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16 de agosto de 2009

Arraste-me para o Inferno

Havia uma verdade e uma mentira no trailer desta nova incursão ao Horror do gênio por detrás da trilogia Evil Dead. A mentira é que o filme faz menos uso dos efeitos digitais do que aparentava, o que é uma sorte, por já se saber que computadores e o gênero não combinam em nada. A verdade é que acima de qualquer outra avaliação um retorno ao cinema calafrio clássico, com gatos, maldições, bruxas, demônios, casarões e aqueles exageros típicos que exigem a cumplicidade do espectador.

Entretenimento com sabor de passeio em trem fantasma de parque itinerante. Se for pra ficar apontando falhas e incoerências, seria melhor não ter entrado naquele carrinho enferrujado.

Não tão longe do terror como muitos acreditam, já que produziu boa parte das adaptações americanas de filmes japoneses que assolaram o mundo nos últimos tempos, o velho Raimi se faz presente muito mais nas incontáveis referências aos Evil Dead do que na cinematografia em si. Não há rebuscamentos de ângulos surpreendentes ou sacadas visuais de tirar o fôlego.

A propósito, quem viu as famigeradas desventuras de Ash inúmeras vezes deve aproveitar muito mais Arraste-me Para O Inferno. Está lá o humor pastelão, fruto da paixão confessa de Sam Raimi pelos Três Patetas, o olho do demônio que salta direto á goela da mocinha, o possuído vestindo algo semelhante aos casacos chineses para que os cabos possam o fazer flutuar sem serem vistos, xícaras e objetos inanimados que gargalham e a trilha sonora dialogando com o trabalho de Joseph LoDuca e Danny Elfman, os dois compositores com quem mais fez parceria.

Com argumento moralista e sem arroubos de originalidade, é curiosa a aposta em temores religiosos nestes tempos high-tec ao invés da carnificina desenfreada. Tão longe de ser obra-prima quanto de decepcionar, como nas velhas fitas de horror toma proveito dos temores do momento em terras yankees: malditos estrangeiros que podem nos levar ao inferno!


Arraste-me para o Inferno - Drag Me To Hell

- EUA 2009 De Sam Raimi Com Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, Dileep Rao, David Paymer, Bojana Novakovic, Reggie Lee 99’Horror


*** Em Cartaz ***

Cotação:

16 de janeiro de 2009

Noite Alucinante 3

E assim, cai o pano da forma épica que o desfecho de uma trilogia inovadora como foi Evil Dead merece. Ash como no final do anterior, entre no portal por acidente indo parar na Idade Média. Lá irá se transformar no herói que o Necronomicon apregoava existir, mas também o causador de grandes transtornos ao despertar a fúria do Exército das Sombras. Não tendo no título original “Evil Dead”, nem o número 3, leva muito mais a sério a cronologia do que o episódio anterior, embora não seja nada fiel na cena que serve de ponte entre eles. Num flashback, algumas sequências foram refeitas, com Bridget Fonda sendo Linda, a namorada possuída. Diversão garantida para quem não levar tudo tão a sério ou não esperar o mesmo horror de antes. Aliás, sua violência está mais gráfica, assumindo de vez sua inspiração em desenhos tipo Perna Longa ou nos velhos episódios de Os Três Patetas. A ambiciosa produção faz com que mesmo com mais grana as dificuldades sejam semelhantes ao de 1982, feito por Sam Raimi com um punhado de dólares em 16 mm. Não que a mente do diretor seja pouco fértil ao ponto de deixar de executar alguma de suas idéias malucas por falta de dinheiro ou recursos tecnológicos da época. O tal exercito das sombras, por exemplo, é parte fantoche, parte atores fantasiados e parte stop-motion e mesmo assim é um raro momento mágico entre as fitas de aventura. Sabor puro de Sessão da Tarde!

Noite Alucinante 3 – Army of Darkness

- EUA 1992 De Sam Raimi Com Bruce Campbell, Embeth Davidtz, Marcus Gilbert, Ian Abercrombie, Richard Grove, Timothy Patrick Quill, Michael Earl Reid, Bruce Thomas, Bridget Fonda 96’ Comédia/Horror


Cotação:

31 de dezembro de 2008

Pavor na Cidade dos Zumbis

A esta altura, as duas principais vertentes do cinema comercial italiano se fundiam: O radicalismo dos canibais e a podridão dos zumbis. Foi aí que Lucio Fulci se consagrou mestre, sempre criativo em climas sem abandonar os mais repulsivos recursos para gosto dos de estômago forte. Um argumento tão bem amarradinho que as várias forçadas de barra merecem ser relevadas. Parapsicóloga prevê que numa cidade, construída sobre a antiga Salem, um padre enforcado abriria literalmente as portas do inferno. Com a ajuda de desconhecido, vai descobri aonde tal cidade fica e desenterrar o religioso antes do por do sol. Enquanto isso, várias casos bizarros começam a surpreender os moradores, embora nem sempre as maiores brutalidades sejam feitas pelos mortos. Há violência explícita aos borbotões, com efeitos quase sempre realistas, mas também um insuportável clima claustrofóbico. Aliás, a cena da protagonista acordando dentro do caixão serviu de inspiração a Tarantino duas vezes. No episódio especial que dirigiu para CSI (Grave Danger, lançado em DVD no Brasil como Perigo a Sete Palmos) e em Kill Bill Vol. 2. Planet Terror guarda familiaridade tanto na maquiagem dos mortos-vivos, como na trilha sonora espetacular outra vez a cargo de Fabio Frizzi. Produzido pra entreter e dar medo, assim como um filme pornográfico se propõe a dar tesão, não é um marco ou obra prima, mas cumpre plenamente suas intenções. O que, cá pra nós, já não é pouco.

Pavor na Cidade dos Zumbis - Paura nella città dei morti viventi

- Itália 1983 De Lucio Fulci Com Christopher George, Catriona MacColl, Carlo De Mejo, Antonella Interlenghi, Giovanni Lombardo Radice, Daniela Doria, Fabrizio Jovine, Luca Venantini, Janet Agren 93’Horror


Cotação:

11 de novembro de 2008

Vamp – A Noite dos Vampiros

A primeira surpresa é que o nome não se trata de picaretagem dos distribuidores brasileiros pra lucrar em cima da telenovela homônima. O filme de 1986 realmente se chama Vamp, e foi comercializado em VHS em 1991 junto ao sucesso dos vampiros da TV Globo. A outra surpresa é que embora tudo indique o contrário, é muito bacaninha valendo o baixo custo da aquisição! O humor e horror estão bem dosados, com alguns sustos eficazes. Fazendo uso do mote dos inferninhos dominados por sugadores de sangue (como Um Drink no Inferno de Robert Rodriguez, que continua inédito em DVD no Brasil), três adolescentes em busca de aceitação entre os populares da faculdade partem para a cidade grande para contratar stripers que topem animar a festa da galera. E é isso, com praticamente toda a ação se passando economicamente naquele espaço, ótima desculpa para algumas garotas de pouca roupa dar o ar da graça. Furos no roteiro, com saídas fáceis em certos momentos não deve ser algo a se reclamar pra quem não esperava nada. Lógico que a presença forte da pop star jamaicana Grace Jones como a rainha de todos os vampiros é um interesse a mais na produção. Ela entra muda e sai calada no sentido real da expressão, usando figurinos tão extravagantes quando engraçados ou constrangedores. No elenco ainda Dedee Pfeifer, a irmã mais sem graça da Michelle.

Vamp – A Noite dos Vampiros – Vamp

- EUA 1986 De Richard Wenk Com Grace Jones, Robert Rusler, Dedee Pfeiffer, Chris Makepeace, Brad Logan, Gedde Watanabe 93’ Horror


DVD - Como aqui não foi lançado em sua época, será graças ao DVD que este filme se consagrará entre os amantes de filmes B. Até porque, a editora NBO primeiro o distribuiu em bancas de revista e agora pode ser achado em grandes hipermercados custando uma ninharia. A imagem está ótima, com o escopo original preservado de forma anamórfica. Há apenas texto como extra ao contrário da edição americana (onde é Cult) que inclue faixa de comentários com os envolvidos no projeto.

Cotação:

30 de outubro de 2008

A Cidade dos Amaldiçoados (1995)

Refilmagem inútil número 4.876. Isso porque, o original de 1960 continua ótimo, empolgante de suspense discreto e eficaz. Feito em 1995 pelo irregular John Carpenter, a pista mais óbvia de sua existência desnecessária são os figurinos de Kirstie Alley. O personagem não presente no original se veste com uma capa de chuva mesmo num visível calor. A médica cética não passa da vontade de tirar casquinha em cima do sucesso do seriado Arquivo X, grande sucesso do inicio dos anos 90, sendo que é absolutamente mal aproveitada. Daria pra cortá-la na edição que não faria diferença alguma. O que era sugerido, tornou-se uma sucessão de sustos fáceis, daqueles em que a música faz um “bam!” e não têm conexão alguma com a história. Tudo é tão mastigado e claro que até evidenciaram a origem das criancinhas, que aliás, muito mal selecionadas. Mesmo a aparência delas, todas loirinhas (referência à guerra fria) foi mudado para um platinado ridículo, ignorando que a outra produção era preto e branco. O argumento é idêntico, mas a forma com que ele foi conduzido é que são elas! Uma neblina (!!!) invade pequena cidade fazendo seus habitantes adormecerem. Alguns meses depois todas as mulheres (umas 9!) ficam grávidas, etc., etc. E não é que entre os pequenos agora há um bonzinho? Nem do final com gancho para uma seqüência (que jamais aconteceu) foi esquecido. Pra piorar a zica, é o último trabalho de Christopher Reeve antes do acidente que o deixaria tetraplégico.

A Cidade dos Amaldiçoados - Village of the Damned

- EUA 1995 De John Carpenter Com Christopher Reeve, Kirstie Alley, Linda Kozlowski, Michael Paré, Mark Hamill, Meredith Salenger, Pippa Pearthree, Cody Dorkin 99’ Horror/Ficção Científica


DVD - Bem antigo, quando a Universal tentou padronizar os ícones de navegação em seus discos. Pelo menos tem o trailer como extra, além de algum texto em inglês.

Cotação:

29 de outubro de 2008

A Aldeia dos Amaldiçoados (1960)

Clássico da paranóia anticomunista, com suspense ainda intacto por mais estapafúrdio que seu argumento pareça. Numa cidadezinha inglesa, inexplicavelmente todos os habitantes caem no sono. Após alguns meses do fenômeno, as mulheres com idade madura para gerarem filhos aparecem grávidas. O impacto inicial da notícia, com maridos apostando na infidelidade das esposas, virgens assustadas, dá lugar à esperança graças ao natural amor familiar. Exames apontam se tratar de bebês normais que se desenvolvem com rara velocidade no útero. Super inteligentes, com cabelos muito claros, poderes paranormais, e sem nenhum sentimento, os pequenos especiais se reúnem num grupo fechado, e começam a atacar qualquer um que se meta em seu caminho. George Sanders, oscarizado por A Malvada (All About Eve, 1950) faz o pai do principal deles, um cientista que defende a proteção dos seres, já que em alguns outros países onde ocorreu o mesmo fato, os governos decidiram simplesmente varrê-los do mapa com o uso de armas nucleares. No elenco também há a musa do horror Barbara Shelley vivendo a doce esposa de Sanders. A produção modesta não atrapalha o argumento genuíno, e muito bem construído. Assim como todos os outros personagens, em momento algum se sabe o que são aquelas criaturas bizarras. Embora seja forte a suspeita de que sejam parte de experiência alienígena após se recusarem a responder se há vida inteligente em outros planetas. Quase uma unanimidade entre cinéfilos, continua inédito no mercado de home vídeo brasileiro, conhecido apenas por constantes reprises na TV. Gerou uma seqüência bem menos impactante e em 1995 um mal fadado remake pelas mãos de John Carpenter.

A Aldeia dos Amaldiçoados - Village of the Damned

- Inglaterra 1960 De Wolf Rilla Com George Sanders, Barbara Shelley, Martin Stephens, Michael Gwynn, Laurence Naismith, Richard Warner, Jenny Laird 77’ Horror/Ficção Científica


Cotação:

17 de outubro de 2008

Horror Hotel

O grande Christopher Lee é o carrancudo professor Allan Driscoll que impressiona alunos contando a história de Elizabeth Selwyn,
queimada pela Santa Inquisição 300 anos antes. A acusada teria se revelado culpada ao amaldiçoar entre as chamas o vilarejo Whitewood. Impressionadíssima com o que ouve, uma das garotas segue as recomendações do mestre para conhecer o local e assim aprofundar os estudos sobre religiões pagãs. Mórbido e curto, esbanjando demonismo, fantasmas e assombrações em geral, é inusitado pela violência explícita (pouco comum para a época) e a espantosa semelhança entre a estrutura do roteiro com Psicose de Alfred Hitchcock. Surpreende saber que ambos são do mesmo ano, o que faz descartar inspiração, plágio, etc. O próprio cenário, o hotel, uma das mocinhas é parecida com Janeth Leigh, e uma outra coisa importante, mas que não se deve dita. Quem viu algum deles deve imaginar o que seja! Não é uma produção espetacular, embora vá bem além das expectativas com sombras dando um clima desolador em alguns rituais de magia negra de aspecto clássico. No geral, é muito mais comprometido por vários pontos mal explicados do que pela falta de recursos financeiros. A tal bruxa reencarnada (ou só materializada?) torna-se a Senhora Newless, dona do hotel. Obviamente o nome é o mesmo apenas invertido, num recurso mais comum aos filmes de vampiro do que de bruxas.


Horror Hotel – Horror Hotel (The City of the Dead)

- Inglaterra 1960 De John Llewellyn Moxey Com Christopher Lee, Dennis Lotis, Patricia Jessel, Tom Naylor, Betta St. John, Venetia Stevenson, Valentine Dyall 78’ Horror


DVD - Tão obscuro quanto o filme é este DVD, que não contém nem o logo da distribuidora ao ser inicializado. Na contracapa há a indicação de que é da Fantasy Music, o que não significa realmente muita coisa. A imagem tem boa qualidade perto dos outros B comercializados de qualquer jeito no Brasil.

Cotação:

14 de outubro de 2008

O Lobisomem de Londres

O ser mitológico mais incompreendido do cinema ainda está por ganhar um filme que preste. A Universal, em sua época áurea no gênero, fez o que pode já que por mais popular que seja, não há nenhum clássico da literatura a ser adaptado como Drácula ou Frankenstein. Optou-se curiosamente por uma trama que anteveria a febre das produções com cientistas loucos mutados da década de 50 e pinceladas de O Médico e o Monstro, estrondoso sucesso com John Barrymore em 1920. Cientista inglês é atacado por um lobisomem ao viajar ao oriente procurando uma rara flor que floresce apenas ao luar. A planta se revelará o único antídoto (paliativo) para a maldição. O resto seria de total banalidade, com o médico enfurnado em seu laboratório quando não está atacando mocinhas indefesas, se não houvesse um toque de brilhantismo, de extrema humanidade. Casado com uma linda jovem, e muito ocupado com descobertas científicas, vê sua relação ruir com a chegada de um ex namorado de infância da garota. A primeira transformação total vem justo num rompante de ciúmes, quando os velhos amigos saem pra passear e ele fica imaginando o que poderia estar acontecendo. Paralelamente há um homem suspeito de olho na tal flor que consegue florescer artificialmente em Londres. Outra peculiaridade são os muitos momentos cômicos, sinal de que a platéia da metade da década de 30 não era tão ingênua como se imagina ou o estúdio não confiava tanto assim neste monstro. Pode-se levar em conta também que o país estava saindo da aterradora crise causada pelo crash da bolsa de 29, uma das explicações para tanto sucesso das películas de horror alguns anos antes. A transformação da criatura (de aparência engraçada, quase fofa pra atualidade) merece algumas linhas porque nem sempre funciona, mas às vezes dá muito certo . Na primeira vez pode-se chamar de verdadeiro milagre técnico, conseguido facilmente apenas nos dias de hoje com o auxílio de computador: Editar uma seqüência feita com a câmera em movimento.

O Lobisomem de Londres – Werewolf of London

- EUA 1935 De Stuart Walker Com Henry Hull, Warner Oland, Valerie Hobson, Lester Matthews, Lawrence Grant, Spring Byington, Clark Williams 75’ Horror


DVD- Os direitos autorais são logicamente da Universal, mas a London (WorksDVD) comercializou em “sessões duplas” junto a outros do estúdio. Com imagem muito boa, incluíram A Mulher Fera de Londres, feito quase dez anos depois e os trailers de A Filha de Drácula, O Filho de Drácula e Drácula (de Bela Lugosi) também presentes nos respectivos filmes.

Cotação:

8 de outubro de 2008

Pesadelo Mortal

O título medíocre em português esconde logo de cara um elemento importante do filme. Cigarette Burns, ou queimadura de cigarro, refere-se àquelas marcas redondas que aparecem no canto da imagem de um filme para o projetor saber que está na hora de trocar o rolo, e que acabam denunciando que algo de importante acontecerá. Antigamente eram visíveis até na TV, mas com a digitalização ficaram relativamente raras. Milionário cinéfilo (Udo Kier) contrata dono de cinema que só passa cults para que ele encontre uma produção européia lendária. Tal filme muito chocante, teria sido exibido apenas uma vez no começo da década de 70, e causado histeria coletiva na platéia ao ponto de todos terem se matado e colocado fogo na sala. A prova de que ele existiu é que o ricaço guarda na mansão um souvenir das filmagens, o anjo que teve as asas arrancadas diante da câmera. Este instigante e original argumento, serve para John Carpenter, cineaste irregular, encontrar o equilíbrio perfeito com bem dosada violência explícita. Com estrutura de velha história detetivesca, a busca do protagonista pela fita mais escabrosa de todas é um paralelo interessante à sede dos fãs do gênero horror por cada vez mais e mais. Feito para a TV na série Mestres do Terror, é de lamentar sua duração curta.

Pesadelo Mortal - John Carpenter's Cigarette Burns

- EUA 2005 De John Carpenter Com Norman Reedus, Udo Kier, Gary Hetherington, Christopher Britton, Zara Taylor, Chris Gauthier 59’ Horror


DVD- A Paris Filmes comercializa no Brasil alguns episódios da série Mestres do Terror separadamente, já que cada episódio conta uma história independente. No caso deste, vem com inúmeros trailers tanto dos outros trabalhos quanto de produtos da distribuidora. Vários documentários sem edição dos bastidores mostram o quanto a equipe canadense se sentiu honrada em trabalhar no projeto, e entrevistas curtas com elenco, roteiristas e o diretor. Carpenter, de ovos virados, dá um banho de grosseria com o péssimo repórter.

Cotação:

27 de setembro de 2008

Estrela Nua

Raro filme brasileiro que não busca o naturalismo. Os diretores José Antônio Garcia e Ícaro Martins, em última parceria, vinham da comédia Onda Nova e apontavam agora para um caminho mais maduro. O argumento brilhantemente original tem respingos de inúmeros outros filmes. São visíveis referências que vão de Buñuel, Billy Wilder a Otto Preminger, passando sobre tudo pela trilogia do apartamento de Polanski. Atriz famosa (Cristina Aché) sufocada pela superexposição de sua imagem morre (talvez suicídio?) antes de completar a dublagem de último trabalho Nelson Rodriguiniano, deixando aberta a vaga para uma novata. Essa outra é Carla Camurati, mãe solteira que ao entrar no universo cinematográfico acabará misturando sua personalidade à da morta. Se a idéia é ótima, sua execução beira o amadorismo técnico. É provável que seja proposital que uma história sobre bastidores de cinema/dublagem tenha a dublagem muito tosca, mas não deve haver outra desculpa à edição de qualquer jeito, fotografia acidental, cenários miseráveis... Numa cena, o restaurante tem paredes brancas, sem janela nem nada. Há ainda inúmeros personagens rasos, sem maiores funções à trama, ocupados por, quem sabe, amigos pessoais dos diretores. Como trilha sonora, além de faixas originais compostas por Arrigo Barnabé, ouve-se praticamente um disco inteiro dos Mutantes. O roteiro que jamais se assume comédia, drama, suspense ganhou inacreditável desfecho bobo, como se precisasse justificar seu surrealismo. Mesmo assim, estes tantos percalços não diminuem o valor artístico da obra, chegando até a dar certo sabor de happening, de imediatismo. Como diz o personagem da Vera Zimmerman: “Cinema nacional é foda!”.

Estrela Nua

- Brasil 1984 De José Antônio Garcia e Ícaro Martins Com Cristina Aché, Carla Camurati, Selma Egrei, Jardel Mello, Cida Moreira, Ricardo Petráglia, Vera Zimmerman 90’ Drama


DVD- Palmas para a Cinemagia, que corajosamente lançou Onda Nova e Estrela Nua com imagem em fullscreen, mas boa. Resta saber se O Olho Mágico do Amor, dos mesmos diretores também saiu por eles. Como material bônus galeria de fotos promocionais e biografias em texto. Na contracapa tem uma lista dos inúmeros prêmios que o filme recebeu. Embora Camurati seja a protagonista levou em Gramado o Kikito de coadjuvante!

Cotação:

24 de setembro de 2008

Plano 9 do Espaço Sideral

Quantas estrelinhas ele merece? Todas por ser imperdível ou nenhuma por ser considerado o pior filme já produzido pelo cinema americano? Talvez seja essa fama que o mantém tão lendário, embora duvidosa porque mesmo péssimo do início ao fim, como julgá-lo perante tanta porcaria lançada semanalmente? Veja bem, Ed Wood o dirigiu, produziu, editou e mais o que foi necessário por uma merreca e consegue de forma legítima divertir. Compare com os irmãos Wachowski que com uma bolada fizeram o bocejante Speed Racer. Se um filme comercial não serve para entreter, não deve haver outra utilidade. Plan 9 atira para tantos lados que a cada vez que se assiste há sempre algo tosco a ser observado, e a história faz ainda menos sentido. Os alienígenas que sobrevoam Hollywood reanimando cadáveres além de tudo são chatos, com uma verborragia sem fim, explicando por A mais B quais são as intenções do tal plano, sendo que não há uma só linha sobre os planos 8, 7, 6 e assim por diante. É inegável que a imagem de Vampira ao lado de Tor Johnson é emblemática e grotescamente bela. Seria a melhor coisa do filme se não tivesse aquele fulano fingindo ser Bela Lugosi escondendo a cara com a capa! Hilário, ingênuo, mas verdadeiro! De tão medíocre, de talento nulo, o diretor que foi homenageado por Tim Burton em seu melhor trabalho, parecia muito mais apaixonado pelos holofotes do que pelo cinema. Aliás, é difícil de acreditar que quem tenha feito isso entrou numa sala de cinema alguma vez na vida...

Os Plano 9 do Espaço Sideral – Plan 9 from Outer Space

- EUA 1959 De Edward D. Wood Jr. Com Bela Lugosi, Vampira, Tor Johnson, Lyle Talbot, Reverend Lynn Lemon, Joanna Lee, Paul Marco 78’ Ficção Científica


DVD- Edição dupla caprichadíssima da Continental, que já o havia lançado nos 90 em VHS. Fora uma abertura animada no primeiro disco, longa e que não dá pra pular, não a muito do que reclamar. Vem com o trailer original, imagem restaurada na medida do possível, pequena galeria, notas de produção e biografias em texto. A pérola máxima está no segundo disco, com o documentário Flying Saucers Over Hollywood: The Plan 9 Companion lançado em 1992 com quase duas horas de duração. Todos os envolvidos no filme aparecem dando depoimentos realmente esclarecedores sobre a produção e Ed Wood. Emociona ver o quanto Tim Burton foi fiel e reverente a eles. Até a locação do pequeno estúdio, escondido atrás de uma viela, é idêntica! Recheado de cenas raras é mais do que imperdível!!!

Cotação:

20 de setembro de 2008

Os Fantasmas se Divertem

Contado como comédia surreal do ponto de vista de fantasmas às voltas com os moradores vivos de sua casa, é antes de tudo um filme sobre costumes. A tradicional América perdendo espaço para a globalização dos hábitos, degeneração já bem avançada em Nova York. Tim Burton, praticamente em seu primeiro longa, voltaria inúmeras outras vezes ao mesmo tema. Das casinhas suburbanas, aos figurinos de Geena Davis e Alec Baldwin, tudo nos remete ao amado american way de outros tempos. O principal mérito é usar assuntos tão mórbidos e pesados com uma leveza ímpar. Ao final, nos sentimos tentados a olhar para almas penadas com muito mais respeito ao invés do medo costumeiro, embora isso não seja suficiente para que o desfecho conciliador faça algum sentido. Conseguiu bilheteria suficiente para que a mitologia gerasse um desenho animado, vídeo-game e uma há anos comentada seqüência que nunca apareceu. E lógico, credenciou o diretor para assinar Batman, divisor de águas no cinema da década de 90. Cada frame é a cara do cineasta, tanto nos efeitos óticos, ainda interessantes, quanto no visual. Se prestarmos atenção, até a cabeça de Jack Skellington aparece ornamentando o chapéu de Beetlejuice, sendo que o personagem só apareceria em O Estranho Mundo de Jack, que Burton produziu, quatro anos depois. Há também muitas regras engraçadas ditadas, como a que nós só enxergamos o óbvio e que suicidas invariavelmente tornam-se funcionários públicos no além! Sem esquecer a principal delas: Problemas com os vivos? Basta chamar três vezes: Beetlejuice! Beetlejuice! Beetlejuice!

Os Fantasmas se Divertem – Beetle Juice

- EUA 1988 De Tim Burton Com Michael Keaton, Geena Davis, Alec Baldwin, Catherine O'Hara, Winona Ryder, Glenn Shadix, Sylvia Sidney 92’ Comédia


DVD- Caquético e ainda por cima em tela cheia. Ficamos na torcida para que a Warner lance também no Brasil a mesma edição comemorativa dos 20 anos que está saindo nos EUA. Sem falar de As Grandes Aventuras de Pee-Wee que continua inédito em DVD aqui.

Cotação:

26 de agosto de 2008

O Bebê de Rosemary

Divisor de águas no gênero, originou uma febre de filmes demoníacos, mas poucos foram tão bem sucedidos no misto de classe e mitologia pagã. Seu horror psicológico consiste basicamente em nos confrontar com o medo primitivo de que estamos absolutamente a sós no mundo. Mesmo aquela pessoa escolhida para ficar ao nosso lado para o resto da vida pode trocar todo e qualquer afeto por interesses pessoais. Polanski se tornaria um mestre na exploração de tal tema, sendo o primeiro trabalho nos EUA uma espécie de geme para a chamada trilogia do apartamento, completada com Repulsa ao Sexo e O Inquilino. Os três, quando não muito, são obras primas da fobia social. A história se passa em 1966 (o ano um), quando recém casados mudam-se para antigo prédio em Nova York e ficam vizinhos de casal de velhinhos insuportáveis. Na verdade, estes antigos moradores (Ruth Gordon brilhante, levou o merecido Oscar de atriz coadjuvante.) são feiticeiros poderosos que convencerão o marido (ator em busca de ascensão) a permitir que sua esposinha gere ninguém menos do que o anticristo. Este roteiro adaptado de livro pelo diretor foi produzido pelo papa dos filmes B Willian Castle, que por um triz bateu o pé para ele mesmo o comandar. Já se pode imaginar a platéia levando choques ou esqueletos presos com fios de nylon, como fez em A Casa dos Maus Espíritos ou Força Diabólica... Castle se contentou em aparecer a lá Hitchcock quando Rosemary está numa cabine telefônica e manteve no elenco Elisha Cook Jr., um de seus habituais atores. Mia Farrow, perfeitamente frágil como protagonista, enfrentava nos bastidores a barra de sua separação com Frank Sinatra, o que atraía muito a atenção da mídia. Numa inovadora estratégia de marketing, armaram uma espécie de coletiva de imprensa onde teve seus cabelos cortados enquanto xingava os repórteres. Como as produções envolvendo o tinhoso que o sucederam, há varias lendas e zica ziras a seu respeito. As principais são que John Lennon foi assassinato em frente ao edifício Dakota, o mesmo que serviu para as cenas externas, e a atriz Sharon Tate, grávida do diretor, foi barbaramente morta algum tempo depois pela seita messiânica de Charles Mason. Por muitos anos preservou-se o mito de que haviam alguns frames com o rosto de satã no minutos finais. Com DVD, imagem mais limpa, e sendo revisto algumas vezes, tal conversa perdeu a força. Aparece realmente, mas o mesmo rosto visto na seqüência da inseminação. A música tema é cantada por Farrow, mas não creditada.

O Bebê de Rosemary - Rosemary's Baby

- EUA 1968 De Roman Polanski Com Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans, Ralph Bellamy, Victoria Vetri, Patsy Kelly, Elisha Cook Jr. 136’ Horror


DVD - Mesmo antigo, está em Widscreen e seus extras têm legendados em português. O material bônus é uma entrevista atual retrospectiva sem a presença de Farrow, e um making of da época narrado pela protagonista em momento paz e amor. Ambos bem relevantes com imagens raras. Estranho no Brasil não ter vindo com o trailer de cinema.

Cotação:

12 de agosto de 2008

Encarnação do Demônio

O dia em que veríamos um novo José Mojica Marins nos cinemas parecia não chegar nunca! Mas chegou, com baixo orçamento como se esperava e uma inacreditável distribuição da Fox. Se tudo correr bem, ou seja, tiver bilheteria satisfatória, talvez a filmografia nacional escape da atual arapuca favela - elenco da Globo - drama. Há tela pra todo tipo de platéia. Embora a entrada custando quase duas notas de 10 Reais, sabe-se que esta platéia só pode vir da classe média. Diante do caos crônico, assistir uma nova desventura do coveiro mais famoso do mundo ganha status de momento histórico em nossas vidas! Mojica continua sendo único, criador de uma mitologia 100% nacional, diretor à base de boas idéias executadas a duras penas, sob o olhar de viés de um publico cada vez mais acostumado ao óbvio e ululante. Infelizmente o roteiro escrito por Dennison Ramalho, tendo como base argumento do cineasta, faz concessões a essa vertente de entretenimento fácil. Se no filme anterior (Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, 1967) havia uma trama bem certinha onde personagens bem delineados giravam em torno do protagonista que buscava a mulher superior, agora temos o Zé do Caixão exibindo sua crueldade a torto e a direito, e só! São tantas garotas em tão pouco tempo que a motivação principal da esposa que gerará seu filho vira pó. Encarnação do Demônio parece confirmar os roteiros mal estruturados como o defeito mor do cinema daqui, não se sabe se por pressa ou falta de recursos, parecem receber pouco tratamento. A edição (só na base do picadinho!) também não nos dá tempo suficiente para que haja empatia com qualquer das vítimas a ponto dos crimes nos importarem. Entre muitas boas sacadas, os fantasmas dos filmes anteriores reaparecem em preto e branco conforme foram fotografados no passado. O grande Jece Valadão faz um policial caolho fabuloso e de tabela nos faz indagar porque filmes brasileiros desprezam tantos atores típicos da mídia. Sua morte, com o trabalho incompleto, forçou a várias (ótimas) trucagens para não eliminar o ator. Mesmo inserindo um substituto, em momento algum o resultado lembra o absurdo de Bela Lugosi em Plan 9 from other Space. Ainda no elenco (de uma forma geral bem coeso e esforçado), há dois ícones das nossas telas que merecem atenção: Cristina Aché e Helena Ignez. José Celso Martinez Corrêa, diretor de teatro, tem presença over desnecessária, em um inferno de resultado idem. Lá, convence pouco que pessoas têm seus olhos e boca costurados (de verdade!) por um capeta que usa luvas cirúrgicas, assim como a presença da morte representada de maneira bem óbvia por garota muito magra de capuz negro. Como fim de trilogia, não é a chave de ouro que merecia, como cinema, embora com seus defeitos, ainda é bem superior à maioria das tranqueiras que os norte-americanos desovam em nossas telas todas as semanas.

Encarnação do Demônio - Encarnação do Demônio

- Brasil 2008 De José Mojica Marins Com José Mojica Marins, Giulio Lopes, Milhem Cortaz, José Celso Martinez Corrêa, Jece Valadão, Helena Ignez, Rui Resende, Eduardo Chagas, Cristina Aché, Thais Simi, Cléo De Páris 98’ Horror


*** Em cartaz ***

Cotação:

8 de julho de 2008

Sortilégio de Amor

Comédia romântica muito querida com Kim Novak e James Stewart, mesmo casal de Um Corpo que Cai. Ela é a dona de uma loja de esculturas africanas em Nova York bem insatisfeita com sua condição de feiticeira. No caso, feiticeiras não são mulheres que estudam os poderes da natureza, nem aquelas velhinhas com verruga no nariz, e sim pessoas que nascem com dons de encantos, quase uma raça. Embora sonhe passar o natal com pessoas normais à sua volta (no filme elas freqüentam uma animada boate de iê-iê-iê chamada Zodiac), e um homem comum, se recusa a usar seus sortilégios para conquistar por não achar honesto. Quando descobrir que seu vizinho bonitão a quem paquera está noivo de sua rival dos tempos de colégio, repensa seus princípios éticos. Como toda comédia do tipo, e como 2 mais 2, já se sabe aonde tudo vai dar assim que se superar os obstáculos. Sob a ótica da virada das décadas 50/60, o enredo versando sobre o negar a natureza própria em troca do ser amado ou aceitar diferenças. Pode parecer datado porque em nenhum momento o personagem de James Stewart demonstra interesse em mudar qualquer coisa em si, só na mulher. Mas com aquele tehcnicolor berrante, graciosa trilha sonora swingada, essa misoginia pode se tornar outro atrativo charmoso da época. Novak sussurrando a música tema ao ouvido do gato para fazer feitiços é uma imagem realmente encantadora! Baseado numa peça teatral, o título original (Bell, Book and candle) é referência direta ao poema usado pelos inquisidores na hora de exorcizar bruxas, também tem seu argumento muito parecido com o de Eu Casei Com Uma Bruxa, filme com Veronica Lake, e de forma mais óbvia, deve ter servido de inspiração ao seriado A Feiticeira. Elsa Lanchester, a tia bonachona, foi imortalizada como a Noiva De Frankenstein no clássico da Universal.

Sortilégio de Amor – Bell Book and Candle

- EUA 1958 De Richard Quine Com James Stewart, Kim Novak, Jack Lemmon, Elsa Lanchester, Ernie Kovacs, Hermione Gingold , Janice Rule 103’Romance


DVD - Pra compensar os anos a fio em que se manteve inédito no VHS, há duas capinhas diferentes circulando por aí graças a tal Classics. Embora o filme esteja em widescreen com imagem relativamente boa, o material gráfico (capa, contracapa e menus) dá pena. Parece que tudo foi feito no paint brush! Como bônus, o trailer de cinema muito bonitinho e de mais alguns outros obscuríssimos.

Cotação:

6 de julho de 2008

A Profecia (2006)

Mais uma refilmagem desnecessária, até porque, foi fiel cerca de 85% e mesmo assim não deu em nada! É quase como anotar uma receita de bolo no programa da Ana Maria Braga feita por um cozinheiro chique. Jamais teremos o mesmo resultado, embora quem não saboreou o outro poderá até lamber os beiços. Engraçado é que enquanto Richard Donner aparece negando qualquer maldição nos extras do filme original, já que coisas ruins acontecem nos bastidores de comédias românticas, dramas, etc., o gorducho John Moore deste ressalta algumas vezes nos extras ter sofrido uma espécie de praga do coisa ruim quando os negativos de algumas cenas foram perdidos. Tais declarações oportunistas são um bom exemplo do tipo de profissional que ele é e em que condições o filme foi feito. Enquanto o outro era um suspiro sobre a difícil arte de se manter como casal feliz perto de todas as transformações culturais daquele período, este é uma gritante sucessão de sustos fáceis, que pra piorar não deixa de fazer sensacionalismo com fatos (e imagens!) jornalísticos recentes. No elenco, o rejuvenescimento do casal principal incomoda menos do que o envelhecimento do ator mirim que faz Damien. Enquanto o outro era adestradinho, este tem idade suficiente para tentar interpretar, e por isso soa falso, artificial na maior parte do tempo. A curiosidade máxima fica por conta de Mia Farrow como a babá cúmplice do garoto, embora na época do lançamento (06/06/2006) a atriz tenha dito que não via relação com seu papel memorável em O Bebê de Rosemary. De qualquer forma, A Profecia de 76 foi criado na cola do sucesso do filme de Roman Polanski. Verdadeiro marco do cinema de horror levou o medo para dentro dos lares felizes com o capeta conseguindo abrigo na pele de belas criancinhas. Ainda resta falar da falta que fez a tenebrosa trilha sonora composta por Jerry Goldsmith vencedora do Oscar de 77, mas isso já soaria a pedir demais.

A Profecia – The Omen

- EUA 2006 De John Moore Com Liev Schreiber, Julia Stiles, Marshall Cupp, Seamus Davey-Fitzpatrick, Mia Farrow, Carlo Sabatini 109’Horror


DVD - A Fox o disponibilizou sozinho e em um box contendo a trilogia original, mas a parte 4 feita para TV. A propósito, esta caixa foi comercializada assustadoramente 3 vezes, fazendo paralelo talvez só com os Star Wars no quesito oportunismo cinematográfico. O Disco do filme de 2006 nem capinha combinando com os outros 4 possui. Há duas cenas estendidas, além de um alardeado final alternativo que nada mais é do que também uma versão mais longa da vista no corte final. Vem ainda com alguns trailers dele e dois making offs, do filme e da trilha sonora. Como destaque, documentário (feito para TV sem esconder as entradas para intervalos) sobre a paranóia envolvendo o número 666. Exceto a faixa de comentários do diretor(!!!) e os trailers, tudo está legendado em português.

Cotação:

21 de junho de 2008

A Múmia (1932)

Como alusão à luta desesperada pelo amor perdido, este representante da época de ouro da Universal Studios tem lá seu charme. Como horror, está tão pútrido quanto a múmia brilhantemente interpretada por Karloff, o Inominável. Até porque, era o primeiro filme americano dirigido pelo fotógrafo alemão Karl Freund, o que por si já justifica tanto capricho visual numa história bem fraquinha. Há planos demais em poucos minutos, o que era raro naquela época. Também foi responsável pelo pouco de ousadia que Drácula (1931) tinha, a fotografia de algumas tomadas com a câmera em movimento. Já sua carreira de diretor duraria pouco após esta múmia. Óbvio que para colecionadores e cinéfilos é um filme imperdível, que confirma o talento de seu ator principal Boris Karloff, o farrapo apaixonado, o monstro de boas intenções. Ainda traz em seu roteiro inúmeros elementos que seriam explorados a exaustão no gênero nas décadas consecutivas, como o amor de outras vidas, a maldição milenar, etc. Para nós, neste longínquo 2008, usar múmias como pretexto para assustar também soa a algo despropositado. Mas em 1932 fazia apenas 10 anos que o túmulo de Tutancâmon havia sido descoberto, e desde então, ano a ano, os jornais estavam repletos de noticias sensacionalistas a respeito. Uma verdadeira múmia-mania! Cada pessoa envolvida na descoberta que morria imediatamente a imprensa noticiava com estardalhaço a possível maldição da múmia. Zita Johann, a mocinha de traços exóticos, foi outra que teve carreira curtíssima em Hollywood. Dedicou-se ao teatro simplesmente porque desprezava o cinema.

A Múmia – The Mummy

- EUA 1932 De Karl Freund Com Boris Karloff, Zita Johann, David Manners, Edward Van Sloan, Bramwell Fletcher, Leonard Mudie, Noble Johnson 73’ Suspense


DVD - Da coleção “Universal Studios Home Of The Original Monsters”, tem a capinha padronizada, verde imitando pedra, mas menu muito bacana. Pena o áudio não estar com tanta qualidade quanto a imagem do filme. Como os outros da série há um esforço do estúdio em colocar extras interessantes. Aqui temos o trailer, grande galeria de imagens, um documentário muito bom sobre o filme e faixa de comentário do historiador Paul M. Jensen. Esta faixa, ao contrário dos outros da série, não é das mais interessantes, pois Jensen tem comentários muito técnicos, muitas vezes simplesmente descrevendo o que é mostrado.

Cotação:

12 de junho de 2008

Supergirl

É uma aventura na cola do mega hit que foi o Superman de 1978. Mas poderia ser uma comédia. Involuntária, claro! Os produtores cercaram-se de tudo o que poderia ser bom, menos de um roteiro condizente, adulto, que exigisse o mínimo da inteligência madura da platéia. Tivesse meia hora a menos e crianças de 6 a 8 anos iriam adorar! Alguns sobreviventes de Kripton, sabe-se lá como, sobreviveram e moram em nave (ou planeta) pacificamente. Um cientista (Peter O'Toole pagando seus pecados), mesmo tendo criado tudo aquilo, é idiota o bastante para roubar uma bola sagrada vital ao funcionamento de tudo para manufaturar esculturas de isopor. Acidentalmente a garota Kara (de pau?), prima do Homem de Aço (repetirá isso o tempo todo!), cria uma libélula gigante (!!!) que quebra o vidro (plástico) o que faz com tal bola perca-se no espaço graças ao vácuo. Por ter colocado todos os kriptonianos em perigo novamente, a loirinha então parte em uma nave experimental rumo à Terra, e o roteiro também nunca explica como sabia a trajetória do artefato... Tá! A esfera poderosa cairá no molho da ambiciosa bruxa Selena (Faye Dunaway!!!), em um piquenique. A sucessão de absurdos parece infinita. Ao cair no fundo de um lago, a garota já sai voando, e seus trajes de toga grega viram o de cheerleader jeitosinha como mágica. Esse poder de transmutação não é nada perto do disfarce que usará para passar como humana. Ao contrário do primo famoso que usa óculos e um terno, ela muda a cor do cabelo para preto como Linda Lee! Se ele necessita de uma cabine telefônica para se trocar, ela muito mais prática simplesmente se transforma! Se ele tem como meta salvar o mundo de um empresário terrorista, ela está mais envolvida em resolver problemas do coração, ou escapar da tal bruxa que enfeitiça (e disputa) seu interesse amoroso. Vergonhoso teatrinho infantil! Helen Slater foi considerada uma das causas do fracasso, mas é óbvio que dos males o menor. Agora os grandes nomes envolvidos no projeto, atuando no piloto automático são revoltantes. Dunaway e O'Toole disputaram a Framboesa de Ouro daquele ano merecidamente. Esqueceram de Mia Farow como mãe da protagonista, talvez porque seja uma pequena participação, mas igualmente triste! Mas sabe o que é divertido? Notar tanto dinheiro gasto em algo hilário de tão cafona e achar as falhas dos efeitos especiais muito amadores. Os cabos responsáveis pelo vôo da Supermoça são visíveis o tempo todo! Ou a sombra das roldanas que os sustentam... Taí uma super vídeo cacetada!

Supergirl – Supergirl

- EUA 1984 De Jeannot Szwarc Com Helen Slater, Faye Dunaway, Peter O'Toole, Mia Farrow, Peter Cook, Simon Ward, Maureen Teefy, Hart Bochner, Brenda Vaccaro 124’ Aventura


DVD - Epa! Nem só de horror vive a Works (London Films)! Se bem que Supergirl em termos de trash bate de 10 a zero em qualquer filme da Hammer. Tem ótima qualidade de imagem e áudio, tinindo de novos. Os menus animados também são bacanas, com a música (irritante) composta por Jerry Goldsmith. Não há nada de extra, mas lá fora saiu uma edição do diretor, com minutos a mais, o que desperta algum interesse pelo tamanho do abacaxi que é a edição comercial, já bastante longa.

Cotação:

9 de maio de 2008

Os Ritos Satânicos de Drácula

O clima trash dos anos 70 é sem sombra de dúvida o que tem de melhor. Indo vertiginosamente pro buraco, a Hammer Films tentou de todas as formas continuar a interessar as platéias modernas, a essa altura embasbacada com o horror psicológico ou demoníaco como O Bebê de Rosemary, O Exorcista ou A Profecia. Foi do jeito mais óbvio e errado possível, colocando o Conde Drácula nos dias atuais. Longe de seu castelo medieval se disfarça como presidente de multinacional no comando de poderosa seita. Suas intenções são igualmente estúpidas: Reúne um monte de cientistas e empresários gananciosos para criar um vírus super poderoso que irá acabar com o planeta. Tudo isso porque simplesmente cansou de viver e quer enfim descansar... Sim, a eternidade é chata até para o ele! Isso tudo ao som de rock progressivo, garotas de peruca e cílios postiços e os rapazes de costeletas avantajadas. O charme habitual da produtora inglesa ainda se consegue manter intacto tendo Peter Cushing encarnando pela última vez o implacável Van Helsing ao lado de Christopher Lee. Os dois sempre são a garantia de pedigree que não pode faltar em qualquer DVDteca que se preze. A mocinha Jessica Van Helsing, neta do caçador, é a atriz Joanna Lumley em começo de carreira, famosa como a Patsy do seriado Absolutely Fabulous.

Os Ritos Satânicos de Drácula – The Satanic Rites of Dracula

- Inglaterra 1974 De Alan Gibson com Christopher Lee, Peter Cushing, Joanna Lumley, Richard Vernon, Barbara Yu Ling, Richard Mathews, Patrick Barr 90’ Horror


DVD - Caprichada edição da Works DVD (sempre ela!) com menus climáticos e o filme com ótima imagem widescreen. De bônus, algum texto e dois trailers, americano e inglês. O que é sempre engraçado perceber o quão mais dããã são os para a Terra do Tio Sam.

Cotação:

28 de abril de 2008

O Exorcista

Filha de estrela de cinema ausente começa a manifestar estranhas atitudes se dizendo ser o diabo. Filme batidíssimo desde o seu lançamento, retumbante sucesso, primeiro (e um dos poucos) gore a ser indicado a Oscars. Bebendo diretamente na fonte de O Bebê de Rosemary, usando o capeta como vilão, ajudou as produções com pretensões assustadoras a serem cada vez mais explícitas, tal e qual o cinema erótico do período. Livre das pressões de outrora e vivendo num tempo discutivelmente liberal para os americanos, arrastou multidões ao cinema gerando duas seqüências, um recente (e ridículo) preqüel e centenas de pessoas sugestionáveis se dizendo também tomadas por espíritos do mal. Visto hoje parece um tanto carnavalesco devido principalmente à super exploração da temática e o coisa-ruim ter se tornado alvo dos espertalhões das religiões evangélicas. Pra alguém se assustar terá que ser extremamente sensível. Não se pode deixar de valorizar seu pioneirismo. É provável que sem O Exorcista não houvesse, por exemplo, Evil Dead com seus pútridos adolescentes dando moradia ao tinhoso. Mas está velho e superado! E suas mais de duas horas causam não muito mais do que bocejos. Esta versão reeditada com 11 minutos a mais se mostra um oportunismo sem tamanho, porque se percebe que as tomadas extras não tinham sido deletadas por imposição do estúdio ou coisa que o valha, mas porque eram desnecessárias. Ela foi relançada com estardalhaço nos cinemas 90’s tendo o subtítulo “A Versão Que Você Nunca Viu”, com anúncios na TV e tudo. Mostravam como principal novidade a pequena Reagan descendo as escadas como se fosse uma aranha. No ponto da história em que acontece isso nem estava tão possuída assim pra fazer tal malabarismo.

O Exorcista – The Exorcist

- EUA 1973 De William Friedkin com Linda Blair, Ellen Burstyn, Max von Sydow, Lee J. Cobb, Jack MacGowran, Jason Miller, Reverend William O'Malley 132’ Horror


DVD - Como já disse, esta é a versão “Que Você Nunca Viu”, a alardeada edição com 11 minutos a mais. Na seção (mal feita) de capítulos há indicações onde os enxertos estariam. Tanto a faixa de comentários do diretor, como qualquer trailer presente não têm legendas em português. E o material de divulgação se resume a esta nova versão, não ao filme dos anos 70. Tudo muito broxante.

Cotação: