6 de agosto de 2008

Não Somos Anjos

Comedinha muito bonitinha, cheia de intenções boazinhas, que se tivesse sido filmada 20 anos antes daria pra jurar ter a assinatura de Frank Capra. Estranho é Michael Curtiz (de Casablanca) não só o dirigir de forma cinematograficamente careta, mas também sem o mínimo esforço em adaptar/disfarçar para a tela grande as origens teatrais do enredo. Toda a ação se passa em apenas um cenário, inclusive sem o uso da chamada quarta parede. Num natal do final do século 19, ao escaparem da prisão, três perigosos bandidos se refugiam numa loja. A intenção de dar golpe vai se diluindo conforme se envolvem sentimentalmente com a pacata família proprietária. Resolverão os problemas domésticos fazendo uso dos dons que cada qual possui e que antes serviam à criminalidade. Simpático mas envelhecido, a mensagem de que é possível se redimir sem deixarmos de ser quem sempre fomos ainda parece válida. O elenco talvez seja o principal motivo para assisti-lo, encabeçado por Humphrey Bogart visto raramente fazendo humor, Aldo Ray, galã de muitos filmes B, e Peter Ustimov, o imperador insano de vários épicos. Foi uma das primeiras produções fotografadas em Cinemascope, o que justifica o trio de protagonistas a fim de ocupar toda a tela. Tateando na técnica, inúmeros longas-metragens do período tiveram igualmente três atores: Dançando nas Nuvens, Dá-Me Um Beijo, Como Agarrar um Milionário, etc. Em 1988 gerou remake dirigido por Neil Jordan.

Não Somos Anjos – We're No Angels

- EUA 1955 De Michael Curtiz Com Humphrey Bogart, Aldo Ray, Peter Ustinov, Joan Bennett, Basil Rathbone, Leo G. Carroll, Gloria Talbott, John Baer 106’ Comédia


DVD - Esculachada da Paramount! Nem com trailer vem, e a arte dos menus pouco remete ao filme. Com formato widescreen preservado, imagem bem nítida e restaurada, é bacana parecer uma produção atual que se passa no passado. O visual de Aldo Ray, por exemplo, cabeça raspada e os braços tatuados, aparenta modernidade. Foi exibido tanto nos cinemas brasileiros quanto na TV com o título nada haver de Veneno de Cobra, tendo ganhado a tradução literal quando lançado em VHS. A dublagem em português presente ainda o chama pelo velho nome.

Cotação:

3 comentários:

  1. Acho este filme adorável, Miguel.

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  2. É,bem docinho mesmo! :)
    Olga, viu que coincidência? Até então eu nem tchuns pro Aldo Ray, daí ele é citado nos extras de L.A. Confidential como inspiração pro personagem do Russell Crowe!!! Até no corte de cabelo!

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  3. Sempre gostei desse filme,ele é do ano em que meus
    pais se casaram.Achei super legal ver o Boogie,em
    um papel cômico,coisa raríssima. Peter Ustinov era
    formidável e Aldo Ray teve pouca chance de mostrar
    seu talento.
    Mas.é um filme gostoso de se ver.Mostra que os ver
    dadeeiros bandidos não estão na cadeia.Até parece
    com a capital de um certo país sul americano...

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