Mostrando postagens com marcador Crime. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crime. Mostrar todas as postagens

8 de fevereiro de 2011

Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas

Adaptação mais famosa da história real de Bonnie e Clyde, o jovem casalzinho que horrorizou os EUA numa onda de crimes na década de 30. A paixão da América por criminosos é antiga, vide a lenda Billy The Kid e outros caras maus do velho oeste.

Essa dupla aí teve o diferencial da maciça exploração de seus feitos pela mídia. E eles adoravam, se sentiam estrelas de Hollywood, toda hora com fotos publicadas nos jornais, muitas delas facilmente encontradas hoje na web.

Ela (Faye Dunaway )uma garçonete entediada, ele (Warren Beatty , também produtor) um ex detento que escapou da prisão ao decepar de propósito dois dedos do pé. Entraram para a história como um casal apaixonadíssimo, unido até no crime, embora Clyde fosse impotente.

O filme narrava suas desventuras em ritmo de comédia maluca 30’s, muito leve, com vários momentos cômicos, embora tenha bastante violência. É considerado o primeiro a mostrar os estragos de uma bala na pele humana.

Para que se torça por eles (mesmo com o final conhecido por todos), justificam os atos deles. Tornam-se quase Robin Woods da época da lei seca ao se depararem com um fazendeiro cheio de filhos que perdeu a casa para os banqueiros.

Os jornalistas, embora não apareçam nunca, são tão cúmplices dos atos quanto a dupla e seu bando. Publicavam tudo o que eles queriam, até poesias juvenis da Bonnie, que eram consumidas por ávidos leitores em busca de sangue em seus matutinos.

Chega-se a um ponto que eles parecem estar agindo apenas para que haja o que ser noticiado. E melhor, não fazem questão nenhuma de se esconder, tanto que um dos membros reclama que o nome dele nunca é citado nas matérias.

No final, parece que qualquer ligação com os personagens reais não se justifica. É muito mais sobre pessoas que vão ao encontro do destino que querem, não o que a vida lhes reservou, do que sobre a trajetória de dois marginais que se amavam.

Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas - Bonnie and Clyde

- EUA 1967 De Arthur Penn Com Warren Beatty, Faye Dunaway, Gene Hackman, Michael J. Pollard, Estelle Parsons 112’ Ação/Romance


DVD- Deve haver outra edição, dona Warner. Pelo amor de Deus!
Menu estático, com botões gigantes horríveis é o de menos perto da tela cheia e áudio em apenas 1 canal. UM!


Cotação:

13 de setembro de 2009

Eu Quero Viver

Barbara Graham foi a garota saidinha que se meteu com os caras errados. De alegria dos randevouz saltou ás páginas policiais em manchetes escandalosas no início da década de 50 acusada de assassinar uma velhinha às pauladas.

Presa, jurou inocência até o fim, quando foi condenada à câmara de gás. Mesmo com todas as matérias sensacionalistas que assolaram os EUA, inclusive nos primórdios da TV, sua história comoveu todo o país transformando-a num símbolo anti a pena capital.

O drama real transformado em roteiro de Hollywood virou veículo perfeito para Susan Hayworth brilhar. Nem a um passo de morrer ela deixa de ser arrogante e amoral, embora consiga sensibilidade nos momentos onde clama pela vida e reencontra seu filho bebê na cadeia.

Não teve pra ninguém na cerimônia do Oscar daquele ano. Hayward (após outras quatro indicações) desbancou a eterna queridinha Elizabeth Taylor que concorria como Meg de Gata Em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof).

Robert Wise, especialista em filmes fantásticos como A Maldição do Sangue de Pantera (The Curse of Cat People, 1944), dirigiu esquivando-se do dramalhão rasgado que o material poderia proporcionar. Principalmente pela trilha sonora espetacular de jazz e o roteiro que apresenta apenas o que já havia sido propagado na mídia.

O possível assassinato surge em meio à chuva de acusações no tribunal. Somos surpreendidos assim como o réu.

Apresentado e encerrado por frases do jornalista Edward S. 'Ed' Montgomery (ganhador do Politzer), que acompanhou o caso (e segundo o roteiro se envolveu emocionalmente), o roteiro se assemelha a uma vislumbrada em recortes de notícias. É sucinto nas fases, e não perde muito tempo em longas cenas de tribunal.

Quase um King Kong. Sabe-se o que foi reservado à heroína no final, e mesmo assim são minutos de extrema tensão e suspense claustrofóbico.


Eu Quero Viver - I Want to Live!

- EUA 1958 De Robert Wise Com Susan Hayward, Simon Oakland, Virginia Vincent, Theodore Bikel, Wesley Lau, Philip Coolidge, Lou Krugman, Alice Backes 120’ Drama


DVD- Uma tristeza estes DVDs de obras da RKO, MGM ou United Artists distribuídos no Brasil. Temos o filme apenas e já vamos com sorte, que pelo menos foi comercializado, em meio a centenas ainda inéditos. Não entendi até agora que diabos é Classicline, porque alguns discos com esta marca não parecem pertencer à grande estúdio algum, mas nesse caso a capinha é cheia do leão da Metro. E são caros pra chuchu!

Cotação:

17 de dezembro de 2008

Ensaio de Um Crime

Archibaldo é um menino tão rico quanto estranho. Prefere ficar dentro do armário vestido com as roupas da mãe do que usufruir de todos os brinquedos que o dinheiro dos pais pode lhe comprar. Numa bela noite, sua educadora, bisbilhotando a revolução mexicana na janela, leva um balaço, cai morta de pernas pro alto (literalmente!), e o guri passa a acreditar que tem poderes mágicos graças á caixinha de música que ouvia. Quando vira adulto, Archie (para os íntimos) passa a associar a musiquinha que ouvia naquela hora com o trágico primeiro momento sexualmente excitante de sua vida. Dali a querer ver de novo uma mulher de pernas de fora sangrando é um pulo! Narrado em imenso flashback pelo protagonista a um delegado, tem um senso de humor mórbido e folhetinesco, com muitas reviravoltas a cada dez minutos. Interpretado de forma exagerada como se fosse uma telenovela (ehr...) mexicana, Buñuel discorre sobre a psique humana e sua persistência em buscar os prazeres sentidos na infância com sabor de melodrama assinado por Glória Magadan. Tanto o ricaço protagonista, que se diz entre santo e criminoso, quanto as vítimas em potencial, que não foram crianças tão felizes quanto ele, todos procuram algo que jamais lhes pertenceu.

Ensaio de Um Crime - Ensayo de un crimen

- México 1955 De Luis Buñuel Com Ernesto Alonso, Miroslava Stern, Rita Macedo, Ariadna Welter, Eva Calvo, Enrique Díaz 'Indiano', Enrique García Álvarez 89’Comédia/Suspense


Cotação:

9 de dezembro de 2008

Disque M Para Matar

O roteiro nunca chega a disfarçar as origens teatrais do argumento, parecendo que todo o filme justifica-se pela cena do crime estravagante. Com a ação se transcorrendo basicamente em um cenário, Hitchcock confia nas sempre chiques presenças de Grace Kelly E Ray Milland para entreter, além dos efeitos 3D, muito em voga na metade da década 50 como tentativa de resgatar as platéias interessadas em ver a novidade TV. Como o efeito inexiste em DVD, pode-se apostar que boa parte da graça acabou indo ao ralo. Não chega a ser enfadonho, mas deixa brecha para Um Crime Perfeito com Michael Douglas, ser o único remake de Hitchcock que vale a pena porque, acaba desenvolvendo lados que neste original são só sugeridos. Kelly, a encarnação perfeita das loiras geladas hitchcockianas, é a adultera que nem desconfia que seu marido Milland já descobriu seu jogo. O homem bolou um plano acima de qualquer suspeita para mandar a beldade ao quinto dos infernos, limpar a honra e ainda papar sua fortuna. Isso se tudo correr como planejado. No triangulo amoroso central, incomoda um pouco a presença oca de Robert Cummings com uma interpretação bem frágil do amante. Contratar atores ruins talvez seja a intenção do diretor, sempre apto a criar desafios a serem resolvidos.

Disque M Para Matar – Dial M for Murder

- EUA 1954 De Alfred Hitchcock Com Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, John Williams, Anthony Dawson, Leo Britt 105’ Suspense


DVD- Pena que Hitchcock não trabalhou sempre para a Warner. Teríamos agora todos os seus filmes em DVD em edições decentes como esta. O estúdio mais uma vez vendeu um título clássico corretíssimo, com a arte da capa e menus seguindo o estilo publicitário da época em que o filme foi lançado. Os extras são trailer, documentário sobre a produção e outro sobre o porquê de ele ser produzido em 3D. Tudo devidamente legendado em português.

Cotação:

18 de novembro de 2008

Vidas em Jogo

David Fincher vinha de Seven, que embora banal, conseguiu cair nas graças da massa. E essa pode ter sido a delícia que virou maldição para explicar como este Vidas em Jogo, muito mais original e elaborado , tenha passado batido entre a maioria das pessoas. Toda a expectativa que ele cria durante seu desenrolar jamais seria compensada por mais mirabolante que fosse o final. Relaxe sem esperar nada e fique de boca aberta por mais de duas horas com intrincado quebra-cabeças! Michael Douglas (excelente sendo Michael Douglas) é um executivo podre de rico e igualmente pobre de espírito. Ás vésperas de seu aniversário, ganha do irmão caçula o convite pra participar de um inusitado jogo sem hora pra começar ou acabar. Na verdade, a entrada a um gigantesco pesadelo que lhe ensinará o real sentido da vida. De cara nos remete a Depois de Horas, comédia de Martin Scorsese hilária e infelizmente esquecida em DVD no Brasil e filmes de gato e rato do tipo Sem Saída com Kevin Costner. A genialidade está em nos fazer entrar no jogo e jamais termos conta do que é “brincadeira” ou um fabuloso crime muito bem planejado. Acabamos envolvidos tanto quanto o personagem de Douglas. É um filme agradável, inteligente e feliz em todos os sentidos imagináveis, daqueles pouco comuns onde se percebe o envolvimento absoluto de elenco e direção. Pode não ser uma obra-prima, exatamente porque sempre há um sabor de “já te vi”, mas merece ser redescoberto.

Vidas em Jogo – The Game

- EUA 1997 De David Fincher Com Michael Douglas, Sean Penn, Deborah Kara Unger, James Rebhorn, Carroll Baker, Anna Katarina, Armin MuellerStahl 128’ Suspense


DVD - Pra piorar, além da quebra de expectativas inevitáveis e frustrantes que o filme faz uso sem dó, a produtora Polygram faliu nesse meio tempo. The Game foi parar no limbo até que a Universal saiu com esta edição de luxo. Caprichadíssimo, o DVD tem faixas de comentários (legendadas em português!), trailers, bastidores e um chocho final alternativo.

Cotação:

22 de outubro de 2008

À Meia Luz (1944)

Ingrid Bergman nos presenteia talvez com a interpretação mais fofa de sua vida. Tão desprotegida que dá vontade de gritar que seu marido é um bandidão tentando fazê-la de louca pra botar as patas na fortuna da tia morta. Nitidamente, e com insuspeita classe, esse filme da época das trevas Hollywoodiano faz proveito do espírito de Rebecca. Está presente o casarão, o quadro da finada entre outras pitadas do sucesso recente de Hitchcock, embora suas raízes não sejam um livro, e sim uma produção teatral inglesa também de 1940. Seu clima de eterno desamparo, com luzes instáveis e o fog londrino escondendo o horizonte, assume na segunda metade postura muito mais policial do que suspense, e nessa virada o personagem de Joseph Cotten ganha força abrupta demais, mas é um alívio que desponte alguém que ajude a mocinha. Charles Boyer, a esta altura consagrado como grande, parece ter no papel de vilão mor a chance de parecer perfeito usando sua antiquada interpretação típica do cinema mudo, cheio de caras e bocas. Coroando o elenco de luxo está Angela Lansbury como a petulante empregadinha do tipo cama e mesa, seu primeiro personagem adulto. Dirigido por George Cukor (gigante responsável por incontáveis clássicos nos mais diversos gêneros) é bastante prazeroso na franca nobreza cinematográfica.

À Meia Luz – Gaslight

- EUA 1944 De George Cukor Com Ingrid Bergman, Charles Boyer, Joseph Cotten, Dame May Whitty, Angela Lansbury, Barbara Everest, Emil Rameau 114’ Suspense


DVD - Outro espetacular lançamento da Warner com a capinha e menus reproduzindo o pôster original. Contendo lado A e B, traz como extra nada menos do que a versão feita na Inglaterra quatro anos antes, trailer do americano e documentário apresentado por Pia Lindström, a filha menos famosa de Ingrid Bergman. A curiosidade máxima fica por conta do filmete com a entrega do Oscar de 1944, no qual à Meia Luz saiu vitorioso nas categorias atriz e direção de arte (Decoração). Na época, sem TV, o prêmio da Academia era bem artificial. Aliás, bem mais artificial.

Cotação:

21 de outubro de 2008

Thriller em grym film (Thriller Um Filme Cruel)

Tarantino o considera o mais arrepiante filme sobre vingança já feito, e isto ganha peso especial se lembrarmos de Kill Bill Vol. 1 e 2 que versa sobre a mesma temática. Diga-se de passagem, é uma das maiores referências a eles, não só pela personagem caolha, mas pela heroína injustiçada que se aperfeiçoa ao máximo para dar o troco em grande estilo. Imagina-se desde o início que toda barbárie a qual é submetida será compensada violentamente, e nós de forma sádica aguardamos de forma quase impaciente até a hora de aplaudir cada gota de sangue! Madeleine começa como uma criancinha doce que é violentada sexualmente por um velho nojento. Num corte rápido de tempo, aparece na adolescência, linda com seus grandes e expressivos olhos de mangá. Do crime do passado, ficou muda como seqüela. Ingênua, cai numa rede de prostituição diabólica ao aceitar carona de um estranho. Dopada, a garota passa quatro dias desacordada enquanto injeções de heroína lhe são aplicadas. Ao despertar estará mortalmente viciada o que lhe obrigará a se prostituir em troca de mais droga. Estuprada, cega pelo cafetão (que ainda a chama sarcasticamente de pirata), verá sua antiga existência desmoronar por completo. Neste ponto sua história deixa a vida de Christiane F. parecer um conto dos irmãos Grimm, até renascer como uma vingadora vestida de negro, especialista em artes marciais, armas de fogo e todas as outras habilidades que lhe permitirão comer o prato frio. Como se trata de uma produção sueca (O primeiro país a legalizar a pornografia), soa menos bizarro que em meio a tanta violência haja várias cenas de sexo explícito hardcore, inclusive lésbico e anal. Embora tais tomadas pareçam dispensáveis (ainda mais porque notadamente são enxertos de double bodys), combinam perfeitamente com o clima tétrico do roteiro. Já seria merecedor dos melhores créditos que tendo a protagonista sem falar (logicamente) uma palavra, e um tema tão forte, ainda consiga nos distanciar ao ponto de divertir. Exagerado e de ritmo semelhante ao de um desenho animado moderno qualquer, está estranhamente em um patamar elevado do cinema.

Thriller em grym film (Thriller Um Filme Cruel)


- Suécia 1974 De Bo Arne Vibenius Com Christina Lindberg, Heinz Hopf, Despina Tomazani, PerAxel Arosenius, Solveig Andersson, Björn Kristiansson, Hildur Lindberg 104’ Drama


Cotação:

17 de outubro de 2008

Diabolik

Nada parece ser mais pop que cinema italiano comercial. Adaptação de personagem de quadrinhos local muito popular, cada frame de Diabolik é um deleite kitsch assinado por Mario Bava, produzido pelo não menos lendário Dino De Laurentiis e trilha sonora (menos swingada do que se espera) de Ennio Morricone. Não uma trama em si, mas um infinito gato e rato do anti-herói (John Phillip Law) com a polícia e a máfia. Com alguns personagens sumindo da ação depois de um tempo, além de seguir divertidamente lógica física inverossímil, dá pra perceber que o roteiro (também de Bava) é uma grande colcha patchwork reaproveitando situações dos quadrinhos. Também engraçado o personagem seguir um estilo James Bond, cheio de apetrechos tecnológicos, mas é um ladrão que não pensa duas vezes em matar quem se colocar à sua frente, mesmo se for apenas um pau mandado do chefão. Seus planos mirabolantes não são para roubar dos ricos e dar aos pobres, mas pra puro e simplesmente enriquecer e dar tudo o que sua amada Eva (Marisa Mell belíssima) quer. O mais próximo do heróico que seus atos fazem é desestabilizar o sistema vigente. Explode vários prédios públicos obrigando o ministro ir à TV pedir aos cidadãos que por amor à pátria declarem novamente seu imposto de renda, já que todos os registros foram perdidos. “Só pode ser piada!” declara um nobre tiozinho enquanto toma sua biritinha num boteco. É esse espírito que o põe muito acima de 9 entre dez versões cinematográficas do gênero, cada vez mais enquadradas na burrice da média intelectual das platéias. O ator Law, falecido em 2008, apareceria como o anjo de Barbarella, outro filme de heróis do mesmo ano.

Diabolik - Danger: Diabolik

- Itália/França 1968 De Mario Bava Com John Phillip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli, Adolfo Celi, Claudio Gora, Mario Donen, Renzo Palmer 105’ Aventura


Cotação:

16 de outubro de 2008

Topkapi

A coisa mais engraçada desta comédia (pouco engraçada) é Melina Mercouri como a larapia ninfomaníaca suspirando pra qualquer mancebo desprevenido. Bem levezinho, pertence ao subgênero comum na época de grupo de ladrões metidos a espertos que têm plano mirabolante a colocar em prática, no caso, roubar valiosa jóia pertencente ao museu de Topkapi, na Turquia. Pesa contra, além do humor mediterrâneo ímpar, as infinitas seqüências onde se discute o tal plano. O elenco internacional passeia livremente por vários países em locações ensolaradas e belas, o que também exige a mínima localização geográfica de quem o assiste. Fora isso poderia ser uma comédia do Black Edwards sem o mesmo jogo de cintura, mas cheio do colorido espírito 60’s. Seus momentos finais são espetaculares minutos de suspense similares à famosa cena dirigida por Brian de Palma no primeiro Missão Impossível. Peter Ustinov fazendo o paspalho que entre pro bando sem saber ao certo do que se trata, acabou valendo-lhe o Oscar de Ator daquele ano. Nos extras de Spartacus ele aparece em entrevista recente contando sobre as incríveis coincidências envolvendo o número 13 que o fizeram ter certeza de que seria o premiado da noite embora não fosse o favorito.

Topkapi

- EUA 1964 De Jules Dassin Com Melina Mercouri, Peter Ustinov, Maximilian Schell, Robert Morley, Jess Hahn, Gilles Ségal, Akim Tamiroff 119’ Comédia


DVD - Edição boa da New Line Home Video, respeitando o estilo do filme nos menus animados e na arte da capa. Como extras, incluíram o trailer e biografias em texto incluindo o da atriz grega Mercouri, que se dedicaria à política em seu país de origem .

Cotação:

15 de outubro de 2008

Sin City – A Cidade do Pecado

Fosse uma história original, não uma adaptação de graphic novel, poderíamos apontar este noir moderno como um dos melhores filmes deste início de século. É uma pena que apenas sua técnica foi imitada em outras produções, não seu conceito artístico. Estilizado, usando a obra original praticamente como storyboard, à primeira vista é dramaticamente belíssimo,e tanta beleza merece (pelo menos) uma segunda assistida. Isso porque, pelo radicalismo é impossível não se notar o distanciamento dos atores do resto do cenário, dando impressão de que todos estão presos a uma mentira. Na revisão percebe-se que tal coisa parte apenas do ponto de vista do espectador. Assim como os contos criados por Frank Miller ficaram muito bem costurados, a escalação do elenco está irrepreensível. Ainda demonstra um notável amadurecimento narrativo de Robert Rodriguez, que pela primeira vez fez um filme pensando na platéia, não uma experiência tecnológica somente para satisfação própria. Se for necessário apontar alguma falha, dá pra chutar a metragem longa, ou a sensação causada pelo processo, que depois de uma hora parece que se passaram 3. Seguindo a lógica de triplicar, ao final pode-se aplaudir as seis horas de puro e vibrante entretenimento cinematográfico.

Sin City – A Cidade do Pecado – Sin City

- EUA 2005 De Robert Rodriguez e Frank Miller Com Bruce Williams, Mickey Rourke, Jessica Alba, Benicio Del Toro, Rosario Dawson, Alexis Bledel, Elijah Wood, Clive Owen 124’ Ação


DVD - Ao contrário de outros países, a Buena Vista só disponibilizou aqui um disco simples em lá maior. O vergonhoso único extra trata-se de pobre documentário que se tiver dez minutos é muito. Pena que na época da Columbia o próprio Rodriguez produzia os DVDs repletos de material bônus. Pelo menos tem menus animados, coisa que nem isso foi feito para a única cópia até agora de Pulp Fiction no Brasil.

Cotação:

10 de outubro de 2008

Que Fiz Eu Para Merecer Isto?

Só mesmo Almodóvar para querer nos fazer rir de tanta desgraça alheia e ainda triunfar! Carmen Maura é a coitada suburbana, ironicamente chamada de Glória, que engorda de forma miserável a renda doméstica à custa de faxina. Para levar a vida ainda furta um troco ou outro da carteira do marido, um taxista machão com o incrível dom de imitar caligrafias alheias. Talvez porque sua realidade seja tão dura, com os únicos escapes em calmantes e fungadas em produtos de limpeza tóxicos, que torcemos por ela como se fosse aquela vizinha ferrada na vida. Do mesmo jeito nos decepcionamos aos muitos erros que vai cometendo pelo caminho. É inacreditável quando deixa Miguel, o filho mais novo, nas mãos do dentista pedófilo e vai correndo comprar um baby lise... Mas tudo dá errado pra ela! Sua única tentativa de sexo extraconjugal é justamente com um policial impotente, ao contrário da vizinha, a prostituta simpática de Verónica Fourqué, tão bem sucedida que ambiciona carreira internacional. É o melhor do diretor (que aparece dublando La Bien Pagá) em sua primeira fase, tanto técnica quando artística, já bem à vontade com as mazelas da cultura pop madrilena. No meio do caminho, como em inúmeros de seus roteiros, há um crime, que parece não dar em nada além de ocupar tempo de projeção, assim como os falsários interessados em escrever as memórias de Hitler. Seu brilhantismo ofusca qualquer deslize.

Que Fiz Eu Para Merecer Isto? – ¿Qué he hecho yo para merecer esto!!

- Espanha 1984 De Pedro Almodóvar Com Carmen Maura, Luis Hostalot, Ryo Hiruma, Ángel de Andrés López, Chus Lampreave, Gonzalo Suárez, Verónica Forqué, Juan Martínez, Kiti Manver, Sonia Anabela Holimann, Cecilia Roth 101’ Comédia


Cotação:

8 de outubro de 2008

Pesadelo Mortal

O título medíocre em português esconde logo de cara um elemento importante do filme. Cigarette Burns, ou queimadura de cigarro, refere-se àquelas marcas redondas que aparecem no canto da imagem de um filme para o projetor saber que está na hora de trocar o rolo, e que acabam denunciando que algo de importante acontecerá. Antigamente eram visíveis até na TV, mas com a digitalização ficaram relativamente raras. Milionário cinéfilo (Udo Kier) contrata dono de cinema que só passa cults para que ele encontre uma produção européia lendária. Tal filme muito chocante, teria sido exibido apenas uma vez no começo da década de 70, e causado histeria coletiva na platéia ao ponto de todos terem se matado e colocado fogo na sala. A prova de que ele existiu é que o ricaço guarda na mansão um souvenir das filmagens, o anjo que teve as asas arrancadas diante da câmera. Este instigante e original argumento, serve para John Carpenter, cineaste irregular, encontrar o equilíbrio perfeito com bem dosada violência explícita. Com estrutura de velha história detetivesca, a busca do protagonista pela fita mais escabrosa de todas é um paralelo interessante à sede dos fãs do gênero horror por cada vez mais e mais. Feito para a TV na série Mestres do Terror, é de lamentar sua duração curta.

Pesadelo Mortal - John Carpenter's Cigarette Burns

- EUA 2005 De John Carpenter Com Norman Reedus, Udo Kier, Gary Hetherington, Christopher Britton, Zara Taylor, Chris Gauthier 59’ Horror


DVD- A Paris Filmes comercializa no Brasil alguns episódios da série Mestres do Terror separadamente, já que cada episódio conta uma história independente. No caso deste, vem com inúmeros trailers tanto dos outros trabalhos quanto de produtos da distribuidora. Vários documentários sem edição dos bastidores mostram o quanto a equipe canadense se sentiu honrada em trabalhar no projeto, e entrevistas curtas com elenco, roteiristas e o diretor. Carpenter, de ovos virados, dá um banho de grosseria com o péssimo repórter.

Cotação:

Saló - 120 dias de Sodoma

O filme mais insultuoso e subversivo já feito em todos os tempos tem desconcertante artificialismo cênico. Espetáculo repulsivo quase insuportável de ser revisto, choca antes pela crueza das idéias que defende do que pelas imagens mostradas. Vai radicalmente na contramão do cinema que se acredita ser antes de tudo entretenimento, uma forma de escape. Pasolini, em seu último trabalho, sentia então, resquícios do fascismo na Itália, mas é inegável que ali está todo e qualquer país de qualquer época pseudo civilizada. Enquanto o povo nada literalmente na merda, os poderes vigentes, Estado e igreja, caiem na farra auto-afirmando sua duvidosa superioridade. A história (inspirada em Marquês de Sade) transcorre na década de 40 quando, com o fim de Mussolini, grupo de autoridades mantém grupo de adolescentes presos para a realização de todos os seus desejos, por mais porcos, cruéis e degradantes que possam ser. Se há rapazes armados mantendo a ordem sem a mínima reação humana, não faltam pequenos delatores entre as jovens “vítimas” (de origens humildes semelhantes) preparadas a apontar o próximo. Dividido em três partes, o Ciclo da Paixão, da Merda e do Sangue, faz pensar o último não ter fim, trazendo tal desgraça para o lado de cá da tela, embora as três putas velhas que narram histórias escabrosas tentem nos fazer acreditar que não passa de um conto de fadas tenebroso. Sem exageros, dá vontade de vomitar e inigualável mal estar social. Poderoso na construção de seu universo sistemático, não foi à toa ter sido proibido em muitos países e continuar inédito em DVD.

Saló - 120 dias de Sodoma - Salò o le 120 giornate di Sodoma

- Itália/França 1975 De Pier Paolo Pasolini Com Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto Paolo Quintavalle, Aldo Valletti, Caterina Boratto, Elsa De Giorgi, Hélène Surgère, Sonia Saviange 116’ Drama


Cotação:

2 de outubro de 2008

Era Uma Vez no México

Como final de trilogia, é grandioso o bastante. Como filme, parece uma colcha de retalho de seqüências extravagantes para Robert Rodriguez exercitar seus malabarismos tecnológicos. É muito mais uma conquista técnica do diretor do que outra coisa. Atrapalha aquela pequena multidão em cena, cada qual querendo alguma coisa que só fará sentido lá pela segunda ou terceira vez que se assiste. Banderas, com a chapinha em dia, tem presença forte como o Mariachi protagonista, mas em meio a tanta gente teve seu personagem diluído. Esquisito é que o passado mostrado nos flasbacks não pertence ao filme anterior da saga, e os três têm pouquíssimo em comum, fora o personagem principal. Sua violência é cartoonesca o suficiente para não chocar ninguém, sendo que Johnny Deep, o agente do FBI pilantra, consegue perfeitamente virar o jogo e se tornar muito simpático aos nossos olhos, numa reviravolta exemplar de roteiro e atuação. Mesmo separado por mais de uma década do primeiro da série, aquele que teria custado apenas 7 mil dólares, tem muito mais a alma barata dele do que o seu sucessor, A Balada do Pistoleiro.

Era Uma Vez no México - Once Upon a Time in Mexico

- EUA 2003 De Robert Rodriguez Com Antonio Banderas, Salma Hayek, Johnny Depp, Mickey Rourke, Eva Mendes, Danny Trejo, Enrique Iglesias, Cheech Marin, Willem Dafoe 102’ Ação


DVD- Essencial para quem gosta de cinema, com Rodriguez explicando em horas de extras como fazer um filme barato parecer uma super produção. Assistir à película com seus comentários abre um novo universo, concretamente revelador. Entre os documentários, vemos a garagem onde produz, dissertando sobre o fim do negativo e até a receita passo a passo de Porco Pibil, o prato que se der certo faz o agente Depp matar o cozinheiro para que tal experiência seja única. Para quem tem DVD-Rom há ainda dois joguinhos simples em flash.

Cotação:

6 de setembro de 2008

Dimensão do Terror

Seguindo a tradição clássica dos filmes de horror em episódios, Dimensão do Terror consegue o pouco comum equilíbrio entre eles. São três histórias divertidas sempre indo mais para a comédia rasgada do que o terror. O nome em português pode dar, portanto, falsas expectativas para quem espera algum calafrio. Muito bem feitinhos como tantos outros independentes do começo dos 90, para virarem um longa-metragem ganharam uma costura. E foi aí que morou o perigo! Em tom de chanchada, três pessoas vão ao psiquiatra para fazerem uso de uma nova invenção científica. Ao serem expostos à máquina são confrontados com seus piores medos, e assim entram as historinhas que logo depois desse plot trash só aumentam seus defeitos. Se a gente conseguir relevar tanta besteira amadora entre um e outro, considerando assim apenas os contos, pode-se dizer que são tão bons quanto Além da Imaginação ou seriados semelhantes. Bill Paxton estrela o segundo episódio, como o inquilino indesejado e a distribuidora Works DVD estampa na ficha técnica “apresentando fulano de tal”. Mentira da grossa, pois quase dez anos antes ele tinha sido o irmão malvado em Mulher Nota 1000.

Dimensão do Terror – Future Shock

- EUA 1993 De Eric Parkinson, Matt Reeves e Brion James Com Vivian Schilling, Bill Paxton, Martin Kove, Brion James, Sydney Lassick, Max John James, Eric Parkinson 98’ Horror/Ficção Científica


DVD - Nada haver da WorksDVD (London Films) comercializá-lo junto com a ótima leva de filmes da Hammer. Assim como não se justifica o fullscreen pavoroso, nem o texto da contracapa falando que é considerado um dos novos clássicos do cinema fantástico.

Cotação:

22 de agosto de 2008

Pacto Sinistro

Obra prima de Alfred Hitchcock, embora pouco lembrada como um dos melhores já produzidos em Hollywood. Era o início da feliz fase que entraria na década de 50, embora tecnicamente, aparente ser mais antigo. Por mais frescor que exigisse de seus roteiros (por acaso a estréia em adaptações dos livros de Patricia Highsmith), Hitchcock preservava muitos cacoetes já fora de moda. Retro projeções ao invés de externas, câmera acelerada em cenas de perseguição, etc. Óbvio que este pode ser um de seus diferenciais, fez tudo do jeito que sempre quis, com aprovação da platéia e de forma pouco vista, pelos estúdios. Em uma viagem de trem, jogador célebre de tênis cruza com Bruno (Robert Walken), um pretenso fã. Conversa vai, conversa vem, o desconhecido conta-lhe sua idéia de crime perfeito. Cada qual assassinaria um desafeto do outro, e como não há relação alguma entre ambos, jamais seriam descobertos. O esportista tem a ex-esposa libertina a lhe empacar e Bruno, seu pai magnata e intransigente. Claro que não há como levar a sério tais devaneios, embora o desconhecido creia no pacto selado, cumpre sua parte, e passa a exigir o mesmo do outro. O circo está armado e o que não faltam são momentos do mais puro talento artístico! Adaptado por Raymond Chandler (entre outros), polemicamente como muitas das parcerias do mestre, é um dos textos mais bem amarrados que já filmou. Conduz a platéia a uma espécie de funil macabro, enquanto ricamente dá espaço às mais variadas interpretações, inclusive sexuais. Walken, que faleceria logo depois graças ao alcoolismo, entrou para a diminuta galeria de atores que conseguiram ter seu talento destacado em um filme de Hitchcock.

Pacto Sinistro - Strangers On A Train

- EUA 1951 De Alfred Hitchcock Com Farley Granger, Robert Walken, Ruth Roman, Patricia Hitchcock, Laura Elliot, Marion Lorn, Norma Vaden 101’ Suspense


DVD - Outro clássico lançado com a dignidade que merece pela Warner, distribuidora número um para este tipo de filme. Embalado em luva de papelão, só a faixa de áudio com comentários e o trailer não estão com legendas em português. No segundo disco, a versão integral de Pacto Sinistro conforme foi exibido numa pré estréia, com alguns minutos a mais e sem a cena final no trem. São quatro documentários: Um com historiadores contando detalhes de bastidores, outro com Patricia (filha de Hitchcock e participante do elenco) com as filhas relembrando fatos familiares, um terceiro com a atriz que faz a vitima míope e o mais curioso com M. Night Shiamalan analisando o roteiro.

Cotação:

8 de agosto de 2008

Los Angeles – Cidade Proibida

Quem tem asas voa na cidade dos anjos. Quem não tem se envolve até o pescoço com todo tipo de sujeira. A grande sacada deste filme, dirigido pelo então apenas medíocre Curtis Hanson, não é em apelar para o realismo de uma época, mas desenrolar a história justamente no imaginário popular sobre o que teria sido a primeira metade da década de 50. A Califórnia repleta de espertalhões mamando na efervescência local à revelia de uma polícia considerada a melhor do mundo. Como não poderia deixar de ser, perambulando pelo roteiro inúmeras referências à Hollywood clássica, sendo a mais saborosa a agência Flor de Lis, especializada em prostitutas sósias de atrizes famosas. Nesse cenário surge a personagem de Kim Basinger, uma ode ao saudosismo relembrando a fatal Veronica Lake. Ela é o contrapeso aveludado entre os policiais bonzinhos e durões, arrastados para a disputa do tráfico local. Tem presença luminosa, embora seu desempenho não seja lá essas coisas pra ter levado o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 97. Mero detalhe perto da reconstituição de época, trilha sonora, direção de arte, tudo parece funcionar! Só não é uma obra-prima porque há subtramas e personagens demais ao ponto de depois da primeira hora ficar confuso, quase maçante. Assista aos créditos finais inteiros.

Los Angeles – Cidade Proibida – L.A. Confidential

- EUA 1997 De Curtis Hanson Com Kevin Spacey, Russell Crowe, Guy Pearce, James Cromwell, Kim Basinger, Danny DeVito, David Strathairn, 138’ Policial


DVD - Muito bem feito, com a estética dos menus lembrando uma revista sensacionalista, tal e qual a revista Hush-hush do filme. O material em texto sobre os 50’s é bem interessante, dando um panorama geral aos pontos relacionados à ficção que se acabou de ver. Falha grave a falta de legendas não só no making off de quase meia hora, mas no resto dos extras. Há um mapinha com as localidades de Los Angeles onde cada ícone ao ser clicado exibe trecho do filme com algumas explicações, e uma galeria curiosa com Hanson mostrando imagens que serviram de base para a produção. Ele confirma que o galã B Aldo Rey teria servido de inspiração para Russel Crowe, inclusive o corte de cabelo. Está presente a opção (típica dos DVDs mais antigos) de se assistir ao filme só com as músicas, função não muito prática graças aos longos minutos silenciosos sem os diálogos. Além disso, spots de TV e trailer de cinema.

Cotação:

27 de julho de 2008

Batman – O Cavaleiro das Trevas

Explosiva seqüência do filme de 2005 tem como principal mérito escancarar o que se tornaram estas intermináveis adaptações de quadrinhos: entretenimento para crianças pequenas ou platéias com interesses mais simplórios. Vazio, para qualquer outro pessoa será uma tarefa maçante. Um espetáculo de cenas de ação tecnicamente bem produzidas, mas nem sempre justificáveis. Estruturalmente se assemelha aqueles de sacanagem com pretensões de contar alguma história. Um fiapinho de trama costura de qualquer maneira as partes que “interessam”. Para quem espera tiros, pancadaria e explosões sairá boquiaberto, para quem espera cinema sairá broxado. Haja paciência para o blábláblá infindável e sem importância alguma ao enredo, inclusive cheio de forçadas de barra. O texto parece estar presente só para os personagens terem o que falar entre uma correria e outra. Bizarramente as relações com o anterior são poucas, a ponto de até Batman parecer ser outro, inclusive na interpretação esbarrando na caricatura de Christian Bale. Batman é finalmente um paspalho vestido de preto em uma ensolarada (!!!) Gotham City. Sim! Nem a sombria cidade escapou de ser simplificada para agradar, claro, a um público mais amplo. Só não é o pior filme do Paladino da Justiça porque Joel Schumacher nos deu aquelas porcarias dos anos 90. E também porque há Heath Ledger como o mais insano, engraçado e assustador Coringa. Pena que seja no filme errado, e sem jeito de remediar isso.

Batman – O Cavaleiro das Trevas – The Dark Knight

- EUA 2008 De Christopher Nolan Com Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman 152’ Ação


***Em cartaz***

Cotação:

20 de julho de 2008

Os Infiltrados

Já dá preguiça só com o elenco. Leonardo DiCaprio (e Matt Damon!) fazendo cara de mau por 2 horas e 30 minutos são de apavorar qualquer ser humano de bom gosto que queira assisti-lo. Mas há corre-corre suficiente para que não se tenha do que reclamar sobre os moços, aliás, os já citados 151 minutos são indolores, passam mesmo rapidinho. Bem aquém do que Scorsese já fez, entrou para o grupo dos prêmios dados pela Academia para consertar injustiças. Adaptado de um filme asiático, o roteiro se apóia num furo gigante. Mafioso (Jack Nicholson) infiltra um dos seus na polícia, e a polícia faz o mesmo. Só que os caras maus levam séculos pra suspeitarem quem é o informante, sendo que eles são só meia dúzia de gatos pingados com um novato muito jovem, ainda por cima ex-policial. Jura que é difícil desconfiar quem seja? Não dá pra levar a sério também que o chefão do crime seja muito pé de chinelo para os tiras ficarem inventando toda uma estratégia rebuscada pra prendê-lo. Talvez o único que realmente tenha entendido se tratar de uma comédia violenta seja Nicholson, embora repetindo o eterno papel de louco fora de controle visto muitas outras vezes.

Os Infiltrados – The Departed

- EUA 2006 De Martin Scorsese Com Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Alec Baldwin 151’ Policial


DVD - Lá fora tem uma edição dupla, aqui devem estar esperando o filme fazer não sei quantos anos pra lançarem do mesmo jeito. O único extra é o trailer de cinema.

Cotação:

13 de julho de 2008

Um Tiro Na Noite

Este elogio à arte de fazer filmes, é um dos melhores da década de 80, embora pouco lembrado. Extremante reverente aos ídolos como de costume, Brian De Palma conseguiu resultado coeso, costurando muito bem o emaranhado de referências. John Travolta em seu primeiro papel adulto, e último da primeira grande fase, é o técnico de áudio em filmes baratos na hora e local errados. Ao gravar corriqueiros sons ambientes registra sem querer acidente automobilístico e, portanto, acaba se envolvendo na trama para assassinar importante candidato à presidência. Arriscará provar a conspiração por detrás da morte, enquanto, claro, terá que salvar sua pele e a de uma prostituta ingênua também presente à cena do crime. E dá-lhe planos seqüência magistrais, trilha sonora enervante (de Pino Donaggio), e um dos finais mais surpreendentes já filmados! Tão surpreendente que a platéia média acaba esquecendo sua coerência e detestando todo o resto. Para cinéfilos (Além das citações a Antonioni, Hitchcock...) há ainda a graça dos bastidores de uma produção B em época anacrônica e ainda o uso dramático do princípio básico do cinema, a animação quadro a quadro. É intrigante como De Palma comandou sucessivas pequenas maravilhas entre o fim das décadas 70, começo dos 80, e a quase 20 não faz nada que possa dar uma classificação maior do que regular. Como Nancy Allen, sempre competente estrelando os primeiros trabalhos do diretor, de prostituta sagaz a vilãzinha estudantil, após Robocop viu a carreira minguando, minguando...

Um Tiro Na Noite – Blow Out

- EUA 1981 De Brian De Palma Com John Travolta, Nancy Allen, John Lithgow, Dennis Franz, Peter Boyden, John McMartin 139’ Suspense


DVD - A Fox (sempre ela!) vende estes discos da MGM de qualquer maneira. Vêm só com o trailer e menus feios e estáticos. Mas isso não é mérito brasileiro. Há pessoas dos EUA reclamando no IMDB do mesmo descaso. Um filme importante e tão imaginativo merecia pelo menos um mísero featuring. Aposto que Nancy Allen toparia dar as caras! Mas a película tem imagem e áudio muito bom! Aliás, o som está apenas em dois canais, e de preferência deve ser assistido assim, até pela profissão do protagonista há todo um cuidado a mais com os efeitos sonoros.

Cotação: