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21 de abril de 2008

Cowboy Bebop: O Filme

Emaranhado de referências a Hollywood clássica, parece ter sido criado por uma mente perturbada de algum seguidor do Timothy Larry! Se não fosse lá pela meia hora final toda a história ficar absurdamente bizarra e confusa, seria uma obra prima não só da animação, mas do cinema como um todo. A apresentação dos personagens é de uma eficácia desconcertante. Há um assalto medíocre a uma destas bibocas que ficam abertas até tarde e vendem de macarrão instantâneo a pilhas alcalinas. Os ângulos são os mesmos de câmeras de segurança só que com resolução boa, até Spike adentrar no local mais blasé do que se espera de quem vá resolver o crime. Depois de alguma porrada, e com uma velha senhora de refém sob a mira de um revolver, ele deixa claro: “Se quiser atirar fique há vontade. A vida dela não me diz respeito! Sou um caçador de recompensas, não um herói!”. Pronto, o mundo também ficará aos cuidados deste anti-herói fumante que não se importa com o mundo. E precisaremos de ajuda graças às ameaças de um terrorista chamado Vincent (inspirado adivinha em quem?) envolvido com metafísica e nanotecnologia contando com o amparo de experientes hackers! Embalado por uma espetacular trilha sonora assinada por Yoko Kano, tão eclética e autêntica que se chega a duvidar que uma mesma pessoa a tenha criado!

Cowboy Bebop: O Filme – Kaubôi bibappu:Tengoku no tobira (Cowboy Bebop: The Movie)

- Japão, 2001 De Shinichirô Watanabe 116’ Ficção Científica/Animação


DVD - Depois do parto que foi seu lançamento nos cinemas, em momento Tim Maia (“Será que vem?”), a Columbia resolveu distribuí-lo diretamente em DVD. A versão dublada em português teria sido feita também de forma conturbada, mas as vozes antes ouvidas na exibição do canal Locomotion estão lá. Há alguns extras bem caretas e curtos, que não fazem jus ao espetáculo cinematográfico do filme.

Cotação:

10 de fevereiro de 2008

Matrix

Talvez os mais novos não saibam o que era não só o cinema, mas a cultura pop em geral antes de 1999! Por algum motivo, talvez o novo milênio que se aproximava, Hollywood mirou seus holofotes a filmes reflexivos, que discutiam verdades e mentiras de nossa mente. Clube da Luta, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, O Show de Truman, todos do mesmo ano! Nenhum fez o estardalhaço de Matrix, que foi surgindo muito mais de boca a boca (pelo menos no Brasil) do que por campanha de marketing. A Internet em seus primeiros passos, nem se cogitava campanhas virais como as de hoje. Dá pra garantir que de tão ousado nem o estúdio apostava muito nele. E todos queriam ver, todos queriam discutir, e volta e meia alguém falava que não entendeu nada. Em plena transição do analógico ao digital, Keanu Reeves ressurgia como um messias deste novo tempo. E dá-lhe um visual cool, e inúmeras referências clássicas a qualquer coisa que os irmãos Wachowski teriam consumido até então. Detratores apontam este ser o ponto fraco do projeto, tamanha obviedade de algumas delas. Do surrado Platão, bíblia até os (então desdenhados) filmes made em Hong Kong. Os caras foram os primeiros a junta-las e dar um novo refresco. Se há um mérito legítimo nos caras está neste ineditismo. E sim, mostrar a fome em informática (efeitos digitais, internet, etc.) em algo real, e não apenas uma brincadeira de nerds espinhentos. Os efeitos assustadores de tão perfeitos estavam ali só pra ilustrar a história, e quase uma década (!!!) depois ainda impressionam. Há um roteiro bem amarrado para disputar interesse com eles. O que envelheceu foram os figurinos, exaustivamente copiados, estão quase que risíveis de tão cafonas e artificiais. As próprias seqüências desnecessárias, que tiveram campanha de marketing muito feroz, ajudaram nisso, e até a abafar suas inúmeras qualidades. Mercantilismos à parte, este por si só se completa como o filme definitivo da geração 90’s. Houve algo tão inventivo desde então?

Matrix - Matrix
- EUA 1999 De Andy e Larry Wachowski Com Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Joe Pantoliano, Hugo Weaving, Gloria Foster 136’ Ficção Científica


DVD - É um clássico do disquinho digital!!! A gente alugava o VHS e vinha a propaganda logo no começo “What is DVD?”, usando Matrix como exemplo das maravilhas do mundo digital que nos aguardava. Então, é uma edição bem antiga, reimpressa em 2006, o que se perdoa a total falta de legendas nos extras. Até a função de seguir o coelhinho branco durante o filme faz com que elas não apareçam. Mas a cerejinha não está nos extras pra se ver no player, mas na faixa DVD-ROM. Nos tempos pré-históricos da internet, quando ela era na verdade um monte de texto e pouquíssimas fotos, não havia site mais bacana que o de Matrix. Hoje pode parecer até tosco e simplista, mas naquela época: Wow! Enfim, ele está inteirinho (!!!) como estava no ar em 1999 até com os downloads. O screensaver original com os códigos verdes é uma pequena pérola daqueles tempos. Saudosismo puro! Pena não funcionar corretamente nas dimensões atuais dos monitores com o mínimo de 1024 X 764...

Cotação: