em texto perto da imagem porca em fullscreen, que não só detona todo o filme como corta boa parte do texto dos créditos. A falta de foco em alguns momentos deixa dúvidas se é do original ou do disco. Há um picote numa cena importante, quando Poncelo é interrogado pela polícia. Mesmo assim, é louvável terem preservado a belíssima arte do pôster original, diferente de um relançamento mais recente. É triste não haver possibilidades de procurar o trailer online já que as películas de Pedro Almodóvar (ou de sua produtora El Deseo) se encontram nestes tempos de Internet em momento vexatório. Seus direitos estão a cargo de um furioso órgão chamado Egeda, que varre a Internet atrás de qualquer homenagem, divulgação ou coisa do tipo para tirar do ar. O que sinceramente é vergonhoso e não combina com o outrora diretor transgressor.

Cotação:

8 de julho de 2008

Sortilégio de Amor

Comédia romântica muito querida com Kim Novak e James Stewart, mesmo casal de Um Corpo que Cai. Ela é a dona de uma loja de esculturas africanas em Nova York bem insatisfeita com sua condição de feiticeira. No caso, feiticeiras não são mulheres que estudam os poderes da natureza, nem aquelas velhinhas com verruga no nariz, e sim pessoas que nascem com dons de encantos, quase uma raça. Embora sonhe passar o natal com pessoas normais à sua volta (no filme elas freqüentam uma animada boate de iê-iê-iê chamada Zodiac), e um homem comum, se recusa a usar seus sortilégios para conquistar por não achar honesto. Quando descobrir que seu vizinho bonitão a quem paquera está noivo de sua rival dos tempos de colégio, repensa seus princípios éticos. Como toda comédia do tipo, e como 2 mais 2, já se sabe aonde tudo vai dar assim que se superar os obstáculos. Sob a ótica da virada das décadas 50/60, o enredo versando sobre o negar a natureza própria em troca do ser amado ou aceitar diferenças. Pode parecer datado porque em nenhum momento o personagem de James Stewart demonstra interesse em mudar qualquer coisa em si, só na mulher. Mas com aquele tehcnicolor berrante, graciosa trilha sonora swingada, essa misoginia pode se tornar outro atrativo charmoso da época. Novak sussurrando a música tema ao ouvido do gato para fazer feitiços é uma imagem realmente encantadora! Baseado numa peça teatral, o título original (Bell, Book and candle) é referência direta ao poema usado pelos inquisidores na hora de exorcizar bruxas, também tem seu argumento muito parecido com o de Eu Casei Com Uma Bruxa, filme com Veronica Lake, e de forma mais óbvia, deve ter servido de inspiração ao seriado A Feiticeira. Elsa Lanchester, a tia bonachona, foi imortalizada como a Noiva De Frankenstein no clássico da Universal.

Sortilégio de Amor – Bell Book and Candle

- EUA 1958 De Richard Quine Com James Stewart, Kim Novak, Jack Lemmon, Elsa Lanchester, Ernie Kovacs, Hermione Gingold , Janice Rule 103’Romance


DVD - Pra compensar os anos a fio em que se manteve inédito no VHS, há duas capinhas diferentes circulando por aí graças a tal Classics. Embora o filme esteja em widescreen com imagem relativamente boa, o material gráfico (capa, contracapa e menus) dá pena. Parece que tudo foi feito no paint brush! Como bônus, o trailer de cinema muito bonitinho e de mais alguns outros obscuríssimos.

Cotação:

29 de maio de 2008

Tarde Demais Para Esquecer

Jamais houve casal tão elegante quanto Cary Grant e Deborah Kerr! Mesmo sendo comprometidos com terceiros, é tudo tão suave e franco, que quaisquer outros não justificariam o afeto da primeira hora passada no navio. Ex cantora e herdeiro mega milionário conhecem-se ao acaso, e embora relutem a princípio, acabam completamente encantados mutuamente. Antes de pisar em terra firme resolvem fazer um acordo. Daqui a seis meses se reencontrarão desimpedidos no topo do Empire States (“O lugar mais próximo do céu em Nova York”). O acaso tratará de deixar as coisas tragicamente fora do planejado. Este filme passasse num lugar imaginário, naquele lugar onde o amor entre duas pessoas desconhecidas existe quase como uma doença crônica. Tem a ajuda de Vic Damone cantando a música tema, Oscar de melhor canção em 1957, para nos levar quase a um transe apaixonado. Grant e Kerr transmitem tanto carinho mutuo que quase se esquece que pode haver sexo selvagem entre pessoas na mesma situação! Com certeza o fato de ter sido produzido a mais de cinqüenta anos ajuda a quimera da paixão eterna parecer mais compreensível. Há coisas quase bem fora de moda, como outdoors pintados à mão, ou a mocinha obrigada a trabalhar porque desmanchou o namoro com o grã-fino, mas acreditamos tanto possibilidade daquela história que isso pouco importa. O roteiro em mãos menos tarimbadas poderia ter gerado algum engodo açucarado ou dramalhão excessivo nas suas reviravoltas novelescas, mas há humor e segurança suficientes para elevá-lo ao campo dos clássicos da sétima arte. Cinematograficamente bastante simplista, mas apurado em seus conflitos humanos. A postura do noivo original, vivido por Richard Denning, de absoluta abnegação chega a comover. Grant em vias de se aposentar, ainda com seu magnetismo intacto, prova o grande ator que sempre foi além dos Hitchcocks e comédias malucas que interpretou e que sempre exigiram um cara charmoso mais do que um ator de verdade. Nem é preciso ter um coração muito derretido para se cair em lágrimas no óbvio, mas esperado final. Arrebatador!

Tarde Demais Para Esquecer – An Affair to Remember

- EUA 1957 De Leo McCarey Com Cary Grant, Deborah Kerr, Richard Denning, Neva Patterson, Cathleen Nesbitt, Robert Q. Lewis, Charles Watts 114’ Romance


DVD - Outro lançamento da coleção Fox Classics, pobre como todos os outros. Lá vem aquela capinha amarronzada com o cartaz original de fianco, menus estáticos... Mais uma vez não há o cartão dentro com o poster, motivo para a distribuidora padronizar a arte das embalagens. Há trailers a mais do que normalmente o do filme principal, como o de A Malvada com a Bette Davis fake simulando uma entrevista, e uma minúscula galeria de imagens. A película está com ótima qualidade de imagem preservando o Cinemascope e áudio igualmente restaurado.

Cotação:

1 de maio de 2008

Gremlins

Macabro e atípico terror, tão fofo quanto diabólico. Pode ser apenas mais um trabalho produzido a rédeas curtas por Steven Spielberg nos 80, ainda mais visto no que se tornou a carreira de Joe Dante atualmente. Quase como a de Tobe Hooper, considerado gênio por O Massacre da Serra Elétrica nos 70, e depois sob a batuta do pai de E.T. comandou Poltergeist, num sabidamente conturbado relacionamento. Hoje pouco se sabe a seu respeito. Nota-se em muitas partes o dedo de Spielberg. Para ele, problemas só acontecem quando a família não está toda reunida. Aqui, o pai do herói também passará o tempo todo tentando voltar pra casar enquanto o mundo desaba. Parece bonitinho, mas num mundo adulto é pouco verdadeiro. Também abundam citações ao que Hollywood fez nos anos 30 e 40 assim como em muitos outros de vinte anos atrás. Exemplos são incontáveis, de Indiana Jones, Os Aventureiros do Bairro Perdido, comédias malucas como as estreladas por Madonna a filmes de gângster. De forma mais indireta em Gremlins, as referências mais óbvias são a duas emblemáticas películas que retrataram a perda da adolescência diante das mazelas da personalidade adulta: O Mágico de Oz (39) e Branca de Neve (37). O jovem bancário Billy vê a vida de seu cachorro correr perigo diante das ameaças de uma velha e rabugenta senhora tal e qual Dorothy, e Gismo quando molhado gera outras 6 pequenas criaturas. Isso é claro também na cena do cinema, quando os monstrinhos assistem ao primeiro longa da Disney. É um filme muito mais delicado e profundo do que minha memória tinha guardado. Provavelmente, e isso não deve tardar, haverá uma nova versão com criaturas digitais, o que perderá muito da graça trash daqueles marionetes selvagens. Ao fim, sobram algumas pontas sem amarras na história, mas até lá um entretenimento de primeira. Só pra não esquecer as três regras básicas e cruciais para se viver bem com Gremlins: 1ª Não o molhe; 2ª Jamais o exponha a luz forte; 3ª Não importa o quanto ele implore, O quanto suplique, nunca lhe dê comida após a meia noite.

Gremlins – Gremlins

- EUA 1984 De Joe Dante com Zach Galligan, Hoyt Axton, Corey Feldman, Phoebe Cates, Polly Holliday, Scott Brady, Keye Luke 106’ Horror


DVD - É de uma pobreza franciscana. A Warner ainda reutilizou o material gráfico das fitas VHS, com o Stripe (O Gremlin malvado) rasgando o pôster de cinema. Menus estáticos, absolutamente nada de bônus, e pior, em terrível tela cheia, o que detona relativamente a qualidade da imagem. Oh vida! Oh céus...

Cotação:

21 de abril de 2008

Papai Noel Conquista os Marcianos

As honras de estar na lista dos piores de todos os tempos no IMB já dizem tudo! Seus erros (literais!!!) começam logo nos créditos iniciais ao som do empolgante canção “Hooray For Santy Claus”, lê-se "custume designer" ao invés de costume... Parece que estamos vendo uma terrível peça de fim de ano feita numa escola suburbana, ou o que aconteceria se o Chaves resolve-se num momento de insanidade produzir uma ficção científica! Um tropeço atrás do outro, dos figurinos confeccionados visivelmente com sucata às interpretações ridiculamente amadoras, nada se salva neste sui generis exemplo de incompetência cinematográfica. O Papai Noel em sua esfuziante alegria, cheia de “ho ho hos”, era pra ser bacana, mas dá pra bendizer sua ida a Marte! Chega a dar dó da pequena Pia Zadora, “ex quase pop star” nos 80, como a marciana mirim sempre com os olhinhos assustados. Trash total com o argumento, curiosamente, parecido ao de O Estranho Mundo de Jack. As crianças de Marte estão incrivelmente tristes porque apenas estudam e ficam assistindo programas da TV terrestre. Assim descobrem que está chegando o Natal. O rei daquele planeta não pensa duas vezes e vai até o pólo norte seqüestrar o bom velhinho sem imaginar as conseqüências catastróficas. Repare o zíper nas costas do urso polar que ataca a garotada... Num mundo justo, Papai Noel Conquista os Marcianos tiraria a coroa de pior filme já feito de Plan 9 From Outer Space.

Papai Noel Conquista os Marcianos – Santa Claus Conquers the Martians

- EUA 1964 De Nicholas Webster com John Call, Leonard Hicks, Vincent Beck, Pia Zadora, Leila Martin 81’ Ficção Científica


DVD - Caiu em domínio público. Pode ser facilmente achado em site de downloads do gênero, e foi lançado por inúmeras distribuidoras nos EUA. Aqui a Works de forma inteligente o distribuiu num mesmo disco com Os Adolescentes do Espaço. Ambos formam uma excelente sessão pra quem gosta de porcarias.

Cotação:

8 de abril de 2008

Prelúdio Para Matar

Argento se despedia dos giallos simplesmente com uma obra prima. De estética gráfica fabulosa, manteve o mesmo empenho na maquiavélica trama de violentos assassinatos. Há várias pistas, algumas reais, outras apenas para nos ludibriar, mas sempre coerente. Não é daqueles filmes onde no fim descobre-se o culpado, sendo que isso tanto fazia, poderia ser o leiteiro assim como a freirinha histérica... Inclusive, e isto é realmente uma ousadia, é possível vislumbrar a face do criminoso logo na primeira morte. Portanto, olho vivo! A trilha sonora psicodélica e doce da banda Goblin contrasta tenebrosamente com todo aquele sangue vermelho fosforesceste, e é também digna de se ter na coleção. Ao testemunhar crime brutal de uma parapsicóloga, pianista inglês vê-se envolvido com serial killer que pode ser qualquer um à sua volta. Como os policiais são uns bananas, arregaça as mangas e vai ele mesmo tentar desvendar porque e quem estará por traz de tanta brutalidade ao som de uma cantiga de ninar. Seguindo à risca o estilo dos livros policiais vendidos a preços populares na Itália, e que por terem capas amarelas ganharam o apelido de giallo, Argento demonstra um controle técnico beirando o doentio, seja visualmente quanto no roteiro. O diretor, merecedor do título de mestre, toca em vários assuntos que usaria em seus próximos trabalhos, como os poderes telepáticos dos insetos, e a sobrenaturalidade, tema de todas as suas películas a partir de Suspiria. Nada está ali à toa e por mais elaborado não deixa de ser extremamente popular. Assim como os melhores de Hitchcock que, aliás, teria dito brincando com as comparações, após assistir Prelúdio Para Matar: “Este jovem italiano está começando a me preocupar”.

Prelúdio Para Matar – Profondo Rosso/Deep Reed

- Itália 1975 De Dario Argento Com David Hemmings, Daria Nicolodi, Gabriele Lavia, Clara Calamai, Macha Méril, Giuliana Calandra 126’ Suspense/Policial


DVD - Versão estendida com duas horas e tralalá, widescreen, de fazer até a polêmica edição norte-americana ficar verde de inveja! Mas nem tudo são flores! Ele lamentavelmente tem um defeito grave com o áudio que fica oscilando entre italiano e inglês, sendo que quando está em italiano não há legendas! Isso por muito tempo a ponto de irritar... Claro, que com um pouco de boa vontade se consegue entender, mas é uma pena mesmo assim.

Cotação:

31 de outubro de 2005

Batman, O Retorno

Que Tim Burton é um dos meus cineastas norte-americanos vivos prediletos não deve ser novidade nem para a dona Ruth, aquela velhinha que fica na janela ali da esquina... Imagina a taquicardia que foi quando achei Batman, O Retorno em DVD para abrilhantar minha ilustríssima filmoteca! Oh! E nem é meu filme preferido dele, aliás, o que mais marcou minha vida é um Burton, e só conto aqui quando achá-lo em versão digital. Adivinha? Mas enfim, para quem acha exagero meu apreço por esse senhor nativo de Burbank, recomendaria, para início de conversa, ver Batman, O Retorno. Ou rever, porque só mesmo tendo estado até ontem em Júpiter para nunca ter assistido a ele. Recomendaria, principalmente, pela magnífica mescla de comercial e artístico que possibilita que desde o intelectual mais ranzinza até o guri de bermudão e boné se deliciem por 126 minutos lado a lado. É estranho que a Warner o venda claramente apenas para o público infanto-juvenil, inclusive em seu site brasileiro, ele pertence à lista desta categoria. Não só pelos figurinos históricos da Mulher-Gato, mas pelos apimentados diálogos repletos de duplo sentido, a sombria película passa a anos-luz de ter sido direcionada aos pequenos. De longe é o filme mais sexualizado de sua carreira, e o que mais escancara seu tema predileto: o desajustado, cuspido pela "perfeita" sociedade, que quer simplesmente ser aceito, ou vingar-se. Se observarmos bem sua filmografia (de As Grandes Aventuras de Pee-Wee (1985) ao recente A Fantástica Fábrica de Chocolate) ele só falou sobre o mesmo tema. Nesta "seqüência" do mega sucesso de 1989 bateu seu pé em ter Michael Keaton no papel principal tal e qual fez anteriormente. As personalidades dos vilões eram muito ricas para serem perdidas por um herói de interpretação mais rebuscada. Ok, Batman também tem uma personalidade perturbada pelos motivos que sabemos, mas de certo modo é aceito pela sociedade defendida por ele. Em miúdos, faz parte dela. E que fascínio me causa aquele prólogo com a esnobe família tendo que lidar com o pequeno e bizarro Oswald. Praticamente sem diálogos (fora dois "Merry Christmas"), temos uma óbvia referência bíblica servindo de antepasto ao épico gótico que veremos a seguir. Como pano de fundo, ganhamos uma mídia faminta por sangue e uma lei quase sempre do lado errado. Perceba a referência a Geraldo, o latino que estourou na década de 90 na TV americana, precursor de ninguém mais que Ratinho. O chiuaua (aquela raça de cães mexicanos minúsculos) de Shreck chama-se Geraldo. E referências é o que não nos falta. Das mais óbvias (Shreck é também o sobrenome do ator que interpretou Nosferatu no clássico de Murnau) a algumas intrigantes, quanto toda a história se passar em 7 dias. Cinematográficas temos algumas da Hammer, como os palhaços malvados saltando no céu, ou o final à la Bonequinha de Luxo. A gatinha de Selina chama-se Kitty tal e qual uma das atrizes que interpretou a vilã na série clássica de TV. Poderia ficar horas analisando. Cada vez que o assistimos sempre há inúmeras coisas a serem notadas, e olha que faço isso há 13 anos. A citação a Murnau nos revela a base vinda mais do cinema expressionista que do noir. E ainda nem falei da Michelle Pfeiffer no papel de sua vida, usando aquele figurino sadomasô sinistramente. Ela nem precisaria ter interpretado de forma tão magistral que já entraria para a história do cinema. Mas interpretou de forma única. Tão única que os boatos da época apontavam um filme só para a vilã, inclusive com aquele final aberto. Denise Di Novi, a produtora, levou mais de uma década para nos dar a ofensa Mulher Gato com Halle Berry desonrando o uniforme. E a trilha de Danny Elfman com aqueles atemorizantes corais sussurrando aqueles ohs e ahs, a fotografia desbotada, os efeitos visuais ainda em forma, mesmo depois de tanto tempo... Um clássico moderno.

Batman, O Retorno (Batman Returns)
- EUA, 1992 De Tim Burton com Michael Keaton, Danny DeVitto, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken 126' Aventura

DVD - Absurdo!!! A Warner pegou a matriz do DVD lançado em 1997, reprensou e colocou no mercado para pegar carona em Batman Begins. Os copyrigths são de 2005, mas o material interno aponta a década passada. Menus estáticos, extras apenas em texto e o pior, tudo em inglês!!! Áudio também apenas em inglês, o que nem é má idéia, já que a gente sempre dispensa a dublagem em nossa língua, o que poderia ser uma boa para baratear os disquinhos. Fora isso, ele é bem bizarro, apresentando lado A e lado B tal e qual um vinil. No A a película em widescreen e no B em fullscreen. Já está lançado há algum tempo nos EUA a versão dupla, como você confere no link abaixo. Dá pra babar nos extras com comentários do diretor, entrevista com Michael Keaton, Danny DeVitto e Michelle Pfeiffer, o vídeo clip da canção Face to Face, interpretada por Sioux, entre um monte de outros baratinhos. Cadê?


Cotação: