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8 de janeiro de 2009

O Mensageiro do Diabo

O fato de ser a única direção do ator Charles Laughton só amplifica seu fascínio de obra prima. É como se Da Vinci só tivesse pintado a Mona Lisa... Se equilibrando entre conto de fadas e uma tenebrosa história de serial killer irredutível, é bonito o suficiente para ir além de mero filme para causar medo. Notadamente influenciado pelo expressionismo alemão e na literatura gótica, consegue ser desconcertante em muitos momentos. Tanto visualmente (com momentos até ridículos de tão doces) quanto psicologicamente, nos mostrando que criancinhas inseguras somos nós, apegadas a velhas máscaras sacras para poder confiar no próximo! A diva Lilian Gish, aquela altura já era uma senhorinha que teria relutado pra sair da aposentadoria, abre o espetáculo entre estrelinhas. Recita alguns trechos bíblicos para só aí sermos apresentados ao lobo em pele de cordeiro. Não é sempre que vemos um ator encontrando o papel de sua vida como Robert Mitchum aqui. Quando aparece (vestido como respeitável religioso) num show de strip-tease, e no ápice salta de entre suas pernas um lustroso canivete, sabe-se de qual espécie de fera estamos diante. Disfarçado de pastor, aplica golpes em viúvas desamparadas, até que na cadeia escuta de um condenado à morte sobre a fabulosa fortuna que deixou escondida entre sua família. E o resto da metragem será gasto com o pilantra primeiro conquistando a pobre viuvinha (Shelley Winters, quem mais?) e depois atrás das criancinhas fofas, detentoras do segredo milionário. Nada menos do que um dos mais perversos jogos de gato e rato que o cinema já mostrou.

O Mensageiro do Diabo - The Night of the Hunter

- EUA 1955 De Charles Laughton Com Robert Mitchum, Shelley Winters, Lillian Gish, James Gleason, Evelyn Varden, Peter Graves, Don Beddoe, Billy Chapin 93’ Suspense


Cotação:

3 de janeiro de 2009

O Cheiro do Ralo

Desde Macunaíma não tínhamos um personagem tão brasileiro nas telas. O canalha com justificativas passa a perna até na Dora de Central do Brasil. Lourenço é o dono de uma casa de penhores que pra ganhar mais precisa se desfazer do que lhe oferecem. No começo tinha dó, depois acabou se acostumando porque “precisa sobreviver”. Daí a tratar pessoas como as quinquilharias que o cercam será um pulo. Solitário, apaixona-se pela bunda da balconista do boteco. Leia bem, não a balconista, só a bunda! O título bizarro combina tal e qual com a galeria de seres que aparecem a todo instante. Todos sem nomes, fora a empregada doméstica que depois de sete anos avisa Lourenço do equivoco que ele comete a chamando de forma errada. É um filme leve e inteligente, feliz em seu disfarce de comédia ligeira. Só que com sua busca desesperada em conseguir uma estética Cult demora a nos envolver naquele universo. Nos extras descobre-se que a inspiração principal talvez seja as pornochanchadas, porque o Selton Mello (excelente como protagonista embora aparente ter muito menos idade do que o personagem) assume a inspiração em Paulo César Pereio. Já a produção assume lado algum. Tentando parecer internacional, atemporal, todo o resultado foi pra lugar nenhum, uma espécie de limbo artístico. Aquele mesmo lugar onde o Coyote busca incansavelmente capturar o Papa-Léguas. Bacana mas distante.

O Cheiro do Ralo

- Brasil 2006 De Heitor Dhalia Com Selton Mello, Paula Braun, Paulo Alves, Susana Alves, Roberto Audio, Jorge Cerruti, Fabiana Guglielmetti, Sílvia Lourenço, Lourenço Mutarelli 112’ Comédia


DVD- Dá pra imaginar pelas cenas deletadas o trabalho que a edição deve ter dado. Nenhuma delas aparenta estar inferior ao que vimos na tela. Tem um making of profissional, tipo filme mesmo, diferente dos tapa buraco que as distribuidoras de DVD por hábito costumam nos impingir. Outra demonstração de capricho da Universal é o diário longo do Selton Mello, onde se sente o sacrifício que deve ter ser fazer cinema com tão pouca grana.

Cotação:

18 de dezembro de 2008

Blood Feast

Belezinha 100% fundo de quintal que leva o honroso título de ser um dos primeiros gore pelo menos em cores. Tripas e qualquer outro órgão são escancarados em vermelho berrante semelhante aqueles albinhos de fotos que tia velha nos mostra pra dizer que já foi a tal. É essa a sensação cafona que rola assistindo Blood Feast, algo familiar, feito entre amigos de bairro para exibições no máximo entre eles. Só não está pau a pau com Plan 9 From Outer Space porque há uma historinha até que bem amarrada. Um serial killer exótico ataca mocinhas loiras para roubar órgãos. Por coincidência, uma grã fina espalhafatosa contrata o Buffet de misterioso professor egípcio, sem saber que o velho é na verdade o maior procurado pela polícia do país, e que planeja repetir milenar ritual de sacrifício. Ou pra saber até onde aquilo tudo vai ou os incontáveis momentos de riso involuntário, ficamos entretidos masoquistamente durante seus curtos 67 minutos. Não daria pra enumerar suas falhas técnicas, e quando digo “falhas técnicas” são “falhas técnicas” mesmo! Como o vilão ser muito jovem e terem pintado o cabelo dele de branco provavelmente usando talco, elenco bem mal escalado, interpretações semelhantes aquelas que se vê em teatrinho de igreja, incontáveis furos de roteiro... Enfim, um incontestável Cult!

Blood Feast

- EUA 1963 De Herschell Gordon Lewis Com William Kerwin, Mal Arnold, Connie Mason, Lyn Bolton, Scott H. Hall, Christy Foushee, Ashlyn Martin, Gene Courtier, Al Golden 67’Horror


Cotação:

17 de dezembro de 2008

Ensaio de Um Crime

Archibaldo é um menino tão rico quanto estranho. Prefere ficar dentro do armário vestido com as roupas da mãe do que usufruir de todos os brinquedos que o dinheiro dos pais pode lhe comprar. Numa bela noite, sua educadora, bisbilhotando a revolução mexicana na janela, leva um balaço, cai morta de pernas pro alto (literalmente!), e o guri passa a acreditar que tem poderes mágicos graças á caixinha de música que ouvia. Quando vira adulto, Archie (para os íntimos) passa a associar a musiquinha que ouvia naquela hora com o trágico primeiro momento sexualmente excitante de sua vida. Dali a querer ver de novo uma mulher de pernas de fora sangrando é um pulo! Narrado em imenso flashback pelo protagonista a um delegado, tem um senso de humor mórbido e folhetinesco, com muitas reviravoltas a cada dez minutos. Interpretado de forma exagerada como se fosse uma telenovela (ehr...) mexicana, Buñuel discorre sobre a psique humana e sua persistência em buscar os prazeres sentidos na infância com sabor de melodrama assinado por Glória Magadan. Tanto o ricaço protagonista, que se diz entre santo e criminoso, quanto as vítimas em potencial, que não foram crianças tão felizes quanto ele, todos procuram algo que jamais lhes pertenceu.

Ensaio de Um Crime - Ensayo de un crimen

- México 1955 De Luis Buñuel Com Ernesto Alonso, Miroslava Stern, Rita Macedo, Ariadna Welter, Eva Calvo, Enrique Díaz 'Indiano', Enrique García Álvarez 89’Comédia/Suspense


Cotação:

11 de dezembro de 2008

Polyester

Tem algo muito fedorento na classe média. Parece ser a principal função de John Waters nesta vida apontar de onde vem o mau cheiro na ostentação da família perfeita. Ele nunca foi tão explícito na empreitada quanto em Polyester, quando a platéia recebia na porta dos cinemas uma cartelinha com números que deveriam ser raspados conforme a protagonista ia cheirando os objetos em cena: estava inventado o Odorama! É o elo não perdido entre toda a trasheira da filmografia de Waters na década de 70 com seu lado mais civilizado exibido a partir dos 80. Pode não ser dos seus trabalhos mais brilhantes, mas ainda muito bom! Divine é Francine, uma dona de casa comum de Baltimore com inúmeros problemas domésticos. Saca a lista: O marido é dono de um cinema pornô e é amante da secretária (que se orgulha de usar roupa 100% polyester), o filho é um junkie conhecido como o pisoteador do supermercado (!!!), a filha a biscatinha de cabelo a lá Farrah Fawcett que dança para os garotos da escola em troca de uns caraminguás, e a mãe, a velha mais perversa imaginável! Pra piorar, o circulo social de Francine se resume à ex-empregada doméstica que ficou milionária, e que por sinal, será a única a ficar do seu lado quando a pobrezinha cair nas teias do vício do álcool. De lambuja ainda temos Tab Hunter, ex-galã teen dos anos 50, fazendo par romântico com Divine, parceria que iriam repetir algum tempo depois no hilário A Louca Corrida do Ouro.

Polyester

- EUA 1981 De John Waters Com Divine, Tab Hunter, Edith Massey, David Samson, Mary Garlington, Ken King, Mink Stole, Stiv Bators 86’Comédia


Cotação:

9 de dezembro de 2008

Disque M Para Matar

O roteiro nunca chega a disfarçar as origens teatrais do argumento, parecendo que todo o filme justifica-se pela cena do crime estravagante. Com a ação se transcorrendo basicamente em um cenário, Hitchcock confia nas sempre chiques presenças de Grace Kelly E Ray Milland para entreter, além dos efeitos 3D, muito em voga na metade da década 50 como tentativa de resgatar as platéias interessadas em ver a novidade TV. Como o efeito inexiste em DVD, pode-se apostar que boa parte da graça acabou indo ao ralo. Não chega a ser enfadonho, mas deixa brecha para Um Crime Perfeito com Michael Douglas, ser o único remake de Hitchcock que vale a pena porque, acaba desenvolvendo lados que neste original são só sugeridos. Kelly, a encarnação perfeita das loiras geladas hitchcockianas, é a adultera que nem desconfia que seu marido Milland já descobriu seu jogo. O homem bolou um plano acima de qualquer suspeita para mandar a beldade ao quinto dos infernos, limpar a honra e ainda papar sua fortuna. Isso se tudo correr como planejado. No triangulo amoroso central, incomoda um pouco a presença oca de Robert Cummings com uma interpretação bem frágil do amante. Contratar atores ruins talvez seja a intenção do diretor, sempre apto a criar desafios a serem resolvidos.

Disque M Para Matar – Dial M for Murder

- EUA 1954 De Alfred Hitchcock Com Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, John Williams, Anthony Dawson, Leo Britt 105’ Suspense


DVD- Pena que Hitchcock não trabalhou sempre para a Warner. Teríamos agora todos os seus filmes em DVD em edições decentes como esta. O estúdio mais uma vez vendeu um título clássico corretíssimo, com a arte da capa e menus seguindo o estilo publicitário da época em que o filme foi lançado. Os extras são trailer, documentário sobre a produção e outro sobre o porquê de ele ser produzido em 3D. Tudo devidamente legendado em português.

Cotação:

21 de novembro de 2008

Sangue Sob o Sol

O humor involuntário fica por conta da caricatura racial. Ou Sylvia Sidney aparenta alguma gota chinesa em seu sangue? Asiáticos de verdade ficam por conta apenas da figuração. Politicamente dá-se um desconto pela época em que o produziram. Fazia quatro anos que Pearl Harbor tinha sido atacado, sendo que alguns meses antes do filme chegar aos cinemas os americanos deram o troco bombardeando Hiroshima e Nagasaki. Há um texto de abertura nos posicionando na história e apontando o “Hitler Japonês”. James Cagney é o intrépido repórter (Não por acaso a profissão que sucedeu a onda dos gangsters após a implantação do código Hayes em Hollywood) que vive no Japão e revela a trama do governo local para invadir os EUA. Enfim, um herói com agá maiúsculo, usando sua astúcia e aulas de caratê em prol da alardeada liberdade norte-americana. Filmado em estúdio, a narrativa se passa numa Tóquio fabulosamente reproduzida, sem fundos pintados ou coisas do gênero, o que lhe valeu o Oscar de direção de arte daquele ano. Sidney, acostumada a ser a vítima perfeita nos filmes de gangster da década anterior, faz aqui a mocinha perigosa típica do noir. Meio americana, meio chinesa (ocupada pelos japoneses alguns anos antes), está a serviço do governo nipônico para usar seus atributos físicos junto ao jornalista. História mundial à parte, embora o excesso de discussões chegue a aborrecer enquanto não se compreende totalmente o que os militares querem, casal central segura as pontas do interesse. Há de se concordar que James Cagney descendo golpes de caratê num japonês de quase dois metros (!!!) é duplamente algo que não se vê todo dia.

Sangue Sob o Sol – Blood on the Sun

- EUA 1945 De Frank Lloyd Com James Cagney, Sylvia Sidney, Porter Hall, John Emery, Robert Armstrong, Wallace Ford, Rosemary DeCamp , Frank Puglia 98’ Ação/Policial


DVD- A Continental o distribui em herética cópia colorizada, o que perde muito da graça da fotografia cheia de sombras e luz. Dá pra resolver, obviamente, tirando a cor da TV. Fora isso, áudio e imagem estão bons. Os extras são as biografias de Cagney, do diretor Frank Lloyd, e uma galeria de pôsteres que mistura pôsteres e capas de DVD internacionais de baixa resolução. O que está muito ruim na realidade é a arte e da capa com um pôster original que nem ao menos se encaixa na lombada do estojo. A impressão da mesma é notadamente uma Xerox colorido.

Cotação:

19 de novembro de 2008

De Volta ao Vale das Bonecas

Fazia tempo que não via algo tão inusitado. Entre a genialidade e a total burrice esquizofrênica, Russ Meyer colocou num liquidificador tudo o que conhecia de cultura popular (incluindo aí muita sacanagem) e apertou a tecla pulsar. Conhecido como um dos principais nomes do cinema sexplotation, que equivale às nossas pornochanchadas, foi encarado pela Fox como a luz no fim do túnel á crise financeira que se encontrava. Nos loucos anos 60, o mundo vivia a mais radical revolução cultural e sexual, o que deixava sem sentido toda pompa das grandes produções hollywoodianas. Graças a isso, o maldito Meyer finalmente trabalharia dentro da capital mundial do cinema a preço de banana, num dos raríssimos casos onde um então diretor independente teve absoluta liberdade para criar sem interferência dos executivos. E ele não se fez de rogado. Como a autora do livro O Vale das Bonecas não liberou os direitos para a seqüência de O Vale das Bonecas de 67, optaram por uma espécie de sátira ao submundo do show business interpretada de forma realista na medida do possível. Trio de roqueiras parte para a Califórnia em busca da fama, sexo descompromissado e drogas! Pelo menos duas playmates no elenco garantem a farta exibição de peitos, embora aqui mais contida do que o cineasta tinha fama. Mas resumir assim parece pouco! Tem um ritmo de edição rapidíssimo, coisa que a MTV só faria décadas depois, além de alguns videoclipes da banda fictícia The Carrie Nations entrecortando a história. Sem perder o fio da meada, os vários personagens se envolvem em situações melodramáticas exageradas e hilariamente baratas de fazer o roteirista da pior novela mexicana já feita corar de vergonha. Como o céu é o limite ao deboche psicodélico, nos surpreende até os momentos finais, violento e criativo que duvidosamente será esquecido por quem o assistir.

De Volta ao Vale das Bonecas – Beyond the Valley of the Dolls

- EUA 1970 De Russ Meyer Com Dolly Read, Cynthia Myers, Marcia McBroom, John Lazar, Michael Blodgett, Edy Williams, Erica Gavin, Phyllis Davis, Princess Livingston, Pam Grier 109’ Comédia/Drama/Musical/Suspense


DVD - Tão inacreditável quanto o diretor ser praticamente desconhecido no Brasil é esta super edição dupla, repleta de extras da Fox! Há uns 5 documentários longos com entrevistas de historiadores, críticos e elenco, extensas galerias, spots, trailers, testes... Só os trailers, spots e as duas faixas de comentários no primeiro disco (“pra variar”) estão sem legendas em português.

Cotação:

31 de outubro de 2008

Canibal Ferox

Essa grossura em forma de película se orgulha de ser o filme mais violento já feito. Proibido em 34 países, deveria ter sido em outros tantos só pela escrotice do diretor em sacrificar e maltratar animais pra conseguir tal mérito. Há uma tomada bem curta dos atores com o jipe em movimento onde se vê o pobre quati pendurado pela cordinha sendo arrastado do lado de fora. Da parte dos humanos, embora aja boa tensão, nem sempre os efeitos de violência explícita ficaram bem feitos. E em matéria de gore, o que não choca faz rir, não há meio termo! A história vai e volta das ruas de Nova York à selva Amazônica, o que além de dispersar o interesse pelo grupo de jovens perdidos na expõe o amadorismo técnico da produção. Pertencente à vertente (bem popular na Itália nos 70’s) dos filmes sobre canibalismo, é apenas uma grande curiosidade de gosto duvidoso, um grande teste de estômago para espectadores sem coisa melhor pra assistir. Como cinema deixa muito a desejar, sendo que a principal mensagem (quem é mais selvagem, os nativos da floresta ou nós, seres pseudo civilizados?) bem escancarada, dita inclusive pelos atores, ajuda a dar ainda mais sabor de obvio em tanta gratuidade. Em suma, uma grande selvageria artística no mau sentido.

Canibal Ferox – Cannibal Ferox

- Itália 1981 De Umberto Lenzi Com Giovanni Lombardo Radice, Lorraine De Selle, Danilo Mattei, Zora Kerova, Walter Lucchini, Fiamma Maglione, Robert Kerman, Venantino Venantini, 'El Indio' Rincon 93’ Horror


Cotação:

22 de outubro de 2008

À Meia Luz (1944)

Ingrid Bergman nos presenteia talvez com a interpretação mais fofa de sua vida. Tão desprotegida que dá vontade de gritar que seu marido é um bandidão tentando fazê-la de louca pra botar as patas na fortuna da tia morta. Nitidamente, e com insuspeita classe, esse filme da época das trevas Hollywoodiano faz proveito do espírito de Rebecca. Está presente o casarão, o quadro da finada entre outras pitadas do sucesso recente de Hitchcock, embora suas raízes não sejam um livro, e sim uma produção teatral inglesa também de 1940. Seu clima de eterno desamparo, com luzes instáveis e o fog londrino escondendo o horizonte, assume na segunda metade postura muito mais policial do que suspense, e nessa virada o personagem de Joseph Cotten ganha força abrupta demais, mas é um alívio que desponte alguém que ajude a mocinha. Charles Boyer, a esta altura consagrado como grande, parece ter no papel de vilão mor a chance de parecer perfeito usando sua antiquada interpretação típica do cinema mudo, cheio de caras e bocas. Coroando o elenco de luxo está Angela Lansbury como a petulante empregadinha do tipo cama e mesa, seu primeiro personagem adulto. Dirigido por George Cukor (gigante responsável por incontáveis clássicos nos mais diversos gêneros) é bastante prazeroso na franca nobreza cinematográfica.

À Meia Luz – Gaslight

- EUA 1944 De George Cukor Com Ingrid Bergman, Charles Boyer, Joseph Cotten, Dame May Whitty, Angela Lansbury, Barbara Everest, Emil Rameau 114’ Suspense


DVD - Outro espetacular lançamento da Warner com a capinha e menus reproduzindo o pôster original. Contendo lado A e B, traz como extra nada menos do que a versão feita na Inglaterra quatro anos antes, trailer do americano e documentário apresentado por Pia Lindström, a filha menos famosa de Ingrid Bergman. A curiosidade máxima fica por conta do filmete com a entrega do Oscar de 1944, no qual à Meia Luz saiu vitorioso nas categorias atriz e direção de arte (Decoração). Na época, sem TV, o prêmio da Academia era bem artificial. Aliás, bem mais artificial.

Cotação:

17 de outubro de 2008

Diabolik

Nada parece ser mais pop que cinema italiano comercial. Adaptação de personagem de quadrinhos local muito popular, cada frame de Diabolik é um deleite kitsch assinado por Mario Bava, produzido pelo não menos lendário Dino De Laurentiis e trilha sonora (menos swingada do que se espera) de Ennio Morricone. Não uma trama em si, mas um infinito gato e rato do anti-herói (John Phillip Law) com a polícia e a máfia. Com alguns personagens sumindo da ação depois de um tempo, além de seguir divertidamente lógica física inverossímil, dá pra perceber que o roteiro (também de Bava) é uma grande colcha patchwork reaproveitando situações dos quadrinhos. Também engraçado o personagem seguir um estilo James Bond, cheio de apetrechos tecnológicos, mas é um ladrão que não pensa duas vezes em matar quem se colocar à sua frente, mesmo se for apenas um pau mandado do chefão. Seus planos mirabolantes não são para roubar dos ricos e dar aos pobres, mas pra puro e simplesmente enriquecer e dar tudo o que sua amada Eva (Marisa Mell belíssima) quer. O mais próximo do heróico que seus atos fazem é desestabilizar o sistema vigente. Explode vários prédios públicos obrigando o ministro ir à TV pedir aos cidadãos que por amor à pátria declarem novamente seu imposto de renda, já que todos os registros foram perdidos. “Só pode ser piada!” declara um nobre tiozinho enquanto toma sua biritinha num boteco. É esse espírito que o põe muito acima de 9 entre dez versões cinematográficas do gênero, cada vez mais enquadradas na burrice da média intelectual das platéias. O ator Law, falecido em 2008, apareceria como o anjo de Barbarella, outro filme de heróis do mesmo ano.

Diabolik - Danger: Diabolik

- Itália/França 1968 De Mario Bava Com John Phillip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli, Adolfo Celi, Claudio Gora, Mario Donen, Renzo Palmer 105’ Aventura


Cotação:

15 de outubro de 2008

Sin City – A Cidade do Pecado

Fosse uma história original, não uma adaptação de graphic novel, poderíamos apontar este noir moderno como um dos melhores filmes deste início de século. É uma pena que apenas sua técnica foi imitada em outras produções, não seu conceito artístico. Estilizado, usando a obra original praticamente como storyboard, à primeira vista é dramaticamente belíssimo,e tanta beleza merece (pelo menos) uma segunda assistida. Isso porque, pelo radicalismo é impossível não se notar o distanciamento dos atores do resto do cenário, dando impressão de que todos estão presos a uma mentira. Na revisão percebe-se que tal coisa parte apenas do ponto de vista do espectador. Assim como os contos criados por Frank Miller ficaram muito bem costurados, a escalação do elenco está irrepreensível. Ainda demonstra um notável amadurecimento narrativo de Robert Rodriguez, que pela primeira vez fez um filme pensando na platéia, não uma experiência tecnológica somente para satisfação própria. Se for necessário apontar alguma falha, dá pra chutar a metragem longa, ou a sensação causada pelo processo, que depois de uma hora parece que se passaram 3. Seguindo a lógica de triplicar, ao final pode-se aplaudir as seis horas de puro e vibrante entretenimento cinematográfico.

Sin City – A Cidade do Pecado – Sin City

- EUA 2005 De Robert Rodriguez e Frank Miller Com Bruce Williams, Mickey Rourke, Jessica Alba, Benicio Del Toro, Rosario Dawson, Alexis Bledel, Elijah Wood, Clive Owen 124’ Ação


DVD - Ao contrário de outros países, a Buena Vista só disponibilizou aqui um disco simples em lá maior. O vergonhoso único extra trata-se de pobre documentário que se tiver dez minutos é muito. Pena que na época da Columbia o próprio Rodriguez produzia os DVDs repletos de material bônus. Pelo menos tem menus animados, coisa que nem isso foi feito para a única cópia até agora de Pulp Fiction no Brasil.

Cotação:

10 de outubro de 2008

O Martírio de Joana D’arc

A feroz crítica Pauline Kael considerava a interpretação de Maria Falconetti talvez a melhor já capturada por uma câmera. O fato de ser o único trabalho da atriz no cinema amplifica esse caráter de película singular, obra máxima que nos compele ao tom reverente, sacro, guardando forças como um dos melhores de todos os tempos. A falta de som, responsável por envelhecer drasticamente tantos outros, torna-se um elemento a mais para deixá-lo poeticamente realista. Kael relembra em seu texto as palavras de Cocteu, para quem parecia o registro de uma época a qual o cinema não existia. Baseado nas minutas do inquérito, consegue ser fidelíssimo muito mais às emoções do que à história. Só nos minutos finais é que teremos extravagantes cenas de multidão, com ângulos fantasticamente modernos. Difícil de imaginar, como com o peso dos equipamentos daquele tempo conseguiam dar giros de 180º. Não se sabe se ficamos embasbacados com tudo o que vemos ou se choramos copiosamente pela tragédia que “segue” os desígnios de Deus. Sobram duvidas sobre a pobre Joana, que mal sabia a idade ao certo, ter continuado até seus últimos momentos ancorada na fé cristão-católica, seria sua ignorância um alívio à realidade? Pior, como uma religião que nunca hesitou em usar seu poder pelas vias do sangue sobrevive até os dias atuais, continuamente sacrificando vidas em prol de sua permanência no topo. Dreyer aliás, não abre mão do principal elemento ao qual a igreja de Paulo se firmou: O medo. Cada sacerdote é terrivelmente fotografado de baixo pra cima, dando-lhes contornos de vampiros góticos. Joana, complacente, é mostrada ao contrário. Seus grandes olhos cristalinos refletem sobre tudo a dor de toda a humanidade.

O Martírio de Joana D’arc – La Passion de Jeanne d'Arc

- França 1928 De Carl Theodor Dreyer Com Maria Falconetti, Eugene Silvain, André Berley, Maurice Schutz, Antonin Artaud, Michel Simon, Jean d'Yd, Louis Ravet 82’ Drama


DVD- A qualidade da imagem no disco distribuído pela Magnus Opus nos faz pensar se mesmo em 1928 as platéias viram tudo tão nítido. O filme teve várias mutilações com o passar do tempo, negativos queimados, etc. Esta versão foi a partir dos negativos muito bem conservados encontrados em um hospício na década de 80. Há bastante texto como extra e longa entrevista com a filha de Falconetti. Ela relembra por exemplo que quebrada, no início da Segunda Guerra, fugiu para a suíça, tentou entrar nos EUA e acabou na bancarrota total num cassino do Brasil. Morreu logo depois na Argentina.

Cotação:

8 de outubro de 2008

Saló - 120 dias de Sodoma

O filme mais insultuoso e subversivo já feito em todos os tempos tem desconcertante artificialismo cênico. Espetáculo repulsivo quase insuportável de ser revisto, choca antes pela crueza das idéias que defende do que pelas imagens mostradas. Vai radicalmente na contramão do cinema que se acredita ser antes de tudo entretenimento, uma forma de escape. Pasolini, em seu último trabalho, sentia então, resquícios do fascismo na Itália, mas é inegável que ali está todo e qualquer país de qualquer época pseudo civilizada. Enquanto o povo nada literalmente na merda, os poderes vigentes, Estado e igreja, caiem na farra auto-afirmando sua duvidosa superioridade. A história (inspirada em Marquês de Sade) transcorre na década de 40 quando, com o fim de Mussolini, grupo de autoridades mantém grupo de adolescentes presos para a realização de todos os seus desejos, por mais porcos, cruéis e degradantes que possam ser. Se há rapazes armados mantendo a ordem sem a mínima reação humana, não faltam pequenos delatores entre as jovens “vítimas” (de origens humildes semelhantes) preparadas a apontar o próximo. Dividido em três partes, o Ciclo da Paixão, da Merda e do Sangue, faz pensar o último não ter fim, trazendo tal desgraça para o lado de cá da tela, embora as três putas velhas que narram histórias escabrosas tentem nos fazer acreditar que não passa de um conto de fadas tenebroso. Sem exageros, dá vontade de vomitar e inigualável mal estar social. Poderoso na construção de seu universo sistemático, não foi à toa ter sido proibido em muitos países e continuar inédito em DVD.

Saló - 120 dias de Sodoma - Salò o le 120 giornate di Sodoma

- Itália/França 1975 De Pier Paolo Pasolini Com Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto Paolo Quintavalle, Aldo Valletti, Caterina Boratto, Elsa De Giorgi, Hélène Surgère, Sonia Saviange 116’ Drama


Cotação:

1 de outubro de 2008

O Homem dos Olhos de Raio X

Cientista bonzinho (Ray Milland) cria colírio que o permite ver absolutamente tudo o que há no mundo sem barreiras. Ao resolver aplicar em si, acarreta uma série de incidentes, além de ficar inebriado com o poder. Esta estranha ficção científica tem a assinatura de Roger Corman, cientista louco como protagonista, fotografia de um bizarro “novo“ sistema com nome engraçado e mesmo assim é muito bom! Transcende o gosto de filmes B só porque são mal feitos ao ponto de involuntariamente causarem risos. Por uma merrequinha Corman colocou o ex-grande astro (oscarizado e tudo) pra trabalhar num roteiro bastante envolvente e divertido, imerso de aura 60’s. Consegue discutir filosoficamente o enxergar além, e os transtornos e delicias que isto acarreta, sem perder o bom humor literalmente de vista. A cena da festinha regada a iê-iê-iê, quando o doutor usa seus poderes para ver todo mundo peladão, é antológica. Há quem critique o tom moralista que a fita assume nos momentos finais, mas seu impacto é compensador.

O Homem dos Olhos de Raio X - X: The Man with the X-Ray Eyes

- EUA 1963 De Roger Corman Com Ray Milland, Diana Van der Vlis, Harold J. Stone, John Hoyt, Don Rickles 79’ Horror/Ficção Científica


Cotação:

27 de setembro de 2008

Querelle

Livremente baseado em romance de Jean Genet, Fassbinder, talvez o último verdadeiramente grande diretor alemão, dava ao mundo seu canto de cisne sem concessões comerciais. Tanto que o filme é febrilmente erótico sem mostrar se quer um único corpo nu. Fotografado em alaranjado lúgubre, com claustrofóbicos cenários teatrais, não se desenvolve neste mundo que em que vivemos, mas no sempre misterioso terreno do desejo, embora faça uso de claras regras sociais. Querelle (Brad Davis) é o marinheiro que ao aportar se lambuza dos pés à cabeça do poder proporcionado pela atração que desperta em homens e mulheres. Trapaceará no jogo de dados para ser possuído pelo marido da dona do bordel jurando ser aquela sua primeira vez. Jeanne Moreau, a única mulher em cena, interpreta a triste puta velha que cantarola a mesma canção enquanto recolhe para si os amantes recusados pelo esposo. “O homem mata tudo aquilo que ama” diz a canção. Há uma trama policial que na verdade só serve para mostrar a desenvoltura do marinheiro em usar os atributos físicos a seu bel prazer. Querelle só não consume nada com o paternalista capitão (Franco Nero) e o doentiamente apaixonado irmão. O mais perto que chegará do incesto é ao experimentar o primeiro beijo na boca de outro homem, quando um fugitivo (Hanno Pöschl em papel duplo) se disfarça tornado-se idêntico a ele. Brilhante trabalho de atmosfera, envolve principalmente na ótima construção de personagens, e na narrativa ousada. De forte temática homossexual, é, sobretudo, um filme sobre machos.

Querelle - Querelle

- Alemanha/França 1982 De Rainer Werner Fassbinder Com Brad Davis, Franco Nero, Jeanne Moreau, Laurent Malet, Günther Kaufmann, Hanno Pöschl, Burkhard Driest 120’ Drama


DVD- A Versátil bate no peito deixando claro no texto da contra capa de que está sob licença da Gamount. Essa óbvia alusão ao paraíso das contraversões de copyrights que parece ser o Brasil pode ser desculpa justa aos preços estratosféricos de seus maravilhosos produtos. Pena que o valor alto não nos dá direito a um conteúdo mais caprichado. Menus horrorosos, extras relaxados se resumindo a texto e galeria curta, e o pior de tudo, legendas que não passaram pela mínina revisão. Há palavras com três esses, fora erros gramaticais grosseiros. Mesmo sendo uma película considerada forte, as legendas ainda apazigua o linguajar dos marinheiros, marca registrada de Jean Genet.

Cotação:

16 de setembro de 2008

Laranja Mecânica

Não só se manteve bendito/maldito por todos estes anos, como uma excelente demonstração de como um livro deve ser adaptado ao cinema. Kubrick pegou o romance de Anthony Burgess e limou aqui e ali, aumentou acolá, conseguindo extrema fidelidade sem ser chato. Até as gírias, que obrigam o leitor a ficar o tempo todo recorrendo ao glossário das últimas páginas, estão em sua maioria presentes, embora com sutis explicações visuais. Alex, o pequeno delinqüente mais inteligente do que qualquer outro personagem, parece muito mais carismático e de duvidosa identificação com a platéia. Sorrateiramente as vítimas têm destaque quase nulo após suas barbáries. Não é um filme, aliás, sobre vítimas, mas sobre o perigoso jogo de dominação e dominado, que nos lembra que absolutamente todos nós fazemos parte do chamado sistema. A engrenagem que roda infinitamente criando lobinhos para depois os converter a doces cordeirinhos e vice versa. Hermético, de incontáveis paralelos, foi polêmico desde quando lançado, permanecendo proibido na Inglaterra pelo próprio cineasta após algumas ameaças de delinqüentes juvenis. E a vida nunca imitou tanto a arte quanto com Laranja Mecânica. O futuro próximo já virou passado e presente... Dando ritmo ainda mais épico, a chocante trilha sonora de Walter Carlos abraçada a Beethoven, Rossini e Terry Tucker.

Laranja Mecânica – A Clockwork Orange

- Inglaterra 1971 De Stanley Kubrick Com Malcolm McDowell, Patrick Magee, Michael Bates, Warren Clarke, Adrienne Corri, Aubrey Morris, Sheila Raynor 136’ Ficção Científica


DVD - A edição dupla e restaurada dá a sensação de estarmos vendo um filme inédito, tamanha quantidade de novas nuances notadas. É triste que os extras do primeiro disco (faixa de comentários de um historiador, de Malcolm McDowell e o trailer original) estejam sem legendas em português. Tal desleixo desmerece o titulo de edição especial, já que custa mais do que a versão simples vendida antes. O segundo disco tem apenas três documentários bons. Um com o impacto cultural da obra, outro menos feliz sobre os bastidores e um terceiro de uma hora e meia sobre a carreira de McDowell.

Cotação:

12 de setembro de 2008

Crime na Mansão Sombria

Logo de cara se nota que, enquanto o cinema americano fazia coisas do tipo ...E O Vento Levou, a Inglaterra ainda estava na idade da pedra em questões técnicas. O filme é de 1940, mas parece ser de 1800 e pouco. Não que a reconstituição de época seja espetacular, mas por precariedade de produção e a qualidade da cópia se desmanchando também não ajuda muito. Em compensação, artisticamente, a partir do roteiro, dá de 10 a zero em muito do que saiu de Hollywood naquela época. Longe do conservador código Hayes, os ingleses ousavam mais na violência, embora fora de quadro. Tod Slaughter, ator já era consagrado nos palcos londrinos como vilão, assumia na tela a persona malvada com bom humor, quase que uma caricatura de si mesmo. Pode soar exagerado, mas combina com o teor farsesco da trama. Na história, impostar mata herdeiro para assumir seu lugar, sem saber que na verdade ganhará apenas dívidas. Sente-se quase que obrigado a assassinar pra conseguir alguns dobrões. Com muitos personagens e subtramas interessantes, várias delas não se encaixam ou acabam mal explicadas. Talvez o motivo seja que, a metragem original dele foi drasticamente encurtada ao ser exibido nos EUA, com leis de moral e conduta muito mais rígidas. Infelizmente, as versões que rodam o mundo com os trabalhos de Slaughter são as de lá.

Crime na Mansão Sombria – Crimes at the Dark House

- Inglaterra 1940 De George King Com Tod Slaughter, Sylvia Marriott, Hilary Eaves, Geoffrey Wardwell, Hay Petrie, Margaret Yarde, David Horne 68’ Horror


DVD - A London Films (WorksDVD) o distribuiu dentro de uma caixa chamada Ataúde Macabro e avulso contendo outro filme de Tod Slaughter. A imagem está novamente péssima, cheia de rabiscos, com o áudio inconstante, mas logicamente, é uma aquisição válida devido à oportunidade rara de se assistir o ator, primeiro mestre do horror inglês.

Cotação:

10 de setembro de 2008

Janela Indiscreta (1954)

Tão elegante e requintado que é difícil de acreditar que tenha sido feito a partir de um conto. James Stewart é o fotógrafo que após se acidentar passa as tarde quentes em seu apartamento nova-iorquino bisbilhotando a vida dos vizinhos. Janela a janela, vai se entretendo com a vida comum dos outros até se deparar com o que pode ser assassinato. Alfred Hitchcock num dos seus melhores momentos também nos imobiliza em gesso. Só vemos o que o protagonista vê, exceto numa madrugada quando ele cochila. Grace Kelly e Thelma Ritter são as coadjuvantes de luxo, sendo a primeira a namoradinha endinheirada e a outra a enfermeira num tipo habitual à atriz, uma espécie de consciência ou grilo falante do papel principal. Assim que Stweart as convencer que presenciou realmente um crime, a trama ganha em agilidade com melhor aproveitamento da cenografia e sua pulsante realidade. Impossível deixar de comentar não só a excelente direção de arte, executada de forma incomum e do uso da trilha sonora, ou da falta dela, já que todo o som é exatamente o que o fotógrafo ouve. Estes dois elementos de impecável apuro técnico, produzidos perfeitamente em época distante, só reforça o emblema de obra prima.

Janela Indiscreta – Rear Window

- EUA 1954 De Alfred Hitchcock Com James Stewart, Grace Kelly, Thelma Ritter, Wendell Corey, Raymond Burr, Judith Evelyn, Georgine Darcy 112’ Suspense


DVD - A Universal manteve em todos os do diretor que lhe dizem respeito capa e menus padronizados, o que além de ser feio por si só, ainda piora na estante ao ser misturado em ordem cronológica com os de diferentes distribuidoras. Pra variar, o tal livreto descrito na contracapa não está neste também. Há um documentário longo de analises e sobre a restauração, um menor só sobre os bastidores, galeria de imagens, trailer original e do relançamento. Este último já presente em outros da série.

Cotação:

28 de agosto de 2008

O Invasor Galáctico

Vergonha alheia! Legítimo herdeiro das ficções científicas 50’s, mas que não fica na paródia, na avacalhação o que é pouco comum. É interessante a tentativa de seguir ipsis litteris uma rebuscada produção científica com os recursos artísticos e financeiros que tinham a seu alcance! O resultado? É quase impossível não cair às gargalhadas durante todo o tempo. Efeitos especiais péssimos, diálogos sem sentido, fotografia acidental, interpretações que nem nas épocas de cruzadinha na igreja vi semelhantes. E o principal: elenco medonho, trajando o último grito da moda do começo dos 80. A história é simples e eficiente. Alienígena, parecido com o Mostro da Lagoa Negra, sabe Deus por que, cai na Terra, precisamente na zona rural (!!!) de Baltimore, o que despertará a cobiça de um grupo de caipiras malvados que decidem capturá-lo para ganhar dinheiro. Muitos mortos, armas laser de plástico e um plot familiar mal e parcamente explorado durante uma hora e 20 minutos. Está ruim? Espere pelo final inacreditável!



O Invasor Galáctico – The Galaxy Invader

- EUA 1985 De Don Dohler Com Richard Ruxton, Faye Tilles, George Stover, Greg Dohler, Anne Frith, Richard Dyszel, Kim Dohler 80’ Ficção Científica


DVD - Nos últimos suspiros da Works DVD (London Films) ela vendeu estas produções baixadas de sites que disponibilizam produções aparentemente sem copyrights. A tiragem pequena fez com que desaparecessem das lojas num estalo. Cada disco traz dois filmes do mesmo gênero, com qualidade precária, nos minutos finais a imagem simplesmente some como se a matriz em VHS (!!!) estivesse mofada. Vale sem dúvida para se guardar estas obras primas classe Z.

Cotação: