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26 de novembro de 2008

A Mansão de Drácula

O roteiro parece fruto de alguma gincana para ver quem conseguia usar mais monstros da Universal em menos metragem. Com evidente desgaste na fórmula, nada faz muito sentido. Drácula procura um conceituado médico porque cansou de ser vampiro. E não é que Talbot, o Lobisomem, teve exatamente a mesma idéia? O doutor, coitado, que vive isolado num velho laboratório cercado por duas ajudantes bonitonas, fará o possível para ajudá-los, mesmo estando mais preocupado em curar a corcunda de uma delas. No meio do tumulto, acabam encontrando o monstro de Frankenstein jogado numa caverna, e quando a trama tomar ares de Dr. Jekyll e Mister Hyde, pode apostar que haverá tentativas de revivê-lo. A enxurrada de efeitos especiais é outra diversão à parte, quase sempre funcionais até para os dias de hoje, exceto o morceguinho com os fios de nylon aparentes. Estapafúrdias há parte, é um trash de classe, produzido pelo estúdio que cravou no imaginário popular as principais criaturas da literatura de horror na década passada. Qualquer crítica é inútil se levarmos em conta seu interesse histórico e o sabor de entretenimento saudosista. Ao contrário do bem sucedido crossover cômico de Abbout e Costello, que contou com Bela Lugosi revivendo Drácula, nenhum dos atores originais está presente, embora Lon Chaney Jr. tenha ficado marcado pelo papel de Lobisomem. O conde da Transilvânia é interpretado por outra lenda do gênero, o longilíneo John Carradine. Por trás da maquiagem de monstro de Frankenstein está Glenn Strange assim como em alguns outros filmes. Hoje em dia é confundido volta e meia com Boris Karloff pela similaridade à primeira vista.

A Mansão de Drácula – House of Dracula

- EUA 1945 De Erle C. Kenton Com John Carradine, Lon Chaney Jr., Martha O'Driscoll, Lionel Atwill, Onslow Stevens, Glenn Strange, Ludwig Stössel, Jane Adams 67’ Horror


DVD- Outro disco da coleção Ataúde Macabro da finada Dark Side (London/Works DVD). A arte da capa e os menus (que chegam a dar calafrios de tão sombrios) estão bem bacanas. Ainda trazem informações técnicas e textos relevantes na contracapa. Acompanha outro filme raro da Universal, A Mansão de Frankenstein, onde curiosamente o iconográfico Karloff assume o papel de cientista louco e não do monstro. Com imagem e o áudio excelentes, acompanha os trailers de A Filha de Drácula, O Filho de Drácula, Drácula (já presentes em outros exemplares da coleção), A Mansão de Frankenstein, Frankenstein Contra O Lobisomem e O Fantasma de Frankenstein.

Cotação:

4 de novembro de 2008

Abbott e Costello Encontram Frankenstein

Acusada historicamente de ser a pázinha de cal sob os monstros clássicos da Universal, esta palhaçada com Abbot e Costello sobreviveu à passagem do tempo de forma digna. Menos estúpido do que se espera, o humor pastelão a lá Didi Mocó da dupla não compromete o prazer em ver o maior croossover fantasmagórico já feito. Todos os atores que tinham na década anterior interpretado com enorme êxito as mais famosas assombrações nos cinemas regressaram aqui, numa época em que desgastados não conseguiam mais dar medo e alcançar a mesma bilheteria. A exceção é Boris Karloff, a criatura de Frankenstein, que deu outra vez lugar a Glenn Strange. A história gira em torno do gordinho Abbott, um pobre coitado que arruma uma namorada bonitona demais para seu tipo físico. O que ele não sabe é que Sandra na verdade é uma cientista seguidora de Drácula, que planeja usar seu pouco cérebro para reavivar o monstro de Frankenstein sem perigo de querer pensar demais. Muito bacana rever Bela Lugosi como Drácula numa produção do próprio estúdio que o alçou à fama em 1931 ao contrário das toneladas de lixo que protagonizava desde então. Agora o conde (com bastante destaque na trama) se torna morcego diante de nossos olhos numa trucagem bem feitinha e ainda aproveita a energia negativa do anel para outros fins além de hipnotizar moçoilas desprotegidas. A Universal usou exatamente o mesmo cenário do castelo que aparece no clássico, mas agora não mais em ruínas. Lon Chaney Jr. repete seu lobisomem cheio de culpa, embora feroz como de costume, está do lado dos heróis quando não transformado. Se há um erro grosseiro é seu título. Talvez o nome em espanhol Abbott e Costello Contra Os Monstros faça bem mais sentido já que todos têm peso igual no roteiro. A propósito, o Dr. Frankenstein não aparece, e sim sua criatura. A velha confusão...

Abbott e Costello Encontram Frankenstein – Bud Abbott Lou Costello Meet Frankenstein

- EUA 1948 De Charles Barton Com Bud Abbott, Lou Costello, Bela Lugosi, Lon Chaney Jr., Glenn Strange, Lénore Aubert, Jane Randolph 83’Horror/Comédia


Cotação:

14 de outubro de 2008

O Lobisomem de Londres

O ser mitológico mais incompreendido do cinema ainda está por ganhar um filme que preste. A Universal, em sua época áurea no gênero, fez o que pode já que por mais popular que seja, não há nenhum clássico da literatura a ser adaptado como Drácula ou Frankenstein. Optou-se curiosamente por uma trama que anteveria a febre das produções com cientistas loucos mutados da década de 50 e pinceladas de O Médico e o Monstro, estrondoso sucesso com John Barrymore em 1920. Cientista inglês é atacado por um lobisomem ao viajar ao oriente procurando uma rara flor que floresce apenas ao luar. A planta se revelará o único antídoto (paliativo) para a maldição. O resto seria de total banalidade, com o médico enfurnado em seu laboratório quando não está atacando mocinhas indefesas, se não houvesse um toque de brilhantismo, de extrema humanidade. Casado com uma linda jovem, e muito ocupado com descobertas científicas, vê sua relação ruir com a chegada de um ex namorado de infância da garota. A primeira transformação total vem justo num rompante de ciúmes, quando os velhos amigos saem pra passear e ele fica imaginando o que poderia estar acontecendo. Paralelamente há um homem suspeito de olho na tal flor que consegue florescer artificialmente em Londres. Outra peculiaridade são os muitos momentos cômicos, sinal de que a platéia da metade da década de 30 não era tão ingênua como se imagina ou o estúdio não confiava tanto assim neste monstro. Pode-se levar em conta também que o país estava saindo da aterradora crise causada pelo crash da bolsa de 29, uma das explicações para tanto sucesso das películas de horror alguns anos antes. A transformação da criatura (de aparência engraçada, quase fofa pra atualidade) merece algumas linhas porque nem sempre funciona, mas às vezes dá muito certo . Na primeira vez pode-se chamar de verdadeiro milagre técnico, conseguido facilmente apenas nos dias de hoje com o auxílio de computador: Editar uma seqüência feita com a câmera em movimento.

O Lobisomem de Londres – Werewolf of London

- EUA 1935 De Stuart Walker Com Henry Hull, Warner Oland, Valerie Hobson, Lester Matthews, Lawrence Grant, Spring Byington, Clark Williams 75’ Horror


DVD- Os direitos autorais são logicamente da Universal, mas a London (WorksDVD) comercializou em “sessões duplas” junto a outros do estúdio. Com imagem muito boa, incluíram A Mulher Fera de Londres, feito quase dez anos depois e os trailers de A Filha de Drácula, O Filho de Drácula e Drácula (de Bela Lugosi) também presentes nos respectivos filmes.

Cotação:

2 de setembro de 2008

Mulher Nota 1000

Comedinha teen 80’s dirigida pelo especialista John Hughes de efeito inferior as outras como O Clube dos Cinco e Gatinhas e Gatões, mas ainda divertida. A visão do adolescente em busca de sexo está bem superada. Não que produtos similares atuais não foquem nesta preocupação, mas é tudo muito soft e careta, duvidosamente a galera de 2008 veria graça naqueles nerds infantilizados. Realmente engraçado é o uso de computadores pessoais de forma tão irreal. Dois garotos (um deles é Anthony Michael Hall astro do gênero) resolvem criar a própria gostosa ao ver o clássico a Noiva de Frankenstein na TV moldando-a com a ajuda da máquina. Sem software nem nada! Apenas desenhando wiframes, como se moldassem barro. É quase como um filme dos anos 40 sobre a chegada do homem à lua, ou um filme de agora sobre daqui a 20 anos. Sempre são tiros n’água! Mais absurdo é que escaneiam um monte de revistas de moda para conseguirem a beleza ideal, assim como fotos de Einstein para que a beldade ainda por cima seja inteligente. O resultado é a modelo Kelly LeBrock, muito famosa naquele tempo, e demonstrando ser astuta ao topar esse papel que brinca com sua imagem pública. Será na verdade uma espécie de fada madrinha, com alguns poderes mal explicados, que deixará os garotos tão nervosos que jamais consumarão seus desejos carnais. Há uma cena onde beija um deles apalpando sua bunda que cheiraria a pedofilia aos padrões 2000 do que é politicamente correto. Robert Downey faz um dos bad boys, quando ainda não assinava “Jr.”.

Mulher Nota 1000 – Weird Science

- EUA 1985 De John Hughes Com Anthony Michael Hall, Kelly LeBrock, Robert Downey
Jr., Ilan Mitchell Smith, Bill Paxton, Suzanne Snyder 94’ Ficção Científica/Comédia


DVD - Dá pena a Universal ser dona destes clássicos adolescentes dos 80. Seus DVDs são pobres de tudo! Menus estáticos, extras que se resumem a trailer e até a impressão da capa é sofrível.

Cotação:

21 de junho de 2008

A Múmia (1932)

Como alusão à luta desesperada pelo amor perdido, este representante da época de ouro da Universal Studios tem lá seu charme. Como horror, está tão pútrido quanto a múmia brilhantemente interpretada por Karloff, o Inominável. Até porque, era o primeiro filme americano dirigido pelo fotógrafo alemão Karl Freund, o que por si já justifica tanto capricho visual numa história bem fraquinha. Há planos demais em poucos minutos, o que era raro naquela época. Também foi responsável pelo pouco de ousadia que Drácula (1931) tinha, a fotografia de algumas tomadas com a câmera em movimento. Já sua carreira de diretor duraria pouco após esta múmia. Óbvio que para colecionadores e cinéfilos é um filme imperdível, que confirma o talento de seu ator principal Boris Karloff, o farrapo apaixonado, o monstro de boas intenções. Ainda traz em seu roteiro inúmeros elementos que seriam explorados a exaustão no gênero nas décadas consecutivas, como o amor de outras vidas, a maldição milenar, etc. Para nós, neste longínquo 2008, usar múmias como pretexto para assustar também soa a algo despropositado. Mas em 1932 fazia apenas 10 anos que o túmulo de Tutancâmon havia sido descoberto, e desde então, ano a ano, os jornais estavam repletos de noticias sensacionalistas a respeito. Uma verdadeira múmia-mania! Cada pessoa envolvida na descoberta que morria imediatamente a imprensa noticiava com estardalhaço a possível maldição da múmia. Zita Johann, a mocinha de traços exóticos, foi outra que teve carreira curtíssima em Hollywood. Dedicou-se ao teatro simplesmente porque desprezava o cinema.

A Múmia – The Mummy

- EUA 1932 De Karl Freund Com Boris Karloff, Zita Johann, David Manners, Edward Van Sloan, Bramwell Fletcher, Leonard Mudie, Noble Johnson 73’ Suspense


DVD - Da coleção “Universal Studios Home Of The Original Monsters”, tem a capinha padronizada, verde imitando pedra, mas menu muito bacana. Pena o áudio não estar com tanta qualidade quanto a imagem do filme. Como os outros da série há um esforço do estúdio em colocar extras interessantes. Aqui temos o trailer, grande galeria de imagens, um documentário muito bom sobre o filme e faixa de comentário do historiador Paul M. Jensen. Esta faixa, ao contrário dos outros da série, não é das mais interessantes, pois Jensen tem comentários muito técnicos, muitas vezes simplesmente descrevendo o que é mostrado.

Cotação:

13 de maio de 2008

Madrugada dos Mortos (2004)

Gosta-se dele muito mais pelo que não é do que por suas qualidades. Refilmagens de filmes clássicos e com menos de 40 anos parecem ser sempre desnecessárias. Zack Snyder, ou a Universal, optaram por uma solução muito inteligente. Do original de Romero mesmo é só o título, o principal cenário, o shopping Center, e claro, os zumbis como algozes. De resto é uma produção totalmente diferente. Para o bem e para o mal. Se o de 78 já começa no meio da balburdia de uma emissora de TV noticiando a aparição dos mortos-vivos (dando continuidade ao de 69), aqui parte do princípio, com o inicio da infestação do ponto de vista de uma enfermeira loirinha e suburbana. Mas a alteração crucial fica mesmo de que o tal shopping é só cenário mesmo, ao invés de ser um dos personagens e crítica ao consumismo. Em 2004 já assumimos que compramos sem necessidade, e daí? É competente no quesito sustos, aberrações e nojeiras em geral, mas peca no que praticamente todos os modernos pecam: Falta suspense, cenas melhor lapidadas, climas, manipulação da expectativa da platéia, enfim, realmente dar medo. Não só susto. Esta edição em DVD é a do diretor, com mais violência e as características dos personagens melhor delineadas. Parece estar mais bem acabada do que a que vimos no cinema, com os minutos a mais imperceptível. Também, como o filme é do auge dos reality shows nos EUA, com Survivor até sendo citado no começo, nota-se a importância em mostrar pessoas de diferentes personalidades dividindo um mesmo ambiente, muito mais que qualquer discussão sociológica.

Madrugada dos Mortos – Dawn of the Dead

- EUA 2004 De Zack Snyder com Sarah Polley, Ving Rhames, Jake Weber, Mekhi Phifer, Ty Burrell, Michael Kelly, Kevin Zegers, Jayne Eastwood, Inna Korobkina 97’ Horror


DVD - Pertence à caixa lançada pela Universal com outros dois filmes de mortos-vivos recentes, sendo o mesmo conteúdo distribuído anteriormente. Não fala nada de extras na contra capa, mas tem e são muitos bons, inclusive com o filme no chamado corte X-Rated, com cenas antes deletadas para a tela grande remontadas no longa. Uma introdução do diretor explicando isso, além de faixa de áudio dele. Dois curtas complementam o filme, um pretensamente caseiro com o cara da loja de armas e o outro com um noticiário anunciando a infestação. Há ainda alguns making off técnicos, faixas deletadas e um dos trailers de Todo Mundo Quase Morto, também pertencente ao box.

Cotação:

10 de abril de 2008

Drácula (1931)

Historicamente é um filme muito interessante. Em plena recessão pós crash da bolsa, quando boa parte dos americanos estava sem dinheiro e os estúdios idem, adaptar a peça baseada em um romance clássico parecia a solução ideal. O retumbante sucesso desta primeira tentativa é um capítulo à parte! Teria aquela gente, mal tendo o que comer, se identificado com temas tão sombrios? Como cinema há muitos senãos. A primeira versão do Conde usando o título Drácula, por exemplo, é acanhada, o que pode refletir as dúvidas da Universal, em plena crise investindo num gênero nunca levado a sério, e Tod Browning praticamente iniciante na direção de uma película sonora. Extremamente careta, poucas vezes há movimentos de câmera, não há trilha sonora exceto O Lago do Cisne na abertura, que o estúdio reutilizaria em alguns outros desta safra de horror, e as interpretações beiram o forçado típico da era muda. Há deslizes ridículos, como deixarem numa cena importante, quando Drácula atacará Mina, aparecer um papelão preso com pregadores a fim de rebater a luz de um abajur. Mas mesmo assim deu certo! Gerou continuações e muitas cópias. Também marcou a caracterização do personagem (um dos mais filmados) para a posteridade. É o filme do Bela Lugosi e ponto! Este é mais um dos motivos para ser visto e revisto como forma de análise, embora seja mais uma produção velha do que clássica. Algumas curiosidades, é que sua fidelidade ao romance é resumida porque se aproveitou do roteiro teatral, bastante econômico, e não diretamente do livro de Bram Stocker. Mesmo com Lugosi interpretando o aristocrata romeno nos palcos, a primeira opção para o papel seria Lon Chaney, famoso ator das primeiras tentativas de Hollywood causar medo. Mas ele morreu pouco antes da produção ter inicio. Ironicamente, seu filho Lon Chaney Jr. estrela o terceiro da série, O Filho do Drácula. Bela Lugosi canastrão, mas emblematicamente soturno teve um fim triste como todos sabemos, na miséria, viciado em álcool e morfina. Mas não foi o único do elenco! Dwight Frye que faz o Renfield não durou nem dez anos depois disto, padecendo do mesmo vicio. Helen Chandler, a bonitinha que faz a Mina foi outra a ter carreira curta, dizem também por problemas com o álcool. Passou muitos dos seus últimos anos internada em manicômios, recurso da época para tratar dependentes.

Drácula – Dracula

- EUA 1931 De Tod Browning Com Bela Lugosi, Helen Chandler, David Manners, Dwight Frye, Edward Van Sloan, Herbert Bunston, Frances Dade 74’ Horror


DVD - Vem um DVD de brinde! Brinde mesmo, porque nem há nada a respeito na contracapa. “Stephen Sommers e os Monstros Clássicos da Universal Pictures” tenta mostrar o que o diretor de Van Helsing sabe sobre o assunto. Assim como o filme, descobre-se que nada! Pura futilidade! No do Drácula tem galeria de fotos e material promocional, trailer original, e a possibilidade de se assistir finalmente com trilha sonora, composta por Phillip Glass. Há ainda um documentário bem longo apresentado pela até então única sobrevivente do cast, a sobrinha do presidente do estúdio e uma ótima faixa de áudio com um historiador.

Cotação:

3 de abril de 2008

Psicose

Silvio de Abreu, diretor do mais hitchcockiano filme brasileiro, o subestimado Mulher Objeto, já declarou inúmeras vezes que para seu trabalho de novelista é imprescindível ser contratado da TV Globo. Suas criações necessariamente carecem de todo aquele aparato técnico e financeiro. Hitchcock, ao contrário, tentou com Psicose provar que precisava de muito pouco para fazer um grande trabalho. Baseado no livro de Robert Bloch, sobre um escabroso caso real, usou a mesma equipe de seu programa de televisão Alfred Hitchcock Apresenta, meia dúzia de cenários e apenas uma estrela, com o resto do elenco desconhecido, ou vindo da TV. Inclusive Vera Miles que fez carreira no veículo, depois de recusar o papel feminino principal em Um Corpo Que Cai (Vertigo) porque engravidou. E isto o gorducho diretor a jogou na cara pro resto de seus dias! Também como contenção de gastos o rodou em preto e branco, evitando o dispendioso sistema Technicolor. Como marketing era tão seu forte quanto suspense, divulgou-se que tal recurso foi para não chocar a platéia com o vermelho do sangue, e é esta versão repetida à exaustão até os dias atuais. Dessa pequinesa toda saiu nada menos que a película que revolucionaria o cinema do medo. Tão espetacularmente orquestrado que influenciou não só os novos rumos do gênero, mas carreiras, e a forma de Hollywood (em pleno declino) encarar suas produções. Tão famoso desde sua estréia, que mesmo com spoliers divulgados aos quatro cantos, ainda é um espetáculo notável. De comercial de pastilhas pra garganta a programas humorísticos, não há quem nunca viu um homem louco vestido de mulher empunhando uma faca ao som de “Qüin, qüin, qüin!”. Mas há uma na riqueza de detalhes, a ser observada, dando suporte às reviravoltas propostas pelo roteiro. Até nos cenários, sempre com objetos que refletem os personagens, ou no lingerie da mocinha Marion Crane. No inicio, quando é apenas uma garota indecisa com seu futuro aparece com peças íntimas brancas, ao fazer a mala e resolver ficar com o dinheiro de seu patrão usa de cor preta. Quando já no hotel Bates decide retornar e devolver a grana, escolhe branco antes de entrar no chuveiro. Água, claro, bíblico símbolo de purificação. Depois de tanto tempo, tornou-se sim bem batido, mas o que a simples genialidade tem a ver com isso?

Psicose – Psycho

- EUA 1960 De Alfred Hitchcock Com Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, John McIntire, Martin Balsam, Patricia Hitchcock, Mort Mills 109’ Suspense


DVD - Sacanagem da grossa, deve ser o terceiro lançamento do mesmo filme, com pouquíssima diferença entre as edições. Primeiro apareceu sem extra algum, depois com uma porrada em menu tosco e sem nenhuma legenda. Este relançaram o mesmo sem legendas acrescido de mais um disco, chamado “O Legado de Alfred Hitchcock”. Ele contém apenas 2 especiais. O primeiro é a entrega de um prêmio do American Film Institute ao diretor com discurso de muitos dos atores fetiches. Chega a emocionar James Stwart, Ingrid Bergman, Cary Grant, todos com idade avançada relembrando o que era trabalhar em seus filmes. Ele na platéia muuuuuuito velhinho, acompanhado da esposa Alma, ainda com aquela centelha de humor que o faz ser reconhecido como gênio. O outro especial é uma entrevista de Hitchcock a dois apresentadores de TV, sendo que a mulher parece estar absurdamente deslocada. Tanto o prêmio, quando as entrevistas não possuem mais do que 15 minutos cada, o que nos faz estranhar a lógica do segundo disco.

Cotação:

21 de março de 2008

O Filho de Drácula

Fato: Não havia televisão no castelo do Conde Drácula! Depois da filha, a Universal deu continuação à saga iniciada em 31 usando seu filho. Ao contrário do segundo da série, com Gloria Holden, este só é filho no título, já que o tempo todo eles se referem ao Conde Alucard com se fosse o Drácula em si. Mas é charmoso, não o Lon Chaney Jr., que não convence de vampiro mor nem aqui nem na china, mas o filme num todo. Pra começo de conversa a mocinha é uma anti-heroína, doidinha pra fazer parte do mundo negro, dos sortilégios coisa e tal. Logo no começo do filme já se sabe que ela conhece o Conde Alucard da sua viagem à Europa, e que tintileia (se é que você me entende!) por sua visita ao sul dos EUA. Além de não usar telefone (!!!) porque acredita em outras formas de comunicação... E depois, porque exagera nos efeitos especiais possíveis na década de 40 e acerta a mão em quase todos. As diversas transformações de fumaça ou morcego a homem são divertidamente bem feitas! Há também um a história sombria interessante, com algumas reviravoltas plausíveis, o que o torna muito mais que um filme velho. A mórbida coincidência fica por conta de que Lon Chaney, o pai, astro de inúmeros filmes de horror da fase muda do cinema como O Corcunda de Notre Dame ou O Fantasma da Ópera teria sido o Drácula original se não tivesse morrido um pouco antes das filmagens começarem. Sorte de Bela Lugosi.

O Filho de Drácula – Son of Dracula

- EUA 1943 De Robert Siodmak Com Lon Chaney Jr., Evelyn Ankers, Louise Allbritton, J. Edward Bromberg, Adeline De Walt Reynolds, Etta McDaniel, George Irving 80’ Horror


DVD - Divide um disco com o segundo filme da série: “A Filha de Drácula”. Não tem um menu tão bacana quanto o da irmã, mas está com uma imagem bem limpinha. Vem com o trailer original de ambos, além do de Drácula de 1931.

Cotação:

3 de março de 2008

A Filha de Drácula

Como seria explicada a carnificina nos filmes de horror para a polícia? Quase sempre acabam antes disto acontecer. Esta seqüência do clássico Drácula de 31, aquele com Bela Lugosi, parte deste ponto. Professor Van Helsing (estranhamente renomeado Von Helsing) terá que prestar contas dos dois cadáveres do fim da película anterior. Como segundo de uma série há mais furos que uma peneira. Começa que não eram apenas dois mortos, e Helsing precisa para explicar os possíveis crimes contar apenas com um ex aluno, e nem cogita no casal Mina e Jonathan presentes na hora em que as estacas fizeram seu trabalho. Curioso como entre um e outro só se passaram 5 anos, mas cinematograficamente e tecnicamente parecem décadas! Há muito mais cenários além das interpretações estarem mais suaves, longe das caretas típicas do cinema mudo que o de Lugosi ainda mantinha mesmo sonoro. A produção classe A da Universal garante um requinte gótico, mas distante do visto em a Noiva de Frankenstein. Agora bacana, bacana, a ponto de merecer ser visto e revisto é a presença sofisticada de Gloria Holden como a Condessa Marya Zaleska, a filha do coisa ruim em si. De rosto forte convence como a aristocrata lutando contra a incontrolável maldição familiar. Ao contrário de seu papai que usava o poder de seus olhos para hipnotizar suas vítimas, faz uso de um anelão secular. A Filha de Drácula também ficou famoso por suas conotações lésbicas. Zaleska é só elogio quando uma moçoila desavisada tira a roupa na sua frente. Repare em Hedda Hopper, que mais tarde se tornaria uma das principais fofoqueiras da imprensa hollywoodiana, participando como grã fina em uma cena.

A Filha de Drácula – Dracula’s Daugther

- EUA 1936 De Lambert Hillyer Com Gloria Holden, Otto Gruger, Margueritte Churchill, Edward Van Sloan, Gilbert Emery 71’ Horror


DVD - A Works DVD colocou no mesmo disco O Filho do Drácula, terceiro filme da série. Está com uma ótima qualidade de imagem e legendas e possui de extras o trailer original dos dois mais o de 1931. Este tem uma narração não presente no que vem em Drácula lançado pela Universal. É preciso ser dito o quão fantástico ficou o menu da parte de A Filha de Drácula. Chega a dar calafrios!

Cotação:

25 de janeiro de 2008

A Noiva de Frankenstein

A série de monstros clássicos da Universal foi uma mão na roda para o estúdio em plena recessão pós crash de Nova York. Nada mais conveniente do que adaptar Drácula, a peça que fazia absurdo sucesso na Broadway. Personagem famoso (platéia garantida), elenco não conhecido nos cinemas e por isso barato, e a necessidade de parcos recursos financeiros para a produção, tudo conspirava a favor da chegada do negro a Hollywood. Como foi o primeiro filme é evidente certo anacronismo do diretor Tod Browning... Raramente a câmera se movimenta, interpretações caricatas como no cinema mudo, não há música de fundo, etc. Tanto este como o que o seguiu (Frankenstein), colossais fenômenos de público no seu tempo, hoje são como aqueles camafeus ostentados por velhas senhoras. Curiosos, mas emocionam muito pouco. Isso é diferente com A Noiva de Frankenstein! Chega-se a um ápice criativo, um pesadelo gótico de humor negro com cenários tão rebuscados quanto gigantescos, ângulos inusitados, elenco bem escolhido... Reza a lenda que James Whale fez certas imposições para rodar a referida continuação e por isso destoaria tanto. É fascinante como uma atriz, Elsa Lanchester, com tão pouco tempo em cena, marcaria uma personagem para a eternidade. Embora a festa seja para a noiva, quem brilha é o noivo. Boris Karloff cresce repetindo seu papel. A decisão (contrária ás vontades do ator) dele falar causa desconforto a princípio, mas proporcionam uma emocionante interpretação mesmo embaixo de toda aquela maquiagem. Não só fala, mas fuma e desesperadamente sente-se só! Quando a futura esposa berra ao ver seu predestinado não há como ficar sem um nó na garganta ao surgir pequenas lágrimas de decepção na criatura. Poético e macabro.

A Noiva de Frankenstein – The Bride of Frankenstein
- EUA 1935 De James Whale Com Boris Karloff, Elsa Lanchester, Colin Clive, Ernest Thesiger, Una O’connor, 75’ Horror


DVD - A Universal lançou em imagem restaurada praticamente todos seus filmes de monstro. Só haviam sido lançados no Brasil pela famigerada distribuidora Continental em VHS, com legendas tão toscas quanto à qualidade de imagem. Os extras, devido á preciosidade do filme, não são poucos. Documentário extenso e revelador, galeria de fotos raras, trailer original e faixa de comentário de um historiador. Tudo devidamente legendado em português. Repare num detalhe curioso na galeria de imagens. Há varias fotos de cenas que não entraram na edição final.

Cotação: