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17 de outubro de 2008

Horror Hotel

O grande Christopher Lee é o carrancudo professor Allan Driscoll que impressiona alunos contando a história de Elizabeth Selwyn,
queimada pela Santa Inquisição 300 anos antes. A acusada teria se revelado culpada ao amaldiçoar entre as chamas o vilarejo Whitewood. Impressionadíssima com o que ouve, uma das garotas segue as recomendações do mestre para conhecer o local e assim aprofundar os estudos sobre religiões pagãs. Mórbido e curto, esbanjando demonismo, fantasmas e assombrações em geral, é inusitado pela violência explícita (pouco comum para a época) e a espantosa semelhança entre a estrutura do roteiro com Psicose de Alfred Hitchcock. Surpreende saber que ambos são do mesmo ano, o que faz descartar inspiração, plágio, etc. O próprio cenário, o hotel, uma das mocinhas é parecida com Janeth Leigh, e uma outra coisa importante, mas que não se deve dita. Quem viu algum deles deve imaginar o que seja! Não é uma produção espetacular, embora vá bem além das expectativas com sombras dando um clima desolador em alguns rituais de magia negra de aspecto clássico. No geral, é muito mais comprometido por vários pontos mal explicados do que pela falta de recursos financeiros. A tal bruxa reencarnada (ou só materializada?) torna-se a Senhora Newless, dona do hotel. Obviamente o nome é o mesmo apenas invertido, num recurso mais comum aos filmes de vampiro do que de bruxas.


Horror Hotel – Horror Hotel (The City of the Dead)

- Inglaterra 1960 De John Llewellyn Moxey Com Christopher Lee, Dennis Lotis, Patricia Jessel, Tom Naylor, Betta St. John, Venetia Stevenson, Valentine Dyall 78’ Horror


DVD - Tão obscuro quanto o filme é este DVD, que não contém nem o logo da distribuidora ao ser inicializado. Na contracapa há a indicação de que é da Fantasy Music, o que não significa realmente muita coisa. A imagem tem boa qualidade perto dos outros B comercializados de qualquer jeito no Brasil.

Cotação:

5 de julho de 2008

O Expresso do Horror

Filme ruim muito bom! Climático, o tempo fez bem a ele. Começa como terror de monstro clássico, e na segunda metade vira suspense, com inúmeros personagens freaks vítimas em potencial. Destaca-se entre estes um monge com sede de poder de rivalizar com Rasputin suspeitíssimo! Ainda consegue incluir ficção científica, zumbis e espionagem, mas acredite, tanta mistura não o transformou em uma comédia involuntária. Pelo menos não tanto quanto aparenta. Nessa virada de gêneros, Christopher e Lee e o sempre grande Peter Cushing (Drácula e Van Helsing respectivamente da Hammer) ainda terão a oportunidade de superar a inimizade em prol da solução do mistério. A presença dos dois com diálogos espirituosos (“Nós monstros? Mas nós somos britânicos!”) já valeria à pena, mas a trama é interessante. No começo do século passado (perto da revolução russa) paleontólogo (Lee) embarca em trans-siberiano junto a misterioso fóssil que descobriu. Ao tentar arrombar o caixote que o transporta, famoso ladrão aparecerá assassinado, com os olhos brancos esbugalhados. A criatura tem o poder de absorver a mente de quem se aproxima, e claro, essa primeira morte vem bem a calhar para quem está preso. Toda a ação se passa dentro do claustrofóbico trem, o que faz com que não seja permitido a ninguém o desembarque ou embarque. Além, óbvio, de poupar recursos financeiros. Divertidíssimo, tem alguma violência gore explícita.

O Expresso do Horror – Horror Express

- Inglaterra/Espanha 1973 De Eugenio Martín Com Christopher Lee, Peter Cushing, Alberto de Mendoza, Silvia Tortosa, Julio Peña, Ángel del Pozo, Helga Liné, Alice Reinheart, Juan Olaguivel, Telly Savalas 87’Horror/Suspense


DVD - Lançado em VHS como Horror Express e em DVD duas vezes, pela London (WorksDVD) e a obscura Kives, é um desperdício com tantos filmes de horror do período simplesmente inéditos no Brasil. Pode-se colocar a culpa na falta de direitos autorais já que haveria uma disputa judicial envolvendo os herdeiros do produtor. Esta cópia (da Kives) manteve a arte igual na capa igual à lançada nos EUA, e sua metragem idem, com três minutos a menos. A imagem em widescreen apresenta alguns riscos, mas servem de charme pelo estilo da produção. Nesse sentido é legal não estar nítida demais, ou restaurada, preservando aquela cara trash 70’s, com fotografia desbotada. Os extras se resumem às gigantescas filmografias de Lee e Cushing.

Cotação:

9 de maio de 2008

Os Ritos Satânicos de Drácula

O clima trash dos anos 70 é sem sombra de dúvida o que tem de melhor. Indo vertiginosamente pro buraco, a Hammer Films tentou de todas as formas continuar a interessar as platéias modernas, a essa altura embasbacada com o horror psicológico ou demoníaco como O Bebê de Rosemary, O Exorcista ou A Profecia. Foi do jeito mais óbvio e errado possível, colocando o Conde Drácula nos dias atuais. Longe de seu castelo medieval se disfarça como presidente de multinacional no comando de poderosa seita. Suas intenções são igualmente estúpidas: Reúne um monte de cientistas e empresários gananciosos para criar um vírus super poderoso que irá acabar com o planeta. Tudo isso porque simplesmente cansou de viver e quer enfim descansar... Sim, a eternidade é chata até para o ele! Isso tudo ao som de rock progressivo, garotas de peruca e cílios postiços e os rapazes de costeletas avantajadas. O charme habitual da produtora inglesa ainda se consegue manter intacto tendo Peter Cushing encarnando pela última vez o implacável Van Helsing ao lado de Christopher Lee. Os dois sempre são a garantia de pedigree que não pode faltar em qualquer DVDteca que se preze. A mocinha Jessica Van Helsing, neta do caçador, é a atriz Joanna Lumley em começo de carreira, famosa como a Patsy do seriado Absolutely Fabulous.

Os Ritos Satânicos de Drácula – The Satanic Rites of Dracula

- Inglaterra 1974 De Alan Gibson com Christopher Lee, Peter Cushing, Joanna Lumley, Richard Vernon, Barbara Yu Ling, Richard Mathews, Patrick Barr 90’ Horror


DVD - Caprichada edição da Works DVD (sempre ela!) com menus climáticos e o filme com ótima imagem widescreen. De bônus, algum texto e dois trailers, americano e inglês. O que é sempre engraçado perceber o quão mais dããã são os para a Terra do Tio Sam.

Cotação:

18 de março de 2008

Drácula, O Príncipe das Trevas

O melhor ainda estava por vir, quando em 1958 a Hammer resolveu dar novo fôlego à obra de Bram Stoker com O Vampiro da Noite (Horror of Dracula). Passada quase uma década, Terence Fisher estava muito mais à vontade para comandar Christopher Lee como o temível conde. Como resultado não menos que o melhor filme do estúdio inglês com o personagem, mais sombrio e literalmente sanguinolento. Mesmo com personagens diferentes (no nome) é mais fiel em sua essência ao romance gótico que o anterior. Van Helsing, por exemplo, tornou-se um frei desvairado que enche a cara de vinho e esquenta a bunda na primeira lareira que vê pela frente! Dessa forma, a sutil auto-paródia ganha contornos macabros como a recatada personagem de Barbara Shelley que se tornará uma vampira do gênero rameira dos infernos. Ajudou a atriz a se tornar uma das principais scream girls, sendo a “vítima” na cerimônia inquisitória mostrada no filme. Com pernas e braços agarrados por monges, trajando uma camisola esvoaçante, tentará resistir até levar uma bela e fatal estaca no peito! Mais clássico impossível! Drácula, o rei da festa, envolve informações contraditórias a respeito da produção. Christopher Lee conta (inclusive no documentário As Várias Faces de Cristopher Lee) que se recusou a falar qualquer frase porque achou ridículo seu tom apocalíptico. O roteirista Jimmy Sangster jura de pés juntos que nunca houve no roteiro uma linha se quer de texto para ele!

Drácula, O Príncipe das Trevas – Dracula Prince of Darkness

- Inglaterra 1966 De Terence Fisher Com Christopher Lee, Barbara Shelley, Andrew Keir, Francis Matthews, Suzan Farmer, Charles 'Bud' Tingwell, Thorley Walters, Walter Brown 90’ Horror


DVD - Prefira esta edição da Works DVD a uma lançada recentemente sem nenhum extra! Mesmo que os presentes aqui não tenham legendas, a raridade merece estar na sua coleção. Em um chique menu animado há o trailer original e várias imagens de bastidores feitas com uma câmera caseira Super 8, inclusive com a seqüência final nas geleiras. Elas estão comentadas por Barbara Shelley, Christopher Lee e Suzan Farmer num encontro de 1997.

Cotação:

14 de fevereiro de 2008

A Maldição de Frankenstein

É regra! Toda vez que o cinema vai mal das pernas, inúmeros monstros levantam-se da tumba para encher os cofres das produtoras. Foi assim nos anos 30 pós-crash de Nova York, e nos 50 com a chegada feroz da TV aos lares da classe média. O horror, gênero popular por excelência, ainda leva o rótulo de ser uma arte menor, produto para massas ignóbeis. Quando A Maldição de Frankenstein foi feito, monstros clássicos da literatura, após inúmeras cópias e sátiras, eram figuras desacreditadas no ramo do calafrio. Os EUA faziam à época produções com seres tóxicos, nucleares, dando seqüência aos horrores vindos dos jornais com a chegada da guerra fria. Coube a uma pequena produtora inglesa apontar o (velho) novo caminho. Esta re-imaginação do conto de Mary Shelley levou cor á manjada história do cientista que queria ser Deus, e de tabela deu inicio à Hammer Films na produção de incontáveis filmes horripilantes. Pela primeira vez via-se sangue, e ele era vermelho, um vermelho tão típico que mais tarde nominaria quase que uma cor específica: Vermelho Hammer! Parece bobagem hoje em dia, mas naquele tempo, por ser dispendioso (Technicolor, DeLuxe, etc.), só filme classe A, com bilheteria garantida, era colorido, e como já dito, dificilmente algum estúdio gastaria a mais em troca dos arrepios da platéia. Perceba como exemplo a filmografia de Marilyn Monroe. Em seu auge comercial apenas dois foram preto e branco: Quanto Mais Quente Melhor, por motivos estéticos da maquiagem e do estilo visual retratado (30’s) e Os Desajustados, autoral com as assinaturas de Artur Miller e John Houston. Terence Fischer, que se consagraria dirigindo inúmeros outras películas no estúdio, tomou proveito da falta de recursos financeiros para de lambuja nos dar o germe do estilo inglês do horror: Cenários góticos, claustrofóbicos, associados a muita fornicação contida subliminarmente entre aquelas paredes rebuscadas. Os astros Peter Cushing e Christopher Lee logo depois seriam imortalizados como Van Helsing e Drácula consecutivamente. Mesmo o caçador de vampiros sendo, nas mãos também de Fischer, um louco tão carniceiro quanto beato católico, não deixava de ser o herói. Aqui ele é o vilão mor, o diabo disfarçado de amante da ciência, resguardado pela imensa fortuna herdada muito cedo. Ainda com o hábito de pedir favores sexuais a empregadas miseráveis que sonham com o glamour da grã-finagem. Lee como a criatura surgida de cadáveres com a missão de ser o homem ideal tem momentos dramáticos brilhantes. Não passa de um tolo, acorrentado como cachorro, a mercê de seu criador e carrasco. Mesmo sem texto e a maquiagem famosa de Boris Karloff na Universal, seu olhar muito vivo e infeliz faz com que sua presença seja bem marcante. É um clássico, no sentido eterno do termo, principalmente porque após 51 anos mantém seu charme sem ter envelhecido a ponto de tornar-se comédia como tantos de gênero.

A Maldição de Frankenstein – The Curse of Frankenstein
- Inglaterra 1957 De Terence Fischer Com Peter Cushing, Christopher Lee, Hazel Court, Robert Urquhart 83’ Horror


DVD - Gema inédita no mercado do Home Video nacional, apareceu graças a Warner, detentora dos diretos de distribuição de vários títulos da Hammer pelo mundo a fora. Já é digno de aplausos o uso do pôster original adaptado como arte da capa, mesmo com a derrapada de uma imagem não pertencente à obra na contracapa. O menu imita perfeitamente o mesmo estilo, deixando a aura gótica se iniciar assim que o DVD Player carrega o disquinho. Ainda há o trailer original como brinde. O “senão” está na embalagem de papelão, bem típica dos primeiros lançamentos digitais, que nos dá a sensação de a cada vez que se manuseia danificar-se a preciosidade um pouquinho.

Cotação:

24 de janeiro de 2008

O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei

Me pareceu aqueles filmes de sacanagem antigos, que tinham a ingenuidade de tentar criar uma historinha. Entre uma cena e outra bacana se era obrigado a agüentar muito blábláblá. E bota blábláblá nisso... Dezenas de personagens, muitos deles sem dizerem ao que vieram só pra fazerem volume nas grandes cenas de batalha... Espetacularmente bem produzido, me causou incomodo o velho Peter Jackson, dono de títulos hardcore como Fome Animal, fazer algo com tantas sequencias de luta sem um pingo de sangue. Sentimentalismos baratos a granel, com aqueles garotos hobbits, de barba feita aparente, agindo como garotinhas da pré-escola. Pra piorar, a cada plano aberto aparentam um tamanho diferente. E precisa-se comentar que de costas eles possuem cabelo de cor e corte diferente? Aquele que faz o drogado em Lost tem um dos erros de continuidade mais gritantes. Suas sobrancelhas hora estão descoloridas, hora pretas!!! Parece besteira, mas tanto cuidado técnico e uns deslizes ridículos. Da história em si, esta terceira parte pelo menos é “menos pior” que a anterior, chatíssima! Três horas e tralalá pra não dar em nada... De repente surgiam homens de orelhas pontudas discutindo e logo em seguida saíam correndo. Alguns minutos depois, outros proferiam sei lá o quê e lá iam correr de novo com espadas em punho. Sucessivamente. E os tais hobbits 180 minutos sentados numa árvore comicamente fake? Aliás, há duas (!?!) dúvidas pungentes, talvez pelo suplício ter me causado certa sonolência, aonde ficou o personagem de Christopher Lee, que me parecia tão importante e simplesmente não dá as caras em O Retorno do Rei? E qual a função do insosso Orlando Bloom naquilo tudo? Um verdadeiro elogio ao marketing e a imaturidade intelectual das platéias, com o manjado recurso de roteiro (visto inúmeras vezes nas três partes) dos personagens que morrem, mas depois de um tempo estão vivos. Na boa, sendo otimista, se pegassem todo aquele material e reeditassem as nove horas e tralalá (!!!) em 1h30 teríamos um grande filme... Tá valendo a máxima de Billy Wilder explicando qual a única regra para se fazer um filme: Não aborrecer!

***


Vale uma nota! Como alguém que achou tão estúpido uma trilogia de metragem gigantesca suportou assisti-la até o final? Porque sou deveras teimoso, o tempo está sobrando e achava que até a terceira parte todo o hype poderia se justificar. Também estou consciente que quando assistidos em tela grande filmes épicos possuem sabor diferente. Também é bom ver tamanho sucesso de bilheteria com distanciamento do oba-oba causado por milhões em marketing! O rei está nu!


O Senhor do Anéis – O Retorno do Rei – The Lord of the Rings – The Return of the King
- EUA 2003 De Peter Jackson Com Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Liv Tyler 200’ Aventura


DVD - Os que assisti (emprestados) fazem parte de uma caixa rococó, cada qual duplo em widescreen, mas de extras banais pra caramba. Nossa, e de pensar que por um triz (com boa fé no gosto das massas) gastei meu rico dinheirinho nisso... Eles incluem propagandas de um jogo com gráficos toscos (personagens que parecem usar uma peruca de papelão!!!) da Eletronic Arts como se fosse extra! Dá pra rir em algumas entrevistas do elenco falando com seriedade sobre a obviedade de alguma mensagem “escondida” no roteiro. Sei... Só eles perceberam o paralelo com cobiça, união dos povos etc... O cúmulo do terceiro disco é um documentário malandro da National Geographic forçando a barra em comparações com personalidades da história mundial. Ok, chifre em cabeça de cavalo é unicórnio. Fui burro em não perceber a referência...

Cotação:

21 de dezembro de 2007

O Homem de Palha

Tido como o mais atípico dos filmes da produtora Hammer, o considero o mais atípico filme de suspense de uma forma geral. Corajosamente toda a tensão surge do confronte dos princípios cristãos perante leis muito mais antigas: As do desejo. Policial católico praticante (Daqueles que só acreditam em sexo após o casamento!!!) vai até uma ilha depois de receber carta anônima sobre o sumiço de uma garota. Todas as suas crenças serão postas a prova ao tomar conhecimento dos milenares ritos praticados ali. E há tesão que resista ao conhecimento de que a belíssima Britt Ekland cantarola (Willow’s Song de Paul Giovanni) nuinha em pelo no quarto ao lado no meio da madrugada? Literalmente será feito de bobo até pelas criancinhas locais, tal e qual as velhas convenções são tratadas perante a crueza das relações humanas e reais. Se não bastasse tanta ousadia, ainda temos fantástica trilha sonora e interpretações memoráveis, principalmente a de Christopher Lee, que considera este o trabalho mais importante a qual participou. Observe a sutil utilização de símbolos fálicos durante toda película, e a seriedade com que é tratada uma seita pagã, de forma rara na cinematografia.

O Homem de Palha – The Wicker Man
- Inglaterra 1973 De Robin Hardy Com Edward Woodward, Christopher Lee, Britt Ekland, Ingrid Pitt 80’ Suspense


DVD - Em DVD há duas versões, a americana com 80 minutos e uma de 100 chamada de versão do diretor. No Brasil a Dark Side comercializa a americana. Traz trailer, spots de TV e rádio, e um longo e interessantíssimo documentário. Nele temos a oportunidade de ver os astros Christopher Lee e Ingrid Pitt na atualidade, e descobrir as verdadeiras trapalhadas para lançar bem na época em que a sua produtora foi vendida. Os novos donos não entenderam lhufas e além de cortes absurdos, os negativos originais simplesmente desaparecerem, provavelmente usados na pavimentação asfáltica!!! Lee é um dos que garantem que se o filme tivesse sido lançado tal e qual foi concebido teríamos um Cidadão Kane inglês...

Cotação:

19 de novembro de 2005

A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005)

Tim Burton é Deus!!! E, passado o susto, já dá pra confessar que torci o nariz quando soube que ficaria a cargo de Tim Burton uma nova versão para A Fantástica Fábrica de Chocolate, popular livro infantil inglês, levado às telas em 1971 com bastante sucesso. O diretor vinha de uma série de fracassos de bilheteria, mas, claro, absolutos sucessos artísticos, como A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Marte Ataca! e, mais recentemente, o morno Peixe Grande, o que poderia demonstrar que os executivos do cinemão yankee estavam-no relegando a projetos de segunda classe. Que tristeza ver a competente refilmagem O Planeta dos Macacos sendo massacrada... Nem queria imaginar o que poderia vir com um clássico cult sendo refeito nos dias de hoje. Realmente, aos cuidados de uma mente menos astuta, poderia ter ficado só mais um filminho para passar "inédito" na Sessão da Tarde, repleto de pirralhos com texto decorado, mas é um Tim Burton até o osso. Talvez o mais Tim Burton em muito tempo, com fotografia cinza desbotado, personagens marginalizados, árvores retorcidas, a abertura semelhante a Edward Mãos de Tesoura, as viajantes citações cristão-pagãs, e aquela sensação de que, se alguém guardou um cadáver no armário, não foi sozinho! Primeiro ponto positivo foi a total recusa a mostrar parentesco com o filme anterior. Não encontrei, até agora, nenhuma referência que seja, talvez porque o diretor tenha dito em inúmeras entrevistas que não gostava do resultado anterior, pouco fiel ao livro e que, portanto, não seria uma refilmagem, partindo da estaca zero na concepção. Declarações estas que estão suprimidas das entrevistas (leia abaixo) no material extra do DVD, já que ambos os filmes são da Warner, que também relançou, em versão digital, o clássico para quem quiser comparar. E era de se esperar que Willy Wonka, encarnado por Johnny Depp, fosse salvar o filme de um possível desastre. Como o resultado geral está a anos-luz disso, o que se vê é um personagem riquíssimo que nos dá calafrios e, logo depois, nos faz gargalhar, façanha para poucos atores da atualidade. O engraçado é que o de 71 chamava-se Willy Wonka and The Chocolate Factory, este é Charlie and The Chocolate Factory, como se chama o livro, mas agora o dono da fábrica tem muito mais importância do que o menino, com sua história pessoal chegando a conduzir muitas vezes toda a trama. Os personagens mirins também tiveram substanciais mudanças de comportamento. Se, no anterior, praticamente só a riquinha Veruca Salt era a vilãzinha do grupo e os outros tinham pouquíssimos pecados (fora o fato de estarem dispostos a entregar os segredos do senhor Wonka a um misterioso concorrente), aqui todos os quatro (exceto Charlie, claro) são insuportáveis levando suas compulsões ao extremo. Sempre me identificava com o Mike Teavee, mas agora... Oh, oh! E como todo trabalho do diretor, a cada assistida dá pra notar coisas incríveis antes despercebidas, principalmente a enxurrada de referências cinematográficas, tendo como as mais óbvias 2001, Uma Odisséia no Espaço e Psicose. Olho vivo para Ben-Hur, Psicose, O Chamado, cartoons de Charles Schulz, Hair e até o cumprimento dos adoráveis Oompa Loompas foi pinçado de Plan 9 From Outer Space. E a trilha sonora? O velho e bom Danny Elfman se renova sendo o mesmo! Deus, só a alma mais gélida não terminará de assistir sem sair cantarolando a canção dos Oompa Loompas para Augustus Gloop. Com o DVD você agora tem a oportunidade não só de cantar como um Oompa Loompa, mas de aprender a dançar como eles! Por um triz tascaria ali em baixo, na cotação, uma "obra-prima", se não fosse a esticadela no final. Ao invés de acabar com o pequeno Charlie, agora rico, há ainda uma resolução do drama familiar de Wonka. Desnecessário! Aliás, o passado de quem coloca uma balinha na boca e a transforma em um passarinho não mereceria explicação alguma. Mas como bem se sabe, o criador nem sempre é perfeito...

A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and The Chocolate Factory)
- EUA 2005 De Tim Burton com Johnny Depp, Freddie Higghmore, Noah Taylor, Chritopher Lee 115' Aventura

DVD - Daqui mesmo da net compre agora! O disquinho prateado mais fantástico que já vi até agora. E olha que já vi muuuuuuitos! Mas nenhum com o elenco filmando cenas só para os menus. Todos confusos, mas encantadores! Os extras no segundo disco nos trazem alguns joguinhos viciantes (mesmo para maiores de 12 anos!), e alguns documentários imperdíveis, além de surpresinhas no caso de você possuir DVD-Rom! Aliás, logo no menu dos documentários tem um easter egg. Falta a faixa de áudio de comentários com Tim Burton, mas já não disse que o criador nem sempre é perfeito?

Cotação: