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13 de janeiro de 2009

Senta No Meu Que Eu Entro Na Tua

Dois episódios: Alô Buça e O Unicórnio. No primeiro, as desventuras de uma mulher casada e leviana às voltas com sua vagina que resolveu falar tudo o que sente. Pouco a pouco ela vai mandando na vida da “dona” sendo muito indiscreta. Chega a recusar que um parceiro coloque a boca em si por causa do mau hálito. A outra historinha é sobre um marido traído (Germano Vezzani que chegou a fazer ponta em telenovela da Globo) que ao invés de chifre vê nascer um insaciável pênis em sua cabeça! Em ambos os casos, é evidente que se trata de uma crítica a quem tem a vida em torno do sexo, praticamente deixa que um órgão comande sua roda social. Tão engraçado e chulo que beira a genialidade! Dá pra rir só de imaginar a atriz que dublou a vagina, ou como aqueles closes na hora que ela fala devem ter ficado vistos numa tela grande de cinema. O momento chave é a dona cantando uma música de dor de cotovelo e a genitália indo de “Isso me dá um tique tique nervoso...”!!! Mas o grande barato das pornochanchadas dessa fase explícita é usar sua displicência pra colocar a sacanagem no seu devido lugar: Como a coisa mais óbvia e comum que existe desde que o mundo é mundo! A cena final é de se suspeitar ter sido fonte de inspiração a John Waters. O filme Clube dos Pervertidos se encerra exatamente da mesma forma.

Senta No Meu Que Eu Entro Na Tua

- Brasil 1985 De Ody Fraga Com Germano Vezzani, Jaime Cardoso , Sílvia Dumont, Walter Gabarron,Sandra Midori, Débora Muniz, Kelly Muriel, 88’ Comédia/Sexo Explicito


Cotação:

2 de setembro de 2008

Mulher Nota 1000

Comedinha teen 80’s dirigida pelo especialista John Hughes de efeito inferior as outras como O Clube dos Cinco e Gatinhas e Gatões, mas ainda divertida. A visão do adolescente em busca de sexo está bem superada. Não que produtos similares atuais não foquem nesta preocupação, mas é tudo muito soft e careta, duvidosamente a galera de 2008 veria graça naqueles nerds infantilizados. Realmente engraçado é o uso de computadores pessoais de forma tão irreal. Dois garotos (um deles é Anthony Michael Hall astro do gênero) resolvem criar a própria gostosa ao ver o clássico a Noiva de Frankenstein na TV moldando-a com a ajuda da máquina. Sem software nem nada! Apenas desenhando wiframes, como se moldassem barro. É quase como um filme dos anos 40 sobre a chegada do homem à lua, ou um filme de agora sobre daqui a 20 anos. Sempre são tiros n’água! Mais absurdo é que escaneiam um monte de revistas de moda para conseguirem a beleza ideal, assim como fotos de Einstein para que a beldade ainda por cima seja inteligente. O resultado é a modelo Kelly LeBrock, muito famosa naquele tempo, e demonstrando ser astuta ao topar esse papel que brinca com sua imagem pública. Será na verdade uma espécie de fada madrinha, com alguns poderes mal explicados, que deixará os garotos tão nervosos que jamais consumarão seus desejos carnais. Há uma cena onde beija um deles apalpando sua bunda que cheiraria a pedofilia aos padrões 2000 do que é politicamente correto. Robert Downey faz um dos bad boys, quando ainda não assinava “Jr.”.

Mulher Nota 1000 – Weird Science

- EUA 1985 De John Hughes Com Anthony Michael Hall, Kelly LeBrock, Robert Downey
Jr., Ilan Mitchell Smith, Bill Paxton, Suzanne Snyder 94’ Ficção Científica/Comédia


DVD - Dá pena a Universal ser dona destes clássicos adolescentes dos 80. Seus DVDs são pobres de tudo! Menus estáticos, extras que se resumem a trailer e até a impressão da capa é sofrível.

Cotação:

28 de agosto de 2008

O Invasor Galáctico

Vergonha alheia! Legítimo herdeiro das ficções científicas 50’s, mas que não fica na paródia, na avacalhação o que é pouco comum. É interessante a tentativa de seguir ipsis litteris uma rebuscada produção científica com os recursos artísticos e financeiros que tinham a seu alcance! O resultado? É quase impossível não cair às gargalhadas durante todo o tempo. Efeitos especiais péssimos, diálogos sem sentido, fotografia acidental, interpretações que nem nas épocas de cruzadinha na igreja vi semelhantes. E o principal: elenco medonho, trajando o último grito da moda do começo dos 80. A história é simples e eficiente. Alienígena, parecido com o Mostro da Lagoa Negra, sabe Deus por que, cai na Terra, precisamente na zona rural (!!!) de Baltimore, o que despertará a cobiça de um grupo de caipiras malvados que decidem capturá-lo para ganhar dinheiro. Muitos mortos, armas laser de plástico e um plot familiar mal e parcamente explorado durante uma hora e 20 minutos. Está ruim? Espere pelo final inacreditável!



O Invasor Galáctico – The Galaxy Invader

- EUA 1985 De Don Dohler Com Richard Ruxton, Faye Tilles, George Stover, Greg Dohler, Anne Frith, Richard Dyszel, Kim Dohler 80’ Ficção Científica


DVD - Nos últimos suspiros da Works DVD (London Films) ela vendeu estas produções baixadas de sites que disponibilizam produções aparentemente sem copyrights. A tiragem pequena fez com que desaparecessem das lojas num estalo. Cada disco traz dois filmes do mesmo gênero, com qualidade precária, nos minutos finais a imagem simplesmente some como se a matriz em VHS (!!!) estivesse mofada. Vale sem dúvida para se guardar estas obras primas classe Z.

Cotação:

23 de fevereiro de 2008

A Coisa

Substância cremosa branca, achada ao acaso, é comercializada em potes como se fosse o sorvete Jundiá e consegue imenso sucesso. Pouco a pouco consumirá o cérebro dos desavisados. Com efeitos simples, mas eficazes, esta mistura de Invasores de Corpos e A Bolha vai muito bem até a segunda metade, quando o elenco parece cair em si da bobagem a qual está participando e leva tudo na brincadeira. Tem cenas sérias que eles chegam a esboçar sorrisos! Dirigido por Larry Cohen, mais famoso por ter dado cria ao trash Nasce um Monstro, consegue de forma inteligente criticar o vale tudo da indústria alimentícia. Detalhe, em 1985 foi quando historicamente a Pepsi resolveu peitar a Coca-Cola em feroz campanha publicitária. A Coisa, satirizado no humorístico TV Pirata, é parte da memória afetiva de muita gente. Na década de 80, nos primórdios do SBT (então TVS), fez parte do pacote dos únicos filmes que o canal possuía. Era exibido inúmeras vezes na Sessão das Dez após o Show de Calouros revezando com títulos do porte de Bem Vindo Ao Lar Bobby, sobre o despertar de um garoto gay, e O Segredo de Kate, drama de uma dona de casa com bulimia. Todos viravam assunto recorrente na hora do recreio da segunda-feira.

A Coisa – The Stuff

- EUA 1985 De Larry Cohen Com Michael Moriarty, Andrea Marcovicci, Paul Sorvino, Danny Aiello 87’ Suspense


DVD - A capinha tem um verde limão bonito que meu scanner não conseguiu reproduzir! De extra só texto com sinopse, que nunca se sabe pra que serve, e biografias de um ou outro quase famoso do elenco. Pelo menos o filme está com excelente imagem em widescreen.

Cotação:

19 de fevereiro de 2008

De Volta Para O Futuro

A grande sacada desta aventura é ter como base o fetiche de todo adolescente em imaginar como eram seus pais quando tinham a sua mesma idade. Michael J. Fox é o sortudo em questão que acidentalmente terá essa vontade saciada indo parar exatamente na época em que seus pais estão para se conhecer. Como em toda filme produzido por Hollywood no inicio dos 80 espere para que mal entendidos gerem inúmeras situações absurdas tal e qual as películas da década de 30. A primeira vez que assisti era criança, não adolescente, e achei burro ele ir ao passado sendo que o título falava em futuro. No mínimo deveria ser De Volta Ao Presente! Minha opinião a respeito não mudou, embora esteja maduro o suficiente para isto não atrapalhar meu julgamento sobre um trabalho engenhosamente bem executado. Tão impecável que a viagem temporal torna-se absolutamente crível! O desconforto é o mesmo de qualquer outro produzido por Spielberg: É tanto esforço gasto no espetáculo técnico que os atores estão à deriva. Se Michael J. Fox convence como adolescente peralta, Christopher Lloyd está digno para animar festas infantis e Thomas F. Willson, como o vilão Biff, estridente demais para quem tem certeza do que diz... Há um descompasso assombroso nas interpretações e isto prejudica o resultado final a quem prestar mais atenção ou for mais exigente. É a técnica em atrito à arte, ao humano. O fim virou uma pérola dos materialistas anos de Ronald Reagan no poder, quando se acreditava que apenas os yuppies de gravata e carrão na garagem é que eram felizes.

De Volta Para O Futuro – Back To The Future

- EUA 1985 De Robert Zemeckis Com Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Willson 115’ Ficção Científica


DVD - Toda a trilogia foi comercializada em Box ou DVDs simples separados. Recentemente foi relançada em um Box diferente, daqueles em que todos os discos são acomodados em estojo de espessura igual a um comum. É estranho e desconfortável manuseá-los, mesmo com a vantagem de ocupar menos espaço na estante. Cada filme vem com os (muitos) extras iguais, mas específicos para cada um, sendo que os dois primeiros contêm making off da época e um atual. De resto, destaque para erros de gravação e algumas cenas deletadas. No menu principal chama atenção a imagem em movimento do notório relógio da prefeitura (sim, aquele danificado por um raio em 1955). Dependendo do filme aparece, assim como o designer do menu, nos respectivos anos 1985, 2015, 1885.

Cotação:

18 de fevereiro de 2008

Procura-se Susan Desesperadamente

Madonna é Susan, a vagabunda simpática vestida como rameira barata. Rosanna Arquette é Roberta Glass, dona de casa novo-rica entediada com seu pacato cotidiano doméstico. Ambas se encontrarão no East Village, onde suas vidas se entrelaçarão em uma espécie de O Príncipe e O Mendigo pop punk. Tudo está graciosamente fora de moda, talvez muito mais divertido do que na própria época em que foi feito. Dizem que é o único filme onde Madonna funciona porque na verdade é ela mesma que vemos, ou a moldura que foi criada para vender seus discos em princípio de carreira. A verdade é que embora sua imagem seja forte, quem conduz a trama é Arquette, uma atriz de verdade. A cantora só aparece aqui e ali, hora fumando maconha, hora tentando se dar bem em cima de algum desavisado... Tanto Roberta quanto qualquer mulher em voga com a moda queria se vestir como ela, e aí está o enigma do arquétipo feminino da garota perdida. O Roteiro se assemelha ao de muitas películas do inicio dos 80, remetendo diretamente às produções Hollywoodianas da década de 30, seja aventura (como Indiana Jones) quanto no subgênero “comédia maluca” tão bem explorado por Howard Hawks. Madonna faria outro parecido logo depois, Quem é Esta Garota?, sem o mesmo êxito. Geralmente essas histórias retiram o humor de um mal entendido, que fará desenrolar um monte de situações absurdas apoiadas no acaso, correm o risco de ficarem cansativas. O filme de Sedelman tem uma postura new wave tão interessante e barroca que não há como desgrudar da tela até a última seqüência. Ao som de Into The Groove, claro!

Procura-se Susan Desesperadamente – Desperately Seeking Susan
- EUA 1985 De Susan Sedelman Com Rosanna Arquette, Madonna, Aidan Quin, Robert Joy 104’ Comédia


DVD - A curiosidade principal está em um fim alternativo, de mais de 5 minutos, muito mais feminista do que o Happy End com casaizinhos usado na montagem final. Tanto ele quanto o (nostálgico) trailer original não possuem legendas.

Cotação:

9 de fevereiro de 2008

A Louca Corrida do Ouro

Divine é a mocinha com sotaque castelhano neste destrambelhado faroeste repleto de anti-heróis. Com humor quase sempre vindo da escatologia, é uma rara participação do ator em outro filme que não seja de seu amigo John Walters. Aqui, sob a batuta de Paul Batel (colega de Roger Cormam) voltava, depois de Polyester, a fazer par romântico com Tab Hunter. Produzido na época de extremo sucesso de produções grosseiras (do tipo Porky’s), deixa qualquer um literalmente comendo poeira no quesito falta de sutileza, mas ganha pontos por seu roteiro bem amarrado repleto de referências cinematográficas, principalmente aos clichês do western espaguete. Fabuloso como Divine grotescamente entretém e cativa com sua Rosie Velez, desprovida de qualquer caráter. E Tab Hunter, antigo galã adolescente 50’s, envolvido em alguns escândalos sexuais com outros garotos já naquela época, mantém a postura de astro já com idade avançada. Um clássico do mau gosto com elenco predominante “queer”, algumas vezes reprisada na TV, mas provavelmente sem um terço do filme, já que há alguma nudez que não lembro ter visto na Sessão da Tarde.

A Louca Corrida do Ouro – Lust in The Dust
- EUA 1985 De Paul Batel Com Divine, Tab Hunter, Lainie Kazan, Cesar Romero, Henry Silva 83’ Comédia


DVD - Nossa! Uma verdadeira videocassetada! A capinha (que eu juraria ser Xerox colorido) tem a arte mais amadora que já vi. A lombada nem cabe no lugar certo pra você ter idéia. Pelo menos mantiveram a imagem em widscreen, e tem uma faixa de áudio com uma dublagem tipo fundo de quintal. Ah, a legenda do filme foi feita por alguém que estava com defeito no teclado já que a letra “l” é substituída todo o tempo pelo “i” maiúsculo!!!!!! Há as biografias (bem resumidas) de Hunter e Cesar Romero (o Coringa da série de TV Batman) com o nome grafado com Z!

Cotação:

16 de dezembro de 2007

Splash – Uma Sereia em Minha Vida

Rever este clássico do repeteco na TV em versão digital tem sabor de novidade. Sem os intervalos comerciais, o absurdo fullscreen e a cafonice da dublagem, parece um filme de verdade, e não aquela tolice que havia ficado retido no meu subconsciente. Com roteiro previsível, como normalmente são os romances made in Hollywood, fica evidente o diferencial de um elenco dando vigor a tanta sacarina. É absurdo o quão convincente está Daryl Hannah interpretando um personagem fantástico. E que pena que ela está pouco se lixando pra carreira topando depois disto qualquer bobagem. Tanto sereia quanto mulher idealizada, tivesse outra ali e 99% do charme teria ido ao ralo. E Tom Hanks em seu primeiro papel de destaque (Com a manjada voz 80’s de Nizo Neto na dublagem original presente nesta edição), distante léguas dos dois Oscars, é igualmente doce, nos fazendo esquecer do que está nas entrelinhas das intenções de seu yuppie: Quer uma mulher limpinha, que fique em casa nua o esperando chegar do trabalho para tórridas seções de sexo.

Splash – Uma Sereia em Minha Vida – Splash
- EUA 1985 De Ron Howard Com Tom Hanks, Daryl Hannah, John Candy 109’ Romance


DVD - Maravilhoso nem tanto pelo filme, mas pelo material extra escasso, mas eficiente todo legendado em português! É como se depois de 20 anos muitas dúvidas fossem selecionadas na sua cabeça, de uma época em que filmes fantásticos carregavam o tempero da dúvida de como aquilo havia sido feito. Nos de hoje só há uma resposta: Computador. É um filme tão querido que todos os envolvidos (incluindo Hanks e Hannah!!!) aparecem dando depoimentos atuais em um documentário bem extenso. Apostava que ela tinha usado uma dublê de corpo, por exemplo, nas cenas subaquáticas... Oh! E a Touchstone Pictures foi criada para lançar ele já que a Disney não queria associar seu nome a um filme de temática adulta. Hei, lembra que Madson até aparece nua em plena Nova York? Há orgulhosa faixa de comentário do diretor, produtor e roteiristas, e a cerejinha do bolo, os testes do casal central em VHS. Acredite, os chefões do estúdio se recusavam a ter Daryl como a sereia!

Cotação:

21 de abril de 2007

Phenomena

Cineasta adorado por aficionados pelo gênero fantástico, Dário Argento, continua praticamente desconhecido no Brasil. Tome em vista este Phenomena, inédito até então no mercado de home vídeo. Lançado nos cinemas apenas a edição americana com meia hora (!!!) a menos e com o título mudado para Creepers. Agora digitalmente nos chega (graças á London Films de Jundiaí que sei lá se ainda existe) nem a versão original européia da época, nem a tal americana, e sim a remontagem recente do próprio diretor. E digo logo de cara, este roteiro (de Argento também) nas mãos de qualquer outro teria se tornado um filme classe Z, sem pé nem cabeça, involuntariamente risível. Nas mãos de um mestre com total domínio da técnica temos quase uma obra prima. Belissimamente montado, com vários elementos comuns a sua filmografia, talvez só deslize nos últimos minutos forçados e principalmente na escolha patética de alguns hits de rock mofado dos anos 80. Iron Maiden e Motorhead parecem estar ali apenas pra gente se lembrar da época em que o filme foi feito, e que mesmo assim todo o resto parece não ter envelhecido. Aliás, se nos recordarmos o que havia em filmes de terror em 1985, entende-se um pouco mais Phenomena: Adolescente assassinadas em sonhos, menina paranormal e até a identidade do assassino nos remete a um famoso filme do período. Oh, sim! Ainda podemos contemplar Jennifer Connelly(de Dark Water) adolescente, novinha de tudo, como protagonista.

Phenomena

- Itália 1985 De Dario Argento Com Jennifer Connelly, Donald Pleasence, Daria Nicolodi 110’ Terror

DVD - Mais um com nadica de nada de extra. Nem em texto, nem trailer nem nada. Tem um menuzinho animado bem brega, mas que pelo menos faz uso da cena mais legal do filme. Ah, e a capinha, pelo menos a minha possui o pôster original, mas está mal e porcamente impressa. Parece aquelas figurinhas que a gente comprava nos bares quando era criança pra ganhar prêmios.

Cotação: