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23 de outubro de 2009

O Inquilino

Roman Polanski atua e filma sobre algo que conhece bem: o desconforto de ser estrangeiro num ambiente hostil. É desfecho da chamada trilogia do apartamento, precedido por Repulsa ao Sexo (65) e O Bebê de Rosemary (68).

Jovem polonês que mora na França só alugará o apartamento se a antiga inquilina não sobreviver. A garota, que só é vista toda enfaixada no hospital, inexplicavelmente pulou da janela.

Os outros moradores, claro, são uns velhos estranhíssimos, que impõe inúmeras regras e têm hábitos suspeitos pelas trevas da madrugada. Residindo lá, o pacato e submisso protagonista passará do deslocamento à loucura total.

Tentando se manter alheio às intrigas e grosserias, se afastará da realidade enquanto cria um pouco seguro universo particular. Aos poucos passará a crer que ele e a suicida são a mesma pessoa, ou que isso é imposto pelos vizinhos.

A derrapada (de leve) está em tentar explicar demais, dá certeza de que tudo acontece dentro da cabeça e não que ele foi morar num coven. Ao mesmo tempo, há incontáveis coisinhas que tinham peso mas são deixadas pelo meio do caminho.

Com estrutura de noir (o trabalho anterior de Polanski foi Chinatown, 74), é muito bem sucedido em interpretações, clima claustrofóbico apoiado por direção de arte irrepreensível, mas o maior trunfo é a exploração do medo pessoal. Muito pouco visto no cinema, até porque não é fácil expor o distúrbio psicótico onde o portador é a vítima, não o criminoso.


O Inquilino - Le locataire

- França 1976 De Roman Polanski Com Roman Polanski, Isabelle Adjani, Melvyn Douglas, Jo Van Fleet, Jacques Monod, Lila Kedrova, Shelley Winters , Josiane Balasko 126’ Horror



Cotação:

23 de fevereiro de 2009

Carne Fresca

Pela pretensão de colocar foco numa figura tão controvérsia quanto Bob Mizer é louvável por si só. Ele tomou de assalto as bancas norte-americanas entre os anos 40 e 50 com a Athletic Model Guild (AMG), revista de belos rapazes quase nus, entrando pra história pela coragem e por criar um estilo homoerótico. Foi perseguido pela polícia e preso por, entre outras coisas, favorecer a prostituição, hoje é tido como um dos maiores fotógrafos do século passado. Como se sabe muito pouco sobre o assunto, há várias curiosidades saborosas, por exemplo, de que era a mãe do retratista quem costurava os famosos tapa-sexo, e de que forma recrutava seus “modelos”. Acaba por confirmar o imaginário popular, com aquelas pessoas desembarcavam em Hollywood com a ambição de se tornarem estrelas de cinema, cedendo ao convite de tirar a roupa pra não morrerem de fome. Carne Fresca decidiu-se por seguir a linha drama intercalado pelos depoimentos de alguns sobreviventes, agora, todos velhos senhores logicamente. E um dos problemas vem daí, resultando em algo muito contido e ágil, dando a sensação de que desperdiçaram os entrevistados ou a curioso biografado. Não chega a emocionar em momento algum, embora a reconstituição de época e o clima seja puro 50’s. Difícil de acreditar que Joe Dallesandro, também muso de Andy Warhol, tinha 19 anos naquele tempo sendo que diz estar com 50, mas enfim... É perceptível como “falha” também, que todo o trabalho de Mizer tem uma forte estética american way pós-guerra, e o filme é uma co-produção de baixo orçamento canadense, francesa e inglesa, de fotografia bem iluminada. O artista merecia algo made in Hollywood tipo L.A. Confidential. Por falta de glamour decadente não deixará de ser feito.

Carne Fresca – Beefcake

- Canadá/Inglaterra/França 1998 De Thom Fitzgerald Com Daniel MacIvor, Joshua Peace, Jack Griffin Mazeika, Joe Dallesandro, Carroll Godsman, Thomas Cawood, Daniel McLaren, 97’ Drama/ Documentário


Cotação:

28 de novembro de 2008

Piaf – Um Hino Ao Amor

140 minutos? Glup! O mito retratado é forte o bastante para nos dar coragem. Com mais acertos do que defeitos, é bem feitinho, filmado como se fosse uma produção norte-americana, claramente pensando nas platéias mundiais acostumadas ao arroz e feijão made in Hollywood. O roteiro abrange a vida toda da cantora, e como não há metragem suficiente para isso, a edição caprichou nos fragmentos. Graças a ela, a maioria das cenas emocionantes acaba perdendo o impacto, além de gerar certa confusão sobre a saraivada de personagens novos que aparecem a todo instante. Como se fica indo e vindo no tempo, isso ainda acaba sendo um Deus nos acuda para quem não é especialista em Piaf. A propósito, a história dá mais atenção à mulher comum que há cantora, o que não deve ser ruim aos franceses que devem conhecer sua carreira de cor e salteado, mas pra gente... Não há uma só cena sobre sua carreira cinematográfica, ou o impacto em sua vida que deve ter causado a gravação do primeiro disco. Marion Cotillard como protagonista foi laureada com o Oscar o que parece ser justo ao vermos Piaf envelhecendo de forma tão precoce, na tenra idade está muito caricata, quase a ponto de irritar. Uma coisa com que foi injustamente atacado é não se referir às famosas tendências lésbicas do “pequeno pardal”, o que é uma tremenda bobagem já que está sim tudo na tela. Fora a conhecida amizade com Marlene Dietrich (que no filme se resume a um aperto de mão) pra bom entendedor sabe como é, né?

Piaf – Um Hino Ao Amor – La Môme

- França 2007 De Olivier Dahan Com Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Gérard Depardieu, Clotilde Courau, Jean-Pierre Martins, Manon Chevallier 140’ Drama


DVD- Gostaria que a Europa me explicasse porque um DVD com capa luxuosa em papel especial, usando luva de papelão e estojo que se abre tipo livro, não traz praticamente extra algum embora seja duplo! É pra poder cobrar mais caro? No primeiro disco vem só o filme, e no segundo um making of de meia hora e especial de menos de 10 minutos sobre a caracterização da personagem, versão MP4 e só! Nem trailer, nem mais nada!

Cotação:

17 de outubro de 2008

Diabolik

Nada parece ser mais pop que cinema italiano comercial. Adaptação de personagem de quadrinhos local muito popular, cada frame de Diabolik é um deleite kitsch assinado por Mario Bava, produzido pelo não menos lendário Dino De Laurentiis e trilha sonora (menos swingada do que se espera) de Ennio Morricone. Não uma trama em si, mas um infinito gato e rato do anti-herói (John Phillip Law) com a polícia e a máfia. Com alguns personagens sumindo da ação depois de um tempo, além de seguir divertidamente lógica física inverossímil, dá pra perceber que o roteiro (também de Bava) é uma grande colcha patchwork reaproveitando situações dos quadrinhos. Também engraçado o personagem seguir um estilo James Bond, cheio de apetrechos tecnológicos, mas é um ladrão que não pensa duas vezes em matar quem se colocar à sua frente, mesmo se for apenas um pau mandado do chefão. Seus planos mirabolantes não são para roubar dos ricos e dar aos pobres, mas pra puro e simplesmente enriquecer e dar tudo o que sua amada Eva (Marisa Mell belíssima) quer. O mais próximo do heróico que seus atos fazem é desestabilizar o sistema vigente. Explode vários prédios públicos obrigando o ministro ir à TV pedir aos cidadãos que por amor à pátria declarem novamente seu imposto de renda, já que todos os registros foram perdidos. “Só pode ser piada!” declara um nobre tiozinho enquanto toma sua biritinha num boteco. É esse espírito que o põe muito acima de 9 entre dez versões cinematográficas do gênero, cada vez mais enquadradas na burrice da média intelectual das platéias. O ator Law, falecido em 2008, apareceria como o anjo de Barbarella, outro filme de heróis do mesmo ano.

Diabolik - Danger: Diabolik

- Itália/França 1968 De Mario Bava Com John Phillip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli, Adolfo Celi, Claudio Gora, Mario Donen, Renzo Palmer 105’ Aventura


Cotação:

10 de outubro de 2008

O Martírio de Joana D’arc

A feroz crítica Pauline Kael considerava a interpretação de Maria Falconetti talvez a melhor já capturada por uma câmera. O fato de ser o único trabalho da atriz no cinema amplifica esse caráter de película singular, obra máxima que nos compele ao tom reverente, sacro, guardando forças como um dos melhores de todos os tempos. A falta de som, responsável por envelhecer drasticamente tantos outros, torna-se um elemento a mais para deixá-lo poeticamente realista. Kael relembra em seu texto as palavras de Cocteu, para quem parecia o registro de uma época a qual o cinema não existia. Baseado nas minutas do inquérito, consegue ser fidelíssimo muito mais às emoções do que à história. Só nos minutos finais é que teremos extravagantes cenas de multidão, com ângulos fantasticamente modernos. Difícil de imaginar, como com o peso dos equipamentos daquele tempo conseguiam dar giros de 180º. Não se sabe se ficamos embasbacados com tudo o que vemos ou se choramos copiosamente pela tragédia que “segue” os desígnios de Deus. Sobram duvidas sobre a pobre Joana, que mal sabia a idade ao certo, ter continuado até seus últimos momentos ancorada na fé cristão-católica, seria sua ignorância um alívio à realidade? Pior, como uma religião que nunca hesitou em usar seu poder pelas vias do sangue sobrevive até os dias atuais, continuamente sacrificando vidas em prol de sua permanência no topo. Dreyer aliás, não abre mão do principal elemento ao qual a igreja de Paulo se firmou: O medo. Cada sacerdote é terrivelmente fotografado de baixo pra cima, dando-lhes contornos de vampiros góticos. Joana, complacente, é mostrada ao contrário. Seus grandes olhos cristalinos refletem sobre tudo a dor de toda a humanidade.

O Martírio de Joana D’arc – La Passion de Jeanne d'Arc

- França 1928 De Carl Theodor Dreyer Com Maria Falconetti, Eugene Silvain, André Berley, Maurice Schutz, Antonin Artaud, Michel Simon, Jean d'Yd, Louis Ravet 82’ Drama


DVD- A qualidade da imagem no disco distribuído pela Magnus Opus nos faz pensar se mesmo em 1928 as platéias viram tudo tão nítido. O filme teve várias mutilações com o passar do tempo, negativos queimados, etc. Esta versão foi a partir dos negativos muito bem conservados encontrados em um hospício na década de 80. Há bastante texto como extra e longa entrevista com a filha de Falconetti. Ela relembra por exemplo que quebrada, no início da Segunda Guerra, fugiu para a suíça, tentou entrar nos EUA e acabou na bancarrota total num cassino do Brasil. Morreu logo depois na Argentina.

Cotação:

8 de outubro de 2008

Saló - 120 dias de Sodoma

O filme mais insultuoso e subversivo já feito em todos os tempos tem desconcertante artificialismo cênico. Espetáculo repulsivo quase insuportável de ser revisto, choca antes pela crueza das idéias que defende do que pelas imagens mostradas. Vai radicalmente na contramão do cinema que se acredita ser antes de tudo entretenimento, uma forma de escape. Pasolini, em seu último trabalho, sentia então, resquícios do fascismo na Itália, mas é inegável que ali está todo e qualquer país de qualquer época pseudo civilizada. Enquanto o povo nada literalmente na merda, os poderes vigentes, Estado e igreja, caiem na farra auto-afirmando sua duvidosa superioridade. A história (inspirada em Marquês de Sade) transcorre na década de 40 quando, com o fim de Mussolini, grupo de autoridades mantém grupo de adolescentes presos para a realização de todos os seus desejos, por mais porcos, cruéis e degradantes que possam ser. Se há rapazes armados mantendo a ordem sem a mínima reação humana, não faltam pequenos delatores entre as jovens “vítimas” (de origens humildes semelhantes) preparadas a apontar o próximo. Dividido em três partes, o Ciclo da Paixão, da Merda e do Sangue, faz pensar o último não ter fim, trazendo tal desgraça para o lado de cá da tela, embora as três putas velhas que narram histórias escabrosas tentem nos fazer acreditar que não passa de um conto de fadas tenebroso. Sem exageros, dá vontade de vomitar e inigualável mal estar social. Poderoso na construção de seu universo sistemático, não foi à toa ter sido proibido em muitos países e continuar inédito em DVD.

Saló - 120 dias de Sodoma - Salò o le 120 giornate di Sodoma

- Itália/França 1975 De Pier Paolo Pasolini Com Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto Paolo Quintavalle, Aldo Valletti, Caterina Boratto, Elsa De Giorgi, Hélène Surgère, Sonia Saviange 116’ Drama


Cotação:

27 de setembro de 2008

Querelle

Livremente baseado em romance de Jean Genet, Fassbinder, talvez o último verdadeiramente grande diretor alemão, dava ao mundo seu canto de cisne sem concessões comerciais. Tanto que o filme é febrilmente erótico sem mostrar se quer um único corpo nu. Fotografado em alaranjado lúgubre, com claustrofóbicos cenários teatrais, não se desenvolve neste mundo que em que vivemos, mas no sempre misterioso terreno do desejo, embora faça uso de claras regras sociais. Querelle (Brad Davis) é o marinheiro que ao aportar se lambuza dos pés à cabeça do poder proporcionado pela atração que desperta em homens e mulheres. Trapaceará no jogo de dados para ser possuído pelo marido da dona do bordel jurando ser aquela sua primeira vez. Jeanne Moreau, a única mulher em cena, interpreta a triste puta velha que cantarola a mesma canção enquanto recolhe para si os amantes recusados pelo esposo. “O homem mata tudo aquilo que ama” diz a canção. Há uma trama policial que na verdade só serve para mostrar a desenvoltura do marinheiro em usar os atributos físicos a seu bel prazer. Querelle só não consume nada com o paternalista capitão (Franco Nero) e o doentiamente apaixonado irmão. O mais perto que chegará do incesto é ao experimentar o primeiro beijo na boca de outro homem, quando um fugitivo (Hanno Pöschl em papel duplo) se disfarça tornado-se idêntico a ele. Brilhante trabalho de atmosfera, envolve principalmente na ótima construção de personagens, e na narrativa ousada. De forte temática homossexual, é, sobretudo, um filme sobre machos.

Querelle - Querelle

- Alemanha/França 1982 De Rainer Werner Fassbinder Com Brad Davis, Franco Nero, Jeanne Moreau, Laurent Malet, Günther Kaufmann, Hanno Pöschl, Burkhard Driest 120’ Drama


DVD- A Versátil bate no peito deixando claro no texto da contra capa de que está sob licença da Gamount. Essa óbvia alusão ao paraíso das contraversões de copyrights que parece ser o Brasil pode ser desculpa justa aos preços estratosféricos de seus maravilhosos produtos. Pena que o valor alto não nos dá direito a um conteúdo mais caprichado. Menus horrorosos, extras relaxados se resumindo a texto e galeria curta, e o pior de tudo, legendas que não passaram pela mínina revisão. Há palavras com três esses, fora erros gramaticais grosseiros. Mesmo sendo uma película considerada forte, as legendas ainda apazigua o linguajar dos marinheiros, marca registrada de Jean Genet.

Cotação:

13 de julho de 2008

Lua de Fel

Duas horas e tralalá da mulher do Polanski se esforçando pra mostrar que era safada! Depois deste longo tempo, que parece ter o dobro, não sobra muito mais do que dá qualquer filminho da Sexta Sexy menos pretensioso. Esta bobagem nada sutil e até constrangedora, alcançou bastante sucesso no Brasil em seu lançamento, numa época em que o cinema estava todo de pernas abertas depois que Sharon Stone andou fazendo o mesmo. Seria até engraçado, se não tivesse todo aquele verniz (fake) de cinema francês de arte para ludibriar platéias pretensamente cultas. O roteiro muito pobre não nos deixa enganar! Ingleses desenxabidos, Hugh Grant e Kristin Scott Thomas partem em cruzeiro rumo ao oriente para comemorar seus sete anos de casamento. Lá conhecem escritor americano (Peter Coyote) paraplégico e sua esposa maluqueira e gostosona Mimi (Emmanuelle Seigner), a referida ex senhora do diretor. Não há motivação convincente que explique porque o marido passará dias e noites ouvindo o escritor contando sua história de amor trágica, o que torna seu final quase risível de tão irreal. Ainda pra piorar Seigner é muito bonita, mas de talento dramático limitado para papel tão importante. A caracterização muito mal feita de quando ela chega ao fundo do poço também não lhe ajuda em nada. E uma coisa intriga há 16 anos: O que a música Kátia Flávia, A Godiva do Irajá faz naquela trilha sonora?

Lua de Fel - Bitter Moon

- França/Inglaterra 1992 De Roman Polanski Com Peter Coyote, Hugh Grant, Kristin Scott Thomas, Emmanuelle Seigner 139’ Drama


DVD - A imagem (widescreen) embaçada de contrastes esverdeados demonstra ter sido feito a partir de um Laserdisc. Não há bônus algum.

Cotação:

24 de fevereiro de 2008

Possessão

A difícil arte de amar mostrada mais desagradável do que ás vezes podemos suportar! Isabelle Adjani com seu rosto de mármore, xinga, grita, sapateia e aborta todos os seus anseios de fêmea inatingída a ponto de ser laureada com o prêmio de melhor atriz em Cannes. Quando a vemos de forma tão degradante, depois de se ajoelhar a uma imagem de Jesus provavelmente implorando por seus pecados, não há como não aplaudi-la também. Desconstrói o clichê da adultera feliz de forma cadenciada, deixando os homens da sua vida tão perplexos quanto nós! O repelente monstro que pari pode devorar todos a sua volta, quase como a planta carnívora de A Pequena Loja de Horrores, e ainda lhe exigir sexo como qualquer fantasma que exige segredos solitários, amortecimentos de culpa. Este hit cabeça do inicio dos 80 chega a ser em alguns momentos confuso e arrastado, mas há atores sérios e fotografia fascinantemente moderna para nos deixar acordados. Tão impressionante e forte, seja como drama intimista, seja como filme de horror, que se mantém na mente por dias a fio. O mais triste é concluirmos que não há filme mais realista sobre separações! “Se eu soubesse que ia acabar assim!”.

Possessão – Possession

- França/Alemanha 1981 De Andrzej Zulawski Com Isabelle Adjani, Sam Neill, Margit Carstensen, Heinz Bennent 123’ Drama/Horror


DVD - Versão americana com alguns minutos a menos que a européia. Está com uma qualidade de imagem espetacular, cristalina, com a paleta de tons e contrastes da fotografia. De bônus o trailer americano e europeu e algum texto. E que hilária diferença: No primeiro parece ser um filme de horror, no outro um dramalhão pessoal. Chora-se a falta de legendas na faixa de comentários do diretor, o que ajudaria em muito, a compreender um trabalho tão simbolista.

Cotação:

21 de fevereiro de 2008

Interstella 555 – The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem

Cinco amigos de uma galáxia distante passam o tempo tocando música até que empresário ganancioso os seqüestra para ganhar inúmeros discos de ouro no Planeta Terra. Com este argumento de ficção científica chinfrim concretizou-se um dos projetos mais ousados da atualidade, praticamente o último filme mudo que se tem notícia. E é anda por cima é um musical em desenho animado gerado a partir de um disco de música eletrônica... Pagou seu preço como exercício ante a estável narrativa verbal cinematográfica, sendo recebido com extrema frieza depois do hype gerado pelos quatro clipes do Daft Punk que o antecederam. Tendo no comandado o mestre Leiji Matsumoto (do animé clássico Patrulha Estrelar), o longa dá continuidade aos “capítulos” lançados a cada nova faixa de trabalho do álbum Discovery, assim como qualquer canção pop em épocas de MTV. Ferramenta ideal para se criar super stars como os pobres Crescendolls da película. Não é realmente fácil de ser assistido! Por mais que o visual seja detalhadíssimo, e o estilo das cores e traços vulgarmente combinarem com o som 70’s a falta de diálogos o faz funcionar muito melhor para ser o DVD que fica rodando enquanto a gente faz alguma coisa do que filme em si para ser visto no cinema. Pelo menos o que se olha de relance proporciona quase uma alegria infantil!

Interstella 555 – The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem

- França/Japão 2003 De Kazuhisa Takenouchi 65’ Musical/Animação/Ficção Científica


DVD - Tal e qual um CD de áudio, lançado praticamente idêntico ao que foi lá fora. O que explica os menus estarem só em inglês e francês. Há um batalhão de extras, e os menus randômicos completam o clima retrô high-tec do filme. Muito ruim os botões que dão acesso ao material bônus não conterem descrições em texto do que se trata... Bacana a seleção de capítulos parecendo um jukebox: Não se precisa ver o filme em tela cheia, mas no topo deixando todas as outras cenas (clips) á disposição.

Cotação:

13 de fevereiro de 2008

Hiroshima Meu Amor

De título incômodo pela simples associação do amor aos horrores de uma bomba atômica, este representante da Nouvelle Vague é querido por nove entre dez pessoas que conseguiram assisti-lo após 30 minutos. Contempla-se aqueles corpos nus quase que com vergonha ao vê-los entrecortados ás mais assombrosas imagens do sofrimento humano. Há algo de sórdido naquele casal que se entrega perdidamente aos prazeres carnais na cidade infinitamente marcada pela guerra. Muito discutido em sua época, é um elogio à persistência, ao vigor da memória, da sobreposição de acontecimentos, do que pode sobreviver a partir de atitudes egoístas. Algo de muito estranho acontece quando Emmanuelle Riva, de dentes tristes anteriores aos avanços da medicina odontológica, relembra seu patético e trágico passado como se referisse ao futuro. Momentos passam, são recontados, esquecidos, perdidos... Realizado com empenho estético por Alain Resnais, em mãos menos sensíveis teríamos um bom romance do tipo Julia, ou filmes de blábláblá pra aspirantes a intelectuais chamarem de genial. Convence em sua dificuldade.

Hiroshima Meu Amor – Hiroshima Mon Amour

- França/Japão 1957 De Alain Resnais Com Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas, Pierre Barbaud 90’ Romance


DVD - A gente sempre desconfia de distribuidoras como a Continental que lançam pérolas perdidas do cinema a preços exorbitantes sem se preocuparem com a qualidade material. Este tem uma pavorosa capa em baixa resolução com nitidez forçadamente feita no Photoshop. Segundo a mesma o áudio do filme é “Franclês”, veja só! Em fullscreen (!!!), pelo menos não percebi os costumeiros erros gramaticais na legenda. Contém entrevistas da época com Riva e Resnais.

Cotação:

25 de maio de 2007

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

O ponto mais interessante deste filme, querido por 9 entre 10 pessoas que o assistiram, é ser ambientado em um universo particular e absolutamente comum. Seus matizes vermelhos e verdes não nos deixam dúvidas logo de cara de que vemos algo particular, como são os sonhos ou qualquer outra coisa que só ocorra nas nossas cabeças. Cúmplices aceita-se o mundo de Amélie cercado de pequenos prazeres. Compartilha-se o cotidiano da jovem que não sabe (ou não quer) conviver com outras pessoas. Demonstra ótima habilidade em criar subterfúgios quando precisa (ou quer) se relacionar afetivamente com humanos. Uma das causas para que se você for ansioso só achar um mimo lá pela terceira vez que o assistir... O principal mérito não está na fotografia, cenografia ou qualquer outro rebuscamento já observado na filmografia de Jeneut, mas em emocionar sem pieguismo ou dramalhões. Nos joga na cara o real/artificial isolamento que todos vivemos. Amélie é complicada porque quer, por opção? Desde pequena inventou uma doença cardíaca e assim foi se isolando ou se ajustando ao seu redor. Como qualquer outro personagem. Delicadamente adulto, este primeiro filme do diretor após a tentativa Hollywoodiana frustrada com Alien – A Ressurreição, fala diretamente sobre a fidelidade com a criança que já fomos um dia. Uma vez encontrei o raro jogo para Playstation One de O Ladrão de Sonhos, outro de seus trabalhos. Um subproduto do gênero para Amélie seria fabuloso!

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain – Le Fabuleux Destin D’Amélie Poulain

- França 2001 De Jean-Pierre Jeneut Com Audrey Tautou, Matheu Kassovitz, Serge Merlin 122’ Romance/Comédia


DVD - Oh! Temos extras! Todos crus, embrulhados num menu que nada mais que um slide show da personagem principal. Uma extensa entrevista de Jean-Pierre Jeneut feita para o lançamento do disco e o teste que colocou Audrey Tautou no mapa cinematográfico são os principais destaques.

Cotação: