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27 de novembro de 2008

Lanternas Vermelhas

Acedam as lanternas na segunda casa! O filme de arte por excelência, que comprova que pra ser inteligente não precisa ser chato ou pedante. Com fotografia de deixar qualquer queixo de bom gosto caído, é engraçado e divertido como os mais vulgares dos melodramas femininos. Aliás, se vivêssemos em outras épocas, com certeza alguma Ivani Ribeiro da vida já teria chupinhado seu argumento para uma telenovela. Gong Li é uma jovem universitária que após o pai morrer casa-se com um rico senhor. Como estamos na China de 1920, o homem tem outras três esposas, todas vivendo dentro do mesmo palácio em casas diferentes. Quando ele decide com quem quer passar a noite, ordena que acedam as lanternas na porta da sortuda. Como símbolo de ascensão social, não há o que elas não façam pela honraria. E a mais boazinha ali deve ter vendido a alma ao diabo para preservar a “cara de Buda e rabo de escorpião”. Naquele antro de perfídias sem fim, compartilhamos a angustia da protagonista ao pisar em ovos sem saber em quem confiar. A terceira esposa, cantora lírica, talvez seja a de visão menos estreita por enxergar que na vida tudo é teatro, dependendo de como é a sua atuação você viverá melhor ou pior. Dividido em quatro atos, acompanhando as estações do ano, a fotografia (espetacular) assume as tonalidades condizentes com as emoções desenroladas.

Lanternas Vermelhas – Da hong deng long gao gao gua (Raise the Red Lantern)

- China 1991 De Zhang Yimou Com Li Gong, Caifei He, Cuifen Cao, Jingwu Ma, Qi Zhao, Lin Kong, Jin Shuyuan, Weimin Ding, Cao Zhengyin, Zhihgang Cui 125’ Drama


DVD- Para quem não o assistiu no cinema quando foi lançado, é a oportunidade de finalmente poder contemplar a fotografia na íntegra, com seu escopo original adaptado à medida 4x3. Mas a copiagem foi feita pela Spectra Nova a partir de negativos 35 mm sem passar por nenhuma restauração! A imagem está desbotada e cheia de rabiscos parecendo que estamos diante de Planet Terror. Até as “queimaduras de cigarro” no canto da tela a cada 11 minutos para o projecionista saber a hora de trocar de rolo aparecem. Os extras são apenas textos curtos.

Cotação:

18 de novembro de 2008

Vidas em Jogo

David Fincher vinha de Seven, que embora banal, conseguiu cair nas graças da massa. E essa pode ter sido a delícia que virou maldição para explicar como este Vidas em Jogo, muito mais original e elaborado , tenha passado batido entre a maioria das pessoas. Toda a expectativa que ele cria durante seu desenrolar jamais seria compensada por mais mirabolante que fosse o final. Relaxe sem esperar nada e fique de boca aberta por mais de duas horas com intrincado quebra-cabeças! Michael Douglas (excelente sendo Michael Douglas) é um executivo podre de rico e igualmente pobre de espírito. Ás vésperas de seu aniversário, ganha do irmão caçula o convite pra participar de um inusitado jogo sem hora pra começar ou acabar. Na verdade, a entrada a um gigantesco pesadelo que lhe ensinará o real sentido da vida. De cara nos remete a Depois de Horas, comédia de Martin Scorsese hilária e infelizmente esquecida em DVD no Brasil e filmes de gato e rato do tipo Sem Saída com Kevin Costner. A genialidade está em nos fazer entrar no jogo e jamais termos conta do que é “brincadeira” ou um fabuloso crime muito bem planejado. Acabamos envolvidos tanto quanto o personagem de Douglas. É um filme agradável, inteligente e feliz em todos os sentidos imagináveis, daqueles pouco comuns onde se percebe o envolvimento absoluto de elenco e direção. Pode não ser uma obra-prima, exatamente porque sempre há um sabor de “já te vi”, mas merece ser redescoberto.

Vidas em Jogo – The Game

- EUA 1997 De David Fincher Com Michael Douglas, Sean Penn, Deborah Kara Unger, James Rebhorn, Carroll Baker, Anna Katarina, Armin MuellerStahl 128’ Suspense


DVD - Pra piorar, além da quebra de expectativas inevitáveis e frustrantes que o filme faz uso sem dó, a produtora Polygram faliu nesse meio tempo. The Game foi parar no limbo até que a Universal saiu com esta edição de luxo. Caprichadíssimo, o DVD tem faixas de comentários (legendadas em português!), trailers, bastidores e um chocho final alternativo.

Cotação:

6 de novembro de 2008

Vaidosa

Bette Davis é a garota da alta sociedade com todos os homens aos seus pés, mas que precisa casar com ricaço por interesse. O marido (Claude Rains espetacular!) passará anos a fio com seus olhinhos de cachorro sem dono convivendo com os galanteadores à volta de sua esposa. Quase libertina em prol da bajulação masculina, deixará marido e filhinha por uma vida cheia de prazeres. Até que com muitos anos nas costas, pegará uma terrível doença que a deixará muito velha, espantando qualquer pretendente da sua frente. Davis se esforçará pra provar que uma mulher só é bela quando amada. O filme muito divertido como os dramalhões mais felizes feitos na era de ouro de Hollywood derrapa logo de cara quando aparece um grupo de conquistadores de fraque tecendo elogios à beleza de Fanny Tells e quem desce a escadaria é Bette Davis. Talentosíssima, mas longe de ser famosa por seus atributos físicos. Outro incomodo é que estávamos na primeira metade da década de 40, com as mulheres pegando no batente graças á segunda Guerra Mundial, assim sendo, a história é contada para elas com mais leveza e humor do que o tema merecia. Há exemplo de Scarlet Ohara, a personagem central é mostrada da tenra idade à maturidade absoluta, prepare-se para um show de interpretação de Bette Davis até sob pesadíssima maquiagem. Sem medo de ficar muito feia em cena, arrasa em frases espirituosas enquanto desfila por cenários rococós em figurinos espalhafatosos. Assim fica difícil não acabar gostando de Mr. Skeffington.

Vaidosa – Mr. Skeffington

- EUA 1944 De Vincent Sherman Com Bette Davis, Claude Rains, Walter Abel, Marjorie Riordan, John Alexander, Jerome Cowan, Dorothy Peterson, 145’ Drama


DVD - A Warner trata qualquer lançamento como um produto especial, mesmo produções menores. Pelo menos nos clássicos é a melhor entre as grandes distribuidoras. Vaidosa também tem a capa e menus reproduzindo o material promocional da época, trailer original e um documentário curto com estudiosos falando sobre Davis. Ruim é que eles jamais legendam faixas de comentários, no caso do diretor Vincent Sherman. O detalhe é que não há citação de tal extra nem na embalagem nem opção de selecioná-lo no menu a não ser que o troquemos pelo em inglês. A dublagem presente, que pode interessar a senhoras fãs de Davis, parece ser recente, já que a voz da atriz não é feita pela grande Ida Gomes que aprendemos a amar nas reprises da TV.

Cotação:

17 de outubro de 2008

Diabolik

Nada parece ser mais pop que cinema italiano comercial. Adaptação de personagem de quadrinhos local muito popular, cada frame de Diabolik é um deleite kitsch assinado por Mario Bava, produzido pelo não menos lendário Dino De Laurentiis e trilha sonora (menos swingada do que se espera) de Ennio Morricone. Não uma trama em si, mas um infinito gato e rato do anti-herói (John Phillip Law) com a polícia e a máfia. Com alguns personagens sumindo da ação depois de um tempo, além de seguir divertidamente lógica física inverossímil, dá pra perceber que o roteiro (também de Bava) é uma grande colcha patchwork reaproveitando situações dos quadrinhos. Também engraçado o personagem seguir um estilo James Bond, cheio de apetrechos tecnológicos, mas é um ladrão que não pensa duas vezes em matar quem se colocar à sua frente, mesmo se for apenas um pau mandado do chefão. Seus planos mirabolantes não são para roubar dos ricos e dar aos pobres, mas pra puro e simplesmente enriquecer e dar tudo o que sua amada Eva (Marisa Mell belíssima) quer. O mais próximo do heróico que seus atos fazem é desestabilizar o sistema vigente. Explode vários prédios públicos obrigando o ministro ir à TV pedir aos cidadãos que por amor à pátria declarem novamente seu imposto de renda, já que todos os registros foram perdidos. “Só pode ser piada!” declara um nobre tiozinho enquanto toma sua biritinha num boteco. É esse espírito que o põe muito acima de 9 entre dez versões cinematográficas do gênero, cada vez mais enquadradas na burrice da média intelectual das platéias. O ator Law, falecido em 2008, apareceria como o anjo de Barbarella, outro filme de heróis do mesmo ano.

Diabolik - Danger: Diabolik

- Itália/França 1968 De Mario Bava Com John Phillip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli, Adolfo Celi, Claudio Gora, Mario Donen, Renzo Palmer 105’ Aventura


Cotação:

11 de outubro de 2008

King Kong Vs Godzilla

Foi o evento do ano sem dúvida! O confronto dos monstros gigantes mais famosos de todos os tempos e ainda por cima ambos pela primeira vez em cores. Como King Kong era bem mais popular no Japão do que o conterrâneo Godzilla, os personagens evidenciam uma torcida por ele, mas a gente acha os dois uma graça e torce para que nenhum saia muito ferido. Por incrível que pareça, a idéia deste crossover surgiu de um produtor americano que tendo seu projeto “King Kong Vs Frankenstein” recusado pelos estúdios de Hollywood foi bater na porta dos japoneses da Toho. Embora os créditos iniciais indiquem que o macaco está sob autorização da RKO, há substanciais mudanças com o que conhecemos no clássico de 31. A começar, lógico, pela troca do bonequinho em stop motion por um homem numa fantasia ridícula. A técnica é usada apenas nos closes, sendo que a figura original aparece nas fotos do departamento de divulgação enfrentando Godzilla em tosca montagem. Ele também não vivia mais na Ilha da Caveira, mas numa outra onde japoneses da raça negra dançam coreografias fáceis. É levado à civilização graças a um ambicioso e atrapalhado empresário do ramo farmacológico e pra não ficar tão em desvantagem com o lagartão que cospe fogo, King Kong fica super forte ao entrar em contato com a rede elétrica, ou levar raios na cabeça... Com carinhos de brinquedo, navios, etc. fingindo ser de verdade, e as sempre engraçadas cenas de multidões em pânico garantem a diversão. Lamentável que estes filmes só chegam até o ocidente com dublagem em inglês e a adição de atores americanos, mas em meio ao samba do criolo doido do roteiro, o que há pra reclamar? Talvez do broxante final do embate...

King Kong Vs Godzilla – Kingu Kongu tai Gojira

- Japão/EUA 1962 De Ishirô Honda Com Tadao Takashima, Kenji Sahara, Yu Fujiki, Ichirô Arishima, Jun Tazaki, Akihiko Hirata, Mie Hama, Akiko Wakabayashi, Akemi Negishi, Senshô Matsumoto, Senkichi Omura 91’ Ação


Cotação:

10 de outubro de 2008

A Pantera Nua

Rossana Ghessa é a suburbana que sai em revista de mulher pelada enquanto sonha em encontrar um bom partido. Vê sua grande chance ao servir de “cala-boca” para um milionário gay não ser deserdado pelo pai. De forma confusa, aparece um malandro (Roberto Pirillo, em alta depois de aparecer na novela A Escrava Isaura) se dizendo fazendeiro e leva a belezoca no bico. Bobagem! O argumento explorado nas coxas, pra usar um termo que lhe cabe bem, é só desculpa para Ghessa tirar a diminuta roupa em 9 a cada dez cenas, e por incrível que pareça, por vontade própria já que é a produtora desta vídeo cassetada retrô. Constrange ainda obra de tão baixo calão conseguir ser co-produzido com verba pública via Embrafilme. Este tipo de apoio é a principal diferença entre as comédias cariocas e as da Boca do Lixo, frutos da iniciativa privada, e daí vem mais outra estranheza. Os personagens, em meio a um roteiro muito pobre, de diálogos idem, ficam soltando farpas ao cinema paulista, no sempre ridículo bairrismo entre Rio de Janeiro e São Paulo. Amadoristicamente dirigido, fotografado, escrito e interpretado, serve só pra rir da moda da época, além de dar vergonha alheia.

A Pantera Nua

- Brasil 1979 De Luiz de Miranda Corrêa Com Rossana Ghessa, Roberto Pirillo, Neuza Amaral, Heloísa Helena, Agnes Fontoura, Marcos Wainberg, Wagner Montes, 102’ Comédia


DVD- Todo e qualquer filme brasileiro é sempre um upa se achar em DVD, mas também, qual a lógica da CineMagia ter lançado isso com tantos outros mais interessantes ainda inéditos? Mesmo pornochanchadas que pelo menos divertem, continuam lendárias. Ao contrário da imagem, o áudio, principal obstáculo técnico do cinema nacional por muito tempo, está péssimo na maioria do tempo, o que justificaria a existência de legendas. Na contracapa o nome da atriz e política carioca Neuza Amaral está grafado como Nelsa Amaral.

Cotação:

11 de setembro de 2008

As 7 Faces do Dr. Lao

Voltar a esse filme depois de tanto tempo é como se deparar com as mais misteriosas e profundas crenças infantis. Tentando desvencilhar qualquer saudosismo, a produção se mantém válida e saborosa para todas as idades. Até porque, os valores defendidos por ela não vão morrer nunca, nem o encanto de crianças por mitológicas criaturas executadas com capricho técnico. Velho chinês chega com seu circo mágico a Abalone, pequena e nada próspera cidade do velho oeste. Ela será extinta graças a um soberbo homem que quer comprar as casinhas de todos, convencendo o povo mesquinho de que aquele lugar não vale nada! No circo do Dr. Lao descobrirão que a abundância chegará sim, além de ganharem lições de moral com cada uma das figuras bizarras. Tremendo fracasso de bilheteria em seu lançamento, cozinhou a carreira do diretor, embora a atriz Barbara Eden fosse consagrada logo depois na série Jeannie, É Um Gênio. As 7 Faces do Dr. Lao é uma daquelas produções que se tornaram clássicas na posteridade devido às constantes reprises na TV. Gerações inteiras aprenderam a amá-lo, assim como A Fantástica Fábrica de Chocolate, Fúria de Titãs, O Pássaro Azul entre tantos outros. Tony Randall, muito popular na época, tem desempenho fenomenal fazendo seis papéis com ajuda de maquiagem. Mereceu o único Oscar do filme, especial de melhor maquiagem, já que tal categoria ainda não existia. Curioso como quando Randall envelheceu de verdade ficou muito parecido com o adivinho cego Apollonius de Tyana, interpretado quando tinha 44 anos. O mundo realmente é um circo...

As 7 Faces do Dr. Lao – 7 Faces of Dr. Lao

- EUA 1964 De George Pal Com Tony Randall, Barbara Eden, Arthur O'Connell, John Ericson, Noah Beery Jr., Peggy Rea, John Doucette 100’ Comédia/Fantasia


Cotação:

24 de julho de 2008

Tron – Uma Odisséia Eletrônica

Esta orgia de cores e formas digitais em baixa resolução diz muito mais à nossa geração, acostumados aos confortos dos bits e bytes que àquela platéia do inicio dos 80. Estavam todos empolgados com os primeiros jogos eletrônicos, mas não devem ter entendido nada sobre um super sistema operacional que vai engolindo programas independentes menores. Windows quem? Na história, hacker (Jeff Bridges) tenta entrar sistema para conseguir provar a autoria do tal software, mas é literalmente abduzido (scanneado) para dentro dele, onde terá que lutar numa espécie de arena eletrônica. Foi uma desculpa simples para a Disney correr na frente nos efeitos gerados em computador e Tron pode se orgulhar de ser o primeiro longa a ter cenários de computação gráfica. Visto agora é algo saudosista, engraçado, que remete diretamente a O Mágico de Oz ou qualquer esforço da época de ouro de Hollywood em fazer filmes fantásticos. É um espetáculo retrô, divertido e nos faz pensar o desafio que deve ter sido aos técnicos naquele tempo. Tempo remoto em que Disney, Spielberg e Lucas eram referência em modernidade técnica. Época em que o domínio da ferramenta se confundia com o domínio artístico. Os anos passaram, a tecnologia foi ficando cada vez mais barata e comum e verdades foram escancaradas. O fato de se saber usar um pincel não significa que você é um Picasso. No Brasil houve algo semelhante, mas, como era de se esperar, na TV. Com todo o dinheiro que a TV Globo sempre teve, e, portanto, tecnologia de ponta, Hans Donner era o gênio das aberturas e vinhetas. Hoje se sabe que não passa de um gringo que sabe lidar com computadores, com idéias muito pobres. E ainda estamos só no começo...

Tron – Uma Odisséia Eletrônica – Tron

- EUA 1982 De Steven Lisberger Com Jeff Bridges, Bruce Boxleitner, David Warner, Cindy Morgan, Barnard Hughes, Peter Jurasik, Dan Shor 96’ Ficção Científica


DVD - A Disney devia se envergonhar de ostentar seu logo num DVD como este. É ridículo um filme como Tron sem absolutamente nada além do filme. Pelo menos está em ótima qualidade de áudio e imagem.

Cotação:

20 de julho de 2008

Xanadu

A bomba máxima 80’s! Muitas vezes no meio de tanta bobagem cor de rosa é difícil conter o riso. As músicas não têm lógica narrativa alguma, o conflito só surge no final, coisa que se resolve em duas ceninhas, mas irresistível! A trama, se é que isso pode ser considerado uma trama, gira em torno de algumas musas inspiradoras que tomam vida. Nenhuma tem função alguma na história, exceto uma, Kira (Olivia NewtonJohn, lógico!), que se envolverá afetivamente com pintor de cartazes frustrado com sua profissão. Desculpa deslavada pra tocar umas três músicas melosas. Terrível a justificativa pra elas ter saído do olimpo com seus patins e polainas: ”Veio para ajudar na criação da boate Xanadu!”. Gene Kelly (o velho milionário bonzinho que distribui dinheiro!!!) tenta dar algum requinte aquilo tudo mas é soterrado em tanta cafonice. Precisa falar que vai dar com os burros n’água quem esperar de Xanadu um filme de verdade, com historinha coisa e tal, mas vai se divertir pra chuchu quem esperar uma sucessão de clips horrorosos, com cenários e figurinos idem? Este parece ser o motivo plausível para tamanho fracasso ter gerado uma trilha sonora de enorme sucesso, até os dias de hoje, a ponto de originar recente (e bem sucedida) versão da Broadway. Mesmo fraquinho, prende atenção o final apoteótico com NewtonJohn cantando a música principal de escova em dia nos cabelos. Uma graça! Tão contagiante e saudosista que nos faz cantá-la ao longo de dias.

Xanadu – Xanadu

- EUA 1980 De Robert Greenwald Com Olivia NewtonJohn, Gene Kelly, Michael Beck, James Sloyan 93’ Musical


DVD - A arte da capa não parece ter sido feita por um grande estúdio como a Universal. Mal feita e de impressão lembrando Xerox colorido. Também não traz extras. Uma coisa curiosa é o DVD teve que ser trocado duas vezes, um dos poucos a vir com defeito na minha vida. Na segunda troca fiquei imaginando um inusitado recall, e que tipo de gente estaria numa fila gigantesca pra trocar Xanadu...

Cotação:

30 de junho de 2008

Wall-E

Não é todo dia que se vai ao cinema e se depara com um clássico. Um filme que se tem a certeza de que será querido por gerações e gerações. E nem por isso, ou talvez por isso, deixou de seguir caminhos arriscados principalmente em sua estrutura. Atitude cada vez mais condenada pelos engravatados de Hollywood nestes tempos de refilmagens, adaptações caretinhas de quadrinhos pra nerd bater palma e quaisquer outras favas contadas. Adulto e profundo a ponto de nos fazer continuar com ele na cabeça horas depois, infantil e divertido a ponto de a maioria das (muitas!) crianças presentes na sala ficarem caladinhas até o fim. Esse domínio da platéia, muito comum entre grandes atores do teatro, demonstra o quanto os roteiros da Pixar estão cada vez mais apurados. Wall-E é um pequeno robô, o último da sua espécie, que sobrevive na Terra a fim de limpar todo o lixo existente. Todos os humanos estão em órbita, por séculos, esperando o dia em que tudo voltará a ser um prado verdejante. A maquininha vive aqui relativamente só, embora seu relacionamento com uma barata faça seus dias menos vazios. Outra distração é uma velha fita VHS do musical Hello Dolly!, que como em muitos filmes de nossas vidas, lhe será bastante útil futuramente. Num belo dia, chegará outro robô, moderníssimo, vasculhando cada centímetro do velho planeta, e não se sabe se por suas formas arredondadas, ou pela esperança do fim da solidão, Wall-E cairá de amores por ele, sem deixar de ser incrivelmente útil em sua pequeneza. Parece um filme comum? Espere para ver o que ainda virá, com maquinas conspirando, humanos entregues aos prazeres digitais, vilões mal definidos numa raríssima falta de maniqueísmo em animações. E claro, detalhes filosóficos que ainda me farão pensar por mais alguns dias. Quem sabe? Em alguns pontos há um deslize de ritmo, e estranha ser principalmente no corre corre final. Nada que não o faça um dos melhores longas deste ano. Saindo do cinema vi uma garotinha de uns 5 anos falando pro papai o quanto os humanos eram gordos, e que também pudera, comiam McDonalds o tempo todo! Só isso já não valeu o ingresso?

Wall-E – Wall-E

- EUA 2008 De Andrew Stanton 103’ Animação/Ficção Científica


*** Em cartaz ***

Cotação:

19 de junho de 2008

Sob o Domínio do Mal (1962)

As palavras “filme” e “político” lado a lado dão invariavelmente aquela preguiça. A duração de mais de duas horas é outro motivo a se torcer o nariz, mesmo numa produção elogiadíssima e polêmica. Com boa vontade se descobrirá que realmente é bastante político, mas os personagens não discutem nada que já não estejamos carecas de saber em outros filmes do mesmo período. Ou seja, toda a turbulência do período da guerra fria. Se tudo parecer confuso há um lado trash (no bom sentido) realmente empolgante e até engraçado. Soldados são submetidos durante a guerra da Coréia (o Vietnã da época) a lavagem cerebral, o que acarretará muitos anos depois em estranhos sonhos que apontam respeitável sargento como assassino em potencial. Paralelamente, esse mesmo militar sob hipnotismo comete mata pessoas do governo depois do comando de chefe misterioso. Frank Sinatra tentará entender seus sonhos e assim desvendar a trama macabra. Filmado de forma inovadora até para os dias de hoje, tem o roteiro dividido em atos, com subtramas que vão se desenrolando sucessivamente até o final (desculpe o clichê) de tirar o fôlego! Com fama de premonitório e maldito, porque como bem se sabe, alguns de seus acontecimentos seriam revistos na vida real logo depois com os irmãos Kennedy, sua projeção foi proibida pelo também produtor Sinatra até 1989. Ainda levou a carreira do diretor Frankenheimer a uma espécie de limbo, porque por coincidência era o motorista de Bob Kennedy no fatídico dia de seu assassinato, e teria insistido para que se corresse chegariam a tempo do evento, contrariando a vontade do senador. Se no começo parece não convencer toda aquela paranóia anticomunista, militares caricatos, métodos discutíveis de ação, chega-se ao final totalmente apaixonado. Com menos expectativas e já sabendo do que se trata talvez ganhe contornos melhores, bem humorados se assistido uma segunda vez. Angela Lansbury faz talvez a pior mãe já vista no cinema. Simplesmente diabólica!

Sob o Domínio do Mal – The Manchurian Candidate

- EUA 1962 De John Frankenheimer Com Frank Sinatra, Laurence Harvey, Angela Lansbury, Janet Leigh, Henry Silva, James Gregory 127’ Suspense


DVD - Edição miserável, muito provavelmente porque a Playarte é uma empresa independente tradicional no mercado. Lança DVDs como se fossem VHS, apenas com o filme. Está em ótima imagem, com proporções preservadas.

Cotação:

17 de abril de 2008

Como Agarrar Um Milionário

Três belezocas do mundo das passarelas mudam-se para Manhattan a fim de arrumarem maridos ricos. Ricos não. Podres de rico! O plano é bem simples, alugam um apartamento chiquérrimo mesmo sem terem como pagar, a primeira que casar com um bom partido ajuda as colegas. “Se queremos pegar um rato, é preciso armar uma ratoeira!” Nem tudo, claro, será tão simples assim nesta deliciosa comédia de erros, com diálogos engraçados e ninguém menos que Lauren Bacall, Betty Grable e Marilyn Monroe estreando o CinemaScope da Fox, o segundo filme no sistema. Mesmo com as curvas das atrizes, principalmente de Monroe (em relativo começo de carreira), suficientes para atrair multidões, Hollywood tentava com inovações tecnológicas reagir à TV, transformada em queridinha da classe média. Primeiro com produções em 3D, e a partir de 53 em CinemaScope. O 3D nunca funcionou direito, com seu efeito possível apenas com o uso dos incômodos óculos especiais a ponto da tagline e trailer evidenciarem que “óculos não serão necessários”. Logo na abertura vemos Alfred Newman e todos os 110 integrantes de sua orquestra demonstrando a nova capacidade da tela. Transbordando glamour 50’s, o elenco está engraçadamente à vontade com tema “caça dotes”, que, aliás, jamais saiu de moda. Dois diálogos brincam com as vidas pessoais/matrimoniais das estrelas: Quando o milionário diz que é muito velho para casar com Bacall e ela prontamente se declara adoradora de homens mais velhos, inclusive “aquele ator de African Queen”, se referindo a Humphrey Bogart, e Gable (enganada) teimando que o som que vem do rádio é do maestro Harry James e que o som de Harry James ela conhece muito bem. Ainda há a verdadeira passagem de faixa de “loira número 1” do estúdio entre Gable, que reinou na Fox durante os 40 para Monroe. Só faltava o papel de Bacall ser de Alice Faye, a representante platinada dos 30, para termos toda a corte.

Como Agarrar Um Milionário – How to Marry a Millionaire

- EUA 1953 De Jean Negulesco Com Marilyn Monroe, Lauren Bacall, Betty Grable, Rory Calhoun, William Powell , David Wayne, Cameron Mitchell 95’ Comédia/Romance


DVD - Segue dois padrões de coleções. Internamente, em menus e extras, a Coleção Diamont Collection, e a capinha é a horrorosa da Fox Classics. Há três trailers, o original americano (com texto vangloriando o CinemaScope), alemão e italiano. Legal um cine jornal com a premiere cheia de celebridades. Sem querer ser venenoso, note entre os casaizinhos apaixonados Debbie Reynolds e Eddy Fisher, e Rock Hudson acompanhado de um de seus “eternos amores” arranjados pelos departamentos de publicidade.

Cotação:

5 de março de 2008

Como Enlouquecer seu Chefe

Em meio a impressoras famintas, vírus vingativos, chefes megalomaníacos, um dos raros filmes a mostrar de forma adulta quem trabalha num escritório moderno. De humor ácido é quase uma incógnita a quem não está familiarizado com os cenários retratados. Taí uma possível explicação para a absurda ignorada quando lançado nos cinemas no fim dos 90. Mike Judge em meio ao sucesso de Beavis and Butt-Head provou o peso da inversão de expectativas. Assim como As Patricinhas de Beverley Hills, de uma hora pra outra os alvos da critica tornaram-se fãs, o que imediatamente afastou qualquer outro tipo de público que seja ou se ache mais inteligente do que as criaturas ali retratadas. Por tanto, Como Enlouquecer seu Chefe teria se dado mal por ser muito melhor do que aparentava, mas bem distante do que os fãs do desenho da MTV poderiam esperar. Nada como o mercado do home vídeo para convertê-lo em Cult movie, quase que uma comédia pessoal, querida, cheia de situações e sensações que qualquer pessoa já enfrentou diante de um PC no trabalho... É quase como uma cartilha, um guia de sobrevivência na selva de cubículos de compensado! Na melhor das hipóteses olha-se para o monitor por uns 15 segundos, o que aparentará estar se fazendo alguma coisa para o desenvolvimento de sua empresa. Aliás, sua o caramba! Parece que a cada vez que se assiste ganha mais graça, há mais cumplicidade com o jovem funcionário que num belo dia resolve simplesmente não se importar com nada! Absolutamente nada! Não se sabe se a culpa é da hipnose a qual é submetido, com o psicólogo morrendo em meio à sessão (!!!) ou se apenas não quer mais tentar achar sentido praquilo. Há ainda Jennifer Aniston, bem meiga, vivendo uma garçonete insatisfeita e interesse amoroso do protagonista. Quase um repeteco de Rachel, seu personagem de Friends, o que funciona hoje em dia como uma espécie de bônus, uma entre tantas referências pop habilmente inseridas.

A Como Enlouquecer seu Chefe – Office Space

- EUA 1999 De Mike Judge Com Ron Livingston, Jennifer Aniston, David Herman, Ajay Naidu, Gary Cole, Stephen Root 85’ Comédia


DVD - Nem me passa pela cabeça esperar algum dia encontrar a edição de luxo lançada no mercado norte americano pós o sucesso da versão simples. A nossa tem trailer e um menu estático que poderia pertencer a Office Space como a qualquer outro. Mas chato mesmo são estes filmes da Fox que não permitem que se mude legenda e áudio pelo controle remoto.

Cotação:

26 de fevereiro de 2008

Anjos da Broadway

Filminho B de gangster rodado à moda Frank Capra. Dois trapaceiros, Rita Hayworth e Douglas Fairbanks, Jr., trabalharão literalmente como anjos para que executivo não cometa suicídio. Há também Thomas Mitchell (o pai de Scarlett O’Hara)vivendo produtor teatral fracassado de coração mole, uma espécie de “Deus”, a favor da redenção. Com premissa interessante e desenrolar banal, consegue alcançar certo suspense nos momentos finais. Sua ingenuidade cristã fora de moda o mantém agradável de ser assistido superando falhas do tipo não haver externas, erros de continuidade e os costumeiros parcos recursos da Columbia Pictures. Produtora conhecida entre os grandes estúdios como “A Pobretona”, porque, até ser comprada nos 80 pela Sony, investia muito pouco financeiramente. A própria dançarina Margarita Cansino, transformada em Rita Hayworth, sua principal estrela, em anos de contrato jamais recebeu aulas de canto. Por economia optavam pela dublagem quando necessário. Vale também, lógico, para se ver a atriz antes de se tornar a imortal Gilda, ainda tão insegura, mas já maravilhosa.

Anjos da Broadway – Angels Over Broadway

- EUA 1940 De Ben Hecht Com Rita Hayworth, Douglas Fairbanks, Jr., Thomas Mitchell 79’ Drama


DVD - O resumo na contracapa parece ter sido escrito por aluno da 5ª série como prova de redação e a imagem full frame às vezes parece danificada. Há 3 trailers originais, embora nenhum de Angels Over Broadway. Bacana ter o de Gilda, porque evidencia o abismo na interpretação da atriz entre eles.

Cotação:

21 de fevereiro de 2008

Interstella 555 – The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem

Cinco amigos de uma galáxia distante passam o tempo tocando música até que empresário ganancioso os seqüestra para ganhar inúmeros discos de ouro no Planeta Terra. Com este argumento de ficção científica chinfrim concretizou-se um dos projetos mais ousados da atualidade, praticamente o último filme mudo que se tem notícia. E é anda por cima é um musical em desenho animado gerado a partir de um disco de música eletrônica... Pagou seu preço como exercício ante a estável narrativa verbal cinematográfica, sendo recebido com extrema frieza depois do hype gerado pelos quatro clipes do Daft Punk que o antecederam. Tendo no comandado o mestre Leiji Matsumoto (do animé clássico Patrulha Estrelar), o longa dá continuidade aos “capítulos” lançados a cada nova faixa de trabalho do álbum Discovery, assim como qualquer canção pop em épocas de MTV. Ferramenta ideal para se criar super stars como os pobres Crescendolls da película. Não é realmente fácil de ser assistido! Por mais que o visual seja detalhadíssimo, e o estilo das cores e traços vulgarmente combinarem com o som 70’s a falta de diálogos o faz funcionar muito melhor para ser o DVD que fica rodando enquanto a gente faz alguma coisa do que filme em si para ser visto no cinema. Pelo menos o que se olha de relance proporciona quase uma alegria infantil!

Interstella 555 – The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem

- França/Japão 2003 De Kazuhisa Takenouchi 65’ Musical/Animação/Ficção Científica


DVD - Tal e qual um CD de áudio, lançado praticamente idêntico ao que foi lá fora. O que explica os menus estarem só em inglês e francês. Há um batalhão de extras, e os menus randômicos completam o clima retrô high-tec do filme. Muito ruim os botões que dão acesso ao material bônus não conterem descrições em texto do que se trata... Bacana a seleção de capítulos parecendo um jukebox: Não se precisa ver o filme em tela cheia, mas no topo deixando todas as outras cenas (clips) á disposição.

Cotação:

10 de fevereiro de 2008

Matrix

Talvez os mais novos não saibam o que era não só o cinema, mas a cultura pop em geral antes de 1999! Por algum motivo, talvez o novo milênio que se aproximava, Hollywood mirou seus holofotes a filmes reflexivos, que discutiam verdades e mentiras de nossa mente. Clube da Luta, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, O Show de Truman, todos do mesmo ano! Nenhum fez o estardalhaço de Matrix, que foi surgindo muito mais de boca a boca (pelo menos no Brasil) do que por campanha de marketing. A Internet em seus primeiros passos, nem se cogitava campanhas virais como as de hoje. Dá pra garantir que de tão ousado nem o estúdio apostava muito nele. E todos queriam ver, todos queriam discutir, e volta e meia alguém falava que não entendeu nada. Em plena transição do analógico ao digital, Keanu Reeves ressurgia como um messias deste novo tempo. E dá-lhe um visual cool, e inúmeras referências clássicas a qualquer coisa que os irmãos Wachowski teriam consumido até então. Detratores apontam este ser o ponto fraco do projeto, tamanha obviedade de algumas delas. Do surrado Platão, bíblia até os (então desdenhados) filmes made em Hong Kong. Os caras foram os primeiros a junta-las e dar um novo refresco. Se há um mérito legítimo nos caras está neste ineditismo. E sim, mostrar a fome em informática (efeitos digitais, internet, etc.) em algo real, e não apenas uma brincadeira de nerds espinhentos. Os efeitos assustadores de tão perfeitos estavam ali só pra ilustrar a história, e quase uma década (!!!) depois ainda impressionam. Há um roteiro bem amarrado para disputar interesse com eles. O que envelheceu foram os figurinos, exaustivamente copiados, estão quase que risíveis de tão cafonas e artificiais. As próprias seqüências desnecessárias, que tiveram campanha de marketing muito feroz, ajudaram nisso, e até a abafar suas inúmeras qualidades. Mercantilismos à parte, este por si só se completa como o filme definitivo da geração 90’s. Houve algo tão inventivo desde então?

Matrix - Matrix
- EUA 1999 De Andy e Larry Wachowski Com Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Joe Pantoliano, Hugo Weaving, Gloria Foster 136’ Ficção Científica


DVD - É um clássico do disquinho digital!!! A gente alugava o VHS e vinha a propaganda logo no começo “What is DVD?”, usando Matrix como exemplo das maravilhas do mundo digital que nos aguardava. Então, é uma edição bem antiga, reimpressa em 2006, o que se perdoa a total falta de legendas nos extras. Até a função de seguir o coelhinho branco durante o filme faz com que elas não apareçam. Mas a cerejinha não está nos extras pra se ver no player, mas na faixa DVD-ROM. Nos tempos pré-históricos da internet, quando ela era na verdade um monte de texto e pouquíssimas fotos, não havia site mais bacana que o de Matrix. Hoje pode parecer até tosco e simplista, mas naquela época: Wow! Enfim, ele está inteirinho (!!!) como estava no ar em 1999 até com os downloads. O screensaver original com os códigos verdes é uma pequena pérola daqueles tempos. Saudosismo puro! Pena não funcionar corretamente nas dimensões atuais dos monitores com o mínimo de 1024 X 764...

Cotação:

13 de dezembro de 2007

História de Uma Cidadezinha

Se este filme não conta-se com Marilyn Monroe em seu elenco ganharia o destino de tantos outros desprezíveis: Teria virado matéria prima na fabricação de vassouras! Originalmente conhecido no Brasil como Em Cada Lar Um Romance (o que não faz o mínimo sentido!), é uma pequena bobagem (quase um média metragem), subversiva e deslavada propaganda dos princípios anticomunistas. O trabalhador deve servir da melhor maneira possível o patrão magnata, que não passa de um ser altruísta e muito bonzinho a favor de uma América próspera. Nosso herói, que retorna a sua cidade natal após a derrota nas eleições, quase vira vilão ao usar seu jornal contra uma indústria que achava gananciosa. Não espere nada além de alguns discursos cheios de boas intenções, tal e qual você sabe o quê. Sua ingenuidade chega a ser graciosa como a classe média americano dos 50 sempre nos parece. De qualquer forma, indispensável na coleção dos admiradores de Monroe. Ainda longe de se tornar o maior mito que o cinema já produziu, emociona sua visível insegurança nas duas ou três frases de texto (além de literalmente enfeitar o cenário ao fundo) como a secretária do tal noticioso interiorano. Foi o nono filme de sua carreira, e o (terceiro e) último na MGM, que a dispensou alegando já ter Lana Turner em seu cast, não precisando de outra loira. A curiosidade fica no fato de que esta película, por ser artisticamente insignificante, tornou-se rara inclusive em sua época. Instantaneamente desprezado e esquecido segundo o biógrafo Donald Spoto. Uma cópia teria ressurgido na Austrália após a morte de Marilyn Monroe em 1962.

História de Uma Cidadezinha – Home Tow Story
- EUA 1951 De Arthur Pierson Com Donald Crisp, Jeffrey Lyn, Marjore Reynolds, Marilyn Monroe 61’ Drama


DVD - Uma das glórias da era digital em que vivemos é a possibilidade do acesso a obscuras produções como esta. Muitos títulos com copyrights teoricamente perdidos estão surgindo para download na internet, ou sendo lançado em DVD por pequenas distribuidoras. Este aqui (De uma tal Líder) tem um menuzinho simpátiquinho com uma casinha onde na janelinha se vê cenas do filminho enquanto caiem folhinhas. Um show de inhos e inhas ideal para a obra em questão. Ao fundo se ouve a mesma música que toca na abertura do filme, mas visivelmente percebe-se que não é original da época, aliás, o leão da Metro está mudo!!! Não tem seleção de capítulos e há a opção de áudio em 2 ou 5 canais... Em um filme da década de 50? Como assim?

Cotação:

15 de novembro de 2005

Os Homens Preferem as Loiras

Esta deliciosa farsa em reluzente Technicolor sobreviveu não só pelo humor atemporal, mas por ter uma jovem em ascensão chamada nada menos que Marilyn Monroe. Este último motivo sozinho já a tornaria obrigatória para quem ama cinema, ou para quem tiver a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a construção de um mito, uma lenda única, imitada, admirada, reverenciada e referenciada eternamente. Coube a Howard Hawks dirigir este seu primeiro mega sucesso. Para isso junto à novata Monroe, Jane Russell, uma antiga queridinha sua, divide os créditos. Em O Proscrito (que seria dirigido por ele, sendo substituído por Howard Hughes) de 1943, Russell foi a primeira mulher a participar de um faroeste em um papel que não era meramente figurativo. Entrou assim para a história logo em seu filme de estréia. Ou seja, neste Os Homens Preferem as Loiras, já poderia ser considerada uma veterana (seu nome vem antes do da colega na abertura e material promocional), e nem por isso ofuscou, ou deixou-se ofuscar. Química! Diga-se de passagem, não há notícias sérias de rivalidade nos bastidores, e nem no roteiro, ao contrário do que o título possa sugerir tanto em português, quanto no original. Fato que denota a percepção de que (em seu 20º filme!!!) a loira teria seu tão sonhado estouro de bilheteria. O diretor já havia trabalhado com ela no ano anterior, em Monkey Business (O Inventor da Mocidade), e soube agora (talvez apenas como Billy Wilder) capitalizar o seu eminente talento e sex appeal em uma interpretação memorável. Marilyn está afinadíssima como a material girl de plantão (consegue alternar instantaneamente glamour, humor refinado e imediatamente uma sexualidade explosiva), mas ainda bem longe do trabalho memorável que nos mostraria anos depois, a partir de Bus Stop (Nunca Fui Santa). Talvez porque em 1953 ainda estava sob as rígidas orientações de Natasha Lytess, sua primeira professora de arte dramática. A trama (até que bem simplista) gira em torno de Dorothy (Russel) e Lorelei (Monroe), dançarinas norte-americanas que viajam à França: uma atrás de homens musculosos, a outra, de uma polpuda conta bancária e muitos diamantes, respectivamente. Baseado em uma peça teatral, esta caprichada produção da Fox nos proporciona ótimas piadas, muitas delas vindas de situações, e claro, interpretações estonteantes das protagonistas. Talvez a profissão das moças seja desculpa para alguns números musicais, mas que números musicais!!! Desde os créditos iniciais, com as duas cantarolando suas pobres infâncias em Little Rock, a um inacreditável e hilariante de Russel e a comitiva olímpica em trajes sumários. E falar de Diamonds Are a Girl's Best Friend sempre é chover no molhado. Cada frame dele dá vontade de transformar em um quadro gigantesco e pendurar na parede. Poderia ser mais uma comedinha antiga e tola em cores berrantes, mas é um clássico delicioso não só por suas qualidades próprias.

Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes)
- EUA 1953 De Howard Hawks com Marilyn Monroe, Jane Russell, Charles Coburn 91' Comédia

DVD - Lançado em 2002 juntamente com muitos outros de Marilyn Monroe em uma coleção chamada Diamond Collection durante o 40º ano de falecimento da estrela, pela sua existência já merece festejos. Praticamente idêntico ao lançado no exterior (raridade!), ainda nos dá a agradável surpresa de ter um cine jornal da época, quando as duas protagonistas deixaram suas marcas na calçada da fama, não descrito na embalagem. Também o áudio é apenas em espanhol (antigo) e em inglês estéreo, sendo que a versão gringa contém o mono original. Poder ver o trailer original também já nos emociona, mesmo sem legendas e imagem podre, e os menus estáticos são outra coisa que pode ser perdoada só pelas fotos belíssimas de Monroe que os ilustram. A imagem restauradíssima deixa toda a película muito mais viva literalmente, e os diamantes finalmente brilhantes como devem ser. Como falar mal deste DVD?


IMDB: http://us.imdb.com/title/tt0045810/

Cotação: