Mostrando postagens com marcador 1981. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1981. Mostrar todas as postagens

11 de dezembro de 2008

Polyester

Tem algo muito fedorento na classe média. Parece ser a principal função de John Waters nesta vida apontar de onde vem o mau cheiro na ostentação da família perfeita. Ele nunca foi tão explícito na empreitada quanto em Polyester, quando a platéia recebia na porta dos cinemas uma cartelinha com números que deveriam ser raspados conforme a protagonista ia cheirando os objetos em cena: estava inventado o Odorama! É o elo não perdido entre toda a trasheira da filmografia de Waters na década de 70 com seu lado mais civilizado exibido a partir dos 80. Pode não ser dos seus trabalhos mais brilhantes, mas ainda muito bom! Divine é Francine, uma dona de casa comum de Baltimore com inúmeros problemas domésticos. Saca a lista: O marido é dono de um cinema pornô e é amante da secretária (que se orgulha de usar roupa 100% polyester), o filho é um junkie conhecido como o pisoteador do supermercado (!!!), a filha a biscatinha de cabelo a lá Farrah Fawcett que dança para os garotos da escola em troca de uns caraminguás, e a mãe, a velha mais perversa imaginável! Pra piorar, o circulo social de Francine se resume à ex-empregada doméstica que ficou milionária, e que por sinal, será a única a ficar do seu lado quando a pobrezinha cair nas teias do vício do álcool. De lambuja ainda temos Tab Hunter, ex-galã teen dos anos 50, fazendo par romântico com Divine, parceria que iriam repetir algum tempo depois no hilário A Louca Corrida do Ouro.

Polyester

- EUA 1981 De John Waters Com Divine, Tab Hunter, Edith Massey, David Samson, Mary Garlington, Ken King, Mink Stole, Stiv Bators 86’Comédia


Cotação:

31 de outubro de 2008

Canibal Ferox

Essa grossura em forma de película se orgulha de ser o filme mais violento já feito. Proibido em 34 países, deveria ter sido em outros tantos só pela escrotice do diretor em sacrificar e maltratar animais pra conseguir tal mérito. Há uma tomada bem curta dos atores com o jipe em movimento onde se vê o pobre quati pendurado pela cordinha sendo arrastado do lado de fora. Da parte dos humanos, embora aja boa tensão, nem sempre os efeitos de violência explícita ficaram bem feitos. E em matéria de gore, o que não choca faz rir, não há meio termo! A história vai e volta das ruas de Nova York à selva Amazônica, o que além de dispersar o interesse pelo grupo de jovens perdidos na expõe o amadorismo técnico da produção. Pertencente à vertente (bem popular na Itália nos 70’s) dos filmes sobre canibalismo, é apenas uma grande curiosidade de gosto duvidoso, um grande teste de estômago para espectadores sem coisa melhor pra assistir. Como cinema deixa muito a desejar, sendo que a principal mensagem (quem é mais selvagem, os nativos da floresta ou nós, seres pseudo civilizados?) bem escancarada, dita inclusive pelos atores, ajuda a dar ainda mais sabor de obvio em tanta gratuidade. Em suma, uma grande selvageria artística no mau sentido.

Canibal Ferox – Cannibal Ferox

- Itália 1981 De Umberto Lenzi Com Giovanni Lombardo Radice, Lorraine De Selle, Danilo Mattei, Zora Kerova, Walter Lucchini, Fiamma Maglione, Robert Kerman, Venantino Venantini, 'El Indio' Rincon 93’ Horror


Cotação:

13 de julho de 2008

Um Tiro Na Noite

Este elogio à arte de fazer filmes, é um dos melhores da década de 80, embora pouco lembrado. Extremante reverente aos ídolos como de costume, Brian De Palma conseguiu resultado coeso, costurando muito bem o emaranhado de referências. John Travolta em seu primeiro papel adulto, e último da primeira grande fase, é o técnico de áudio em filmes baratos na hora e local errados. Ao gravar corriqueiros sons ambientes registra sem querer acidente automobilístico e, portanto, acaba se envolvendo na trama para assassinar importante candidato à presidência. Arriscará provar a conspiração por detrás da morte, enquanto, claro, terá que salvar sua pele e a de uma prostituta ingênua também presente à cena do crime. E dá-lhe planos seqüência magistrais, trilha sonora enervante (de Pino Donaggio), e um dos finais mais surpreendentes já filmados! Tão surpreendente que a platéia média acaba esquecendo sua coerência e detestando todo o resto. Para cinéfilos (Além das citações a Antonioni, Hitchcock...) há ainda a graça dos bastidores de uma produção B em época anacrônica e ainda o uso dramático do princípio básico do cinema, a animação quadro a quadro. É intrigante como De Palma comandou sucessivas pequenas maravilhas entre o fim das décadas 70, começo dos 80, e a quase 20 não faz nada que possa dar uma classificação maior do que regular. Como Nancy Allen, sempre competente estrelando os primeiros trabalhos do diretor, de prostituta sagaz a vilãzinha estudantil, após Robocop viu a carreira minguando, minguando...

Um Tiro Na Noite – Blow Out

- EUA 1981 De Brian De Palma Com John Travolta, Nancy Allen, John Lithgow, Dennis Franz, Peter Boyden, John McMartin 139’ Suspense


DVD - A Fox (sempre ela!) vende estes discos da MGM de qualquer maneira. Vêm só com o trailer e menus feios e estáticos. Mas isso não é mérito brasileiro. Há pessoas dos EUA reclamando no IMDB do mesmo descaso. Um filme importante e tão imaginativo merecia pelo menos um mísero featuring. Aposto que Nancy Allen toparia dar as caras! Mas a película tem imagem e áudio muito bom! Aliás, o som está apenas em dois canais, e de preferência deve ser assistido assim, até pela profissão do protagonista há todo um cuidado a mais com os efeitos sonoros.

Cotação:

30 de março de 2008

A Morte do Demônio

Amador, grosseiro, cheio de falhas porcas, mas incrivelmente espetacular! Sam Raimi, que, quem diria, lucra agora basicamente produzindo adaptações meia-boca de horror asiático, além de comandar nada menos que a cine série do Homem-Aranha, fez esta escachada película ainda na chamada tenra idade. Com uma câmera 16 mm na mão, e um punhado de dólares, colocou amigos do colégio para trabalhar neste misto de Halloween, Madrugada dos Mortos, O Exorcista e claro, O Massacre da Serra Elétrica. Da mistureba de sucessos de bilheteria surgiu a chanchada gore estapafúrdia e assustadora, que como se não bastassem as previsíveis continuações, ainda nos deu Ashley J. Williams, ou simplesmente Ash! Se houvesse eleições para o herói mais idiota do cinema, por um triz o título não seria dele! Interpretado por Bruce Campbell (também produtor), é o cara errado, tomando as atitudes erradas nas horas mais erradas ainda! O amigo todo podre, com os olhos brancos esbugalhados, e ele resolve dar água, o acalmando com palavras do tipo: “Tudo vai ficar bem!”. Há tantas outras cenas memoráveis, assustadoras e engraçadas que o colocam num patamar acima da média como forma de arte. Não é só um filme de horror pavoroso em sua total falta de humor proposital, mas genialmente bem estruturado, com a câmera sempre em ângulos típicos de histórias em quadrinho, com uma trilha sonora flertando com o clássico, driblando todos os defeitos (técnicos, é bom avisar) imagináveis com uma originalidade histérica. Quase, quase um filhote do acasalamento entre Orson Wells e Ed Wood...

A Morte do Demônio – The Evil Dead

- EUA 1981 De Sam Raimi Com Bruce Campbell, Ellen Sandweiss, Richard DeManincor, Betsy Baker 85’ Horror


DVD - Está em fullscreen, mas acho que isto é normal devido à bitola originalmente usada. Há alguns extras muito interessantes, e raros, o que me faz ficar triste quando o acho a preço de banana, em puro encalhe das lojas! O principal bônus, não mencionado na embalagem (!!!) é um apanhado de muitas seqüencias (legendadas) dos bastidores, que pela precariedade comprovam o teor amador da produção. Ponto negativo a mecânica do DVD, que logo de cara inicia o filme. A legendada é outra coisa mal feita. Parece que pegaram um monte de frases e salpicaram aqui e ali, quase nunca ao mesmo tempo em que são ditas.

Cotação:

24 de fevereiro de 2008

Possessão

A difícil arte de amar mostrada mais desagradável do que ás vezes podemos suportar! Isabelle Adjani com seu rosto de mármore, xinga, grita, sapateia e aborta todos os seus anseios de fêmea inatingída a ponto de ser laureada com o prêmio de melhor atriz em Cannes. Quando a vemos de forma tão degradante, depois de se ajoelhar a uma imagem de Jesus provavelmente implorando por seus pecados, não há como não aplaudi-la também. Desconstrói o clichê da adultera feliz de forma cadenciada, deixando os homens da sua vida tão perplexos quanto nós! O repelente monstro que pari pode devorar todos a sua volta, quase como a planta carnívora de A Pequena Loja de Horrores, e ainda lhe exigir sexo como qualquer fantasma que exige segredos solitários, amortecimentos de culpa. Este hit cabeça do inicio dos 80 chega a ser em alguns momentos confuso e arrastado, mas há atores sérios e fotografia fascinantemente moderna para nos deixar acordados. Tão impressionante e forte, seja como drama intimista, seja como filme de horror, que se mantém na mente por dias a fio. O mais triste é concluirmos que não há filme mais realista sobre separações! “Se eu soubesse que ia acabar assim!”.

Possessão – Possession

- França/Alemanha 1981 De Andrzej Zulawski Com Isabelle Adjani, Sam Neill, Margit Carstensen, Heinz Bennent 123’ Drama/Horror


DVD - Versão americana com alguns minutos a menos que a européia. Está com uma qualidade de imagem espetacular, cristalina, com a paleta de tons e contrastes da fotografia. De bônus o trailer americano e europeu e algum texto. E que hilária diferença: No primeiro parece ser um filme de horror, no outro um dramalhão pessoal. Chora-se a falta de legendas na faixa de comentários do diretor, o que ajudaria em muito, a compreender um trabalho tão simbolista.

Cotação:

6 de dezembro de 2007

Scanners – Sua Mente Pode Destruir

Gêneros cinematográfico vivem de ciclos, e isto parece ser mais claro nos fantásticos ou horror. De monstros a ameaças nucleares, descambando na década de 60 à presença do diabo entre nós (só ele poderia ser o causador de tamanhas transformações) e depois ainda vieram os perigos dos poderes mentais... Sempre acompanhando as preocupações e/ou anseios sociais, como tudo que se preze comercial. Este David Cronenberg, o seu primeiro sucesso internacional, então seria um filhotinho da Carrie, A Estranha. O “capeta” de antes se tornou justificado psicologicamente. Aliás, esta fonte de mal bíblica (O Bebê de Rosemary, A Profecia, O Exorcista) teria sido fruto não só dos excessos da contracultura da época, mas um desdobramento dos assassinos perturbados mentalmente como Norma Bates em Psicose? Assim, antropofagicamente, os títulos vão se alimentando uns dos outros em busca do que é comum ao medo de cada período tendo como principal termômetro o sucesso de bilheteria. De qualquer forma, Scanners continua fresco e divertido. Mesmo batidíssimo em inúmeras exibições na TV e VHS!!! Começa como um filme de detetive futurista num shopping Center dando lugar a uma história de falsas aparências com suspense e horror. Seus efeitos especiais mecânicos ainda são impressionantes e nojentos. Absolutamente 80’s e atemporal, encontrei desta vez muitas semelhanças ao famoso animé de 1995 Ghost In The Shell (ou O Fantasma do Futuro). Oh! Que por acaso é citado como uma das principais referências na criação de Matrix. 15 anos antes os parapsicólogos canadenses já entravam num sistema de computador usando uma cabine telefônica e, acho a principal delas, o uso dos caracteres verdes tipicamente digitais para se mostrar os créditos. Que seja só mais um motivo para você rever esta preciosidade, além das melhores cabeças explosivas do cinema!

Scanners – Sua Mente Pode Destruir - Scanners
- Canadá 1981 De David Cronenberg Com Stephen Lack, Jennifer O’Neill, Michael Ironside 102’ Terror


DVD - Menuzinho animado com cenas do filme e algum texto. Não sabia que a atriz Jennifer O’Neill era carioca... A imagem (Letter Box) está relativamente boa ao contrário do áudio, que a capa diz ser 2.0, mas parece mono. Ainda há uma certa falta de sincronia do som, mas pesquisando na net há reclamações no mundo todo, portanto não deve ser culpa da distribuidora brasileira.

Cotação: