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31 de março de 2008

A Serpente

Produzido a toque de caixa pela Hammer, praticamente simultaneo a Epidemia de Zumbis. Ambos possuem, não só o mesmo diretor, mas parte do elenco, cenários e figurinos. Sabendo disto, e ainda por cima vendo a máscara de papel maché que o tal réptil usa, não seria de se estranhar que não lhe levassem a sério. Mas as aparências enganam! Baseado em um livro pouco conhecido de Bram Stoker, trata-se na verdade de um competente filme de monstros, com eficiente suspense e mistério. De clima perfeito envolvendo mitológicas seitas, e até certo discurso antiimperialista, tanto não se sabe quem será a próxima vítima, nem quem ou o que está por traz de terríveis mortes até os momentos finais. Ao receber a noticia do falecimento de seu irmão de forma anormal, jovem médico decide investigar por conta própria mudando-se para a cidadezinha com sua esposa a tira colo. Embora todos neguem, há algumas outras mortes acontecendo do mesmo jeito, enquanto um milionário excêntrico e sua filha (Jacqueline Pearce cult!) tentam abafar os casos com ajuda de um étnico mordomo, suspeito até os ossos. Serviu de sessão B para Rasputin, The Mad Monk, o que faz com que suas qualidades sejam mais notáveis.

A Serpente – The Reptile

- Inglaterra 1966 De John Gilling Com Noel Willman, Jennifer Daniel, Ray Barrett, Jacqueline Pearce, Michael Ripper, John Laurie, Marne Maitland 91’ Horror


DVD - O resumo na contracapa está totalmente errado! Só por curiosidade, deixe o filme até depois dos créditos finais, e você verá o menu principal da edição em iglês que foi usada para esta copia lançada no Brasil. Hilário o combo trailer de The Reptile e Rasputin The Mad Monk, com narração caricata e a promessa de brindar todos os presentes ao cinema com barbas de monge!

Cotação:

18 de março de 2008

Drácula, O Príncipe das Trevas

O melhor ainda estava por vir, quando em 1958 a Hammer resolveu dar novo fôlego à obra de Bram Stoker com O Vampiro da Noite (Horror of Dracula). Passada quase uma década, Terence Fisher estava muito mais à vontade para comandar Christopher Lee como o temível conde. Como resultado não menos que o melhor filme do estúdio inglês com o personagem, mais sombrio e literalmente sanguinolento. Mesmo com personagens diferentes (no nome) é mais fiel em sua essência ao romance gótico que o anterior. Van Helsing, por exemplo, tornou-se um frei desvairado que enche a cara de vinho e esquenta a bunda na primeira lareira que vê pela frente! Dessa forma, a sutil auto-paródia ganha contornos macabros como a recatada personagem de Barbara Shelley que se tornará uma vampira do gênero rameira dos infernos. Ajudou a atriz a se tornar uma das principais scream girls, sendo a “vítima” na cerimônia inquisitória mostrada no filme. Com pernas e braços agarrados por monges, trajando uma camisola esvoaçante, tentará resistir até levar uma bela e fatal estaca no peito! Mais clássico impossível! Drácula, o rei da festa, envolve informações contraditórias a respeito da produção. Christopher Lee conta (inclusive no documentário As Várias Faces de Cristopher Lee) que se recusou a falar qualquer frase porque achou ridículo seu tom apocalíptico. O roteirista Jimmy Sangster jura de pés juntos que nunca houve no roteiro uma linha se quer de texto para ele!

Drácula, O Príncipe das Trevas – Dracula Prince of Darkness

- Inglaterra 1966 De Terence Fisher Com Christopher Lee, Barbara Shelley, Andrew Keir, Francis Matthews, Suzan Farmer, Charles 'Bud' Tingwell, Thorley Walters, Walter Brown 90’ Horror


DVD - Prefira esta edição da Works DVD a uma lançada recentemente sem nenhum extra! Mesmo que os presentes aqui não tenham legendas, a raridade merece estar na sua coleção. Em um chique menu animado há o trailer original e várias imagens de bastidores feitas com uma câmera caseira Super 8, inclusive com a seqüência final nas geleiras. Elas estão comentadas por Barbara Shelley, Christopher Lee e Suzan Farmer num encontro de 1997.

Cotação:

11 de março de 2008

Epidemia de Zumbis

No século XIX, famoso médico chega com sua neta a um vilarejo depois do pedido de ajuda de antigo aluno. Vários moradores estariam inexplicavelmente morrendo enquanto populares alegam visualizar estranhas criaturas nas redondezas. Este pequeno filme sobre zumbis, a única categoria de monstros até então não explorada pela Hammer, é uma demonstração bacana de como a produtora inglesa driblava orçamentos irrisórios usando roteiros bem amarrados e climas envolventes. Lançado dois anos antes de A Noite dos Mortos Vivos de George Romero, trabalho que redefiniria este tipo de criatura para sempre, possui zumbis muito mais putrefatos que os do americano. Outro diferencial, e muitas vezes o que decepciona espectadores atuais, é que seus zumbis não são os vilões, a causa do perigo, mas o resultado, as vítimas, uns pobre coitados. Pertencem à tradição haitiana do vodu, onde feiticeiros escravizam mortos através de pequenos bonecos durante rituais de magia negra. Demonstra ainda habilidade ao esbarrar em temas político-sociais como colonialismo ou exploração dos menos favorecidos sem deixar de ser um espetacular entretenimento. Filmado praticamente ao mesmo tempo de The Reptile, fazendo inclusive uso da mesma equipe e cenários, não foi grande aposta da Hammer. Originalmente serviu de segunda película à exibição de Drácula, Príncipe das Trevas, portanto B de nascença! Há um trailer hilário, que infelizmente não acompanha esta edição em DVD, onde ao final o narrador avisa que meninos presentes ao cinema ganharão dentaduras de Drácula e meninas legítimos olhos de zumbi. De papelão, claro...

Epidemia de Zumbis – The Plague of The Zombies

- Inglaterra 1966 De John Gilling Com André Morell, Diane Clare, Brook Williams, Jacqueline Pearce, John Carson, Alexander Davion 90’ Horror


DVD - Na contracapa há a informação errada de que teremos o trailer, mas os extras se resumem a biografias resumidas. A Works DVD incluiu o combo trailer de Drácula, Príncipe das Trevas e Epidemia de Zumbis no disco As Várias Faces de Christopher Lee. O menu animado em GC tosco é uma graça!

Cotação:

27 de fevereiro de 2008

Gammera, O Monstro Invencível

Explosão atômica e os ienes de Godzilla despertaram Gammera, a tartaruga gigante! Junto com o réptil famoso e Mothra, a mariposa carnavalesca, formam a santíssima trindade dos monstros super crescidos que ameaçam Tóquio eternamente. Quem já foi criança algum dia a princípio achará tudo uma graça. Dos aviões de brinquedo, cidades inteiras miniaturizadas fingindo ser de verdade ao alerta antibélico, na cola da então vigente guerra fria, é puro nostalgia.. Sem falar do menino, que embora Gammera mande tudo ao espaço entre labaredas e porrada, ainda acredita se tratar de uma criatura boazinha. A principal curiosidade (e defeito) é que esta copia, dublada em inglês, trata-se de hibrido multinacional, tal e qual o Power Rangers da TV. Lançada no mercado americano um ano depois do japonês faz uso de enxertos com com atores americanos. E aí mora o perigo! Enquanto as cenas originais são sérias, e por isso engraçadas, o elenco ocidental está quase esbarrando no humor proposital tipo A Praça é Nossa. E a ação destrutiva que se desenrola na terra do sol nascente é relativamente pouca perto das dezenas de seqüências passadas na ONU num blábláblá que deixa o filme parecer interminável. A gente já sabe que os russos são malvados, e que Gammera é invencível pero no mucho...

Gammera, O Monstro Invencível – Daikaijū Gamera (Gammera, the Invincible)

- Japão/EUA 1966 De Noriaki Yuasa e Sandy Howard Com Albert Dekker, Eiji Funakoshi, Michiko Sugata, Harumi Kiritachi, Dick O'Neill 86’ Ficção Científica


DVD - Vem no mesmo DVD de O Alerta do Espaço, o que dá um novo sentido à expressão filme B nesta era digital. Assim como o outro tem imagem e áudio terrivelmente sofrível.

Cotação:

22 de dezembro de 2007

Bruxa – A Face do Demônio

Após o estrondoso sucesso, inclusive coroado com indicações ao Oscar, de O Que Terá Acontecido a Baby Jane? filmes de suspense estrelados por ex estrelas de Hollywood tornaram-se quase um subgênero. Foi a chance de carreiras estagnadas darem uma virada, mas raramente surgiu algo mais que um brinde ao camp! A hitchcokiniana Joan Fontaine estava a quatro anos longe das telas de cinema até comprar os direitos do livro e bater na porta da Hammer Films. Talvez por isso, ela produzindo, não temos cenas fortes, sua personagem, a professorinha atacada por feiticeiros africanos que tenta se reerguer dando aulas em um vilarejo inglês, jamais deixa de lado o glamour de grande diva do cinema. Não há em sua interpretação aquele cheiro de assustadora decadência visto com Tallulah Bankhead em Fanatismo Macabro (Die! Die! My Darling!) ou de sua irmã Olivia de Havilland fazendo o diabo de uma decrépita Bette Davis em Com A Maldade na Alma (Hush... Hush, Sweet Charllot). Isso não é ruim, apenas não se encaixa exatamente no que se espera, gerando certo descompasso com a história absurda que está sendo contada. Aliás, ver uma grande dama em seu oficio sempre é prazeroso. O roteiro também derrapa fazendo mistério quando deveria nos dar suspense o que evidencia furos gritantes. E claro, Kay Walsh, outra veterana, tem uma face incrivelmente engraçada para dar algum medo num sabat exageradamente cômico...

Bruxa – A Face do Demônio – The Witches / The Devil´s Own
- Inglaterra 1966 De Cyril Frankel Com Joan Fontaine, Kay Walsh, Alec McCoven, Duncan Lamont, Ingrid Brett 90’ Suspense


DVD - A imagem está (mesmo em widscreen) um pouco danificada, e seus extras se resumem a sinopse e biografias das duas estrelas Fontaine e Walsh. Mas ruim mesmo é a capinha da Dark Side, cometendo a mesma gafe da edição americana, entregando quem está por trás dos rituais de magia negra.

Cotação:

20 de outubro de 2005

Batman – O Homem Morcego

Nem todo filme adquirido em DVD é para ser assistido dezenas de vezes. E esta é a diferença entre um filme clássico, velho ou cult. E este é o caso de Batman – O Homem Morcego, lançado a algum tempo pela Fox em versão digital. Cult! Não que tenha me arrependido em ter gastado cada centavo n esta pérola trash norte americana da década de 60, mas assisti-lo foi um martírio. Seus 105 minutos pareciam 800!!! Claro que há cenas memoráveis como o já famoso repelente de tubarões ou os piratas em pó (!!!), mas entre isso, agüente uma espantosa falta de ritmo. É divertido como um todo, e o tecnicolor gritante combina com um personagem saído dos quadrinhos. Os puristas fãs do cavaleiro das trevas sempre torceram o nariz para a mais colorida das versões do personagem criado por Bob Kane, mas aquele gosto de ingenuidade remota vinga. A Mulher Gato ( Lee Meriwether) tem até um disfarce como correspondente Russa, em uma óbvia alusão á guerra fria, tão assustadora no período. Aliás, hilária a crise de ciúmes que Robin (Burt Ward) sentirá quando seu “mentor” aparentará interesse por ela. Reza a lenda que este longa, lançado em 1966 no cinemas, nem era pra ser um piloto da célebre série televisa, e sim, um filme mesmo, que seria exibido pouco antes nos cinemas. No inicio daquela década, após o mega fracasso Cleópatra, a Fox ia muito mal das pernas, e necessitando de grana urgente, tocou simultaneamente o projeto Batman em filme e seriado. Graças a isso, o longa ganhou quatro vilões (Coringa, Pingüin, Charada e Mulher Gato), e uma linguagem tal e qual vimos na tela pequena. No Brasil, o seriado foi reprisado a exaustão pelo SBT durante as tardes das décadas de 80 e 90. Enfim, não há muito o que esperar de um filme que logo no inicio agradece aos fãs da aventura, diversão sadia e do puro escapismo, né?

Batman – O Homem Morcego (Batman: The Movie)
- EUA, 1966 De Leslie H. Martinson com Adam West, Burt Ward, César Romero, Burgess Meredith, Frank Gorshin 105’ Aventura


DVD – Tentativa de se fazer uma edição especial. Como foi lançado a dois anos dá para perdoar os menus estáticos, porém com arte elaborada no espírito do filme. Duas galerias de fotos bem curiosas, um especial sobre o batmóvel, além de trailers etc. Só (infelizmente) os comentários de Adam West e Burt Ward não estão legendados em português.

Cotação: