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14 de fevereiro de 2010

Olhos na Floresta

Ingenuidade esperar muito deste terror dos estúdios Disney. Aliás, um dos raros filmes de terror onde ninguém morre, portanto, nem pense ver o mínimo possível de gore.

Mas o suspense é ok! Na medida do possível, ou seja, prenda a atenção até a resolução estúpida do mistério principal.

Bette Davis voltava ao estúdio do Mickey após ter sido a vilã ao lado de Christopher Lee em A Volta da Montanha Encantada (Return from Witch Mountain, 1980), lançado em DVD no Brasil. Repete aqui o papel que fez muito nos últimos anos de sua carreira: A velha louca com mistérios no passado.

No caso, ela é a eremita que espanta todos os futuros inquilinos da mansão que possui no meio de uma floresta. Aceita um casal com duas filhas, porque vê na mais velha semelhança Karen, sua filha que desapareceu de forma misteriosa há décadas.

Daí a garota mais velha começa a ter visões com uma loira, igual a ela, pedindo ajuda e a menor a ouvir vozes. Acabam tendo que desvendar em que circunstância Karen sumiu.

O resultado é tão bobinho, que se não fosse Davis este filme nunca mais seria lembrado depois de sua estréia. Mas nem da grande atriz dá para esperar muito já que tem pouco tempo em cena.

Outra muito mal aproveitada é Carroll Baker, fazendo a mãe da dupla de protagonista. Por um triz entra muda e sai calada.


Olhos na Floresta - The Watcher in the Woods

- EUA 1980 De John Hough Com Bette Davis, Lynn-Holly Johnson, Kyle Richards, Carroll Baker, David McCallum, Benedict Taylor 84’ Horror


Cotação:

31 de dezembro de 2008

Pavor na Cidade dos Zumbis

A esta altura, as duas principais vertentes do cinema comercial italiano se fundiam: O radicalismo dos canibais e a podridão dos zumbis. Foi aí que Lucio Fulci se consagrou mestre, sempre criativo em climas sem abandonar os mais repulsivos recursos para gosto dos de estômago forte. Um argumento tão bem amarradinho que as várias forçadas de barra merecem ser relevadas. Parapsicóloga prevê que numa cidade, construída sobre a antiga Salem, um padre enforcado abriria literalmente as portas do inferno. Com a ajuda de desconhecido, vai descobri aonde tal cidade fica e desenterrar o religioso antes do por do sol. Enquanto isso, várias casos bizarros começam a surpreender os moradores, embora nem sempre as maiores brutalidades sejam feitas pelos mortos. Há violência explícita aos borbotões, com efeitos quase sempre realistas, mas também um insuportável clima claustrofóbico. Aliás, a cena da protagonista acordando dentro do caixão serviu de inspiração a Tarantino duas vezes. No episódio especial que dirigiu para CSI (Grave Danger, lançado em DVD no Brasil como Perigo a Sete Palmos) e em Kill Bill Vol. 2. Planet Terror guarda familiaridade tanto na maquiagem dos mortos-vivos, como na trilha sonora espetacular outra vez a cargo de Fabio Frizzi. Produzido pra entreter e dar medo, assim como um filme pornográfico se propõe a dar tesão, não é um marco ou obra prima, mas cumpre plenamente suas intenções. O que, cá pra nós, já não é pouco.

Pavor na Cidade dos Zumbis - Paura nella città dei morti viventi

- Itália 1983 De Lucio Fulci Com Christopher George, Catriona MacColl, Carlo De Mejo, Antonella Interlenghi, Giovanni Lombardo Radice, Daniela Doria, Fabrizio Jovine, Luca Venantini, Janet Agren 93’Horror


Cotação:

15 de dezembro de 2008

De Volta ao Planeta dos Macacos

Fato: Filme comercial bem sucedido com pitadas de existencialismo ganha uma seqüência muito mais morna, voltada ao que tinha de mais comum. Foi assim com Matrix e antes já tinha sido com Planeta dos Macacos! Aqui também optaram por muito mais ação e entretenimento e diluir qualquer conversa sobre sociedade, filosofia e religião. O que continuou igualzinho foi o tom épico e assombroso, que chega a tirar o fôlego em muitos momentos, inclusive no desfecho apocalíptico e pessimista. Em pelo menos duas ou três incríveis seqüências alguém deve ter se machucado, ou o cavalo ou o dublê. A gente sempre torce para que não seja o cavalinho... E por ser de 1970 sabe-se que aquilo é real (uau!), e não obra de GC! Acharam uma boa desculpa pra Charlton Heston tomar chá de sumiço boa parte do filme, sendo que há um novo piloto (fisicamente muito parecido) a ir parar no planeta dos símios que acham que são gente. Depois de se encantar com a belezura da Linda Harrison (novamente entra muda e sai calada) descobrirá uma estranha raça humana subterrânea adoradora da bomba atômica. Uma coisa que engana direitinho, é que Roddy McDowall aparece como Cornellius apenas em algumas cenas de arquivo,sendo na maior parte do tempo foi substituído por David Watson, ator especializado em produções televisivas. Além de o personagem ter menos importância aqui, debaixo de tanta maquiagem tanto faz...

De Volta ao Planeta dos Macacos – Beneath the Planet of the Apes

- EUA 1970 De Ted Post Com James Franciscus, Kim Hunter, Maurice Evans, Linda Harrison, Paul Richards, Charlton Heston, Victor Buono, James Gregory, Roddy McDowall 95’ Aventura


DVD- Lançado e relançado pela Fox das mais diversas maneiras, exatamente como todo e qualquer coisa de seu catálogo. Essa edição, ao contrário do primeiro duplo, tem como extras os trailers de todos da série cinematográfica, pouco texto e poucas fotos. É um porre só poder trocar legendas e áudio pelo menu, mas os menus animados estão bacanas.

Cotação:

4 de dezembro de 2008

Finis Homini (O Fim do Homem)

Juro que não lembrava da existência de Teresinha Sodré até ver este filme. Terezinha Sodré foi a Danielle Winits de seu tempo... Proibido pela censura de levar a diante sua trilogia do Zé do Caixão, o mestre José Mojica Marins saiu-se com esta história filosoficamente hilária de irresistível essência camp. Um cara misterioso (o próprio Mojica, quem mais?) sai completamente pelado do mar para espanto geral das pessoas com quem cruza. Claro, virará a São Paulo 70’s de cabeça pra baixo, fazendo inclusive deficientes físicos caminharem pelo susto. Alguns o acham louco, outros, bandido, e muitos outros um messias. A cada frase de efeito (involuntariamente engraçada) que diz, mais e mais fiéis vão lhe seguindo. Até os hippies liberais acreditarão estar diante do profeta máximo, enquanto que a polícia desconfia que a fama súbita tem relação com algum movimento político. Incrível como tanto improviso gerou uma produção coesa, e pra variar, é isto que coloca o cineasta como único em seu estilo no mundo. O roteiro é uma colcha de retalhos de pequenos contos o que lhe faz ser bem desigual até chegar ao (inacreditável) e desconcertante final. Interessante também o fato de que mesmo tão ingênuo mantenha uma mensagem inteligente e atual. Coisa de gênio!

Finis Homini (O Fim do Homem)

- Brasil 1971 De José Mojica Marins Com José Mojica Marins, Teresa Sodré, Roque Rodrigues, Rosângela Maldonado, Mario Lima, Andreia Bryan, Talulah Marilyn, Sabrina Marquezinha, Carlos Reichenbach, 79’ Suspense


DVD- Todos os seis filmes de Mojica lançados pela Cinemagia receberam o tratamento que nós sonhamos e eles merecem. Há uma batelada de extras distribuídos em confusos menus e submenus que devem nos proporcionar horas e horas de entretenimento. Principal destaque à faixa de comentários com o diretor, curta metragem Demônios e Maravilhas, trechos de filmes, textos, trailers, clips, áudios, história em quadrinhos digitalizada, etc.

Cotação:

29 de outubro de 2008

A Aldeia dos Amaldiçoados (1960)

Clássico da paranóia anticomunista, com suspense ainda intacto por mais estapafúrdio que seu argumento pareça. Numa cidadezinha inglesa, inexplicavelmente todos os habitantes caem no sono. Após alguns meses do fenômeno, as mulheres com idade madura para gerarem filhos aparecem grávidas. O impacto inicial da notícia, com maridos apostando na infidelidade das esposas, virgens assustadas, dá lugar à esperança graças ao natural amor familiar. Exames apontam se tratar de bebês normais que se desenvolvem com rara velocidade no útero. Super inteligentes, com cabelos muito claros, poderes paranormais, e sem nenhum sentimento, os pequenos especiais se reúnem num grupo fechado, e começam a atacar qualquer um que se meta em seu caminho. George Sanders, oscarizado por A Malvada (All About Eve, 1950) faz o pai do principal deles, um cientista que defende a proteção dos seres, já que em alguns outros países onde ocorreu o mesmo fato, os governos decidiram simplesmente varrê-los do mapa com o uso de armas nucleares. No elenco também há a musa do horror Barbara Shelley vivendo a doce esposa de Sanders. A produção modesta não atrapalha o argumento genuíno, e muito bem construído. Assim como todos os outros personagens, em momento algum se sabe o que são aquelas criaturas bizarras. Embora seja forte a suspeita de que sejam parte de experiência alienígena após se recusarem a responder se há vida inteligente em outros planetas. Quase uma unanimidade entre cinéfilos, continua inédito no mercado de home vídeo brasileiro, conhecido apenas por constantes reprises na TV. Gerou uma seqüência bem menos impactante e em 1995 um mal fadado remake pelas mãos de John Carpenter.

A Aldeia dos Amaldiçoados - Village of the Damned

- Inglaterra 1960 De Wolf Rilla Com George Sanders, Barbara Shelley, Martin Stephens, Michael Gwynn, Laurence Naismith, Richard Warner, Jenny Laird 77’ Horror/Ficção Científica


Cotação:

20 de setembro de 2008

Os Fantasmas se Divertem

Contado como comédia surreal do ponto de vista de fantasmas às voltas com os moradores vivos de sua casa, é antes de tudo um filme sobre costumes. A tradicional América perdendo espaço para a globalização dos hábitos, degeneração já bem avançada em Nova York. Tim Burton, praticamente em seu primeiro longa, voltaria inúmeras outras vezes ao mesmo tema. Das casinhas suburbanas, aos figurinos de Geena Davis e Alec Baldwin, tudo nos remete ao amado american way de outros tempos. O principal mérito é usar assuntos tão mórbidos e pesados com uma leveza ímpar. Ao final, nos sentimos tentados a olhar para almas penadas com muito mais respeito ao invés do medo costumeiro, embora isso não seja suficiente para que o desfecho conciliador faça algum sentido. Conseguiu bilheteria suficiente para que a mitologia gerasse um desenho animado, vídeo-game e uma há anos comentada seqüência que nunca apareceu. E lógico, credenciou o diretor para assinar Batman, divisor de águas no cinema da década de 90. Cada frame é a cara do cineasta, tanto nos efeitos óticos, ainda interessantes, quanto no visual. Se prestarmos atenção, até a cabeça de Jack Skellington aparece ornamentando o chapéu de Beetlejuice, sendo que o personagem só apareceria em O Estranho Mundo de Jack, que Burton produziu, quatro anos depois. Há também muitas regras engraçadas ditadas, como a que nós só enxergamos o óbvio e que suicidas invariavelmente tornam-se funcionários públicos no além! Sem esquecer a principal delas: Problemas com os vivos? Basta chamar três vezes: Beetlejuice! Beetlejuice! Beetlejuice!

Os Fantasmas se Divertem – Beetle Juice

- EUA 1988 De Tim Burton Com Michael Keaton, Geena Davis, Alec Baldwin, Catherine O'Hara, Winona Ryder, Glenn Shadix, Sylvia Sidney 92’ Comédia


DVD- Caquético e ainda por cima em tela cheia. Ficamos na torcida para que a Warner lance também no Brasil a mesma edição comemorativa dos 20 anos que está saindo nos EUA. Sem falar de As Grandes Aventuras de Pee-Wee que continua inédito em DVD aqui.

Cotação:

19 de setembro de 2008

Minority Report – A Nova Lei

Num futuro próximo, a polícia de uma grande cidade consegue controlar o número de crimes existentes a zero. Ela age antes graças ao uso de três videntes que prevêem os assassinatos a serem cometidos. Tudo vai bem e etéreo até que num belo dia, entre estas revelações, aparece o principal detetive mandando ao espaço um completo desconhecido. Caberá ao bom mocinho descobrir quem é o cara que ele irá apagar, por que, e de quebra fugir dos ex colegas, maluquinhos pra colocá-lo atrás das grades. Assim como Blade Runner, é baseado em história de Philip K. Dick, o que já é garantia de muitos subtextos sempre sobre o direito de escolhe, o ir e vir, etc e tal. Nas mãos de outro diretor seria um clássico tal e qual a obra de Ridley Scott de 1982, mas tristemente é Spielberg até o osso. Comprometido acima de tudo com o lucro da classe média americana, não há muito que pensar já que o filme é o mais explícito possível. Tão evidente que dá pra matar a charada logo nos primeiros 10 minutos, o que nos obriga assistir até o final feliz (ei, é Spielberg!) só pra gente dizer: “Eu sabia! Eu sabia!”. Fora isso temos, claro, sua costumeira fixação familiar, que pode até ficar bacaninha em comercial de margarina, mas em suas produções não raras vezes beira o sentimentalismo barato. Papai separado do filhinho, remoendo lembranças, choro... O esmero técnico também outra de suas marcas chama a atenção, embora nestes tempos de tecnologia barata e cada vez mais comum, o visual já está datado e vulgarmente cafona.

Minority Report – A Nova Lei
– Minority Report


- EUA 2002 De Steven Spielberg Com Tom Cruise, Max von Sydow, Steve Harris, Neal McDonough, Patrick Kilpatrick, Jessica Capshaw, Colin Farrell 148’ Ficção Científica


DVD - Como o diretor ainda não entendeu a lógica de um DVD, deixando seus lançamentos a cargo do estúdio que os entope de qualquer tranqueira, dá pra dispensar o duplo. Este simples tem menus muito poluídos de difícil uso. Achar um capítulo é quase trabalho para vidente! Pra piorar, não há nem o trailer, e trocar áudio só sendo obrigado a escaramuçar o tal menu e não pelo controle remoto.

Cotação:

5 de julho de 2008

O Expresso do Horror

Filme ruim muito bom! Climático, o tempo fez bem a ele. Começa como terror de monstro clássico, e na segunda metade vira suspense, com inúmeros personagens freaks vítimas em potencial. Destaca-se entre estes um monge com sede de poder de rivalizar com Rasputin suspeitíssimo! Ainda consegue incluir ficção científica, zumbis e espionagem, mas acredite, tanta mistura não o transformou em uma comédia involuntária. Pelo menos não tanto quanto aparenta. Nessa virada de gêneros, Christopher e Lee e o sempre grande Peter Cushing (Drácula e Van Helsing respectivamente da Hammer) ainda terão a oportunidade de superar a inimizade em prol da solução do mistério. A presença dos dois com diálogos espirituosos (“Nós monstros? Mas nós somos britânicos!”) já valeria à pena, mas a trama é interessante. No começo do século passado (perto da revolução russa) paleontólogo (Lee) embarca em trans-siberiano junto a misterioso fóssil que descobriu. Ao tentar arrombar o caixote que o transporta, famoso ladrão aparecerá assassinado, com os olhos brancos esbugalhados. A criatura tem o poder de absorver a mente de quem se aproxima, e claro, essa primeira morte vem bem a calhar para quem está preso. Toda a ação se passa dentro do claustrofóbico trem, o que faz com que não seja permitido a ninguém o desembarque ou embarque. Além, óbvio, de poupar recursos financeiros. Divertidíssimo, tem alguma violência gore explícita.

O Expresso do Horror – Horror Express

- Inglaterra/Espanha 1973 De Eugenio Martín Com Christopher Lee, Peter Cushing, Alberto de Mendoza, Silvia Tortosa, Julio Peña, Ángel del Pozo, Helga Liné, Alice Reinheart, Juan Olaguivel, Telly Savalas 87’Horror/Suspense


DVD - Lançado em VHS como Horror Express e em DVD duas vezes, pela London (WorksDVD) e a obscura Kives, é um desperdício com tantos filmes de horror do período simplesmente inéditos no Brasil. Pode-se colocar a culpa na falta de direitos autorais já que haveria uma disputa judicial envolvendo os herdeiros do produtor. Esta cópia (da Kives) manteve a arte igual na capa igual à lançada nos EUA, e sua metragem idem, com três minutos a menos. A imagem em widescreen apresenta alguns riscos, mas servem de charme pelo estilo da produção. Nesse sentido é legal não estar nítida demais, ou restaurada, preservando aquela cara trash 70’s, com fotografia desbotada. Os extras se resumem às gigantescas filmografias de Lee e Cushing.

Cotação:

17 de junho de 2008

Akira

Esta animação tornou-se Cult já em sua época de lançamento. Ao estrear no Brasil com 4 anos de defasagem estava consagrada no mudo inteiro. Ainda abriu o mercado para muitas outras produções japonesas e seu mangá original (na verdade uma tradução do colorizado norte americano) ganhou versão em português pela Editora Globo, tornando-se um dos primeiros quadrinhos do gênero aqui. É de enlouquecer qualquer garoto com suas gangues de motoqueiros rebeldes, drogas sintéticas, possessões e seitas apocalípticas em uma Tókio futurista. Claro que muito daquilo, o fundo político, por exemplo, é de difícil compreensão pelos mais jovens, mesmo assim, Akira é tão bem produzido que há motivos suficientes na tela para não se desgrudar do sofá. Estruturalmente temos o conflito clássico de dois amigos de infância que passam a se odiar junto a seu amadurecimento, a parte inovadora fica por conta da visão realista do futuro a partir dos rumos pessoais e governamentais que forem tomados. Sem um personagem central no comando da ação, Neo-Tokyo (Tókio após a 3ª Guerra Mundial) assume o lugar de cenário e protagonista, de aparência tão repelente e encantadora quanto a metrópole de Blade Runner. Se antes era Cult, não há como não bradá-lo como clássico, até porque, além de permanecer um espetáculo fantástico, pouca coisa tão elaborada surgiu em vinte anos. Com leves mudanças do mangá original muito bem costuradas, está em pé de igualdade com outras grandes ficções científicas, o que o faz ser reverenciado até por quem não tem o costume de assistir animações. Tanto tempo depois nos promove uma alegria saudosista, com muitos pontos melhor compreendidos agora, e também porque as TVs atuais, com áudio dividido em canais e a mídia DVD (com as vozes japonesas originais) dão a impressão de finalmente se conhecer a obra completa. A parte triste é que embora sonhássemos com isso, se descobre que nunca, nem de raspão, nos tornamos parecidos com Kaneda. E ficamos longe de ter uma moto tão bacana quanto à dele.

Akira – Akira

- Japão 1988 De Katsuhiro Ôtomo 124’ Animação/Ficção Científica


DVD - Uma das ausências mais sentidas em DVD parece ter valido a pena! A Focus o lançou em uma lata limitada cheia de “brindes” e extras em comemoração a seus 20 anos!!! Também comercializa o DVD simples em widescreen, o que é uma pena já que a maioria dos bônus (muito bons) está no outro disco, com a versão fullscreen. A embalagem especial contém os dois discos separados, sendo que o em tela cheia serve para mostrar a qualidade em que o filme foi comercializado no passado, e o outro totalmente restaurado. O que mais incomodava nas cópias em VHS era que só existiam dubladas em português, descartando o trabalhão que foi gravar as vozes em japonês antes dos desenhos serem feitos para a sincronia ser total. Os extras são muitos documentários sobre cada passo de sua feitura, entrevista com Ôtomo, videoclipe, Trailers, spots de TV, glossário interativo, storyboards, e no fim deles uma fantástica galeria com pôsteres, desenhos, acetatos, capas do mangá de vários países, inclusive do Brasil, e capas da trilha sonora, LCD, VHS, etc. Ah sim, e as aberturas antigas de He-Man, She-Ra, O Elo Perdido e a Flauta Mágica. Tudo legendado! Os “brindes” são dois cartões, camiseta tamanho G e pôster gigante com a arte moderna. Detalhe que a imagem dele é a mesma usada na capa do DVD widescreen, sendo que no outro optaram inteligentemente pelo desenho do Kaneda conforme era no VHS. As únicas coisas ruins, mas muito ruins, são áudio e legendas não puderem ser trocados durante o filme e 4 (!!!) anúncios antipirataria toda vez que se inicia a película. Se voltarmos ao menu de áudio durante o filme, ao retornarmos volta-se ao inicio, e somos obrigados a ver os anúncios de novo, e eles não podem ser pulados, retrocedidos pausados nem nada! A dica é usar o menu de capítulos.

Cotação:

8 de abril de 2008

Prelúdio Para Matar

Argento se despedia dos giallos simplesmente com uma obra prima. De estética gráfica fabulosa, manteve o mesmo empenho na maquiavélica trama de violentos assassinatos. Há várias pistas, algumas reais, outras apenas para nos ludibriar, mas sempre coerente. Não é daqueles filmes onde no fim descobre-se o culpado, sendo que isso tanto fazia, poderia ser o leiteiro assim como a freirinha histérica... Inclusive, e isto é realmente uma ousadia, é possível vislumbrar a face do criminoso logo na primeira morte. Portanto, olho vivo! A trilha sonora psicodélica e doce da banda Goblin contrasta tenebrosamente com todo aquele sangue vermelho fosforesceste, e é também digna de se ter na coleção. Ao testemunhar crime brutal de uma parapsicóloga, pianista inglês vê-se envolvido com serial killer que pode ser qualquer um à sua volta. Como os policiais são uns bananas, arregaça as mangas e vai ele mesmo tentar desvendar porque e quem estará por traz de tanta brutalidade ao som de uma cantiga de ninar. Seguindo à risca o estilo dos livros policiais vendidos a preços populares na Itália, e que por terem capas amarelas ganharam o apelido de giallo, Argento demonstra um controle técnico beirando o doentio, seja visualmente quanto no roteiro. O diretor, merecedor do título de mestre, toca em vários assuntos que usaria em seus próximos trabalhos, como os poderes telepáticos dos insetos, e a sobrenaturalidade, tema de todas as suas películas a partir de Suspiria. Nada está ali à toa e por mais elaborado não deixa de ser extremamente popular. Assim como os melhores de Hitchcock que, aliás, teria dito brincando com as comparações, após assistir Prelúdio Para Matar: “Este jovem italiano está começando a me preocupar”.

Prelúdio Para Matar – Profondo Rosso/Deep Reed

- Itália 1975 De Dario Argento Com David Hemmings, Daria Nicolodi, Gabriele Lavia, Clara Calamai, Macha Méril, Giuliana Calandra 126’ Suspense/Policial


DVD - Versão estendida com duas horas e tralalá, widescreen, de fazer até a polêmica edição norte-americana ficar verde de inveja! Mas nem tudo são flores! Ele lamentavelmente tem um defeito grave com o áudio que fica oscilando entre italiano e inglês, sendo que quando está em italiano não há legendas! Isso por muito tempo a ponto de irritar... Claro, que com um pouco de boa vontade se consegue entender, mas é uma pena mesmo assim.

Cotação:

28 de março de 2008

A Fúria

Brian DePalma ainda colhia os louros de Carrie, a garota que literalmente não levava desaforo pra casa, quando topou mais esta incursão no mundo dos adolescentes paranormais. É o prato cheio para o diretor exibir todos os seus maneirismos de câmera, narrativos, o aclamado hitchcockianismo, além de inúmeros recursos técnicos. Resultou num banho de sangue, violência e certo corre-corre policial, sem sombra de dúvida inferior ao outro, mas ser inferior a uma obra prima não desmerece filme algum! O fim da década de 70, começo dos 80 gerou interesse nas possibilidades cerebrais, talvez pelo uso da maconha, LSD e adjacências. Uri Geller entortando talheres na TV é uma celebridade iconográfica do período. Além do tema, temos novamente Amy Irving, só que desta vez é ela quem tem o poder! Boazinha (tem o estereotipo de colega CDF da classe) colocará suas habilidades a serviço de um pai desesperado na busca pelo filho também paranormal. O seqüestrador só podia ser John Cassavetes! Nosso gerador do coisa-ruim favorito pertenceria (isto fica relativamente confuso) a uma repartição do governo que estuda tais fenômenos. Uma conotação interessante do roteiro, a quem já observou a relação entre adolescentes e familiares, é que fora dos olhos dos mais velhos costumam ter atitudes diferentes. Quase sempre os anjinhos dos papais não são tão anjinhos assim na rua. Kirk Douglas nunca tinha pensado nisso. Tem pai que é cego!

A Fúria – The Fury

- EUA 1978 De Brian DePalma Com Kirk Douglas, Amy Irving, John Cassavetes, Charles Durning, Carrie Snodgress, Fiona Lewis 118’ Suspense


DVD - O Menu estático nos leva até o trailer original que não deve ser assistido antes do filme! O final é absurdamente revelado ali... Ainda há galeria com pôsteres psicodélicos de muitos países, além de imagens de divulgação e lob cards.

Cotação:

9 de fevereiro de 2008

O Cérebro Que Não Queria Morrer

O suplicio dos filmes B é que para cada idéia estúpida e divertida há que se agüentar muito texto maçante. Para cada lagosta vinda do espaço sideral há páginas e páginas de diálogos suprindo o que os recursos financeiros não possibilitaram fazer. Poucos minutos tornam-se longas horas! Não é de forma alguma o caso deste abacaxi cinematográfico que deveria vir estampado na capinha “Gargalhadas involuntárias garantidas ou seu dinheiro de volta!”. O absurdo começa pelo título já que a beldade, que terá sua cabeça mantida numa bandeja pelo noivo médico, não faz outra coisa a não ser pedir pra morrer... Quando acontece o acidente logo no inicio, o carinha (brincando de ser Deus, já que só um louco pensaria em transplantes de órgãos!!!) entra (em partes já que não se vê carro nenhum acidentado) em meio às chamas e pega a cabeça entre as chamas, sem serrote, sem força, nem nada. Simplesmente enrola no casaco e sai correndo. Os créditos também são divertidos com aquele monte de desconhecidos com sobrenomes parecidos aos de astros hollywoodianos. Ou além disso, como no caso de Bonnie Sharie, a loira stripper que dá porrada (!!!) numa morena que se mete a besta com o macho dela, com aparência de Marilyn Monroe! A propósito, a busca pelo corpo ideal para transplantar a cabeça faz com que o vilão vá atrás de muita mulher bonita em trajes sumários. Mal sabe, que enquanto isso sua amada, insatisfeita por viver numa espécie de tabuleiro de bolo, cria poderes telepáticos chegando a se comunicar com um monstro que está preso no armário. Lixo clássico da melhor espécie! O filme, e a criatura em si...

O Cérebro Que Não Queria Morrer – The Brain That Wouldn't Die
- EUA 1962 De Joseph Green Com Jason Evers, Virginia Leith, Adele Lamont, Bonnie Sharie, Paula Maurice, Marilyn Hanold 82’ Ficção Científica


DVD - Belezinha lançado por uma tal Fantasy Music na coleção Sessão da Meia Noite. No mesmo disco vem A Besta da Caverna Assombrada. Ele é facilmente encontrado para baixar em sites de filmes de domínio público, mas o disco custa tão pouco, e vem com legendas, menu animado (com som de teremim!!!), trailers (dos filmes e da Pequena Loja de Horrores de Roger Corman), que simplesmente o download não compensa!

Cotação:

6 de dezembro de 2007

Scanners – Sua Mente Pode Destruir

Gêneros cinematográfico vivem de ciclos, e isto parece ser mais claro nos fantásticos ou horror. De monstros a ameaças nucleares, descambando na década de 60 à presença do diabo entre nós (só ele poderia ser o causador de tamanhas transformações) e depois ainda vieram os perigos dos poderes mentais... Sempre acompanhando as preocupações e/ou anseios sociais, como tudo que se preze comercial. Este David Cronenberg, o seu primeiro sucesso internacional, então seria um filhotinho da Carrie, A Estranha. O “capeta” de antes se tornou justificado psicologicamente. Aliás, esta fonte de mal bíblica (O Bebê de Rosemary, A Profecia, O Exorcista) teria sido fruto não só dos excessos da contracultura da época, mas um desdobramento dos assassinos perturbados mentalmente como Norma Bates em Psicose? Assim, antropofagicamente, os títulos vão se alimentando uns dos outros em busca do que é comum ao medo de cada período tendo como principal termômetro o sucesso de bilheteria. De qualquer forma, Scanners continua fresco e divertido. Mesmo batidíssimo em inúmeras exibições na TV e VHS!!! Começa como um filme de detetive futurista num shopping Center dando lugar a uma história de falsas aparências com suspense e horror. Seus efeitos especiais mecânicos ainda são impressionantes e nojentos. Absolutamente 80’s e atemporal, encontrei desta vez muitas semelhanças ao famoso animé de 1995 Ghost In The Shell (ou O Fantasma do Futuro). Oh! Que por acaso é citado como uma das principais referências na criação de Matrix. 15 anos antes os parapsicólogos canadenses já entravam num sistema de computador usando uma cabine telefônica e, acho a principal delas, o uso dos caracteres verdes tipicamente digitais para se mostrar os créditos. Que seja só mais um motivo para você rever esta preciosidade, além das melhores cabeças explosivas do cinema!

Scanners – Sua Mente Pode Destruir - Scanners
- Canadá 1981 De David Cronenberg Com Stephen Lack, Jennifer O’Neill, Michael Ironside 102’ Terror


DVD - Menuzinho animado com cenas do filme e algum texto. Não sabia que a atriz Jennifer O’Neill era carioca... A imagem (Letter Box) está relativamente boa ao contrário do áudio, que a capa diz ser 2.0, mas parece mono. Ainda há uma certa falta de sincronia do som, mas pesquisando na net há reclamações no mundo todo, portanto não deve ser culpa da distribuidora brasileira.

Cotação: