29 de novembro de 2007

Os Olhos de Laura Mars

Batata! O que é extremamente moderno hoje será extremamente cafona amanhã! Aqui todos os cuidados foram tomados para estar no último grito 70’s, até por causa da profissão da protagonista, uma excêntrica fotógrafa de moda. Quase 20 anos depois, da trilha sonora à interpretação over de Faye Dunaway, a retratista em questão, tornou-se muito engraçado no sentido kitsch da palavra. Apreciar ambiente tão démodé, só pra usar uma palavrinha fora de moda, é só mais um elemento bônus neste curioso filme. Misterioso serial killer dá cabo a várias pessoas do círculo social da Laura Mars. Estranhamente, a fotógrafa que gosta de abusar de temas violentos em seu trabalho, tem visões dos crimes e só descobrirá a identidade do autor nos últimos minutos da película, quando sua vida também estará em perigo. Roteiro repleto de metáforas assinado por John Carpenters com incrível reviravolta final, tão bem engendrada que nós também só descobrimos a autoria da barbárie junto á personagem de Dunaway. Tente depois não ficar cantarolando a música tema, Prisioner, um hit de Barbra Streisand. Ugh!

Os Olhos de Laura Mars – Eyes of Laura Mars
- EUA 1978 De Irvin Kersher Com Faye Dunaway, Tommy Lee Jones, Brad Dourif, Raul Julia 103’ Suspense


DVD - Lançado pela Columbia há algum tempo, mais de 8 anos, o que justifica certo arcaísmo digital. Nem o menu principal está traduzido. A total falta de legendas se estende aos extras: faixa de áudio com os comentários do diretor, slide show com narração do produtor do disco, galeria de talentos, making off da época e dois trailers de outros filmes.

Cotação:

28 de novembro de 2007

Dália Negra

O equívoco começa logo pelo título, tomando proveito do caso verídico explorado pelo filme de mesmo título dirigido por Brian DePalma. Malandragem da grossa! Mas se fosse só isso, um filme trash com nome igual ao de um grande estúdio, sobre um dos mais famosos crimes dos EUA estaria tudo pra lá de ok!!! Mas faz algum tempo que não assistia a tamanha porcaria! E quando eu digo porcaria, me refiro a porcaria mesmo! Sem humor, ação, nexo narrativo, noções básicas de cinema, nada se salva! Uma idiotice feita por quem provavelmente nunca assistiu a um filme de verdade na vida. Dando uma navegadinha, descobri que o diretor Ulli Lommel era da turminha de Andy Warhol, com uma filmografia um tanto extensa, mas como? Seria tão idiota ao ponto de não ter aprendido nada em 30 anos? E agente gosta sim de tranqueira cinematográfica, mas não de algo parecendo ter sido feita por adolescentes pretensiosos e burros no fundo de quintal sem o mínimo charme não dá nem pra rir. Na trama (?) um trio de sádicos abre testes para o papel de Black Dhalia, todas as mocinhas que aparecem serão sumariamente extirpadas tal e qual o crime da década de 40. Todas menos a negra, que não é da “etnia procurada” segundo o tosco roteiro (?) do diretor. Paralelamente uma equipe policial tenta desvendar os crimes. Equipe policial que não tem nem carro de policia ou uniforme, ou postura, ou qualquer coisa que nos faça acreditar que são policiais!!! Muito ruim!!! O elenco, amador ao extremo, jamais troca de roupa. Falando em roupa, espera-se ao deparar com tamanha merda, que pelo menos as moçoilas (todas com cara de filme pornô) exibissem alguma carne: Esqueça! Há só duas muxibinhas e olhe lá! Filmado com câmera digital caseira, não se tem o mínimo cuidado com fotografia ou iluminação, tudo parece se passar dentro de uma padaria. Parece ter sido editado em um software caseiro, do gênero Windows Movie Maker, por alguém que descobriu este assessório há pouco tempo tamanho o abuso de enfeitinhos na imagem. Ed Wood coraria de vergonha... Plan 9 From Outer Space, considerado o pior filme de todos os tempos, parece Cidadão Kane perto disto aqui! Mas a dúvida principal é como uma porcaria deste porte chega a ser lançada comercialmente? Pior ainda: lançada comercialmente no Brasil? E o DVD ainda por cima tem versão dublada em português, com os clássicos “bitch” virando “cadela” e “fuck you” como sempre “dane-se”!!!

Dália Negra – Black Dhalia
- EUA 2006 De Ulli Lommel Com Elissa Dowling, Robert Beetley, Christian Behm 80’ Horror


DVD - O melhor está na arte da capinha, bem caprichada, de resto só um monte de trailers dele e outros filmes lançados pela digníssima Califórnia Filmes. Ainda bem! Pensou além de suportar os 80 minutos (que parecem 230) ainda assistir a um making of desta droga? Tô fora!

Cotação:

King Kong (2005)

Lamentavelmente esta corajosa segunda versão do clássico de 33 não teve a mesma repercussão que os 3 trabalhos anteriores de Peter Jackson. Eu mesmo torci o nariz por algum tempo principalmente porque é uma história manjadíssima. A versão de 76, com Jéssica Lange, foi reprisada á exaustão na TV por toda a nossa infância. Lembro da campanha da Globo em 1985 quando ele foi estrear Tela Quente, a “nova” sessão de filmes do canal, junto com outros sucessos do tipo Alcatraz. Um cara fazia mímicas e vozes em off tentavam descobrir qual era o filme. Essa onda pega! Outro repelente foi a duração de mais de 3 (!!!) horas. Ah sim! A massificação de O Senhor dos Anéis me deixou com os pés atrás também! Preconceitos de lado, passei 187 minutos (que pareceram 60 graças ao roteiro brilhantemente elaborado) envolvido com o que há de melhor no cinema de fantasia dos grandes estúdios. Tipo, se velhas raposas como George Lucas ou Steven Spielberg ainda tivesse algum interesse além de engordar seus cofrinhos, como faziam no inicio das suas carreiras, estariam assinando coisas assim! Ok, a história já estamos carecas de saber, inclusive o final, mas há tantos elementos novos, complementares, que deixam a experiência única! Naomi Watts com o papel que antes foi de Fay Wray não está mais do que sensacional! Até Jack Black,que todos acusaram a principio como falha na escalação de elenco, se justifica, usando em detrimento da história sua indisfarçável petulância natural. Somam-se a isto efeitos especiais (a cargo da Weta) do mais alto padrão, que nos fazem crer que realmente estamos diante de Nova York dos anos 30, com toda miséria causada pelo Crash em meio á sua esplendorosa arquitetura art decó. Raramente há furos dos efeitos, ou sinais de gratuidade. Exceto a manada de dinossauros correndo atrás da equipe, que além de exagerada torna-se cansativa. E uma das principais falhas, justo na imagem emblemática da cultura pop envolvendo o macacão: Quanto ele carrega a mocinha nas mãos fica evidente que uma animação substitui a atriz, assim como ficava claro no original que era uma bonequinha. Mas quanto ao protagonista, o macaco digital em si, é tanto realismo que quando levado à cidade e apresentado como a 8ª maravilha do mundo, sua expressão é tão desesperadora, que o filme quase se torna dolorosamente insuportável de ser assistido. E o fim, no topo do Empire State, quando tudo parece bem e se ouve pela primeira vez o som dos aviões tente não sentir um nó na garganta...

King Kong – King Kong
- EUA 2005 De Peter Jackson Com Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Thomas Kretschmann 187’ Aventura


DVD - Uma luva de papelão envolve esta edição dupla. O que dá um ar chique ao produto e claro o encarece. Não que o filme não mereça cada centavo investido nele, mas seu conteúdo é um tanto quanto decepcionante para o que se poderia esperar. Não há faixa de comentário do diretor nem tão pouco trailer original. Peter Jackson aparece no segundo disco apresentando o material, basicamente os diários da produção, antes exibidos no site Kong Is The King e dois documentários. Um sobre a criação da Ilha da Caveira e o mais bacana sobre Nova York na década de 30. Talvez a explicação seja que nos EUA há cerca de 5 edições incluindo a Blue Ray. O que é uma grandíssima sacanagem com o dinheiro alheio essas infinitas edições definitivas.

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17 de novembro de 2007

Guerra dos Mundos (2005)

Muita bobagem já foi dita desta releitura de Steven Spielberg para o romance homônimo de H. G. Wells. Não se engane! Você terá exatamente o que imagina, quase duas horas de ininterrupta adrenalina! Óbvio que as comparações com o clássico de 1952 existem, mas aqueles eram outros tempos... Os paralelos com os que vêm do espaço sideral são muito mais fortes em qualquer ameaça á instituição “Família” do que comunistas á espreita da tão querida América. Seus olhos verão coisas assustadoras e absurdamente reais e tais apuros técnicos valem sim o tempo gasto assistindo ao sempre canastrão Tom Cruise tentando proteger não o mundo, como se deveria esperar de um herói altruísta de outrora, mas sua prole. Mesmo que sua filha, a prodígio Dakota Fanning, seja insuportável o suficiente para se torcer que seu fim chegue o quanto antes nas garras de um tripod! Estamos diante de um filme do senhor Spielberg, exibindo ainda fôlego para nos mostrar que qualquer coisa com sua assinatura é garantia de diversão espetacular, familiar e os melhores efeitos especiais. O calcanhar de Aquiles é exatamente essa sua assinatura, que compromete vergonhosamente o final da história. Durante toda a metragem os efeitos são tão sensacionais, os alienígenas são tão maléficos e colossais que quase nos leva às gargalhadas o simples e ridículo desfecho. É impossível ao final o saborzinho de ter sua inteligência subjugada por um velhinho que há muitos anos só repete sua fórmula de extremista em pirotecnia cinematográfica e o pior do caretismo classe média estadunidense.

Guerra dos Mundos – War of Worlds
- EUA 2005 De Steven Spielberg Com Tom Cruise, Dakota Fanning, Miranda Otto, Tim Robbins 116’ Ficção Científica/Aventura


DVD - O que estes filmes, feitos pelas majors americanas, têm de óbvios suas edições duplas em DVD seguem os mesmos passos. Os menus animados (e cansativos) nada mais são que cenas do próprio longa, e os extras não trazem nada além do making of gigantesco, dividido em 4 documentários como diários da produção. O que não é de todo ruim. Estranho que temas tão saborosos tenham sido ignorados. O autor H.G. Wells tem um rapidíssimo especial, e sobre a versão clássica (da própria Paramount diga-se de passagem) ouve-se só de raspão. Assim como a película, só mais um produto aprovado por um engravatado atrás de uma grande mesa em Hollywood á espera do fio metal.

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31 de outubro de 2007

Pink Flamingos

Todo mundo tem uma amiga que gosta de fazer estripulias em frente a câmeras... Quase todo mundo já fez filminhos caseiros com a galera só pra dar risada... Se esta sua amiga fosse a Divine, e você vivesse nos anos 70 em Baltimore, teria boas chances de ter produzido algo como Pink Flamingos. Grosso, amador, vulgar, mas saborosamente hilário! Em muitas cenas, quase sempre as externas, não há som direto, apenas o que de pior a música americana dos anos 50 produziu. A câmera trêmula de John Waters mesmo mostrando coisas escabrosas como um ânus cantante não parece querer chocar por chocar, mas divertir-se. Um happening do mau gosto que inclui até uma cena de sexo oral explicita de incesto entre Divine e seu filho. Mink Stole (atriz de praticamente todos os filmes do diretor) é a vilã de cabelos vermelhos Connie Marble, que junto de seu marido seqüestram moças, mantêm-nas em cativeiro para serem estupradas e seus bebês vendidos a casais lésbicos. Invejosa pra caramba ainda empenha-se em acabar com a “carreira” de Divine, e pegar para si o título de pessoa mais pervertida do planeta. E nesta guerra vale absolutamente tudo, até chegar ao plano seqüência do famoso clímax com a degustação de fezes caninas! Quando você lê que certo filme não é para qualquer paladar, bem, esta máxima nunca foi tão verdadeira quanto aqui...

Pink Flamingos – Pink Flamingos (An Exercise in Poor Taste)

- EUA 1972 De John Waters Com Divine, Mink Stole, Davida Lochary, Edith Massey, Danny Mills 112’ Comédia


DVD - Raríssimo filme no Brasil, jamais lançado comercialmente, exceto uma exibição na Band na década passada. Lamentavelmente lançado pela Continental Home Video. Primeiro vamos chorar a impressão da capa, que mais parece Xerox colorido. Nela lê-se que os extras são biografias e galeria o que não é verdade! Em compensação não fala nada sobre Waters exibindo cenas deletadas e o trailer original de lançamento nos cinemas. Pra piorar, dezenas de pessoas no Orkut reclamam que suas cópias estão com defeito, inclusive a minha simplesmente pára de funcionar em alguns pontos. O mais incrível é que mesmo com matéria prima de terceira, a distribuidora Continental tem a cara de pau de cobrar preços abusivos!!! Com qualidade digna de qualquer pirata da esquina eles acham que devem cobrar até três vezes o valor de qualquer DVD atualmente. É inesquecível quanto lançaram os filmes do Zé do Caixão em VHS e se recusaram a pagar copyrights! Uma lenda como José Mojica Marins teve que ir ao Programa do Ratinho reclamar o que lhe era de direito. Vergonha!

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O Aviador

Era uma daquelas películas que ao ler as primeiras notícias eu já gostava. Mas com aquela enxurrada de Oscar (5), e uma escolha equivocada para protagonista fiquei com os pezinhos a traz. Assistindo a esta biografia do magnata Howard Hughes comandada por ninguém Scorsese, após infinitas quase 3 (!!!) horas é impossível não se imaginar que filme fantástico teria sido! Primeiro porque DiCaprio no papel principal jamais deixa de ser Di Caprio em um papel principal: Um adolescente estridente, canastrão cheio de caras e bocas. Não convence nem aqui nem na china, principalmente seduzindo as mais belas estrelas da época. Cate Blanchett (agraciada com o prêmio da academia por este papel) empresta certo cinismo caricatural ao interpretar Katharine Hepburn difícil de digerir. Pelo menos no meu imaginário Hepburn é a idealização do que uma estrela deveria ser, linda, politizada, afável e muito competente. Outro senão, muito mais sério são os rumos optados pelo roteiro. 10% do filme vêem-se os anos dourados de Hollywood, para 90% sobre a aviação... Ok, com um filme que tem esse título esperar-se o quê? Mas são muitos termos técnicos da área passando na tela, impossível manter o interesse!!! Chato, chato, chato! A primeira hora do filme (em impressionante duo tone), que mostra com realismo todo o processo de feitura de Anjos do Inferno (Hell’s Angells) até sua glamorosa estréia é esplendida. A Guria do No Doubt em sua rápida presença como Jean Harlow é outro ponto forte. A entrada dela com Hughes na estréia do filme que a revelaria como primeira Venus Platinada do cinema, com centenas de fotógrafos se acotovelando, e eles pisando em montanhas de lâmpadas de flashes caídas no tapete vermelho é uma das coisas mais fantásticas que vi recentemente! Grandioso como Howard Hughes...

O Aviador – The Aviator

- EUA 2004 De Martin Scorsese Com Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Kate Beckinsale, Alec Baldwin, 170’ Drama


DVD - Duplo, com extras legendados até a faixa de comentários do diretor no primeiro disco, pro caso de você ser corajoso o suficiente de rever aquelas suadas 3 horas de novo. Incomoda as animações dos menus não poderem ser puladas, o que dá certa preguiça, principalmente no disco de extras. Horas a fio de documentários, alguns bem longos por sinal, mas absolutamente nenhum sobre Hollywood da época, ou o que significava ser um produtor independente na década de 30. Mas em compensação há uns três sobre aviação, inclusive um do History Channel. Dois deles contêm importantes informações sobre TOC, transtorno mental que acometeu o biografado no fim de seus dias, e um sobre cabelos e maquiagens do filme, explicando sobre a transformação de Gwen Stefani em Jean Harlow.

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24 de outubro de 2007

Os Aventureiros do Bairro Proibido

Este filme está para quem usava calças curtas nos anos 80 o mesmo que O Mágico de Oz para quem era criança na década de 30. Puro entretenimento escapista pra fazer a imaginação ir longe. Tão escapista que inúmeros furos no roteiro passavam desapercebidos naquela época. Um super fiasco de bilheteria, mamando criativamente onde já haviam mamado Indiana Jones e Star Wars: os seriadinhos de aventura do inicio do século passado, como Flash Gordon. Tornou-se Cult de tantas reprises na Sessão da Tarde. Chegava-se da escola a tempo de almoçar assistindo He-man, tirava-se um cochilinho até acabar Vale A Pena Ver de Novo (provavelmente com Fera Radical, daí era o resto da tarde nos deliciando com o paspalho Jack Burton (Kurt Russel) ás voltas com feiticeiros chineses soltando raios em cenários de neon dignos da Mocidade Independente de Padre Miguel. Uma delicia ao som de sintetizadores estridentes e efeitos especiais mecânicos. Um querido samba do criolo doido que exatos 21 anos depois ainda é diversão pura e garantida!

Os Aventureiros do Bairro Proibido
– Big Trouble in Little China


- EUA 1986 De John Carpenter Com Kurt Russel, Kin Cattrall, Dennis Dun, Victor Wong, James Hong 100’ Aventura


DVD - Wow! Se viesse sem um extra que seja, já seria imperdível na DVDteca de qualquer mortal, mas não é o caso! Edição dupla, com menus animados tridimensionais, repleto de extras como muitas cenas deletadas e remontadas, final alternativo, entrevistas da época, dezenas de fotos raras, trailers, etc, etc.. Lamentável a faixa de comentários de Carpenter e Russel sem legendas no primeiro disco. Mas no segundo tem legendas em praticamente tudo, exceto no conteúdo em texto.

Cotação:

29 de junho de 2007

A Condessa Drácula

Esta deliciosa adaptação da histórica Condessa Erzsébet Bathory firmou-se como um dos últimos grandes filmes da Hammer. Assim como todos da produtora inglesa, muito comentado e pouco visto ou muito confundido. Culpa das incansáveis reprises na TV durante os anos 80. Uma vez por todas, não é quase pornô nem tão trash com morceguinhos de plástico presos a um fio! A propósito, nem vampira a condessa é, o nome é só pra faturar um pouquinho mais nas bilheterias. Com competente suspense do começo ao fim, a grande sacada do roteiro é contar tudo sob a ótica do povão em torno do castelo. Os diabólicos feitos da grã fina têm inicio com um xingamento popular, e o desfecho idem: Devil woman! Muitos historiadores dizem que a lendária sanguinária não matava jovens virgens para se manter sempre bela, mas por sofrer de uma rara doença sanguínea. Antes disso o mito já tinha se criado através dos séculos de boca a boca. A polonesa Ingrid Pitt, uma das principais divas do estúdio, está maravilhosamente sexy e talentosa no papel título com seu make-up 70’s. De velha arrogante de passado devasso a ingenuamente cega pela vaidade, o que não faltam ao seu redor são jogos de interesses, com personagens de relativa profundidade pouco comum no gênero. Quase dá pena! Suigeneris assim como o uso cenográfico. Sempre o mesmo corredor, mas fotografado de ângulos diferentes torna-se um dos melhores castelos góticos já vistos. Envolvente e divertido, uma preciosidade camp da sétima arte!

A Condessa Drácula – Countess Dracula

- Inglaterra 1971 De Peter Sasdy Com Ingrid Pitt, Nigel Green, Sandor Elés 93’ Terror


DVD - Nos EUA foi lançado em edição dupla juntamente com Carmilla – A Vampira de Karnestein(Vampire Lovers)e de bônus uma faixa de comentários (!!!) de ninguém menos que Ingrid Pitt entre outros envolvidos na obra. No Brasil ele é comercializado apenas em versão íntegra e restaurado, com imagem e áudio cristalinos. Ao contrário de Vampire Lovers que parece ter sido copiado de um VHS. De extra nada mais nada menos que o hilário trailer original para o mercado norte americano.

Cotação:

16 de junho de 2007

Ladrão de Casaca

Em um dos documentários contidos nesta edição, a filha ou a neta do diretor, se apressa a dizer que este é um filme maravilhoso porque é um Hitchcock típico. Muito pelo contrário! Talvez seja o mais ousado, onde ele tentou subverter algumas das “regras” de sua obra. O próprio argumento não é de suspense, mas sim mistério. Praticamente um “Quem é o criminoso?” a lá Agatha Christie. Quer risco maior para o auto-intitulado mestre do suspense? Claro que temos o bom (!!!) e velho Cary Grant tentando provar sua inocência e a gélida como nunca Grace Kelly como casal central e mais aquele apuro técnico tão saboroso, mas os cenários (a riviera francesa fotografada belíssimamente) com mais externas que o costumeiro e um criminoso desconhecido nos levam a algo fora do comum. Oh sim, e a trilha sonora romântica destoa das outras assinadas por Bernard Herrmann! De qualquer forma, não é um grande filme, está anos luz de obras-primas como Um Corpo que Cai (Vertigo) ou Psicose (Psyco), mas mesmo assim, empolgante e memorável. A prova que mesmo quando Alfred Hitchcok não é lá essas coisas ainda é bom pra caramba! Repare como os figurinos da veterana Edit Head ajudam a contar a história e na soberba interpretação de Kelly, de garota materialista a sagaz detetive apaixonada.

Ladrão de Casaca – To Catch a Thief

- EUA 1955 De Alfred Hitchcock Com Cary Grant, Grace Kelly, Jessie Royce Landis 106’ Romance/Policial


DVD - Chiquérrimo como este filme merece. O menu animado toma ao máximo proveito de algumas seqüências de forma tão inteligente que parecem ter sido feitas apenas para isso. Mais alguns documentários interessantes, em se tratando de um dos mais mitológicos trabalhos do cineasta. Ainda há o trailer, único conteúdo sem legendas em português. Afinal, porque as grandes distribuidoras raramente legendam trailers? Outro ponto contra: O documentário (muito bom por sinal) sobre a figurinista Edit Head é exatamente o mesmo que a Paramount incluiu na edição digital de Crepúsculo dos Deuses. Mas se você não tiver este...

Cotação:

25 de maio de 2007

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

O ponto mais interessante deste filme, querido por 9 entre 10 pessoas que o assistiram, é ser ambientado em um universo particular e absolutamente comum. Seus matizes vermelhos e verdes não nos deixam dúvidas logo de cara de que vemos algo particular, como são os sonhos ou qualquer outra coisa que só ocorra nas nossas cabeças. Cúmplices aceita-se o mundo de Amélie cercado de pequenos prazeres. Compartilha-se o cotidiano da jovem que não sabe (ou não quer) conviver com outras pessoas. Demonstra ótima habilidade em criar subterfúgios quando precisa (ou quer) se relacionar afetivamente com humanos. Uma das causas para que se você for ansioso só achar um mimo lá pela terceira vez que o assistir... O principal mérito não está na fotografia, cenografia ou qualquer outro rebuscamento já observado na filmografia de Jeneut, mas em emocionar sem pieguismo ou dramalhões. Nos joga na cara o real/artificial isolamento que todos vivemos. Amélie é complicada porque quer, por opção? Desde pequena inventou uma doença cardíaca e assim foi se isolando ou se ajustando ao seu redor. Como qualquer outro personagem. Delicadamente adulto, este primeiro filme do diretor após a tentativa Hollywoodiana frustrada com Alien – A Ressurreição, fala diretamente sobre a fidelidade com a criança que já fomos um dia. Uma vez encontrei o raro jogo para Playstation One de O Ladrão de Sonhos, outro de seus trabalhos. Um subproduto do gênero para Amélie seria fabuloso!

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain – Le Fabuleux Destin D’Amélie Poulain

- França 2001 De Jean-Pierre Jeneut Com Audrey Tautou, Matheu Kassovitz, Serge Merlin 122’ Romance/Comédia


DVD - Oh! Temos extras! Todos crus, embrulhados num menu que nada mais que um slide show da personagem principal. Uma extensa entrevista de Jean-Pierre Jeneut feita para o lançamento do disco e o teste que colocou Audrey Tautou no mapa cinematográfico são os principais destaques.

Cotação:

18 de maio de 2007

OldBoy

Mais um filme que se não tivesse caído nas graças de Quentin Tarantino, jamais aportaria no Brasil: OldBoy, a segunda parte da trilogia do coreano Chanwook Park sobre (basicamente) a vingança. Isto é, o rótulo comercial, aderido por boa parte da imprensa para definir a obra é a vingança, o que não deixa de ser simplificar de mais. Importa pouco ver o pobre Oh Dae-su resolver seus problemas com quem quer que seja que o tenha aprisionado em um quarto de hotel vagabundo e após 15 anos o ter libertado perto de inúmeras questões que vão sendo apresentadas. Claro, banhadas por uma violência gráfica espetacular, herança do roteiro originalmente explorado em um mangá de mesmo nome. Dia destes li uma entrevista onde Tarantino dizia o quão engessado é o cinema “made in Hollywood”, cheio de regras que nunca serão quebradas a fim de não decepcionar a cada vez mais sonâmbula platéia média. Taí o trunfo dos filmes que vêm da Ásia. Absorvem os trabalhos americanos (a própria fotografia de OldBoy é bem parecida com a de Clube da Luta) em muitos pontos, mas quebram a tal linha citada pelo diretor de Kill Bill. Até quando seus roteiros optam por soluções mais óbvias, a forma em que as imagens são mostradas sempre nos deixa boquiabertos. Não é o caso deste filme absolutamente surpreendente do inicio ao fim. E de tão bem feito, mesmo cheio de surpresas e reviravoltas rocambolescas há substância suficiente para ser visto e revisto inúmeras vezes. Se for pra citar um deslize, dá pra apontar o final ambíguo. Não a solução da trama em si, mas a seqüência final. O que perto das duas horas fantásticas que passamos não é nada!

OldBoy
- Coréia 2003 De Chanwook Park Com CHOI Min-sik, YOO Ji Tae, KANG Hye-jung 120’ Suspense/Policial


DVD - A Europa Filmes lançou duas versões de Old Boy. Uma dupla, e a simples, que foi a que adquiri. Simples é apelido! Menu nojento estático e mais nada de extra. Mas se a ausência de extras fosse o problema maior nesta edição nem me importaria tanto. Dói ver a qualidade péssima da imagem e áudio. Parece DVD pirata! Sem falar nas legendas em francês que aparecem na tela em alguns momentos sem que possamos retirá-las... Vale sonhar com a edição tripla (!!!) lançada pela Tartasian nos EUA. Vem até com alguns fotogramas de 35 mm.

Cotação:

21 de abril de 2007

Phenomena

Cineasta adorado por aficionados pelo gênero fantástico, Dário Argento, continua praticamente desconhecido no Brasil. Tome em vista este Phenomena, inédito até então no mercado de home vídeo. Lançado nos cinemas apenas a edição americana com meia hora (!!!) a menos e com o título mudado para Creepers. Agora digitalmente nos chega (graças á London Films de Jundiaí que sei lá se ainda existe) nem a versão original européia da época, nem a tal americana, e sim a remontagem recente do próprio diretor. E digo logo de cara, este roteiro (de Argento também) nas mãos de qualquer outro teria se tornado um filme classe Z, sem pé nem cabeça, involuntariamente risível. Nas mãos de um mestre com total domínio da técnica temos quase uma obra prima. Belissimamente montado, com vários elementos comuns a sua filmografia, talvez só deslize nos últimos minutos forçados e principalmente na escolha patética de alguns hits de rock mofado dos anos 80. Iron Maiden e Motorhead parecem estar ali apenas pra gente se lembrar da época em que o filme foi feito, e que mesmo assim todo o resto parece não ter envelhecido. Aliás, se nos recordarmos o que havia em filmes de terror em 1985, entende-se um pouco mais Phenomena: Adolescente assassinadas em sonhos, menina paranormal e até a identidade do assassino nos remete a um famoso filme do período. Oh, sim! Ainda podemos contemplar Jennifer Connelly(de Dark Water) adolescente, novinha de tudo, como protagonista.

Phenomena

- Itália 1985 De Dario Argento Com Jennifer Connelly, Donald Pleasence, Daria Nicolodi 110’ Terror

DVD - Mais um com nadica de nada de extra. Nem em texto, nem trailer nem nada. Tem um menuzinho animado bem brega, mas que pelo menos faz uso da cena mais legal do filme. Ah, e a capinha, pelo menos a minha possui o pôster original, mas está mal e porcamente impressa. Parece aquelas figurinhas que a gente comprava nos bares quando era criança pra ganhar prêmios.

Cotação:

13 de dezembro de 2006

A Máscara de Satã

Ainda dá pra dar boas gargalhadas com uma comédia doida produzida na década de 20 ou 30, segurar a respiração em um suspense datado de 1950 ou derramar lágrimas num dramalhão estrelado por Lana Turner. Mas há dois gêneros que naturalmente criam ferrugem com o passar do tempo: Terror e Pornográfico. Não que películas assim deixem de prestar com os anos, mas mudam seu foco narrativo para as novas platéias. E são justamente os gêneros que mais exigem a identificação do espectador com os personagens. Um dos mais aclamados filmes de terror da década de 60, A Máscara de Satã causou muitos gritos e arrepios naquele período, mas hoje se torna “apenas” um espetáculo saboroso, com sua trama inspirada em Nicolai Gogol em impecável fotografia P&B fazendo a alegria de amantes do verdadeiro cinema. E isso pouco! A estréia (oficial) na direção do italiano Mario Bava foi no Brasil por muitos anos quase uma lenda, inédito em VHS e nunca exibido na TV, pelo menos nos últimos 20 anos. Uma bruxa ao ser assassinada pela inquisição com a jura se vingar da família do líder por toda a eternidade. Assim que consegue se livrar de seu óbito (exatos 200 anos depois) não se faz de rogada. Atente para o brilhante desempenho de Barbara Steele em papel duplo (a bruxa e a princesa Kátia) que a transformaria (junto com a sueca Ingrid Pitt) na principal diva do terror, adorada por fãs da cultura S&M, e góticos em geral. Muito além em qualidade técnica dos trabalhos produzidos na inglesa Hammer, A Máscara de Satã ainda por cima mantém seus efeitos visuais impressionantes.

A Máscara de Satã (Black Sunday/The Mask of Satan/Revenge of the Vampire)
- Itália 1960 De Mario Bava Com Barbara Steele, John Richardson, Ivo Garrani 87’ Terror


DVD - Esta gema rara em terras tapuias está com áudio e imagem tinindo de novos. Nos extras, galeria de fotos com algumas imagens não pertencentes ao filme e biografias de Mario Bava e Barbara Steele. Normalmente texto como extra é um miserê, mas não neste caso devido a pouca informação que temos sobre tais mitos cinematográficos. Ah sim, e o trailer original, uma raridade, arrastado e sensacionalista como eram na época.

Cotação: