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3 de dezembro de 2008

As Noivas do Vampiro

Peter Cushing com cara de tesão ao martelar ao estaca e jorrar sangue já vale a pena! É o Van Helsing mais insano e obsessivo mostrado no cinema, e sem dúvida o melhor de todos. Mas esta segunda incursão da Hammer no mundo vampiresco é muito mais que isso! Produzido na era de ouro do estúdio, foi dirigido por ninguém menos do que Terence Fischer, criador de nove entre dez coisas que se tornariam clichê no gênero. Não se deixe enganar pelo título original “The Brides of Dracula”, na época, uma condição da distribuidora norte-americana Universal para vendê-lo na cola de O Vampiro da Noite de 1958. Drácula só é citado, o resto da história original é sobre professorinha de francês que cai numa armadilha ao se hospedar no castelo de uma velha baronesa. Ao conhecer o filho da nobre, fica horrorizada ao vê-lo acorrentado pelo pé porque não lhe parece louco conforme a mãe afirma. No meio da noite, cheia de boas intenções, o solta ignorando o caos que causará aos camponeses da região. Há momentos de genialidade cinematográfica plena, como a governanta louca dando apoio para que uma morta irrompa da terra como se estivesse se referindo a um parto, mas também há inacreditáveis furos no roteiro e erros grotescos de ambientação histórica. Reza a lenda que o roteiro teria sido reescrito várias vezes, o que explicaria as muitas soluções mal explicadas. Dá-se um desconto porque além da Hammer estar aqui em seus primeiros passos, o resultado é competente e divertido. Absoluto na atmosfera macabra, com jovens suicidas, carruagens misteriosas em disparada na escuridão, batidas sinistras em portas, vampiras em camisolas esvoaçantes jurando amor eterno... Calafrios garantidos!

As Noivas do Vampiro – The Brides of Dracula

- Inglaterra 1960 De Terence Fisher Com Peter Cushing, Yvonne Monlaur, Martita Hunt, Freda Jackson, David Peel, Miles Malleson, Marie Devereux 85’ Horror


DVD- É a grande notícia aos fãs de filmes de horror clássicos depois que a Works DVD (Darke Side/London Films) subiu no telhado. A NBO está distribuindo na surdina alguns títulos da fase de outro da Hammer, jamais lançados antes em DVD no Brasil e a preços populares! Tela widescreen, áudio em 2 canais (em francês e inglês), só peca pela falta de extras e a capa muito feia. Numa loja, em meio a tantos discos, é possível que se cruze com ele sem dar bola para o seu conteúdo precioso.

Cotação:

29 de outubro de 2008

A Aldeia dos Amaldiçoados (1960)

Clássico da paranóia anticomunista, com suspense ainda intacto por mais estapafúrdio que seu argumento pareça. Numa cidadezinha inglesa, inexplicavelmente todos os habitantes caem no sono. Após alguns meses do fenômeno, as mulheres com idade madura para gerarem filhos aparecem grávidas. O impacto inicial da notícia, com maridos apostando na infidelidade das esposas, virgens assustadas, dá lugar à esperança graças ao natural amor familiar. Exames apontam se tratar de bebês normais que se desenvolvem com rara velocidade no útero. Super inteligentes, com cabelos muito claros, poderes paranormais, e sem nenhum sentimento, os pequenos especiais se reúnem num grupo fechado, e começam a atacar qualquer um que se meta em seu caminho. George Sanders, oscarizado por A Malvada (All About Eve, 1950) faz o pai do principal deles, um cientista que defende a proteção dos seres, já que em alguns outros países onde ocorreu o mesmo fato, os governos decidiram simplesmente varrê-los do mapa com o uso de armas nucleares. No elenco também há a musa do horror Barbara Shelley vivendo a doce esposa de Sanders. A produção modesta não atrapalha o argumento genuíno, e muito bem construído. Assim como todos os outros personagens, em momento algum se sabe o que são aquelas criaturas bizarras. Embora seja forte a suspeita de que sejam parte de experiência alienígena após se recusarem a responder se há vida inteligente em outros planetas. Quase uma unanimidade entre cinéfilos, continua inédito no mercado de home vídeo brasileiro, conhecido apenas por constantes reprises na TV. Gerou uma seqüência bem menos impactante e em 1995 um mal fadado remake pelas mãos de John Carpenter.

A Aldeia dos Amaldiçoados - Village of the Damned

- Inglaterra 1960 De Wolf Rilla Com George Sanders, Barbara Shelley, Martin Stephens, Michael Gwynn, Laurence Naismith, Richard Warner, Jenny Laird 77’ Horror/Ficção Científica


Cotação:

17 de outubro de 2008

Horror Hotel

O grande Christopher Lee é o carrancudo professor Allan Driscoll que impressiona alunos contando a história de Elizabeth Selwyn,
queimada pela Santa Inquisição 300 anos antes. A acusada teria se revelado culpada ao amaldiçoar entre as chamas o vilarejo Whitewood. Impressionadíssima com o que ouve, uma das garotas segue as recomendações do mestre para conhecer o local e assim aprofundar os estudos sobre religiões pagãs. Mórbido e curto, esbanjando demonismo, fantasmas e assombrações em geral, é inusitado pela violência explícita (pouco comum para a época) e a espantosa semelhança entre a estrutura do roteiro com Psicose de Alfred Hitchcock. Surpreende saber que ambos são do mesmo ano, o que faz descartar inspiração, plágio, etc. O próprio cenário, o hotel, uma das mocinhas é parecida com Janeth Leigh, e uma outra coisa importante, mas que não se deve dita. Quem viu algum deles deve imaginar o que seja! Não é uma produção espetacular, embora vá bem além das expectativas com sombras dando um clima desolador em alguns rituais de magia negra de aspecto clássico. No geral, é muito mais comprometido por vários pontos mal explicados do que pela falta de recursos financeiros. A tal bruxa reencarnada (ou só materializada?) torna-se a Senhora Newless, dona do hotel. Obviamente o nome é o mesmo apenas invertido, num recurso mais comum aos filmes de vampiro do que de bruxas.


Horror Hotel – Horror Hotel (The City of the Dead)

- Inglaterra 1960 De John Llewellyn Moxey Com Christopher Lee, Dennis Lotis, Patricia Jessel, Tom Naylor, Betta St. John, Venetia Stevenson, Valentine Dyall 78’ Horror


DVD - Tão obscuro quanto o filme é este DVD, que não contém nem o logo da distribuidora ao ser inicializado. Na contracapa há a indicação de que é da Fantasy Music, o que não significa realmente muita coisa. A imagem tem boa qualidade perto dos outros B comercializados de qualquer jeito no Brasil.

Cotação:

4 de setembro de 2008

Spartacus

Kubrick e Kirk Douglas deixaram sua marca indelével neste espetáculo literalmente colossal. Dá pra sentir a mão genial do diretor em inúmeras tomadas milimetricamente calculadas, assim como a mão de chumbo do ator-produtor, num personagem principal maniqueísta e bidimensional. Se um busca realismo gráfico, o outro a aprovação da platéia média, que há pouco tinha aplaudido Ben-Hur e vários épicos, além de se firmar como estrela de primeira grandeza. O trabalho de um aponta para uma obra prima, o do outro apela às soluções populares. De qualquer forma, os primeiros 40 minutos, durante a escola de gladiadores, são tão empolgantes que compensam qualquer outro momento enfadonho. A existência da disputa política, mais arrastada do que devia, é outra óbvia concessão para a exploração das estrelas presentes no elenco. E claro, Sir Lawrence Olivier, o imperador bissexual e maquiavélico, rouba a cena! Seu personagem é quase palpável de tão complexo. Spartacus, o escravo que se rebela contra o regime opressor e utopicamente cria seu próprio exército de ex-escravos, ao contrário dos filmes similares, não toca em cristianismo, sua história se passa bem antes do nascimento de Jesus. Embora toda a benevolência do herói lembre a trajetória do Salvador, faz mais paralelo com a situação assustadora de castração ao qual intelectuais do período conviviam em plena era Carter.

Spartacus – Spartacus

- EUA 1960 De Stanley Kubrick Com Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov, John Gavin 198’ Drama/Ação


DVD - A cópia da Universal (que tem minutos a mais) não está tão restaurada quanto deveria, muitas vezes chega a aparecer saraivada de rabiscos pretos. Incluíram um pequeno livreto sobre a obra, o que é sempre bacana para se saber mais, mas não vem com nenhum documentário ou material exclusivo. A maioria dos extras é proeminente de outras vezes em que foi comercializado. Até as duas faixas de comentários são sobras. A do restaurador entrega o jogo ao tratar o telespectador como consumidor de LD. Tudo está legendado em português, inclusive os dois comentários, e as ótimas cenas deletadas.

Cotação:

3 de abril de 2008

Psicose

Silvio de Abreu, diretor do mais hitchcockiano filme brasileiro, o subestimado Mulher Objeto, já declarou inúmeras vezes que para seu trabalho de novelista é imprescindível ser contratado da TV Globo. Suas criações necessariamente carecem de todo aquele aparato técnico e financeiro. Hitchcock, ao contrário, tentou com Psicose provar que precisava de muito pouco para fazer um grande trabalho. Baseado no livro de Robert Bloch, sobre um escabroso caso real, usou a mesma equipe de seu programa de televisão Alfred Hitchcock Apresenta, meia dúzia de cenários e apenas uma estrela, com o resto do elenco desconhecido, ou vindo da TV. Inclusive Vera Miles que fez carreira no veículo, depois de recusar o papel feminino principal em Um Corpo Que Cai (Vertigo) porque engravidou. E isto o gorducho diretor a jogou na cara pro resto de seus dias! Também como contenção de gastos o rodou em preto e branco, evitando o dispendioso sistema Technicolor. Como marketing era tão seu forte quanto suspense, divulgou-se que tal recurso foi para não chocar a platéia com o vermelho do sangue, e é esta versão repetida à exaustão até os dias atuais. Dessa pequinesa toda saiu nada menos que a película que revolucionaria o cinema do medo. Tão espetacularmente orquestrado que influenciou não só os novos rumos do gênero, mas carreiras, e a forma de Hollywood (em pleno declino) encarar suas produções. Tão famoso desde sua estréia, que mesmo com spoliers divulgados aos quatro cantos, ainda é um espetáculo notável. De comercial de pastilhas pra garganta a programas humorísticos, não há quem nunca viu um homem louco vestido de mulher empunhando uma faca ao som de “Qüin, qüin, qüin!”. Mas há uma na riqueza de detalhes, a ser observada, dando suporte às reviravoltas propostas pelo roteiro. Até nos cenários, sempre com objetos que refletem os personagens, ou no lingerie da mocinha Marion Crane. No inicio, quando é apenas uma garota indecisa com seu futuro aparece com peças íntimas brancas, ao fazer a mala e resolver ficar com o dinheiro de seu patrão usa de cor preta. Quando já no hotel Bates decide retornar e devolver a grana, escolhe branco antes de entrar no chuveiro. Água, claro, bíblico símbolo de purificação. Depois de tanto tempo, tornou-se sim bem batido, mas o que a simples genialidade tem a ver com isso?

Psicose – Psycho

- EUA 1960 De Alfred Hitchcock Com Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, John McIntire, Martin Balsam, Patricia Hitchcock, Mort Mills 109’ Suspense


DVD - Sacanagem da grossa, deve ser o terceiro lançamento do mesmo filme, com pouquíssima diferença entre as edições. Primeiro apareceu sem extra algum, depois com uma porrada em menu tosco e sem nenhuma legenda. Este relançaram o mesmo sem legendas acrescido de mais um disco, chamado “O Legado de Alfred Hitchcock”. Ele contém apenas 2 especiais. O primeiro é a entrega de um prêmio do American Film Institute ao diretor com discurso de muitos dos atores fetiches. Chega a emocionar James Stwart, Ingrid Bergman, Cary Grant, todos com idade avançada relembrando o que era trabalhar em seus filmes. Ele na platéia muuuuuuito velhinho, acompanhado da esposa Alma, ainda com aquela centelha de humor que o faz ser reconhecido como gênio. O outro especial é uma entrevista de Hitchcock a dois apresentadores de TV, sendo que a mulher parece estar absurdamente deslocada. Tanto o prêmio, quando as entrevistas não possuem mais do que 15 minutos cada, o que nos faz estranhar a lógica do segundo disco.

Cotação:

29 de março de 2008

Disque Butterfield 8

Liz Taylor é Glória, moça da pá virada, neste romance dramático que a gente quer crer se tratar de uma comédia de humor negro! Tão ruim e caricato em sua maneira de julgar as “moças que não foram feitas pra casar”, como se dizia naqueles tempos, que chega a ser engraçado. Quando Glória explica que aos 13 anos um velho amigo de sua mãe lhe colocou no colo e lhe ensinou muitas coisas terríveis e que ela “ADOROU” isso, se tem certeza de que o roteiro trata sua libertinagem quase como vampirismo, ou uma doença crônica qualquer. Tão enfadonho, mas tão mitológico que é impossível não se ter a curiosidade mórbida de assisti-lo. A ex garotinha da Metro estava com o contrato para vencer, depois de crescer pelos estúdios do leão, e qual não foi a idéia de seus executivos? Como lhes devia um derradeiro filme (iria para a Fox, se meter numa furada chamada Cleópatra), não parecia melhor idéia capitalizar em cima do maior escândalo na imprensa de fofocas dando-lhe um papel de destruidora de lares. Todo mundo comentava que Taylor simplesmente roubou o cantor Eddie Fisher, marido de sua amiga de infância Debbie Reynolds. Deixando para a angelical estrela de Cantando na Chuva a árdua tarefa de criar sozinha seus pequenos filhos. Entre eles Carrie Fisher, que adulta interpretaria a princesa Leia em Guerra nas Estrelas. Ninguém se opôs quando exigiu a presença do amante em um dos papéis, mesmo sem ele demonstrar a mínima aptidão para a carreira de ator, como nota-se assistindo a Disque Butterfield 8. Em várias entrevistas ela teria dito que detestou tanto o trabalho que jamais se viu nele. Chegou a declarar que o tempo todo interpretou de má vontade o que nos leva a outra ironia: Levou o Oscar daquele ano como melhor atriz, o primeiro de sua carreira! Prêmio que para muitos foi entregue por pena, já que, com sua saúde sempre muito frágil, quase morreu em 59 de pneumonia. Os Acadêmicos correram corrigir as indicações que não deram em nada de seus trabalhos anteriores (e mil vezes superiores) De Repente no Último Verão e Gata Em Teto de Zinco Quente.

Disque Butterfield 8 – BUtterfield 8

- EUA 1960 De Daniel Mann Com Elizabeth Taylor, Laurence Harvey, Eddie Fisher, Betty Field, Mildred Dunnock, Jeffrey Lynn, Susan Oliver, Kay Medford 108’ Drama


DVD - Fato! Graficamente ninguém lança clássicos como a Warner! Da arte da capa, aos menus, temos a sensação de estarmos diante de um produto de outros tempos tamanha preservação de estilo. Dá pena que o mesmo esmero não se aplica ao conteúdo. Aqui não há extras e ainda por cima o filme está em fullscreen, com a imagem toda granulada.

Cotação:

13 de dezembro de 2006

A Máscara de Satã

Ainda dá pra dar boas gargalhadas com uma comédia doida produzida na década de 20 ou 30, segurar a respiração em um suspense datado de 1950 ou derramar lágrimas num dramalhão estrelado por Lana Turner. Mas há dois gêneros que naturalmente criam ferrugem com o passar do tempo: Terror e Pornográfico. Não que películas assim deixem de prestar com os anos, mas mudam seu foco narrativo para as novas platéias. E são justamente os gêneros que mais exigem a identificação do espectador com os personagens. Um dos mais aclamados filmes de terror da década de 60, A Máscara de Satã causou muitos gritos e arrepios naquele período, mas hoje se torna “apenas” um espetáculo saboroso, com sua trama inspirada em Nicolai Gogol em impecável fotografia P&B fazendo a alegria de amantes do verdadeiro cinema. E isso pouco! A estréia (oficial) na direção do italiano Mario Bava foi no Brasil por muitos anos quase uma lenda, inédito em VHS e nunca exibido na TV, pelo menos nos últimos 20 anos. Uma bruxa ao ser assassinada pela inquisição com a jura se vingar da família do líder por toda a eternidade. Assim que consegue se livrar de seu óbito (exatos 200 anos depois) não se faz de rogada. Atente para o brilhante desempenho de Barbara Steele em papel duplo (a bruxa e a princesa Kátia) que a transformaria (junto com a sueca Ingrid Pitt) na principal diva do terror, adorada por fãs da cultura S&M, e góticos em geral. Muito além em qualidade técnica dos trabalhos produzidos na inglesa Hammer, A Máscara de Satã ainda por cima mantém seus efeitos visuais impressionantes.

A Máscara de Satã (Black Sunday/The Mask of Satan/Revenge of the Vampire)
- Itália 1960 De Mario Bava Com Barbara Steele, John Richardson, Ivo Garrani 87’ Terror


DVD - Esta gema rara em terras tapuias está com áudio e imagem tinindo de novos. Nos extras, galeria de fotos com algumas imagens não pertencentes ao filme e biografias de Mario Bava e Barbara Steele. Normalmente texto como extra é um miserê, mas não neste caso devido a pouca informação que temos sobre tais mitos cinematográficos. Ah sim, e o trailer original, uma raridade, arrastado e sensacionalista como eram na época.

Cotação: