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15 de agosto de 2008

O Beijo da Despedida

Cary Grant dá cerca de nove beijos, beijinhos e beijões em Susy Parker e é o que pouco resta aqui. Uma interminável discussão sobre se três marinheiros devem ou não abdicar dos quatro dias de folga em Nova York em nome da pátria. Embora a trama se passe em 1944, é evidente que refletia a recente guerra na coréia, e o quanto os americanos já não viam tanta graça assim em colocar suas vidas em risco. Mas calma! Isso parece estar subliminarmente dentro do texto, porque a Fox também não ousaria levar o título de antiamericana com o macarthismo a todo vapor. Na verdade o que o filme nos dá é uma comédia muito pobre, com poucos cenários, embora dirigida pelo grande Stanley Donen, e estrelada por Cary Grant em vias de se aposentar. Em suma, um desperdício de talentos com algumas músicas conhecidas tocando ao fundo. Estranho é o estúdio ter contratado Jayne Mansfield, famosa não por imitar Marilyn Monroe, sua maior estrela, mas por satirizá-la. Com pouco texto, sua presença é decorativa. Mansfield não faz a loira burra, e sim a débil mental total! Só não bateu com um sorvete na testa, mas quase, quase...

O Beijo da Despedida – Kiss Them for Me

- EUA 1957 De Stanley Donen Com Cary Grant, Jayne Mansfield, Leif Erickson, Suzy Parker, Werner Klemperer, Jack Mullaney 102’ Comédia


DVD - A série cinema em dobro traz dois títulos antes vendidos separadamente naquela coleção podre chamada Clássic Collection. A má notícia é que na mesma caixinha não vem dois discos, mas um filme em cada lado, o que exige certa destreza na hora de manuseá-lo. Não há extra algum, mas o filme mantém qualidade excelente, inclusive com uma faixa de áudio contendo uma dublagem caquética em português.

Cotação:

31 de julho de 2008

Cantando na Chuva

Que sentimento glorioso, parafraseando sua principal canção! Não é apenas o musical mais divertido, mas uma das comédias mais engraçadas de todos os tempos. Quem não suporta musicais tem a oportunidade de conhecer algo bastante agradável. A idéia teria surgido graças à vontade do veterano produtor Arthur Feed em fazer um longa-metragem reaproveitando velhos hits da Hollywood de ouro, ou seja, dos anos 30 e 40. Adolph Green e Betty Comden (roteiristas especializados no gênero) de forma genial situaram a história no agitado final da década de 20, quando o cinema passou a ser sonoro. Durante a maior e mais radical transição tecnológica a que a indústria cinematográfica dos EUA se deparou, quando todos foram surpreendidos pelo estrondoso sucesso de O Cantor de Jazz. Um estúdio (cujo chefão não acreditava que as fitas com áudio iriam pegar, veja só!) tenta adaptar às pressas ambiciosa produção épica em musical. Detalhe, Lina Lamont (Jean Hagen), a atriz principal, é uma insuportável estrela com voz de taquara rachada, além de falar tudo errado, fato imperceptível na fase muda. A cocota será só uma das dificuldades a serem superadas. Há pelo menos duas ceninhas que quebram o ritmo, quando Gene Kelly canta para Debbie Reynolds num cenário vazio, embora a canção seja graciosa, e o gigantesco e fora de contexto número Broadway Melody, mas nada que comprometa no geral. Mesmo sendo inspiradíssimo, foi friamente recebido em seu lançamento, inclusive pela Academia, tendo a maioria de seus prêmios (como um dos grandes de todos os tempos) entregues na atualidade. Talvez porque os 20/30 ainda fossem muito recentes nos 50 para se rir, e a chegada do áudio foi realmente traumática para várias carreiras. Para ver e rever para sempre!

Cantando na Chuva – Singin' in the Rain

- EUA 1952 De Stanley Donen e Gene Kelly Com Gene Kelly, Debbie Reynolds, Donald O'Connor, Jean Hagen, Cyd Charisse, Millard Mitchell, Douglas Fowley, Rita Moreno 106’ Musical


DVD - A Warner o tinha distribuído antes em edição simples e horrorosa de cabo a rabo. Corrigiu com esta que começa acertando ao preservar a arte do material promocional na capa e menus. No primeiro disco lamentável a faixa em áudio com comentários estar sem legendas em português, mas no resto do material extra, abundante e precioso, está ok. Há a possibilidade de se assistir ao filme comparando as cenas musicais com os filmes anteriores, uma galeria sobre as pioneiras produções faladas (O Cantor de Jazz, Broadway Melody, etc.) com trechos (!!!) delas, e ainda o trailer de 52. No segundo disco, dois documentários impecáveis. Um de 90 minutos sobre o produtor Arthur Feed contendo seqüências de seus principais trabalhos e depoimentos recentes das estrelas e envolvidos, e o outro exclusivamente sobre Cantando na Chuva apresentado por Debbie Reynolds. Ainda vem com a cena deletada (You Are My Luck Star) tida como desaparecida por décadas, incontáveis takes sonoros, uma série de cenas de filmes onde as músicas apareceram originalmente, galeria de fotos, etc. Tudo isso sem falar do filme em si, restauradíssimo! Agora dá pra ver, por exemplo, que a meia-calça de Cyd Charisse está enrugada na altura do joelho...

Cotação:

27 de outubro de 2006

Um Pijama para Dois

É por essas e outras que quando me perguntam meu gênero cinematográfico preferido nunca sei o que responder. Gosto de filmes, muito mais do que gêneros. Há musicais que amo, e realmente dão vontade de sair dançando ao seu término... Não é o caso deste “The Pajama Game”! Chaaaaaato e envelhecido em lá maior. O estranho é que praticamente os bambambans da época estavam envolvidos no projeto, a começar pelo co-diretor Stanley Donen, o mesmo do inigualável Cantando na Chuva e o coreógrafo Bob Fosse. O que vemos é um monte de musiquetas água com açúcar entremeadas por uma trama pelo menos inusitada para musicais: A luta operária. Doris Day é a cabeça de um movimento para que os salários de uma fábrica de pijamas subam sete centavos. Claro que entra em cena um executivo bonitão que deixará a mocinha relativamente divida. E dá-lhe muuuuuuita cantoria. Uma maria-mole roxa pra quem adivinhar o final? Só por curiosidade, o título idiota brasileiro é porque no último número musical há um desfile com as peças da fábrica, e a mocinha usa a parte de cima de um pijama masculino e o mocinho a parte de baixo... Se você conseguir ficar acordado até lá notará isso.

Um Pijama para Dois (The Pajama Game)
- EUA 1957 De George Abbout e Stanley Donen Com Doris Day, John Haney, Eddie Foy JR. 100’ Musical


DVD - Se a memória não me falha também há duas edições lançadas no Brasil deste filme. A que tenho é a da London Films, de uma pobreza franciscana. Menu podre, e o que é pior, imagem e áudio idem. Colocaram um fullscreen que distorce absurdamente o filme além de deixá-la granulada em excesso.

Cotação: