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5 de novembro de 2008

Planeta Terror

Faz tempo que Robert Rodrigues superou o rótulo de malucão criativo de plantão em Hollywood. Seus filmes recentes (para quem entrar na brincadeira!) continuam a ser tresloucados passatempos de uma mente transbordando de criatividade, mas também obras inteligentes, divertidas e bem acabadas. Quando pouco, valem como uma volta numa roda gigante, podem não adicionar absolutamente nada, mas o tempo gasto com elas nos fez esquecer em que mundo se vive. Não é o caso deste Planeta Terror, onde (se descontarmos Sin City, que partia de uma idéia não original) o diretor entrega sua melhor produção, não só como entretenimento de primeira linha, mas de substancia artística muito acima da média. Criado como segmento no projeto Grindhouse ( a parte de Tarantino continua inédita comercialmente no Brasil), e lançado separadamente nos outros países, o roteiro expõe um desfile de personagens tão bizarros quanto ricos sem perder a conectividade. Lamenta-se que a casca de porcaria pop consciente e fresca não é absorvida pela inteligência mediana que sempre leva tudo tão a sério, o que explica o assustador fracasso financeiro do projeto. Se tivesse conseguido nas bilheterias o que merece, dava pra torcer por continuações, ou qualquer subproduto que explorasse este universo. Parece que pelo menos o trailer fake que o abre, Machete, será transformado em filme mesmo. Muito fresco e inspirador, já nasce Cult. Aquele tipo raro que se assiste infinitas vezes na vida e ao ouvir a feliz trilha sonora (também de Rodriguez) vai se imaginando a que cena pertence. Se há um porém, os rabiscos da imagem para reproduzir uma velha película de zumbi não funcionam da mesma forma em DVD como na sala de cinema, porque duvidosamente algum filme sairia digitalmente com tantas falhas.

Planeta Terror – Planet Terror

- EUA 2007 De Robert Rodriguez Com Rose McGowan, Freddy Rodríguez, Josh Brolin, Marley Shelton, Jeff Fahey, Michael Biehn, Bruce Willis, Stacy Ferguson, Hung Nguyen 105’ Horror


DVD - Bons tempos aqueles da Columbia em que Robert Rodriguez cuidava de seus lançamentos digitais os entupindo de extras. A Europa o está comercializando com uma roupinha de gala, duplo coisa e tal, mas seu miolo é bem pobrinho. Não indica por exemplo se é a versão exibida nos cinemas ou a X-rated comercializada em DVD nos EUA. Aliás, não indica a duração na embalagem. A arte da luvinha de papelão reproduzindo o estilo de pôster antigo já utilizado pelo material promocional está bonita, mas seus extras são só algumas entrevistas curtas e picadas, making of sem edição , trailers e texto. Como outros da distribuidora, vem com versão mp4 pra se assistir em mídias portáteis como se isso fosse grande coisa. O único diferencial bacana é o teaser brasileiro, item que raramente DVDs trazem.

Cotação:

1 de julho de 2008

Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos

Nem tão podreira quanto as produções anteriores, nem tão calculado quanto as posteriores, a obra máxima de Pedro Almodóvar. Com roteiro mirabolante, chamou a atenção do mundo a ponto de criar um estilo, um cinema embebido em referências do que há de mais ridículo na cultura popular, cheia de emoções baratas. Entrou ao seleto grupo de diretores que tiveram seu nome transformado em sinônimo. Ao comentar este filme, a sisuda crítica Pauline Kael o descreveu como “o diretor-roteirista mais original da década de 80, um Godard com rosto humano e alegre”. Carmen Maura é Pepa, atriz televisiva que na ruína de seu relacionamento se mete num enredo rocambolesco, cheio de coincidências absurdas típicas de literatura vagabunda e das comédias lunáticas estreladas por Cary Grant e Katharine Hepburn nos anos 30. Quanto mais a trama se complica, mais vira um espetáculo engraçado e ímpar. Almodóvar jamais conseguiu resultado tão bem acabado e de sabor tão fresco novamente, tentando em suas duas produções seguintes (Atame! e Kika) uma mal sucedida consagração de formula. Com uma carreira singular, cheia de êxitos (hoje em dia fora do circuito cult), já demonstrava há duas décadas o hábito de fazer com que seus trabalhos dialogassem entre si. Como se os 16 longas-metragens fossem um novelão latino que nos obriga a torcer para não acabar nunca, tal e qual a fã mais tresloucada de Dallas. Este Mulheres, por exemplo, tem pinceladas de A Voz Humana de Jean Cocteu, não por acaso a peça que o transexual Tina (também Carmen Maura) interpreta na peça dentro de A Lei do Desejo, sua película anterior. Aqui fica evidente a importância do Oscar além de starlets exibirem seus vestidos: Serve para dar visibilidade a trabalhos de outros países, embora não faça milagres. Indicado a filme estrangeiro na festa da Academida de 89, perdeu (!!!) para Pelle, O Conquistador, um daqueles com criancinhas sofredoras. Exatos 20 anos depois, não terá muita graça comparar a carreira do espanhol com a de Billie August...

Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos – Mujeres al borde de un ataque de nervios

- Espanha 1988 De Pedro Almodóvar Com Carmen Maura, Antonio Banderas, Julieta Serrano, María Barranco, Rossy de Palma, Kiti Manver, Fernando Guillén 90’ Comédia


DVD - A MGM/Fox o distribuiu no mercado brasileiro em minúscula tiragem sozinho e depois numa caixa, que também se evaporou das lojas. Muito pobrinho e limitado perto do que o filme sugere. Com menus estáticos sem graça, tem como único extra um trailer. Mas nem é o original, e sim o do mercado americano o anunciando como se fosse algo vindo de Marte.

Cotação:

17 de junho de 2008

Akira

Esta animação tornou-se Cult já em sua época de lançamento. Ao estrear no Brasil com 4 anos de defasagem estava consagrada no mudo inteiro. Ainda abriu o mercado para muitas outras produções japonesas e seu mangá original (na verdade uma tradução do colorizado norte americano) ganhou versão em português pela Editora Globo, tornando-se um dos primeiros quadrinhos do gênero aqui. É de enlouquecer qualquer garoto com suas gangues de motoqueiros rebeldes, drogas sintéticas, possessões e seitas apocalípticas em uma Tókio futurista. Claro que muito daquilo, o fundo político, por exemplo, é de difícil compreensão pelos mais jovens, mesmo assim, Akira é tão bem produzido que há motivos suficientes na tela para não se desgrudar do sofá. Estruturalmente temos o conflito clássico de dois amigos de infância que passam a se odiar junto a seu amadurecimento, a parte inovadora fica por conta da visão realista do futuro a partir dos rumos pessoais e governamentais que forem tomados. Sem um personagem central no comando da ação, Neo-Tokyo (Tókio após a 3ª Guerra Mundial) assume o lugar de cenário e protagonista, de aparência tão repelente e encantadora quanto a metrópole de Blade Runner. Se antes era Cult, não há como não bradá-lo como clássico, até porque, além de permanecer um espetáculo fantástico, pouca coisa tão elaborada surgiu em vinte anos. Com leves mudanças do mangá original muito bem costuradas, está em pé de igualdade com outras grandes ficções científicas, o que o faz ser reverenciado até por quem não tem o costume de assistir animações. Tanto tempo depois nos promove uma alegria saudosista, com muitos pontos melhor compreendidos agora, e também porque as TVs atuais, com áudio dividido em canais e a mídia DVD (com as vozes japonesas originais) dão a impressão de finalmente se conhecer a obra completa. A parte triste é que embora sonhássemos com isso, se descobre que nunca, nem de raspão, nos tornamos parecidos com Kaneda. E ficamos longe de ter uma moto tão bacana quanto à dele.

Akira – Akira

- Japão 1988 De Katsuhiro Ôtomo 124’ Animação/Ficção Científica


DVD - Uma das ausências mais sentidas em DVD parece ter valido a pena! A Focus o lançou em uma lata limitada cheia de “brindes” e extras em comemoração a seus 20 anos!!! Também comercializa o DVD simples em widescreen, o que é uma pena já que a maioria dos bônus (muito bons) está no outro disco, com a versão fullscreen. A embalagem especial contém os dois discos separados, sendo que o em tela cheia serve para mostrar a qualidade em que o filme foi comercializado no passado, e o outro totalmente restaurado. O que mais incomodava nas cópias em VHS era que só existiam dubladas em português, descartando o trabalhão que foi gravar as vozes em japonês antes dos desenhos serem feitos para a sincronia ser total. Os extras são muitos documentários sobre cada passo de sua feitura, entrevista com Ôtomo, videoclipe, Trailers, spots de TV, glossário interativo, storyboards, e no fim deles uma fantástica galeria com pôsteres, desenhos, acetatos, capas do mangá de vários países, inclusive do Brasil, e capas da trilha sonora, LCD, VHS, etc. Ah sim, e as aberturas antigas de He-Man, She-Ra, O Elo Perdido e a Flauta Mágica. Tudo legendado! Os “brindes” são dois cartões, camiseta tamanho G e pôster gigante com a arte moderna. Detalhe que a imagem dele é a mesma usada na capa do DVD widescreen, sendo que no outro optaram inteligentemente pelo desenho do Kaneda conforme era no VHS. As únicas coisas ruins, mas muito ruins, são áudio e legendas não puderem ser trocados durante o filme e 4 (!!!) anúncios antipirataria toda vez que se inicia a película. Se voltarmos ao menu de áudio durante o filme, ao retornarmos volta-se ao inicio, e somos obrigados a ver os anúncios de novo, e eles não podem ser pulados, retrocedidos pausados nem nada! A dica é usar o menu de capítulos.

Cotação:

17 de maio de 2008

Batman

Parece que foi ontem que para onde se olhava tinha um logo do Batman estampado! Assim, por fórceps, mesmo com roteiro frouxo, tornou-se retumbante sucesso abrindo caminho para a infinita série de filmes com heróis dos quadrinhos. Lamentavelmente mostrou o caminho das pedras aos grandes estúdios. De lá pra cá, qualquer coisa antes impressa tem ganhado a tela grande e se não estouram na bilheteria têm suas despesas compensadas vendendo absolutamente qualquer traquitana. Star Wars promoveu algo semelhante uns dez anos antes, mas o marketing de personagens já conhecidos é mais implacável. Americano é tão esperto que lucra até vendendo propaganda... Extremamente fiel às suas origens como nunca havia sido produzido com o personagem criado por Bob Kane no fim dos 30, surgiu como aposta da Warner em levar às platéias modernas um pouco das aventuras dos heróis daquele período. Seguiu, portanto a tendência bem sucedida de Indiana Jones. Tanto pioneirismo derivou uma inegável carência de ousadia em muitos pontos. Essa timidez (mercadológica) promoveu desigualdade não só na trama, mas nas interpretações. Cada ator está em seu Batman, levando a melhor, como bem se sabe, Jack Nicholson e seu endiabrado Coringa. Por mais gótica que Gotham City seja, podemos ver claramente personagens vestidos de forma vulgar a lá Madonna daquela época. Essas indecisões todas podem ter dado incômoda desigualdade, mas são perdoáveis se encaradas como laboratório ao próximo trabalho com o Cavaleiro das Trevas. Tim Burton estava mais confiante para Batman Returns, ainda o melhor Batman de todos os tempos.

Batman – Batman

- EUA 1989 De Tim Burton com Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Basinger, Billy Dee Williams, Jack Palance, Lee Wallace, Jerry Hall 126’ Ação


DVD - Não é um DVD, mas uma peça preciosa de colecionadores. Horas a fio de extras no segundo disco fazem dele item indispensável. Pra se ter uma idéia, há depoimentos atuais de todos os envolvidos no projeto, inclusive Sean Young. Ela lamenta ter sido obrigada a desistir do trabalho semanas antes de começarem a rodar, abrindo vaga para Basinger. Ainda incontáveis estudiosos de quadrinhos explicam ano a ano a trajetória de Batman e três clips de Prince para o filme. É de chorar um produto tão bem acabado e sem legendas justo na faixa de comentários de Tim Burton!

Cotação:

9 de maio de 2008

Os Ritos Satânicos de Drácula

O clima trash dos anos 70 é sem sombra de dúvida o que tem de melhor. Indo vertiginosamente pro buraco, a Hammer Films tentou de todas as formas continuar a interessar as platéias modernas, a essa altura embasbacada com o horror psicológico ou demoníaco como O Bebê de Rosemary, O Exorcista ou A Profecia. Foi do jeito mais óbvio e errado possível, colocando o Conde Drácula nos dias atuais. Longe de seu castelo medieval se disfarça como presidente de multinacional no comando de poderosa seita. Suas intenções são igualmente estúpidas: Reúne um monte de cientistas e empresários gananciosos para criar um vírus super poderoso que irá acabar com o planeta. Tudo isso porque simplesmente cansou de viver e quer enfim descansar... Sim, a eternidade é chata até para o ele! Isso tudo ao som de rock progressivo, garotas de peruca e cílios postiços e os rapazes de costeletas avantajadas. O charme habitual da produtora inglesa ainda se consegue manter intacto tendo Peter Cushing encarnando pela última vez o implacável Van Helsing ao lado de Christopher Lee. Os dois sempre são a garantia de pedigree que não pode faltar em qualquer DVDteca que se preze. A mocinha Jessica Van Helsing, neta do caçador, é a atriz Joanna Lumley em começo de carreira, famosa como a Patsy do seriado Absolutely Fabulous.

Os Ritos Satânicos de Drácula – The Satanic Rites of Dracula

- Inglaterra 1974 De Alan Gibson com Christopher Lee, Peter Cushing, Joanna Lumley, Richard Vernon, Barbara Yu Ling, Richard Mathews, Patrick Barr 90’ Horror


DVD - Caprichada edição da Works DVD (sempre ela!) com menus climáticos e o filme com ótima imagem widescreen. De bônus, algum texto e dois trailers, americano e inglês. O que é sempre engraçado perceber o quão mais dããã são os para a Terra do Tio Sam.

Cotação:

3 de maio de 2008

Homem de Ferro

Quando perguntado qual o segredo para se fazer um bom filme, Billy Wilder não se fez de rogado: “Não aborrecer!”. Esta regrinha (aparentemente) tão simples foi esquecida em Homem de Ferro, que mais parece enredo de escola de samba retirado dos arquivos do Museu do Ipiranga. Sabe? Pra Leci Brandão falar “Olha lá os cavalos do Imperador!!!”, “Grande dona Zizinha!”, “Sim, naquele tempo era assim mesmo”... Ou seja, um monte de clichês de filmes de heróis de quadrinhos mostrados de forma caretinha por mais de duas horas que parecem quatro! Bocejos, bocejos e bocejos... Pra compensar alguns minutos de efeitos digitais, há um interminável blablablá que envolve oriente médio, armas, e um óbvio traidor em meio às empresas do magnata literalmente durão. Falando em efeitos especiais, o povo do George Lucas na Industrial Light & Magic deu uma boa cochilada. Achando, provavelmente, que bastava dar uma enroladinha pra caprichar na luta final dos robôs em meio ao trânsito (alô Transformers?) nem se deu ao trabalho de apagar alguns cabos de aço que sustentam o ator principal numa cena. Com elenco que parece ser depósito de decadentes hollywoodianos, Robert Downey Jr. está longe de convencer como gênio científico, e a desculpa de que por ter tido um passado, por assim dizer, tumultuado, ajudou na sua escolha é conversinha pra boi dormir. Num roteiro tão raso até o Tião Macalé podia estar ali que não faria diferença. Mas veja bem, sem ele praticamente não haveria nada já que o povão presente à sala parecia ter o adorado. Esborrachavam-se de rir a cada piadinha, daquelas piadinhas toscas que heróis de ação americanos costumam fazer. Deve se tornar um sucesso, principalmente pela química dele com Paltrow com seu sotaque nova-yorkino em dia. Mas é pouco pra o que se espera que seja cinema.

Homem de Ferro – Iron Man

- EUA 2008 De Jon Favreau com Robert Downey Jr., Terrence Howard, Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow, Leslie Bibb, Faran Tahir 126’ Ação


*** Em cartaz ***

Cotação:

23 de março de 2008

Terra dos Mortos

Poucos diretores, a exemplo de George Romero, criaram um gênero. Ou, como preferir, tomou pra si, já que zumbi em filme não começou em 1967 com o inigualável Night of the Living Dead. Mas foi ele a partir dali que delineou este subgênero para todo o sempre. E por isso que está tão à vontade na hora de comandar as figuras pútridas que aparecem. Interessante que desde seu primeiro trabalho tais criaturas vêm evoluindo, como se fizessem parte de uma seqüência, mesmo com tramas distintas. Se calcularmos que faz 41 anos que dirigiu o primeiro, tal feito os transforma talvez na série mais duradoura da história do cinema. E sem descambar na má qualidade. Mas justiça seja dita, não são só os mortos que evoluíram, seu talento o transforma em cineasta de primeira grandeza não só no Horror, já que isto parece desmerecê-lo. A sacada é que não há monstro mais condizente com os dias de hoje do que zumbi! Vai-se ao supermercado, ônibus urbano, no trabalho, em todos os lugares e lá estão eles!! Babando, cambaleando... E pior do que eles é toda uma escória felizmente com mais dinheiro que tenta se proteger, de todas as formas possíveis. Que tal espetáculos luminosos para distraí-los? Funcionando até certo ponto, porque pra tudo nesta terra de vivos e mortos há um limite. Terra dos Mortos só escorrega porque toma esta contenda política/social muito mais a sério. É um filme com discussões de poder com mortos vivos fazendo parte apenas do cenário.

Terra dos Mortos – Land of the Dead

- EUA 2005 De George A. Romero Com Simon Baker, John Leguizamo, Asia Argento, Dennis Hopper, Robert Joy, Jennifer Baxter, Boyd Banks 97’ Horror


DVD - Fantástica “caixa” contendo 3 dos principais filmes de zumbi da atualidade! Terra dos Mortos, o remake de Madrugada dos Mortos e o inglês Todo Mundo Quase Morto. Diferente de outras coleções, quando o fato de serem vendidos junto os faz estranhamente custarem mais, esta causa valores míseros para cada. Na contracapa há apenas informações técnicas habituais e nada sobre se tem extras ou não. Na verdade são os mesmos discos vendidos antes pela Universal, com o material bônus inclusive. Terra dos Mortos (embora não haja registro na embalagem) está na versão integral do diretor, com 97 minutos, faixa de comentário, vários documentários, etc. Tudo devidamente legendado na nossa língua! Chuchu beleza!

Cotação:

28 de novembro de 2005

Cecil Bem Demente


Cecil B. Demented só chegou às minhas mãos depois de 5 anos de lançamento. Há dois meses A Dirty Shame (o mais recente John Waters) ganhou o título de O Clube dos Pervertidos e saiu diretamente em vídeo. Já o viu em algum lugar? O humor em Cecil veio logo na compra: Blockbuster! Da mesma forma que achei surreal demais comprar ingressos para ver um Tim Burton das mãos de uma anãzinha de braços felpudos, este veio inesperadamente do reino dos filmes "família". "Família é eufemismo para censura!", brada um dos personagens a certa altura. Pronto! Tornou-se meu atual filme de cabeceira. Um dos hits de minha filmoteca visto e revisto, com a trilha sonora (com Moby!) martelando a toda hora! O melhor Waters desde Polyester (1982), pode ter certeza. E o mais bizarro (como se houvesse poucas coisas bizarras na filmografia dele) é que é uma espécie de retrocesso na carreira. Sabe quando você abre um jornal ou um destes portais de notícias e lê que o novo Almodóvar é o filme mais maduro de sua carreira e sente um frio na espinha? E isso a gente lê quase sempre, né? Pois é, este é exatamente o contrário, tecnicamente falando. O diretor inclusive usa o arcaico recurso de tela dividida em duas quando os personagens estão ao telefone. Não há novidades em enquadramentos e a fotografia não é mais a "chapada" e comercial dos seus anteriores como Mamãe é de Morte ou Cry Baby, sendo muitas vezes até bem ruim. O plot é um primor do óbvio, mas pra lá de bem resolvido. Cineasta adolescente underground, junto com sua gangue, seqüestra famosa atriz de Hollywood para obrigá-la a estrelar seu filme classe Z. Exatos 50 anos depois de Billy Wilder gerar a obra-prima Crepúsculo dos Deuses (você TEM que ver este!) cuspindo na cara da burguesia hollywoodiana, Waters bebe na mesma fonte, fazendo talvez o melhor filme sobre filmes desde que Norma Desmond se declarou pronta para seu close up!!! Ah, e como queria também bater boca com velhinhas comedoras de jujuba saindo de uma seção da versão autoral de Patch Adams, ou ameaçar aquele diretor que fez aquela versão americana horrível daquele filme europeu maravilhoso! Melanie Griffith, com vozinha da Madonna cinematográfica que conhecemos tão bem, não poderia estar melhor. Arrogante, vil, e depois a indefesa mártir e diva do bom cinema, seja ele qual for. Claro que se você morre de rir assistindo a versões cinematográficas de programas de TV lançados pela hedionda Globo Filmes, não assista este filme, nem tampouco nenhum outro do diretor. Aliás, vá se tratar! De resto, entre no espírito natalino, saiba o que é uma pilha humana, aprenda a cantar jingle balls, jingle balls... E grite: Morte ao cinema ruim!

Cecil Bem Demente (Cecil B. Demented)
- EUA 2000 De John Waters com Melanie Griffith, Stephen Dorf, Alicia Witt, Mink Stole, Ricki Lake 88' Comédia

DVD - Caretinha (como todos os lançamentos da Europa Carat), mas visivelmente esforçado para se tornar uma edição boa. Menus ok, e nos extras dois trailers bacanas pra chuchu e um longo especial com Waters feito para o canal Comedy Central, que pode não ser a 8ª maravilha, mas iria correr gravar se visse na TV e ainda só houvesse VHS na parada.

IMDB: http://us.imdb.com/title/tt0173716/

Cotação: