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30 de outubro de 2008

A Cidade dos Amaldiçoados (1995)

Refilmagem inútil número 4.876. Isso porque, o original de 1960 continua ótimo, empolgante de suspense discreto e eficaz. Feito em 1995 pelo irregular John Carpenter, a pista mais óbvia de sua existência desnecessária são os figurinos de Kirstie Alley. O personagem não presente no original se veste com uma capa de chuva mesmo num visível calor. A médica cética não passa da vontade de tirar casquinha em cima do sucesso do seriado Arquivo X, grande sucesso do inicio dos anos 90, sendo que é absolutamente mal aproveitada. Daria pra cortá-la na edição que não faria diferença alguma. O que era sugerido, tornou-se uma sucessão de sustos fáceis, daqueles em que a música faz um “bam!” e não têm conexão alguma com a história. Tudo é tão mastigado e claro que até evidenciaram a origem das criancinhas, que aliás, muito mal selecionadas. Mesmo a aparência delas, todas loirinhas (referência à guerra fria) foi mudado para um platinado ridículo, ignorando que a outra produção era preto e branco. O argumento é idêntico, mas a forma com que ele foi conduzido é que são elas! Uma neblina (!!!) invade pequena cidade fazendo seus habitantes adormecerem. Alguns meses depois todas as mulheres (umas 9!) ficam grávidas, etc., etc. E não é que entre os pequenos agora há um bonzinho? Nem do final com gancho para uma seqüência (que jamais aconteceu) foi esquecido. Pra piorar a zica, é o último trabalho de Christopher Reeve antes do acidente que o deixaria tetraplégico.

A Cidade dos Amaldiçoados - Village of the Damned

- EUA 1995 De John Carpenter Com Christopher Reeve, Kirstie Alley, Linda Kozlowski, Michael Paré, Mark Hamill, Meredith Salenger, Pippa Pearthree, Cody Dorkin 99’ Horror/Ficção Científica


DVD - Bem antigo, quando a Universal tentou padronizar os ícones de navegação em seus discos. Pelo menos tem o trailer como extra, além de algum texto em inglês.

Cotação:

28 de outubro de 2008

A Batalha dos Monstros

Ocidentais adoram teorizar sobre o sucesso dos monstros gigantes dos filmes japoneses. Se a do trauma causado pelas bombas atômicas americanas em Hiroshima e Nagasaki estiver correto, este A Batalha dos Monstros ganha sabor de paz na Terra total! Para conquistar de vez as platéias dos EUA há dois personagens ocidentais importantes, e não apenas cenas enxertadas no país do Tio Sam como a Toho fez com os do Godzilla. Dois garotos curiosos (um japonês e outro inexplicavelmente norte americano), entram numa nave espacial que imediatamente os leva a outro planeta, mais precisamente Tera, o 10º do Sistema Solar. A armadilha foi criada por duas habitantes locais que pretendem comer seus cérebros e assim adquirir todo o conhecimento necessário (!!!) para a conquista da Terra. O roteiro não especifica em momento algum porque com tantos cientistas coisa e tal, escolheram dois garotinhos, mas enfim... Lógico que serão salvos por Gamera, a tartaruga gigante que cospe fogo por todos os orifícios e é uma espécie de Godzilla, mas com personalidade menos volúvel do que ele. Desde a sua primeira produção é amiga das criancinhas e ponto! Aqui enfrentará Giron, um dos seus famosos arquiinimigos, misto de serrote com tubarão e toupeira. E dá-lhe pancadaria em cenários de papelão hiper coloridos... Ingênuo, brega e hilário! Espere para a mensagem pacifista final e não caia na gargalhada se conseguir.

A Batalha dos Monstros – Gamera tai daiakuju Giron (Attack of the Monsters)

- Japão 1969 De Noriaki Yuasa Com Nobuhiro Kajima, Miyuki Akiyama, Christopher Murphy, Yuko Hamada, Eiji Funakoshi, Kon Omura, Edith Hanson 80’ Ficção Científica


DVD - Oportunidade única! Dois filmes de Gamera num mesmo DVD. A London (WorksDVD) incluiu A Batalha dos Monstros e Destruam Toda a Terra no box Sci-Fi, juntamente a outras 18 perolas retrô, incluindo o primeiro da tartaruga gigante. Todos agora são encontrados em pequenas lojas a preços pra lá de camaradas. A imagem está bem ruim em fullscreen e o áudio dublado de qualquer jeito em inglês, mas numa produção deste tipo qualquer qualidade se torna luxo inimaginável.

Cotação:

24 de setembro de 2008

Plano 9 do Espaço Sideral

Quantas estrelinhas ele merece? Todas por ser imperdível ou nenhuma por ser considerado o pior filme já produzido pelo cinema americano? Talvez seja essa fama que o mantém tão lendário, embora duvidosa porque mesmo péssimo do início ao fim, como julgá-lo perante tanta porcaria lançada semanalmente? Veja bem, Ed Wood o dirigiu, produziu, editou e mais o que foi necessário por uma merreca e consegue de forma legítima divertir. Compare com os irmãos Wachowski que com uma bolada fizeram o bocejante Speed Racer. Se um filme comercial não serve para entreter, não deve haver outra utilidade. Plan 9 atira para tantos lados que a cada vez que se assiste há sempre algo tosco a ser observado, e a história faz ainda menos sentido. Os alienígenas que sobrevoam Hollywood reanimando cadáveres além de tudo são chatos, com uma verborragia sem fim, explicando por A mais B quais são as intenções do tal plano, sendo que não há uma só linha sobre os planos 8, 7, 6 e assim por diante. É inegável que a imagem de Vampira ao lado de Tor Johnson é emblemática e grotescamente bela. Seria a melhor coisa do filme se não tivesse aquele fulano fingindo ser Bela Lugosi escondendo a cara com a capa! Hilário, ingênuo, mas verdadeiro! De tão medíocre, de talento nulo, o diretor que foi homenageado por Tim Burton em seu melhor trabalho, parecia muito mais apaixonado pelos holofotes do que pelo cinema. Aliás, é difícil de acreditar que quem tenha feito isso entrou numa sala de cinema alguma vez na vida...

Os Plano 9 do Espaço Sideral – Plan 9 from Outer Space

- EUA 1959 De Edward D. Wood Jr. Com Bela Lugosi, Vampira, Tor Johnson, Lyle Talbot, Reverend Lynn Lemon, Joanna Lee, Paul Marco 78’ Ficção Científica


DVD- Edição dupla caprichadíssima da Continental, que já o havia lançado nos 90 em VHS. Fora uma abertura animada no primeiro disco, longa e que não dá pra pular, não a muito do que reclamar. Vem com o trailer original, imagem restaurada na medida do possível, pequena galeria, notas de produção e biografias em texto. A pérola máxima está no segundo disco, com o documentário Flying Saucers Over Hollywood: The Plan 9 Companion lançado em 1992 com quase duas horas de duração. Todos os envolvidos no filme aparecem dando depoimentos realmente esclarecedores sobre a produção e Ed Wood. Emociona ver o quanto Tim Burton foi fiel e reverente a eles. Até a locação do pequeno estúdio, escondido atrás de uma viela, é idêntica! Recheado de cenas raras é mais do que imperdível!!!

Cotação:

11 de setembro de 2008

Eles Vieram do Espaço Exterior

A melhor parte, mas melhor mesmo, é no final quando os heróis descobrem um jeito de proteger mentes de serem invadidas pelos alienígenas. Constroem um capacete de prata que dá pra jurar ser nada mais, nada menos do que um escorredor de arroz pintado! O duro é agüentar o filme até ali. Como 99,9% dos de baixo orçamento, compensam cenas de ação com um interminável blábláblá... Produção da Amicus, concorrente da Hammer, possui muita similaridade com Vampiros de Almas, claro, sem a mesma competência, mas com algum charme trash. Depois que três meteoritos caem na Terra, cientistas vão sendo possuídos por alienígenas, enquanto populações inteiras são atacadas por estranha doença fatal. Muito confuso, as explicações são tantas que fica chato e não tapam a maioria dos furos no roteiro. Por tanto, não se preocupe em tentar entender! Facilmente nos faz dar boas risadas e ainda tem a atriz Jennifer Jayne belíssima tanto boazinha quando malvadinha. Cinematograficamente espanta como é mal feito, sendo que o diretor tem uma carreira longa, incluindo clássicos da Hammer Films.

Eles Vieram do Espaço Exterior – They Came from Beyond Space

- Inglaterra 1967 De Freddie Francis Com Robert Hutton, Jennifer Jayne, Zia Mohyeddin, Bernard Kay, Michael Gough, Diana King 85’ Ficção Científica


DVD - Pode ser baixado de graça em qualquer site de troca de arquivos sem copyrights, embora para colecionadores a London Films (WorksDVD) o comercializou junto a outra bomba no gênero. A imagem está pútrida e não há extras fora biografias mal escritas do diretor e do “astro” principal.

Cotação:

28 de agosto de 2008

O Invasor Galáctico

Vergonha alheia! Legítimo herdeiro das ficções científicas 50’s, mas que não fica na paródia, na avacalhação o que é pouco comum. É interessante a tentativa de seguir ipsis litteris uma rebuscada produção científica com os recursos artísticos e financeiros que tinham a seu alcance! O resultado? É quase impossível não cair às gargalhadas durante todo o tempo. Efeitos especiais péssimos, diálogos sem sentido, fotografia acidental, interpretações que nem nas épocas de cruzadinha na igreja vi semelhantes. E o principal: elenco medonho, trajando o último grito da moda do começo dos 80. A história é simples e eficiente. Alienígena, parecido com o Mostro da Lagoa Negra, sabe Deus por que, cai na Terra, precisamente na zona rural (!!!) de Baltimore, o que despertará a cobiça de um grupo de caipiras malvados que decidem capturá-lo para ganhar dinheiro. Muitos mortos, armas laser de plástico e um plot familiar mal e parcamente explorado durante uma hora e 20 minutos. Está ruim? Espere pelo final inacreditável!



O Invasor Galáctico – The Galaxy Invader

- EUA 1985 De Don Dohler Com Richard Ruxton, Faye Tilles, George Stover, Greg Dohler, Anne Frith, Richard Dyszel, Kim Dohler 80’ Ficção Científica


DVD - Nos últimos suspiros da Works DVD (London Films) ela vendeu estas produções baixadas de sites que disponibilizam produções aparentemente sem copyrights. A tiragem pequena fez com que desaparecessem das lojas num estalo. Cada disco traz dois filmes do mesmo gênero, com qualidade precária, nos minutos finais a imagem simplesmente some como se a matriz em VHS (!!!) estivesse mofada. Vale sem dúvida para se guardar estas obras primas classe Z.

Cotação:

12 de agosto de 2008

Marte Ataca!

Além de levar o pouco honroso título de o primeiro filme baseado em figurinhas de chiclete, ainda se deu ao luxo de usar um dos elencos mais estrelares já reunidos. Tão escachado e ao mesmo tempo tão hermético, é político-social crítico como poucas vezes vimos vindo de um grande estúdio de Hollywood. Tim Burton usou a série de imagens 60’s para reverter a interpretação que as produções com invasões alienígenas se prestavam no passado. “Pobre EUA, sempre sendo ameaçado por forças externas terríveis!”. Nos mornos anos noventa a Guerra Fria com seus perversos comunistas à espera de uma brecha da grande águia democrática já tinha saído faz tempo do imaginário popular. Deu lugar à não menos xenófoba paranóia quanto à invasiva chegada de latinos (ou qualquer outro estranegiro) em busca de seu lugar ao sol. Não é à toa de que o grande herói se revelará o adolescente xicano vendedor de Donuts, enquanto os americanos aparecem mais idiotas e presunçosos do que de costume. Como não há quem goste de dedos em riste contra seu nariz, não houve por lá quem achasse graça. Deste lado do equador, para quem se permitir rir e pensar ao mesmo tempo, aplaudirá o espetáculo de referências aos “grandes” momentos do cinema B da décadas 50 e 60. Burton não abriu mão inclusive de misturar inúmeras imagens de arquivos de velhas fitas catastróficas como convinha ao gênero. Ainda arranjou papéis para muitos astros de outros tempos como Pam Grier, musa dos blaxploitation que depois trabalharia com Quentin Tarantino, e Sylvia Sidney, que como a vovozinha esquecida num asilo teve seu último trabalho na tela grande antes da morte em 1997. O compositor Danny Elfman tem na trilha sonora de Marte Ataca! um dos pontos altos de sua carreira.

Marte Ataca! – Mars Attacks!

- EUA 1996 De Tim Burton Com Jack Nicholson, Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Tom Jones, Lukas Haas, Pam Grier, Lisa Marie, Natalie Portman, Sylvia Sidney, Christina Applegate, Black Jack 106’ Ficção Científica/Comédia


DVD - Este lançamento antigo da Warner recebeu reimpressão substituindo capinhas de papelão perecíveis. O conteúdo continuou o mesmo, com os desconfortáveis dois lados, tendo fullscreen e widescreen em cada um, o que nos faz sempre deixar marcas de dedos. O filme roda automaticamente, o que parece outra lembrança da época pré-histórica do DVD. No menu principal não há a função iniciar, o que nos obriga a entrar no filme através da seleção de capítulos. De extras, muito texto em inglês, dois trailers também sem versão em português, e a opção de se assistir à película sem os diálogos. Ao entrar em o áudio, repare na opção “marciano” e clique!

Cotação:

30 de junho de 2008

Wall-E

Não é todo dia que se vai ao cinema e se depara com um clássico. Um filme que se tem a certeza de que será querido por gerações e gerações. E nem por isso, ou talvez por isso, deixou de seguir caminhos arriscados principalmente em sua estrutura. Atitude cada vez mais condenada pelos engravatados de Hollywood nestes tempos de refilmagens, adaptações caretinhas de quadrinhos pra nerd bater palma e quaisquer outras favas contadas. Adulto e profundo a ponto de nos fazer continuar com ele na cabeça horas depois, infantil e divertido a ponto de a maioria das (muitas!) crianças presentes na sala ficarem caladinhas até o fim. Esse domínio da platéia, muito comum entre grandes atores do teatro, demonstra o quanto os roteiros da Pixar estão cada vez mais apurados. Wall-E é um pequeno robô, o último da sua espécie, que sobrevive na Terra a fim de limpar todo o lixo existente. Todos os humanos estão em órbita, por séculos, esperando o dia em que tudo voltará a ser um prado verdejante. A maquininha vive aqui relativamente só, embora seu relacionamento com uma barata faça seus dias menos vazios. Outra distração é uma velha fita VHS do musical Hello Dolly!, que como em muitos filmes de nossas vidas, lhe será bastante útil futuramente. Num belo dia, chegará outro robô, moderníssimo, vasculhando cada centímetro do velho planeta, e não se sabe se por suas formas arredondadas, ou pela esperança do fim da solidão, Wall-E cairá de amores por ele, sem deixar de ser incrivelmente útil em sua pequeneza. Parece um filme comum? Espere para ver o que ainda virá, com maquinas conspirando, humanos entregues aos prazeres digitais, vilões mal definidos numa raríssima falta de maniqueísmo em animações. E claro, detalhes filosóficos que ainda me farão pensar por mais alguns dias. Quem sabe? Em alguns pontos há um deslize de ritmo, e estranha ser principalmente no corre corre final. Nada que não o faça um dos melhores longas deste ano. Saindo do cinema vi uma garotinha de uns 5 anos falando pro papai o quanto os humanos eram gordos, e que também pudera, comiam McDonalds o tempo todo! Só isso já não valeu o ingresso?

Wall-E – Wall-E

- EUA 2008 De Andrew Stanton 103’ Animação/Ficção Científica


*** Em cartaz ***

Cotação:

21 de abril de 2008

Papai Noel Conquista os Marcianos

As honras de estar na lista dos piores de todos os tempos no IMB já dizem tudo! Seus erros (literais!!!) começam logo nos créditos iniciais ao som do empolgante canção “Hooray For Santy Claus”, lê-se "custume designer" ao invés de costume... Parece que estamos vendo uma terrível peça de fim de ano feita numa escola suburbana, ou o que aconteceria se o Chaves resolve-se num momento de insanidade produzir uma ficção científica! Um tropeço atrás do outro, dos figurinos confeccionados visivelmente com sucata às interpretações ridiculamente amadoras, nada se salva neste sui generis exemplo de incompetência cinematográfica. O Papai Noel em sua esfuziante alegria, cheia de “ho ho hos”, era pra ser bacana, mas dá pra bendizer sua ida a Marte! Chega a dar dó da pequena Pia Zadora, “ex quase pop star” nos 80, como a marciana mirim sempre com os olhinhos assustados. Trash total com o argumento, curiosamente, parecido ao de O Estranho Mundo de Jack. As crianças de Marte estão incrivelmente tristes porque apenas estudam e ficam assistindo programas da TV terrestre. Assim descobrem que está chegando o Natal. O rei daquele planeta não pensa duas vezes e vai até o pólo norte seqüestrar o bom velhinho sem imaginar as conseqüências catastróficas. Repare o zíper nas costas do urso polar que ataca a garotada... Num mundo justo, Papai Noel Conquista os Marcianos tiraria a coroa de pior filme já feito de Plan 9 From Outer Space.

Papai Noel Conquista os Marcianos – Santa Claus Conquers the Martians

- EUA 1964 De Nicholas Webster com John Call, Leonard Hicks, Vincent Beck, Pia Zadora, Leila Martin 81’ Ficção Científica


DVD - Caiu em domínio público. Pode ser facilmente achado em site de downloads do gênero, e foi lançado por inúmeras distribuidoras nos EUA. Aqui a Works de forma inteligente o distribuiu num mesmo disco com Os Adolescentes do Espaço. Ambos formam uma excelente sessão pra quem gosta de porcarias.

Cotação:

19 de abril de 2008

Guerra dos Mundos (1953)

Competente primeira versão da obra de H. G. Wells para o cinema, e um retumbante sucesso. Aparentemente bem envelhecido, é de 1953, mas parece ser do inicio da década passada! Bancado por um grande estúdio (Paramount), possui inúmeros recursos que seriam amplamente imitados nas sucessivas cópias, imitações e ficções científicas B 50’s, como imagens de arquivo, que aqui ganham destaque por serem de cine jornais da segunda guerra e, portanto preto e branco e o resto da película em brilhante Tecnicolor. Essa pobreza franciscana acaba dando pontos a mais que a recente refilmagem assinada por Steven Spielberg. As naves alienígenas são uns caraminguados, em duas ou três cenas até nos permite ver os fiozinhos que a sustentam no ar. Mesmo quando o extraterrestre é visto, soltando um gritinho e saindo correngo tipo “bem lôca”, é condizente quando eles acabam sendo vítimas de vírus e bactérias. Aqueles da nova versão, hiper hi-tec, vieram dominar o planeta cheios de pompa e nem estudaram a existência de microorganismos? Interpretações mil à história, originalmente dramatizada no rádio por Orson Wells, pode representar o medo da ameaça comunista que vinha da Europa, e isto fica evidente com os raios avermelhados, ou o bucólico lugar onde as naves pousam pela primeira vez, cheio de gente pacata de espírito “american way” elevado. Mas também o mal que a TV, recém inaugurada em Londres, poderia trazer aos hábitos do novo mundo. A base militar marciana não deve ser na Inglaterra à toa, nem os olhos da sonda em RGB...

Guerra dos Mundos – The War of the Worlds

- EUA 1953 De Byron Haskin Com Gene Barry, Ann Robinson, Les Tremayne, Robert Cornthwaite, Lewis Martin, Houseley Stevenson Jr., Cedric Hardwicke 85’ Ficção Científica


DVD - Primeira das duas edições comercializadas pela Paramount no Brasil. Esta ao ser anunciado o remake, tem na capa até estampado “a primeira invasão!” só tem o trailer de cinema como extra. A imagem possui full frame, que seria as dimensões originais, e embora cristalina na maior parte do tempo, aparecem alguns riscos do negativo.

Cotação:

29 de março de 2008

Os Adolescentes do Espaço

Este lixo da ficção científica tipicamente 50’s tem todos os elementos que se espera de tais produções. Naves com fios de nylon aparente, armas laser “similares” a secadores de cabelo, monstros gigantes, e pobres donzelas que diante do perigo soltam um berro ao invés de tomarem qualquer atitude eficaz. O que não se esperava era um roteiro redondinho, divertido, leve! Nossa, e o galã ainda por cima se chama David Love! Que óbvio, assim como todo elenco despontou para o anonimato, junto ao diretor Tom Graeff, que acumula três ou quatro funções nos créditos iniciais como nos melhores trashes que se tem noticia. Diziam as mais línguas que os dois eram amantes! O cenário da casa da mocinha, na verdade era onde os dois moravam há algum tempo... A trama não poderia ser melhor: equipe de alienígenas (todos jovens bonitões) chegam à Terra para implantar uma espécie de viveiros de Gargons. As criaturas que são o alimento preferido de seu povo, mas a gente jura se tratar de lagostas, ao entrarem em contato com a atmosfera terrestre ganharão proporções colossais. Além dos costumes e moda para jovens daquela época, os efeitos especiais são incrivelmente risíveis! O principal deles é o que acontece às pessoas ao serem atingidas pela arma possante dos invasores, se tornando um esqueleto. Detalhe, não há esforço algum em esconder os arames que seguram os ossos. Pobre Sparky, cãozinho corajoso e primeira vítima dos malvados aliens a ser desintegrado! Ei, mas você também queria o que de um filme que expõe no título as palavras “Teenagers” e “from Outer Space”? Um trabalho do Kubrick?

Os Adolescentes do Espaço – Teenagers from Outer Space

- EUA 1959 De Tom Graeff Com David Love, Dawn Bender, Bryan Grant, Harvey B. Dunn, Tom Graeff, Frederick Welch, Carl Dickensen 85’ Ficção Científica


DVD - A Works DVD (ou London Films, nunca se sabe!) é realmente uma mãezinha! Disponibilizou no mesmo DVD Os Adolescentes do Espaço e Papai Noel Conquista os Marcianos, presente na lista do IMDB com os 50 piores filmes já feitos. Os menuzinhos para cada filme estão caprichados como sempre, e ainda há sinopses e biografias na medida do possível. Nesses textos, erros de ortografia e redação são gritantes!

Cotação:

18 de fevereiro de 2008

O Alerta do Espaço

Sushi/rocambole envolvendo vedetes, criancinhas em perigo, alienígenas, transmutação, superaquecimento global e mais um monte de disparates em clima kitsh verdadeiramente 50’s! Dita como a primeira ficção científica japonesa a cores, O Alerta do Espaço pode surpreender quem espera só mais um trash com alienígenas em trajes ridículos. Sim! Os alienígenas em trajes ridículos marcam presença de forma memorável! Mas o roteiro repleto de personagens interessantes que aparecem e somem, e uma trama que vai se transformando quase que como um caleidoscópio surreal, faz dele um filme que merece ser assistido de forma mais séria. Detalhe: os atores (entre eles Bontarô Miyake, de Tora! Tora! Tora!) estão ali interpretando de forma honesta e vivaz e o tal alerta do título, que a inicio é sobre uma poderosa bomba que está para ser inventada pelos terráqueos, respalda em momentos aflitivos. Muito semelhantes ao que se imagina que será quando o aquecimento global chegar ao seu ápice. Vai de ficção científica a filme catástrofe de forma nada sutil mas imaginativa. Quero acreditar que aqueles animais sofrendo não estejam envenenados de verdade...

O Alerta do Espaço – Uchûjin Tôkyô ni arawaru (Warning From Space / The Cosmic Man Appears in Tokyo / The Mysterious Satellite)

- Japão 1956 De Koji Shima Com Keizo Kawasaki, Toyomi Karita, Bin Yagasawa, Bontarô Miyake, Mieko Nagai, Kiyoko Hirai, Isao Yamagata 88’ Ficção Científica


DVD - A Works DVD tem feito maravilhas lançando preciosidades em DVD que podem ser baixadas facilmente em sites que disponibilizam filmes sem copyrights, mas.... Podia dar uma restauradinha nos arquivos, né? Aqui compramos um DVD (com menus caprichados) e levamos dois filmes, com imagem inferior inclusive à época do VHS. Há momentos que simplesmente é necessário usar a imaginação para se descobrir o que está passando na tela.

Cotação:

17 de novembro de 2007

Guerra dos Mundos (2005)

Muita bobagem já foi dita desta releitura de Steven Spielberg para o romance homônimo de H. G. Wells. Não se engane! Você terá exatamente o que imagina, quase duas horas de ininterrupta adrenalina! Óbvio que as comparações com o clássico de 1952 existem, mas aqueles eram outros tempos... Os paralelos com os que vêm do espaço sideral são muito mais fortes em qualquer ameaça á instituição “Família” do que comunistas á espreita da tão querida América. Seus olhos verão coisas assustadoras e absurdamente reais e tais apuros técnicos valem sim o tempo gasto assistindo ao sempre canastrão Tom Cruise tentando proteger não o mundo, como se deveria esperar de um herói altruísta de outrora, mas sua prole. Mesmo que sua filha, a prodígio Dakota Fanning, seja insuportável o suficiente para se torcer que seu fim chegue o quanto antes nas garras de um tripod! Estamos diante de um filme do senhor Spielberg, exibindo ainda fôlego para nos mostrar que qualquer coisa com sua assinatura é garantia de diversão espetacular, familiar e os melhores efeitos especiais. O calcanhar de Aquiles é exatamente essa sua assinatura, que compromete vergonhosamente o final da história. Durante toda a metragem os efeitos são tão sensacionais, os alienígenas são tão maléficos e colossais que quase nos leva às gargalhadas o simples e ridículo desfecho. É impossível ao final o saborzinho de ter sua inteligência subjugada por um velhinho que há muitos anos só repete sua fórmula de extremista em pirotecnia cinematográfica e o pior do caretismo classe média estadunidense.

Guerra dos Mundos – War of Worlds
- EUA 2005 De Steven Spielberg Com Tom Cruise, Dakota Fanning, Miranda Otto, Tim Robbins 116’ Ficção Científica/Aventura


DVD - O que estes filmes, feitos pelas majors americanas, têm de óbvios suas edições duplas em DVD seguem os mesmos passos. Os menus animados (e cansativos) nada mais são que cenas do próprio longa, e os extras não trazem nada além do making of gigantesco, dividido em 4 documentários como diários da produção. O que não é de todo ruim. Estranho que temas tão saborosos tenham sido ignorados. O autor H.G. Wells tem um rapidíssimo especial, e sobre a versão clássica (da própria Paramount diga-se de passagem) ouve-se só de raspão. Assim como a película, só mais um produto aprovado por um engravatado atrás de uma grande mesa em Hollywood á espera do fio metal.

Cotação: