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8 de fevereiro de 2011

Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas

Adaptação mais famosa da história real de Bonnie e Clyde, o jovem casalzinho que horrorizou os EUA numa onda de crimes na década de 30. A paixão da América por criminosos é antiga, vide a lenda Billy The Kid e outros caras maus do velho oeste.

Essa dupla aí teve o diferencial da maciça exploração de seus feitos pela mídia. E eles adoravam, se sentiam estrelas de Hollywood, toda hora com fotos publicadas nos jornais, muitas delas facilmente encontradas hoje na web.

Ela (Faye Dunaway )uma garçonete entediada, ele (Warren Beatty , também produtor) um ex detento que escapou da prisão ao decepar de propósito dois dedos do pé. Entraram para a história como um casal apaixonadíssimo, unido até no crime, embora Clyde fosse impotente.

O filme narrava suas desventuras em ritmo de comédia maluca 30’s, muito leve, com vários momentos cômicos, embora tenha bastante violência. É considerado o primeiro a mostrar os estragos de uma bala na pele humana.

Para que se torça por eles (mesmo com o final conhecido por todos), justificam os atos deles. Tornam-se quase Robin Woods da época da lei seca ao se depararem com um fazendeiro cheio de filhos que perdeu a casa para os banqueiros.

Os jornalistas, embora não apareçam nunca, são tão cúmplices dos atos quanto a dupla e seu bando. Publicavam tudo o que eles queriam, até poesias juvenis da Bonnie, que eram consumidas por ávidos leitores em busca de sangue em seus matutinos.

Chega-se a um ponto que eles parecem estar agindo apenas para que haja o que ser noticiado. E melhor, não fazem questão nenhuma de se esconder, tanto que um dos membros reclama que o nome dele nunca é citado nas matérias.

No final, parece que qualquer ligação com os personagens reais não se justifica. É muito mais sobre pessoas que vão ao encontro do destino que querem, não o que a vida lhes reservou, do que sobre a trajetória de dois marginais que se amavam.

Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas - Bonnie and Clyde

- EUA 1967 De Arthur Penn Com Warren Beatty, Faye Dunaway, Gene Hackman, Michael J. Pollard, Estelle Parsons 112’ Ação/Romance


DVD- Deve haver outra edição, dona Warner. Pelo amor de Deus!
Menu estático, com botões gigantes horríveis é o de menos perto da tela cheia e áudio em apenas 1 canal. UM!


Cotação:

11 de setembro de 2008

Eles Vieram do Espaço Exterior

A melhor parte, mas melhor mesmo, é no final quando os heróis descobrem um jeito de proteger mentes de serem invadidas pelos alienígenas. Constroem um capacete de prata que dá pra jurar ser nada mais, nada menos do que um escorredor de arroz pintado! O duro é agüentar o filme até ali. Como 99,9% dos de baixo orçamento, compensam cenas de ação com um interminável blábláblá... Produção da Amicus, concorrente da Hammer, possui muita similaridade com Vampiros de Almas, claro, sem a mesma competência, mas com algum charme trash. Depois que três meteoritos caem na Terra, cientistas vão sendo possuídos por alienígenas, enquanto populações inteiras são atacadas por estranha doença fatal. Muito confuso, as explicações são tantas que fica chato e não tapam a maioria dos furos no roteiro. Por tanto, não se preocupe em tentar entender! Facilmente nos faz dar boas risadas e ainda tem a atriz Jennifer Jayne belíssima tanto boazinha quando malvadinha. Cinematograficamente espanta como é mal feito, sendo que o diretor tem uma carreira longa, incluindo clássicos da Hammer Films.

Eles Vieram do Espaço Exterior – They Came from Beyond Space

- Inglaterra 1967 De Freddie Francis Com Robert Hutton, Jennifer Jayne, Zia Mohyeddin, Bernard Kay, Michael Gough, Diana King 85’ Ficção Científica


DVD - Pode ser baixado de graça em qualquer site de troca de arquivos sem copyrights, embora para colecionadores a London Films (WorksDVD) o comercializou junto a outra bomba no gênero. A imagem está pútrida e não há extras fora biografias mal escritas do diretor e do “astro” principal.

Cotação:

7 de março de 2008

Frankenstein Criou A Mulher

Não contente em construir um homem usando restos de cadáveres, Barão de Frankenstein agora sonha em transmutar almas! Sua chance de ouro surge graças a Christina, a pobre garçonete manca e de rosto transfigurado, namorada de seu jovem assistente. Muito abalada por seu amado ter sido condenado injustamente à guilhotina acaba cometendo o suicídio. Assim, com as duas mortes, o incansável cientista consegue a matéria prima para sua mais ambiciosa experiência! Esta espécie de a “Noiva de Frankenstein” extremista foi o quarto filme da produtora inglesa Hammer inspirado nos personagens de Mary Shelley. Com Peter Cushing ainda como o milionário ambicioso que gosta de brincar de Deus, pegava carona no título “E Deus Criou A Mulher”, sucesso de Brigitte Bardot conduzido por Roger Vadim. É o auge tanto do estúdio quanto do diretor Terence Fisher, ambos seguros o bastante para fazerem um filme imaginativo com a costumeira classe. O roteiro muito bem amarrado assume assuntos explorados poucas vezes de forma tão consistente: As estreitas relações entre alma e corpo físico, características genéticas e adquiridas, etc. Há inúmeras possibilidades interpretativas sociais e metafísicas, o que o deixa acima da médica entre os similares tanto de horror quanto ficção científica. Na pele da mocinha transtornada está Susan Denberg, capa da Playboy 1966, em último trabalho no show business. De carreira bem curta (apareceu ainda num episódio de Star Trek), sua biografia é confusa. O IMDB dá que ela cometeu suicídio, numa bizarra coincidência, um ano depois de ser a mais bela criatura de Frankenstein. A Wikipédia diz que esse boato (Inclusive de que possuía problemas mentais graças aos excessos do LSD) surgiu já naquela época. Estaria na verdade vivinha da silva morando em sua terra natal, a Áustria, com seu nome de batismo Dietlinde Zechner.

Frankenstein Criou a Mulher – Frankenstein Created Woman

- Inglaterra 1967 De Terence Fisher Com Peter Cushing, Susan Denberg, Thorley Walters, Robert Morris, Philip Ray, Barry Warren, Bartlett Mullins 92’ Horror



DVD - Lamenta-se a falta de distribuidoras como era a Works DVD há alguns anos, sempre apresentando filmes nunca antes lançados em edição de boa qualidade. Mesmo quando os extras são apenas texto como é o caso deste aqui. A imagem widescreen está ótima, além do capricho nos menus animados, marcas registradas da empresa.

Cotação:

27 de fevereiro de 2008

A Dança dos Vampiros

Não faltam méritos nesta sátira aos filmes da Hammer. Extremamente reverente a um estilo de horror específico de uma época, consegue dialogar com o afeto saudosista das platéias. Parece nos perguntar o que faríamos se todo aquele imaginário que se aprendeu no cinema fosse verdadeiro. No leste europeu mais triste e realista que já se viu desenrola-se verdadeira chanchada sanguinolenta enquanto Alfred, jovem caçador de vampiros, aprende o quão estranho é o mundo dos adultos e suas discrepâncias. De quebra, assim como o diretor, conhece o amor de sua vida, Sharon Tate mais gélida do que se pode esperar do objeto do desejo de um conde da Transilvânia. Nas décadas 40 e 50, subseqüentes à era de ouro da Universal, quando os filmes de monstros se saturaram, a alternativa foi lucrar ridicularizando tais criaturas até o resgate da Hammer com A Maldição de Frankenstein. É uma grande diferença. A genialidade aqui está além do humor refinado, mas no flerte honesto com o horror gótico gerando um trabalho na mesma linhagem dos de Terence Fisher, ou qualquer outro estrelado por Christopher Lee no estúdio inglês. Coincidentemente (?), seria o mesmo Polanski, com produção do tosco William Castle, que daria início a outra fase do gênero, muito mais sutil, em O Bebê de Rosemary.

A Dança dos Vampiros – The Fearless Vampire Killers or: Pardon Me, But Your Teeth Are in My Neck

- EUA 1967 De Roman Polanski Com Roman Polanski, Sharon Tate, Alfie Bass, Jack MacGowran, Ferdy Mayne 107’ Comédia


DVD - Gerações inteiras só o conhecia, como muitos outros, pelas reprises nas madrugas da Globo. Edição mais do que bem vinda por poder assisti-lo sem intervalos, vozes originais, além da tela em proporções verdadeiras. De extras o trailer original e uma engraçada curta para divulgá-lo à época chamado “Vampiros - Curso para Iniciantes”.

Cotação:

3 de fevereiro de 2008

Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver

Você! Se não ler este post até o fim, que seus olho se transformem em duas bola de fogo! Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver trata-se de uma das melhores representações da cultura antropofágica latina americana. Fitas vagabundas 30’s de matiné, quadrinhos de terror, macumba, catolicismo exacerbado, parques de diversão mambembes, gatinhas em baby doll, e até o hábito de fumar cachimbo enquanto escuta tico-tico no fubá, tudo faz com que esta seja uma das películas mais espetaculares já feitas. Parece haver dois Zé do Caixão, o gênio autodidata do cinema, e aquele gordinho de cartola que pragueja com concordância gramatical sofrível em qualquer programa de auditório durante nossa vida inteira... Felizmente o primeiro não existe, é um personagem de sucesso, não um cineasta, morto aos olhos populares pelo segundo que é triste fruto do sempre miserável cinema feito no Brasil. A confusão entre artista e personagem rendeu a José Mojica Marins (este sim um gênio!) certo descrédito artístico, além do estigma de fazer filmes de puro entretenimento em plena ditadura brava. 40 anos depois, quem diria, muitos dos filmes cabeça do chamado Cinema Novo não representam (quase) mais nada além de pedantismo subdesenvolvido tentando ser europeu. E o Zé? Consagrado internacionalmente como um dos grandes mestres do Horror. A revanche de Coffin Joe. Claro que não seria necessário gringo nenhum dizer o que presta ou não, mas tal momento teve sua utilidade. Após Tim Burton ter feito Ed Wood na década de 90, época em que Mojica despontou lá fora, imediatamente ganhou a alcunha de Ed Wood Brasileiro, o que a principio só desmerece sua singular obra. O pior cineasta de todos os tempos não sabia o que fazia, não tinha o mínimo talento. As semelhanças ficam apenas na capacidade em superar limites financeiros. Há muitos outros que realmente merecem tal título...

Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver - This Night I will Possess Your Corpse
- Brasil 1967 De José Mojica Marins Com José Mojica Marins, Roque Rodrigues, Nádia Tell, William Morgan, Tina Wholers, Mina Monte 107’ Terror


DVD - Estou a quase trinta anos morando no Brasil e jamais tinha visto um filme de Mojica!!! Em sua versão digital, tais trabalhos (de fazer qualquer um que ame o país do Pelé gritar ufanismos) continuam (assim como qualquer película brasileira) com distribuição capenga... Originalmente os achei a preços exorbitantes, depois nunca mais os vi, e agora reaparecem alguns volumes (II e III) num destes grandes magazines a preço de mandioca. Uma edição super de luxo, começando pela arte da embalagem, aos menus, com animação em stop motion e tudo!!! Há uma batelada de extras sensacionais em cada disco: dezenas de entrevistas, faixas de áudio (inclusive uma sensacional com Mojica), posters, trailers escandalosos, roteiros originais (escaneados), easter eggs, making offs, e o melhor, o curta “O Universo de José Mojica Marins”, feito por Ivan Cardoso em 78. Se achar, nem precisará de praga nem nada, leve pra casa!

Cotação:

19 de janeiro de 2008

O Aniversário

Bette Davis é a Sra. Taggart, terrível matriarca caolha que faz questão de reunir todos os filhos (um deles com o indefectível costume de vestir calcinhas) a fim de celebrarem seu aniversário de casamento, mesmo com o pai já morto há muitos anos. E que simplesmente menosprezava. Espere estratosféricos insultos, xingamentos, apontamento de defeitos físicos e lavagem de roupa suja. Mamãe deixa bem claro que só não tolera se isso for aos berros! E claro, Davis mais perversa que Baby Jane, mas igualmente brilhante. Temos aqui uma extremista comédia de humor negro (mal) adaptada de uma peça teatral, excessivamente verborrágica, mas um dos mais fantásticos registros da interpretação de Davis. Dizer que ela rouba o espetáculo nem seria grande coisa já que está praticamente em 80% das cenas. E este foi o principal motivo para a monumental diva de Hollywood ter novamente topado filmar na Inglaterra, para um estúdio como a Hammer, especializado em terror. Já havia feito lá The Nanny, também lançado em DVD no Brasil pela Fox. Maquiavelicamente hilária desde sua primeira aparição, faz com que este trabalho irregular seja visto e revisto centenas de vezes. Com absurdo domínio das técnicas de sua profissão, Davis aproveita cada vírgula do roteiro para destilar toda maldade inimaginável de uma mãe para os filhos, sem perder o doce sorriso em seus lábios. Quando menos se espera lá está ela pedindo, por exemplo, pra futura nora se afastar um pouco porque não suporta odor corpóreo, ou manda o filho caçula esconder a noivinha quando a policia chegar para que não pensem que mantém um bordel ali entre muitas outras pérolas. Um clássico kitsch da perversidade humana.

O Aniversário – The Anniversary
- Inglaterra 1967 De Roy Baker Com Bette Davis, Sheila Hancock, Christian Roberts, James Cossins, Elaine Taylor, 94’ Comédia


DVD - Odeio e amo estes lançamentos de filmes B pelos grandes estúdios americanos como a Fox. Claro que é bacana terem sido lançados digitalmente nestas terras tropicais e por isso os amo. Detentoras dos direitos já na época do lançamento, dão pouca bola a eles em edições burocráticas. Quase um favor. Este faz parte da série (medonha) Fox Classics, que começa errando pela capinha marrom, só reproduzindo mal e parcamente o pôster atravessado. Antigamente isso era desculpa para se abrir a embalagem e se deparar com um mimo, um cartão com o mesmo pôster. De extra mesmo temos o trailer original. Mamãe os mandaria ao inferno!

Cotação: