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18 de novembro de 2008

Vidas em Jogo

David Fincher vinha de Seven, que embora banal, conseguiu cair nas graças da massa. E essa pode ter sido a delícia que virou maldição para explicar como este Vidas em Jogo, muito mais original e elaborado , tenha passado batido entre a maioria das pessoas. Toda a expectativa que ele cria durante seu desenrolar jamais seria compensada por mais mirabolante que fosse o final. Relaxe sem esperar nada e fique de boca aberta por mais de duas horas com intrincado quebra-cabeças! Michael Douglas (excelente sendo Michael Douglas) é um executivo podre de rico e igualmente pobre de espírito. Ás vésperas de seu aniversário, ganha do irmão caçula o convite pra participar de um inusitado jogo sem hora pra começar ou acabar. Na verdade, a entrada a um gigantesco pesadelo que lhe ensinará o real sentido da vida. De cara nos remete a Depois de Horas, comédia de Martin Scorsese hilária e infelizmente esquecida em DVD no Brasil e filmes de gato e rato do tipo Sem Saída com Kevin Costner. A genialidade está em nos fazer entrar no jogo e jamais termos conta do que é “brincadeira” ou um fabuloso crime muito bem planejado. Acabamos envolvidos tanto quanto o personagem de Douglas. É um filme agradável, inteligente e feliz em todos os sentidos imagináveis, daqueles pouco comuns onde se percebe o envolvimento absoluto de elenco e direção. Pode não ser uma obra-prima, exatamente porque sempre há um sabor de “já te vi”, mas merece ser redescoberto.

Vidas em Jogo – The Game

- EUA 1997 De David Fincher Com Michael Douglas, Sean Penn, Deborah Kara Unger, James Rebhorn, Carroll Baker, Anna Katarina, Armin MuellerStahl 128’ Suspense


DVD - Pra piorar, além da quebra de expectativas inevitáveis e frustrantes que o filme faz uso sem dó, a produtora Polygram faliu nesse meio tempo. The Game foi parar no limbo até que a Universal saiu com esta edição de luxo. Caprichadíssimo, o DVD tem faixas de comentários (legendadas em português!), trailers, bastidores e um chocho final alternativo.

Cotação:

8 de agosto de 2008

Los Angeles – Cidade Proibida

Quem tem asas voa na cidade dos anjos. Quem não tem se envolve até o pescoço com todo tipo de sujeira. A grande sacada deste filme, dirigido pelo então apenas medíocre Curtis Hanson, não é em apelar para o realismo de uma época, mas desenrolar a história justamente no imaginário popular sobre o que teria sido a primeira metade da década de 50. A Califórnia repleta de espertalhões mamando na efervescência local à revelia de uma polícia considerada a melhor do mundo. Como não poderia deixar de ser, perambulando pelo roteiro inúmeras referências à Hollywood clássica, sendo a mais saborosa a agência Flor de Lis, especializada em prostitutas sósias de atrizes famosas. Nesse cenário surge a personagem de Kim Basinger, uma ode ao saudosismo relembrando a fatal Veronica Lake. Ela é o contrapeso aveludado entre os policiais bonzinhos e durões, arrastados para a disputa do tráfico local. Tem presença luminosa, embora seu desempenho não seja lá essas coisas pra ter levado o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 97. Mero detalhe perto da reconstituição de época, trilha sonora, direção de arte, tudo parece funcionar! Só não é uma obra-prima porque há subtramas e personagens demais ao ponto de depois da primeira hora ficar confuso, quase maçante. Assista aos créditos finais inteiros.

Los Angeles – Cidade Proibida – L.A. Confidential

- EUA 1997 De Curtis Hanson Com Kevin Spacey, Russell Crowe, Guy Pearce, James Cromwell, Kim Basinger, Danny DeVito, David Strathairn, 138’ Policial


DVD - Muito bem feito, com a estética dos menus lembrando uma revista sensacionalista, tal e qual a revista Hush-hush do filme. O material em texto sobre os 50’s é bem interessante, dando um panorama geral aos pontos relacionados à ficção que se acabou de ver. Falha grave a falta de legendas não só no making off de quase meia hora, mas no resto dos extras. Há um mapinha com as localidades de Los Angeles onde cada ícone ao ser clicado exibe trecho do filme com algumas explicações, e uma galeria curiosa com Hanson mostrando imagens que serviram de base para a produção. Ele confirma que o galã B Aldo Rey teria servido de inspiração para Russel Crowe, inclusive o corte de cabelo. Está presente a opção (típica dos DVDs mais antigos) de se assistir ao filme só com as músicas, função não muito prática graças aos longos minutos silenciosos sem os diálogos. Além disso, spots de TV e trailer de cinema.

Cotação:

14 de dezembro de 2007

O Advogado do Diabo

Pra mim Al Pacino é que nem aquele hino de time de futebol, suas glórias vêm do passado! Caricato usa eternamente as mesmas técnicas em qualquer filme que seja.... Se a película ainda ajudar, vá lá, mas em algo tão canhestro como isto aqui não tem o que disfarçar, quase me levou ás gargalhadas tentando dar medo! E que filminho chulé, diga-se de passagem... De um moralismo de dar dó! Parece que o roteiro foi escrito por uma dona de casa provinciana, daquelas que vão á missa todo domingo, acreditam que na cidade grande ninguém presta, e que o dinheiro é coisa do demo. Tudo é escachado, obvio demais, de extremo mau gosto. Descaradamente chuparam idéias de grandes filmes de horror (como O Bebê de Rosemary, A Profecia, etc) achando que se colocassem uns efeitinhos digitais capengas já estaria ótimo! Não há clima, suspense, sutileza, nadinha que mereça ser levado em consideração como filme de horror, suspense ou o que quer que seja. Irritantemente nota-se a intenção de tentar nos chocar a todo custo, mas sempre de uma forma bastante infantil. Se prepare para os últimos 30 minutos mais constrangedores do que você imagina. Só uma dica: Quanto tudo está um lixo, pode ficar mais lixo ainda... Simplesmente de tão babaca me surpreendeu. Nem o efeito que o Michael Jackson (mil anos antes) usou no clipe Black or White ficou fora desta “obra prima” do cinema yankee! Talvez seja pra rir e eu não tenha entendido...

O Advogado do Diabo – The Devil’s Advocate
- EUA 1997 De Taylor Hackford Com Keanu Reeves, Al Pacino, Charlize Theron, Jeffrey Jones 144’ Horror


DVD - Bem, foi um dos primeiros a ser lançado no mercado, o que talvez explique os menus estáticos e a falta de legendas em português nos extras. Aliás, filme ruim dá até preguiça de se fuçar no conteúdo a mais, mas mesmo assim, tem faixa de áudio com comentário do diretor, que devia mais é ter vergonha, muito texto, cenas excluídas comentadas por ele, spots de TV, trailer... Pra quê?

Cotação:

5 de outubro de 2006

O Bravo

Em sua estréia na direção, o ator Johnny Depp resolveu dar voz aos excluídos. Índio miserável aceita participar de um snuff movie a fim de se redimir e dar um futuro menos medíocre à sua família. Wow! Snuff movies são aqueles filmes barra pesada onde acontecem assassinatos de verdade, coisa e tal... O que poderia ser uma premissa interessante torna-se um mero pretexto para esfregar nas nossas caras todas as mazelas que ainda sobrevivem logo abaixo do glamurizado "american way". E claro, o talento incontestável de Depp, no fim dos anos 90 nem tão incontestável assim. Por horas vemos apenas o índio desfrutando da primeira parte dos 50 mil adiantados e como este dinheiro revoluciona o mundo que o cerca e só! Não é um mau filme, apenas é um filme banal, correto, que provavelmente não acrescenta nada de novo nem ao cinema, nem ao tema dos filmes hardcore. Aliás, praticamente nem violência há e os tais 25 mil dólares rendem mais do que deveriam. Atenção a inúmeras pontas e figurações de famosos. A principal delas é Marlon Brando como o velho doidão que produz tais películas macabras e no estilo piscou-perdeu o roqueiro Iggy Pop. Em tempo, snuff movies (que para alguns não passam de lenda urbana) também é tema de outros dois filmes famosos: 8 mm de Joel Schumacher e, o melhor deles, Videodrome - a Síndrome do Vídeo de David Cronenberg.

O Bravo (The Brave)
- EUA 1997 De Johnny Depp Com Johnny Depp, Marshall Bell, Elpidia Carrillo 118' Drama


DVD - Mais um daqueles filmes independentes vendidos a preço de banana e sem nenhum extra. Este pelo menos contém faixa com dublagem em português para o caso de você ser analfabeto.

Cotação: