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4 de setembro de 2011

Enrolados

Difícil assistir filmes com a chancela Disney sem uma certa má vontade. Na primeira cantoriazinha a gente já torcer o nariz sem nem prestar atenção ao que se trata a música.

Enrolados aponta para um esforço monumental do estúdio em se adaptar aos novos tempos. Precisa manter a linha que todos crescemos aprendendo a reconhecer como da casa do Mickey, mas também fazer dinheiro na bilheteria, interessando a um público cada vez menos interessado em cinema, além dos minutos que passará sentado assistindo.

Começa por adaptar uma princesa clássica como de costume (Rapunzel), mas não usar seu nome no título como de costume. Usaram um trocadilho com uma gíria que dá mais a impressão de romance do que a aventura que nos será apresentada.

Há ainda aquelas perversões à história original. Lembro pouquíssimo de Rapunzel, mas lembro (principalmente pela versão do Sitio do Pica Pau Amarelo) que o príncipe caia numa armadilha ao tentar subir pelas tranças, despencando de cara num roseiral.

Aqui, evidente, nada de cegueira com sangue espirrando pelos olhos. A guria nem trança usa como escada, vive com ele solto, tal e qual uma dessas evangélicas radicais que vemos por aí.

Mas nem por isso é uma história tolinha, como vimos em coisas de fundo puramente mercantilista como Pocahontas. Não há um fiapo de história cheio de músicas com começo, nada de meio e final feliz.

É bem desenvolvido, interessante tanto para adultos quanto para crianças. Bom sinal para o primeiro longa tendo John Lasseter num cargo executivo, alma da Pixar, parece ter conseguido injetar algum fôlego nos poupando de outro comercial animado gigante.

Até as canções são divertidas, ajudando no (desculpe o trocadilho) desenrolar da história sem parar tudo para a ouvirmos. Particularmente achei graça perceber uma evidente (para adultos) analogia com sexo.

Mais precisamente a perda da virgindade. Quando desobedece a suposta mãe, que havia lhe botado muita caraminhola na cabeça sobre o mundo lá fora e os homens malvados, ela oscila entre maravilhada e muita culpa, vergonha e remorso por ir contra as palavras da velha.

Outro momento é quando ouve da mulher que assim que ela entregar a bolsa com a coroa para ele o perderá. Acabará o romance assim que o galã colocar as mãos no que lhe interessa.

Falando na vilã, entrou direto para a tradicional galeria das melhores! Com um ar de Cher com Gloria Swanson, suas aparições são empolgantes e nos remetem (principalmente seu fim) às produções da Hammer.

Desconfortável mesmo é a relevância de se jogar balões ao ar. Pode ser algo exótico nos Estados Unidos (buscaram referências em tradição asiática), mas no Brasil é uma praga que nos assola durante as festas juninas.

Outra coisa estranha é a Disney incluir uma animação computadorizada no seu rol de longas. Pela primeira vez assume se tratar do 50º, colocando no mesmo balaio Família do Futuro, aquele do cãozinho branco com Pinóquio e Cinderela.

Enrolados - Tangled

- EUA 2010 De Nathan Greno e Byron Howard Com as vozes de Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy 100’ Ação/Animação


Blu-Ray- Fantasticamente cristalino, mesmo com a ausência de poros visíveis na pele dos personagens, nos oferece riqueza espantosa de texturas nos cenários e figurinos. É provável que em outros formatos perca boa parte da graça.

Bônus não são muitos, mas interessantes como cenas inéditas ainda em storyboards, músicas estendidas e um documentário apresentado por Mandy Moore, Zachary Levi localizando o filme dentro da história das animações Disney.

Interessante a existência da montagem (que tinha se tornado um viral no You Tube) com a contagem de todas as 50 animações deles, de Branca de Neve a Enrolados.


Cotação:

16 de agosto de 2009

Arraste-me para o Inferno

Havia uma verdade e uma mentira no trailer desta nova incursão ao Horror do gênio por detrás da trilogia Evil Dead. A mentira é que o filme faz menos uso dos efeitos digitais do que aparentava, o que é uma sorte, por já se saber que computadores e o gênero não combinam em nada. A verdade é que acima de qualquer outra avaliação um retorno ao cinema calafrio clássico, com gatos, maldições, bruxas, demônios, casarões e aqueles exageros típicos que exigem a cumplicidade do espectador.

Entretenimento com sabor de passeio em trem fantasma de parque itinerante. Se for pra ficar apontando falhas e incoerências, seria melhor não ter entrado naquele carrinho enferrujado.

Não tão longe do terror como muitos acreditam, já que produziu boa parte das adaptações americanas de filmes japoneses que assolaram o mundo nos últimos tempos, o velho Raimi se faz presente muito mais nas incontáveis referências aos Evil Dead do que na cinematografia em si. Não há rebuscamentos de ângulos surpreendentes ou sacadas visuais de tirar o fôlego.

A propósito, quem viu as famigeradas desventuras de Ash inúmeras vezes deve aproveitar muito mais Arraste-me Para O Inferno. Está lá o humor pastelão, fruto da paixão confessa de Sam Raimi pelos Três Patetas, o olho do demônio que salta direto á goela da mocinha, o possuído vestindo algo semelhante aos casacos chineses para que os cabos possam o fazer flutuar sem serem vistos, xícaras e objetos inanimados que gargalham e a trilha sonora dialogando com o trabalho de Joseph LoDuca e Danny Elfman, os dois compositores com quem mais fez parceria.

Com argumento moralista e sem arroubos de originalidade, é curiosa a aposta em temores religiosos nestes tempos high-tec ao invés da carnificina desenfreada. Tão longe de ser obra-prima quanto de decepcionar, como nas velhas fitas de horror toma proveito dos temores do momento em terras yankees: malditos estrangeiros que podem nos levar ao inferno!


Arraste-me para o Inferno - Drag Me To Hell

- EUA 2009 De Sam Raimi Com Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, Dileep Rao, David Paymer, Bojana Novakovic, Reggie Lee 99’Horror


*** Em Cartaz ***

Cotação:

16 de janeiro de 2009

Noite Alucinante 3

E assim, cai o pano da forma épica que o desfecho de uma trilogia inovadora como foi Evil Dead merece. Ash como no final do anterior, entre no portal por acidente indo parar na Idade Média. Lá irá se transformar no herói que o Necronomicon apregoava existir, mas também o causador de grandes transtornos ao despertar a fúria do Exército das Sombras. Não tendo no título original “Evil Dead”, nem o número 3, leva muito mais a sério a cronologia do que o episódio anterior, embora não seja nada fiel na cena que serve de ponte entre eles. Num flashback, algumas sequências foram refeitas, com Bridget Fonda sendo Linda, a namorada possuída. Diversão garantida para quem não levar tudo tão a sério ou não esperar o mesmo horror de antes. Aliás, sua violência está mais gráfica, assumindo de vez sua inspiração em desenhos tipo Perna Longa ou nos velhos episódios de Os Três Patetas. A ambiciosa produção faz com que mesmo com mais grana as dificuldades sejam semelhantes ao de 1982, feito por Sam Raimi com um punhado de dólares em 16 mm. Não que a mente do diretor seja pouco fértil ao ponto de deixar de executar alguma de suas idéias malucas por falta de dinheiro ou recursos tecnológicos da época. O tal exercito das sombras, por exemplo, é parte fantoche, parte atores fantasiados e parte stop-motion e mesmo assim é um raro momento mágico entre as fitas de aventura. Sabor puro de Sessão da Tarde!

Noite Alucinante 3 – Army of Darkness

- EUA 1992 De Sam Raimi Com Bruce Campbell, Embeth Davidtz, Marcus Gilbert, Ian Abercrombie, Richard Grove, Timothy Patrick Quill, Michael Earl Reid, Bruce Thomas, Bridget Fonda 96’ Comédia/Horror


Cotação:

17 de outubro de 2008

Horror Hotel

O grande Christopher Lee é o carrancudo professor Allan Driscoll que impressiona alunos contando a história de Elizabeth Selwyn,
queimada pela Santa Inquisição 300 anos antes. A acusada teria se revelado culpada ao amaldiçoar entre as chamas o vilarejo Whitewood. Impressionadíssima com o que ouve, uma das garotas segue as recomendações do mestre para conhecer o local e assim aprofundar os estudos sobre religiões pagãs. Mórbido e curto, esbanjando demonismo, fantasmas e assombrações em geral, é inusitado pela violência explícita (pouco comum para a época) e a espantosa semelhança entre a estrutura do roteiro com Psicose de Alfred Hitchcock. Surpreende saber que ambos são do mesmo ano, o que faz descartar inspiração, plágio, etc. O próprio cenário, o hotel, uma das mocinhas é parecida com Janeth Leigh, e uma outra coisa importante, mas que não se deve dita. Quem viu algum deles deve imaginar o que seja! Não é uma produção espetacular, embora vá bem além das expectativas com sombras dando um clima desolador em alguns rituais de magia negra de aspecto clássico. No geral, é muito mais comprometido por vários pontos mal explicados do que pela falta de recursos financeiros. A tal bruxa reencarnada (ou só materializada?) torna-se a Senhora Newless, dona do hotel. Obviamente o nome é o mesmo apenas invertido, num recurso mais comum aos filmes de vampiro do que de bruxas.


Horror Hotel – Horror Hotel (The City of the Dead)

- Inglaterra 1960 De John Llewellyn Moxey Com Christopher Lee, Dennis Lotis, Patricia Jessel, Tom Naylor, Betta St. John, Venetia Stevenson, Valentine Dyall 78’ Horror


DVD - Tão obscuro quanto o filme é este DVD, que não contém nem o logo da distribuidora ao ser inicializado. Na contracapa há a indicação de que é da Fantasy Music, o que não significa realmente muita coisa. A imagem tem boa qualidade perto dos outros B comercializados de qualquer jeito no Brasil.

Cotação:

26 de agosto de 2008

O Bebê de Rosemary

Divisor de águas no gênero, originou uma febre de filmes demoníacos, mas poucos foram tão bem sucedidos no misto de classe e mitologia pagã. Seu horror psicológico consiste basicamente em nos confrontar com o medo primitivo de que estamos absolutamente a sós no mundo. Mesmo aquela pessoa escolhida para ficar ao nosso lado para o resto da vida pode trocar todo e qualquer afeto por interesses pessoais. Polanski se tornaria um mestre na exploração de tal tema, sendo o primeiro trabalho nos EUA uma espécie de geme para a chamada trilogia do apartamento, completada com Repulsa ao Sexo e O Inquilino. Os três, quando não muito, são obras primas da fobia social. A história se passa em 1966 (o ano um), quando recém casados mudam-se para antigo prédio em Nova York e ficam vizinhos de casal de velhinhos insuportáveis. Na verdade, estes antigos moradores (Ruth Gordon brilhante, levou o merecido Oscar de atriz coadjuvante.) são feiticeiros poderosos que convencerão o marido (ator em busca de ascensão) a permitir que sua esposinha gere ninguém menos do que o anticristo. Este roteiro adaptado de livro pelo diretor foi produzido pelo papa dos filmes B Willian Castle, que por um triz bateu o pé para ele mesmo o comandar. Já se pode imaginar a platéia levando choques ou esqueletos presos com fios de nylon, como fez em A Casa dos Maus Espíritos ou Força Diabólica... Castle se contentou em aparecer a lá Hitchcock quando Rosemary está numa cabine telefônica e manteve no elenco Elisha Cook Jr., um de seus habituais atores. Mia Farrow, perfeitamente frágil como protagonista, enfrentava nos bastidores a barra de sua separação com Frank Sinatra, o que atraía muito a atenção da mídia. Numa inovadora estratégia de marketing, armaram uma espécie de coletiva de imprensa onde teve seus cabelos cortados enquanto xingava os repórteres. Como as produções envolvendo o tinhoso que o sucederam, há varias lendas e zica ziras a seu respeito. As principais são que John Lennon foi assassinato em frente ao edifício Dakota, o mesmo que serviu para as cenas externas, e a atriz Sharon Tate, grávida do diretor, foi barbaramente morta algum tempo depois pela seita messiânica de Charles Mason. Por muitos anos preservou-se o mito de que haviam alguns frames com o rosto de satã no minutos finais. Com DVD, imagem mais limpa, e sendo revisto algumas vezes, tal conversa perdeu a força. Aparece realmente, mas o mesmo rosto visto na seqüência da inseminação. A música tema é cantada por Farrow, mas não creditada.

O Bebê de Rosemary - Rosemary's Baby

- EUA 1968 De Roman Polanski Com Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans, Ralph Bellamy, Victoria Vetri, Patsy Kelly, Elisha Cook Jr. 136’ Horror


DVD - Mesmo antigo, está em Widscreen e seus extras têm legendados em português. O material bônus é uma entrevista atual retrospectiva sem a presença de Farrow, e um making of da época narrado pela protagonista em momento paz e amor. Ambos bem relevantes com imagens raras. Estranho no Brasil não ter vindo com o trailer de cinema.

Cotação:

8 de julho de 2008

Sortilégio de Amor

Comédia romântica muito querida com Kim Novak e James Stewart, mesmo casal de Um Corpo que Cai. Ela é a dona de uma loja de esculturas africanas em Nova York bem insatisfeita com sua condição de feiticeira. No caso, feiticeiras não são mulheres que estudam os poderes da natureza, nem aquelas velhinhas com verruga no nariz, e sim pessoas que nascem com dons de encantos, quase uma raça. Embora sonhe passar o natal com pessoas normais à sua volta (no filme elas freqüentam uma animada boate de iê-iê-iê chamada Zodiac), e um homem comum, se recusa a usar seus sortilégios para conquistar por não achar honesto. Quando descobrir que seu vizinho bonitão a quem paquera está noivo de sua rival dos tempos de colégio, repensa seus princípios éticos. Como toda comédia do tipo, e como 2 mais 2, já se sabe aonde tudo vai dar assim que se superar os obstáculos. Sob a ótica da virada das décadas 50/60, o enredo versando sobre o negar a natureza própria em troca do ser amado ou aceitar diferenças. Pode parecer datado porque em nenhum momento o personagem de James Stewart demonstra interesse em mudar qualquer coisa em si, só na mulher. Mas com aquele tehcnicolor berrante, graciosa trilha sonora swingada, essa misoginia pode se tornar outro atrativo charmoso da época. Novak sussurrando a música tema ao ouvido do gato para fazer feitiços é uma imagem realmente encantadora! Baseado numa peça teatral, o título original (Bell, Book and candle) é referência direta ao poema usado pelos inquisidores na hora de exorcizar bruxas, também tem seu argumento muito parecido com o de Eu Casei Com Uma Bruxa, filme com Veronica Lake, e de forma mais óbvia, deve ter servido de inspiração ao seriado A Feiticeira. Elsa Lanchester, a tia bonachona, foi imortalizada como a Noiva De Frankenstein no clássico da Universal.

Sortilégio de Amor – Bell Book and Candle

- EUA 1958 De Richard Quine Com James Stewart, Kim Novak, Jack Lemmon, Elsa Lanchester, Ernie Kovacs, Hermione Gingold , Janice Rule 103’Romance


DVD - Pra compensar os anos a fio em que se manteve inédito no VHS, há duas capinhas diferentes circulando por aí graças a tal Classics. Embora o filme esteja em widescreen com imagem relativamente boa, o material gráfico (capa, contracapa e menus) dá pena. Parece que tudo foi feito no paint brush! Como bônus, o trailer de cinema muito bonitinho e de mais alguns outros obscuríssimos.

Cotação:

12 de junho de 2008

Supergirl

É uma aventura na cola do mega hit que foi o Superman de 1978. Mas poderia ser uma comédia. Involuntária, claro! Os produtores cercaram-se de tudo o que poderia ser bom, menos de um roteiro condizente, adulto, que exigisse o mínimo da inteligência madura da platéia. Tivesse meia hora a menos e crianças de 6 a 8 anos iriam adorar! Alguns sobreviventes de Kripton, sabe-se lá como, sobreviveram e moram em nave (ou planeta) pacificamente. Um cientista (Peter O'Toole pagando seus pecados), mesmo tendo criado tudo aquilo, é idiota o bastante para roubar uma bola sagrada vital ao funcionamento de tudo para manufaturar esculturas de isopor. Acidentalmente a garota Kara (de pau?), prima do Homem de Aço (repetirá isso o tempo todo!), cria uma libélula gigante (!!!) que quebra o vidro (plástico) o que faz com tal bola perca-se no espaço graças ao vácuo. Por ter colocado todos os kriptonianos em perigo novamente, a loirinha então parte em uma nave experimental rumo à Terra, e o roteiro também nunca explica como sabia a trajetória do artefato... Tá! A esfera poderosa cairá no molho da ambiciosa bruxa Selena (Faye Dunaway!!!), em um piquenique. A sucessão de absurdos parece infinita. Ao cair no fundo de um lago, a garota já sai voando, e seus trajes de toga grega viram o de cheerleader jeitosinha como mágica. Esse poder de transmutação não é nada perto do disfarce que usará para passar como humana. Ao contrário do primo famoso que usa óculos e um terno, ela muda a cor do cabelo para preto como Linda Lee! Se ele necessita de uma cabine telefônica para se trocar, ela muito mais prática simplesmente se transforma! Se ele tem como meta salvar o mundo de um empresário terrorista, ela está mais envolvida em resolver problemas do coração, ou escapar da tal bruxa que enfeitiça (e disputa) seu interesse amoroso. Vergonhoso teatrinho infantil! Helen Slater foi considerada uma das causas do fracasso, mas é óbvio que dos males o menor. Agora os grandes nomes envolvidos no projeto, atuando no piloto automático são revoltantes. Dunaway e O'Toole disputaram a Framboesa de Ouro daquele ano merecidamente. Esqueceram de Mia Farow como mãe da protagonista, talvez porque seja uma pequena participação, mas igualmente triste! Mas sabe o que é divertido? Notar tanto dinheiro gasto em algo hilário de tão cafona e achar as falhas dos efeitos especiais muito amadores. Os cabos responsáveis pelo vôo da Supermoça são visíveis o tempo todo! Ou a sombra das roldanas que os sustentam... Taí uma super vídeo cacetada!

Supergirl – Supergirl

- EUA 1984 De Jeannot Szwarc Com Helen Slater, Faye Dunaway, Peter O'Toole, Mia Farrow, Peter Cook, Simon Ward, Maureen Teefy, Hart Bochner, Brenda Vaccaro 124’ Aventura


DVD - Epa! Nem só de horror vive a Works (London Films)! Se bem que Supergirl em termos de trash bate de 10 a zero em qualquer filme da Hammer. Tem ótima qualidade de imagem e áudio, tinindo de novos. Os menus animados também são bacanas, com a música (irritante) composta por Jerry Goldsmith. Não há nada de extra, mas lá fora saiu uma edição do diretor, com minutos a mais, o que desperta algum interesse pelo tamanho do abacaxi que é a edição comercial, já bastante longa.

Cotação:

4 de junho de 2008

Os Irmãos Grimm

Quando um filme aguardado como este vai muito mal das pernas na bilheteria, é quase impossível conter a mórbida curiosidade em querer conferi-lo. E tentar achar o erro! Como versão pessoal sobre a vida dos autores de inúmeros contos de fadas não se decide em momento algum se quer desmitificar a infantilidade das histórias, escancarando seu lado violento e de horror, ou vender seu peixe justamente às crianças, seculares consumidoras delas. Acaba por não agradar nem um nem ao outro. Mesmo sendo divertido e agitado, com direção de arte e fotografia muito bem cuidadas, nos noves fora é refém de um roteiro bastante irregular. Nem comento o fato deste tipo de biografia colocar em cheque a capacidade criativa de autores, dando a eles inspirações externas às obras mais famosas, mas justificativas forçadas demais, e muitos pontos mal explicados. O pior deles é o final de Wilhelm Grimm (Matt Demon), uma colossal falha de lógica. Talvez estivessem apostando na máxima “dê um final arrebatador, que eles esquecerão de todo o resto”, já prevendo o fracasso que viria, e acabaram pondo por terra qualquer chance de sentido. Outro inacreditável descuido é o excesso de efeitos digitais, em sua grande maioria muito mal feitos. O Lobo Mau rivaliza com o Scooby-Doo de tão tosco. Terry Gilliam está fadado a ser um diretor de cults, mas cults não enchem barriga, devem pensar os produtores que desembolsam dinheiro sem verem o retorno imediato.

Os Irmãos Grimm – The Brothers Grimm

- EUA 2005 De Terry Gilliam Com Matt Damon, Heath Ledger, Monica Bellucci, Peter Stormare, Lena Headey, Mackenzie Crook, Roger Ashton-Griffiths, 119’ Aventura


DVD - Se o filme já se arrasta, a Europa Filmes ajuda na falta de interesse achincalhando sua fotografia em horrendo fullscreen! O único extra é o trailer original.

Cotação:

26 de maio de 2008

Algo Mágico Aconteceu

Nem o pior dos piores dirigido por Moacyr Góes equipara-se a esta ingenuidade desconcertante made in Bollywood. A absoluta falta de maturidade artística nos remete aos teatrinhos escolares mais pueris ficando tecnicamente entre os filmes dos Trapalhões e qualquer novelinha da Televisa. As cenas dubladas e narradas (meio Híndi, meio inglês) sem precisão estão provavelmente remontadas a fim de contar a historinha criada posteriormente, se bobear as mesmas filmagens geraram outros não sei quantos filmes. Muito do que acontece é apenas falado em off. Por exemplo, a mocinha cai num precipício ao fim de um dos incontáveis números musicais e só se descobre isso porque se ouve um grito quando ela sai de cena, e depois comentam o acontecido. A trama frágil gira em torno de casal que vai morar em Darjeeling, onde mora seu melhor amigo, um fotografo famoso com pôsteres da Britney Spears nas paredes! Os pombinhos apaixonadíssimos, mas sem dinheiro, acabam indo morar numa espécie de cortiço milionário cuja senhoria, tão rica quanto malvada, mora no mesmo quintal na companhia de um jardineiro corcunda e coxo. Óbvio que a grã fina se encantará pelo mocinho casado, e como não faz outra coisa na vida a não ser espiar os dois pela janela, ou ouvir atrás das portas, colocará em prática seus conhecimentos de Magia Negra. Leia-se Magia Negra ficar sentada com um lenço na cabeça escrevendo com uma pluma de pavão e falando sozinha. Cruel de fazer a governanta de Rebecca parecer integrante da ordem das Carmelitas, nunca seus sortilégios resultam em nada! O único motivo para se assistir até o fim, além da curiosidade de se conhecer algum produto da maior indústria cinematográfica do planeta, são os hábitos locais bem distintos. Toma-se chá o tempo todo, vai-se ao cinema de forma idem. Por mais apaixonados não há uma cena com beijo. Os figurinos parecem os das produções da Boca-do-Lixo dos anos 80, embora quando vai trabalhar, a protagonista apareça de sarongue. Os números musicais cortam a narrativa do nada, às vezes têm a ver com o enredo, outras vezes os atores fazem coreografias tipo Segura o Tchan. Em uma delas a garota aparece indo rezar à Deusa Kali num templo cheio de suásticas, com uma divindade de cara azul, dentes pontiagudos e língua de fora. Embora seja recente, pesquisar qualquer informação on-line é quase missão impossível! Até no IMDB não há nenhum título “Jaadu Sa Chal Gaya”. Colocando lá o nome do diretor somos direcionados para a página de uma pessoa com centenas de pseudônimos, mas na filmografia não costa tal título. Muito obscuro!

Algo Mágico Aconteceu – Jaadu Sa Chal Gaya

- Índia 2006 De Dev Basu Com Rakesh Bapat, Sudhanshu Pandey, Meera Vasudevan, Parikshit Sahni, Abhay Bhargav 93’ Romance/Musical


DVD - Sempre causou estranheza que os filmes indianos jamais tenham chegado até nós, mesmo com seus números exorbitantes. Dizem que lá há uma lei federal que proíbe os atores de trabalharem em mais de 14 filmes ao mesmo tempo!!! A Líder está colocando no mercado alguns exemplares recentes de forma um tanto quanto amadora. Sem material promocional, usa screenshots de baixa resolução na capa, e entre as informações erradas da contracapa a de que o filme está em fullscreen, e que sua duração é de 155 minutos! O pior é na ausência de menu com capítulos e o áudio abafado, o que faz com que as graciosas canções percam em muito seu charme.

Cotação:

24 de maio de 2008

As Filhas de Drácula

A Hammer Films não afundou por incompetência artística, mas por falta de recursos mesmo. Veja este As Filhas de Drácula, de sua época de vacas magras tem um roteiro engenhoso misturando várias temáticas exploradas em outras de suas produções, resultando um filme bem divertido e original. Mas os tempos eram outros, e se artisticamente não era pobre, não se pode dizer o mesmo dos cenários reaproveitados de não sei quantos outros filmes. Atirando para todos os lados ainda contrataram Mary e Madeleine Collinson, muito populares na época por serem as primeiras gêmeas a aparecer na capa da revista Playboy. Claro que era apenas chamariz porque seu talento ficava a desejar, tanto que foram dubladas como se percebe muito bem. Em contrapartida temos Peter Cushing em uma das melhores interpretações de sua vida! Ele é um insano caçador de bruxas obrigado a hospedar suas sobrinhas após terem ficado órfãs. Engraçado como a santa inquisição nesses filmes clássicos sempre é mostrada de forma mais violenta que os seres infernais em si. Uma das adolescentes cairá na teia maligna de nobre descendente dos Karnstein, e o diabo será descobrir qual delas é merecedora da estaca no peito já que são idênticas. Tida como a terceira parte da trilogia de Karnstein, há apenas uma rápida aparição da Condessa Mircalla, criação de Sheridan Le Fanu. Ou seja, tem ainda menos relação com Carmilla – A Vampira de Karnstein (Vampire Lovers, 1970) do que o precedente Luxúria dos Vampiros (Lust For a Vampire, 1971). Agora, menos ainda com o Conde Drácula! O nobre da Romênia nem ao menos é citado. A adaptação do título Twins of Evil (Gêmeas do Mal) foi alterado graças à distribuição internacional da AIP nos EUA como Daughters of Dracula, e conseqüentemente Les Services de Dracula, etc.

As Filhas de Drácula – Twins of Evil

- Inglaterra 1972 De John Hough com Peter Cushing, Dennis Price, Mary Collinson, Madeleine Collinson, Damien Thomas 87’ Horror


DVD - Cada novo disco que vai se achando lançado há algum tempo pela Works DVD nos dá a sensação de termos ficado um pouco órfãos como as garotas da película. A distribuidora sempre primou pela qualidade dos filmes comercializados, widscreen, legendas corretas, e na medida do possível (o que não é o caso de As Filhas de Drácula) algum extra. Pior que não surgiu nenhuma outra parecida no mercado que agrade tanto fãs de cinema não convencional.

Cotação:

15 de maio de 2008

Drácula (2006)

Bacana quando não se espera nada e pelo menos somos entretidos por alguns minutos. Mas há jeito de se esperar alguma coisa desta enésima versão da obra de Bram Stoker, atual, e ainda mais feita para TV? Na maior parte do tempo consegue ser bem fiel, seu ineditismo está no foco da trama mostrando os fatos paralelos que teriam ocorrido a Lucy não descritos no livro, ao invés de Mina como heroína principal. O vilão é muito mais Lorde Arthur Holmwood, sempre pouco explorado nas incontáveis versões cinematográficas. Às vésperas de contrair matrimônio com Lucy, ele descobre ter herdado sífilis de sua finada mãe durante a gestação. No desespero para consumar as bodas, entra numa seita diabólica que envia Jonathan Harker aos Cárpatos para trazer Drácula! O resto a gente já sabe o que acontece, né? O final é sutilmente diferente, mas não compromete pela requintada produção e capricho cênico. O elenco desconhecido pode ser feio, mas convence, embora seja quase inevitável compará-los com o cast escolhido por Coppola em 1992. Principalmente o Drácula, afetadamente freak demais para seduzir qualquer mulher que seja.

Drácula – Dracula

- Inglaterra 2006 De Bill Eagles com Marc Warren, Dan Stevens, Sophia Myles, Tom Burke, Stephanie Leonidas, Benedick Blythe 89’ Horror


DVD - É da Fox, e como os lançados para Locação não há extras. Mas a boa qualidade da copiagem, e filme mantido em widescreen, pode não ser mais do que obrigação, mas é sempre bem vindo.

Cotação:

9 de maio de 2008

Os Ritos Satânicos de Drácula

O clima trash dos anos 70 é sem sombra de dúvida o que tem de melhor. Indo vertiginosamente pro buraco, a Hammer Films tentou de todas as formas continuar a interessar as platéias modernas, a essa altura embasbacada com o horror psicológico ou demoníaco como O Bebê de Rosemary, O Exorcista ou A Profecia. Foi do jeito mais óbvio e errado possível, colocando o Conde Drácula nos dias atuais. Longe de seu castelo medieval se disfarça como presidente de multinacional no comando de poderosa seita. Suas intenções são igualmente estúpidas: Reúne um monte de cientistas e empresários gananciosos para criar um vírus super poderoso que irá acabar com o planeta. Tudo isso porque simplesmente cansou de viver e quer enfim descansar... Sim, a eternidade é chata até para o ele! Isso tudo ao som de rock progressivo, garotas de peruca e cílios postiços e os rapazes de costeletas avantajadas. O charme habitual da produtora inglesa ainda se consegue manter intacto tendo Peter Cushing encarnando pela última vez o implacável Van Helsing ao lado de Christopher Lee. Os dois sempre são a garantia de pedigree que não pode faltar em qualquer DVDteca que se preze. A mocinha Jessica Van Helsing, neta do caçador, é a atriz Joanna Lumley em começo de carreira, famosa como a Patsy do seriado Absolutely Fabulous.

Os Ritos Satânicos de Drácula – The Satanic Rites of Dracula

- Inglaterra 1974 De Alan Gibson com Christopher Lee, Peter Cushing, Joanna Lumley, Richard Vernon, Barbara Yu Ling, Richard Mathews, Patrick Barr 90’ Horror


DVD - Caprichada edição da Works DVD (sempre ela!) com menus climáticos e o filme com ótima imagem widescreen. De bônus, algum texto e dois trailers, americano e inglês. O que é sempre engraçado perceber o quão mais dããã são os para a Terra do Tio Sam.

Cotação:

15 de março de 2008

Olhos de Fogo

Esse obscuro filme é tão inusitado em sua forma de horror que por um triz seria uma obra-prima do gênero! Mostra de maneira única a bruxaria apregoada pelos antigos puritanos colonizadores do novo mundo. Mas ao mesmo tempo em que é inteligente pra caramba em seu ponto de partida e construção de climas, acha soluções estúpidas, quase risíveis. Seu clima de desamparo, essencialmente primitivo, fica comprometido ainda com alguns efeitos de vídeo e sonoros ultrapassados. O final também não é lá essas coisas em termos de satisfação, mas as qualidades num todo superam os deslizes. Na América, ainda dominada por atritos de indígenas e europeus, falso pastor chegado num balacobaco é julgado e expulso (ou foge) de sua aldeia. Junto a sua amante adultera e alguns seguidores chegam a um vilarejo em ruínas cercado por tétrica floresta. O lugar, que até os índios temem, parece ser o mais apropriado para o grupo firmar-se. Não demorará muito para que fatos bizarros dêem credibilidade aos peles-vermelha. Absolutamente plausível que os colonizadores dos EUA tivessem no lado macabro do paganismo o paralelo ideal à incerteza de que fizeram o correto virando as costas aos antigos preceitos cristãos. De atmosfera fantasmagórica e violência crescente, alguns bons sustos nos esperam principalmente na exibição de criaturas monstruosas singularmente realizadas. Grande estréia do diretor que depois só faria mais dois filmes sem relevância.

Olhos de Fogo – Eyes Of Fire

- EUA 1983 De Avery Crounse Com Karlene Crockett, Dennis Lipscomb, Guy Boyd, Rebecca Stanley, Fran Ryan, Rose Preston, Caitlin Baldwin 90’ Horror


DVD - Cópia de péssima qualidade. A tela cheia detonando a fotografia é só um detalhe perto da terrível falta de nitidez da imagem. Na contracapa diz que há galeria de fotos como extra, mas é mentirinha!

Cotação:

11 de março de 2008

Epidemia de Zumbis

No século XIX, famoso médico chega com sua neta a um vilarejo depois do pedido de ajuda de antigo aluno. Vários moradores estariam inexplicavelmente morrendo enquanto populares alegam visualizar estranhas criaturas nas redondezas. Este pequeno filme sobre zumbis, a única categoria de monstros até então não explorada pela Hammer, é uma demonstração bacana de como a produtora inglesa driblava orçamentos irrisórios usando roteiros bem amarrados e climas envolventes. Lançado dois anos antes de A Noite dos Mortos Vivos de George Romero, trabalho que redefiniria este tipo de criatura para sempre, possui zumbis muito mais putrefatos que os do americano. Outro diferencial, e muitas vezes o que decepciona espectadores atuais, é que seus zumbis não são os vilões, a causa do perigo, mas o resultado, as vítimas, uns pobre coitados. Pertencem à tradição haitiana do vodu, onde feiticeiros escravizam mortos através de pequenos bonecos durante rituais de magia negra. Demonstra ainda habilidade ao esbarrar em temas político-sociais como colonialismo ou exploração dos menos favorecidos sem deixar de ser um espetacular entretenimento. Filmado praticamente ao mesmo tempo de The Reptile, fazendo inclusive uso da mesma equipe e cenários, não foi grande aposta da Hammer. Originalmente serviu de segunda película à exibição de Drácula, Príncipe das Trevas, portanto B de nascença! Há um trailer hilário, que infelizmente não acompanha esta edição em DVD, onde ao final o narrador avisa que meninos presentes ao cinema ganharão dentaduras de Drácula e meninas legítimos olhos de zumbi. De papelão, claro...

Epidemia de Zumbis – The Plague of The Zombies

- Inglaterra 1966 De John Gilling Com André Morell, Diane Clare, Brook Williams, Jacqueline Pearce, John Carson, Alexander Davion 90’ Horror


DVD - Na contracapa há a informação errada de que teremos o trailer, mas os extras se resumem a biografias resumidas. A Works DVD incluiu o combo trailer de Drácula, Príncipe das Trevas e Epidemia de Zumbis no disco As Várias Faces de Christopher Lee. O menu animado em GC tosco é uma graça!

Cotação:

2 de março de 2008

O Dragão Negro

Jim Kelly é nosso herói de todas as horas!!! Dá porrada sem desarmar o cabelo... Parece meio evidente hoje que após tanto barulho graças à luta dos negros americanos por direitos civis nos 60’s que algum produtor picareta iria reverter isso em hits cinematográficos. O gênero blaxploitation saiu da mistura bizarra da auto-estima vinda daqueles conflitos, o sucesso de Bruce Lee nos cinemas e o Oscar de Sidney Poitier. Com trilhas sonoras de soul a todo vapor, pipocaram produções baratas por todos os cinemas norte-americanos com tramas ingênuas, cheias de porrada e mocinhas em perigo que não se fazem de rogadas ao serem chamadas à luta. Em meio a marginalia surgiam os heróis de passado suspeito a fim de usar seus punhos contra o crime organizado. Jim Kelly, originalmente um opositor de Bruce Lee, com sua rapidez de golpes kung fu, figura ao lado de nomes como Pam Grier, Richard Pryor e Jim Brown como estrela do submundo afro americano. O Dragão Negro, um dos poucos disponíveis no Brasil, pode ser um bom exemplo de blaxploitation, repleto de clichês e uma abertura de empolgar qualquer amante do retrô 70’s ou do lixo pop. A trama é um qüiproquó de caras malvados donos de prostíbulo que seqüestram uma beldade oriental e ainda por cima fazem rituais de magia negra. Uma organização secreta tirará Kelly da aposentadoria para desbaratinar os planos dos mal feitores e ainda dar uma bela bicota na japonesa! Não há limites para a falta de nexo ou bom gosto e o argumento confuso e desinteressante o torna arrastado. Pode ser necessário dias até que seja visto por completo devido às cochiladas, mas o clima cafona vale a pena!


O Dragão Negro – Black Samurai

- EUA 1977 De Al Adamson Com Jim Kelly, Bill Roy, Essie Lin Chia, Biff Yeager, Roberto Contreras, Charles Grant 98’ Ação/Blaxploitation


DVD - Tem uma arte realmente podre na capa, tentando vender o filme como se fosse algo atual, não como uma preciosidade trash dos anos 70. Isso faz certa resistência em quem iria curti-lo e decepciona o consumidor médio que quer assistir apenas mais um filme de pancadaria.

Cotação:

22 de dezembro de 2007

Bruxa – A Face do Demônio

Após o estrondoso sucesso, inclusive coroado com indicações ao Oscar, de O Que Terá Acontecido a Baby Jane? filmes de suspense estrelados por ex estrelas de Hollywood tornaram-se quase um subgênero. Foi a chance de carreiras estagnadas darem uma virada, mas raramente surgiu algo mais que um brinde ao camp! A hitchcokiniana Joan Fontaine estava a quatro anos longe das telas de cinema até comprar os direitos do livro e bater na porta da Hammer Films. Talvez por isso, ela produzindo, não temos cenas fortes, sua personagem, a professorinha atacada por feiticeiros africanos que tenta se reerguer dando aulas em um vilarejo inglês, jamais deixa de lado o glamour de grande diva do cinema. Não há em sua interpretação aquele cheiro de assustadora decadência visto com Tallulah Bankhead em Fanatismo Macabro (Die! Die! My Darling!) ou de sua irmã Olivia de Havilland fazendo o diabo de uma decrépita Bette Davis em Com A Maldade na Alma (Hush... Hush, Sweet Charllot). Isso não é ruim, apenas não se encaixa exatamente no que se espera, gerando certo descompasso com a história absurda que está sendo contada. Aliás, ver uma grande dama em seu oficio sempre é prazeroso. O roteiro também derrapa fazendo mistério quando deveria nos dar suspense o que evidencia furos gritantes. E claro, Kay Walsh, outra veterana, tem uma face incrivelmente engraçada para dar algum medo num sabat exageradamente cômico...

Bruxa – A Face do Demônio – The Witches / The Devil´s Own
- Inglaterra 1966 De Cyril Frankel Com Joan Fontaine, Kay Walsh, Alec McCoven, Duncan Lamont, Ingrid Brett 90’ Suspense


DVD - A imagem está (mesmo em widscreen) um pouco danificada, e seus extras se resumem a sinopse e biografias das duas estrelas Fontaine e Walsh. Mas ruim mesmo é a capinha da Dark Side, cometendo a mesma gafe da edição americana, entregando quem está por trás dos rituais de magia negra.

Cotação:

21 de dezembro de 2007

O Homem de Palha

Tido como o mais atípico dos filmes da produtora Hammer, o considero o mais atípico filme de suspense de uma forma geral. Corajosamente toda a tensão surge do confronte dos princípios cristãos perante leis muito mais antigas: As do desejo. Policial católico praticante (Daqueles que só acreditam em sexo após o casamento!!!) vai até uma ilha depois de receber carta anônima sobre o sumiço de uma garota. Todas as suas crenças serão postas a prova ao tomar conhecimento dos milenares ritos praticados ali. E há tesão que resista ao conhecimento de que a belíssima Britt Ekland cantarola (Willow’s Song de Paul Giovanni) nuinha em pelo no quarto ao lado no meio da madrugada? Literalmente será feito de bobo até pelas criancinhas locais, tal e qual as velhas convenções são tratadas perante a crueza das relações humanas e reais. Se não bastasse tanta ousadia, ainda temos fantástica trilha sonora e interpretações memoráveis, principalmente a de Christopher Lee, que considera este o trabalho mais importante a qual participou. Observe a sutil utilização de símbolos fálicos durante toda película, e a seriedade com que é tratada uma seita pagã, de forma rara na cinematografia.

O Homem de Palha – The Wicker Man
- Inglaterra 1973 De Robin Hardy Com Edward Woodward, Christopher Lee, Britt Ekland, Ingrid Pitt 80’ Suspense


DVD - Em DVD há duas versões, a americana com 80 minutos e uma de 100 chamada de versão do diretor. No Brasil a Dark Side comercializa a americana. Traz trailer, spots de TV e rádio, e um longo e interessantíssimo documentário. Nele temos a oportunidade de ver os astros Christopher Lee e Ingrid Pitt na atualidade, e descobrir as verdadeiras trapalhadas para lançar bem na época em que a sua produtora foi vendida. Os novos donos não entenderam lhufas e além de cortes absurdos, os negativos originais simplesmente desaparecerem, provavelmente usados na pavimentação asfáltica!!! Lee é um dos que garantem que se o filme tivesse sido lançado tal e qual foi concebido teríamos um Cidadão Kane inglês...

Cotação:

6 de dezembro de 2007

Suspiria

Poucos cineastas vivos são tão merecedores do título de mestres quanto Dario Argento. Um malandro que usa seu conhecimento apurado dos confins da psique humana para exibi-la com seu apurado conhecimento cinematográfico. Este Suspiria, por exemplo, a cada vez que se vê têm-se a certeza de estar diante de uma obra de arte, tão preciosa quanto um Michelangelo. Pela primeira abandonava o bem sucedido gênero Giallo, aqueles filmes italianos de suspense com misteriosos assassinos de luvas pretas, e se aventurava pelo horror sobrenatural. Sobrenatural disfarçado de psicológico ou psicológico disfarçado de sobrenatural? O que pode estar na mente da frágil adolescente americana (Jessica Harper) ao tentar a sorte numa bem conceituada (e distante) escola de balé alemã? Com seus olhos compartilhamos o temor que o isolamento cultural/social pode causar. Como no também grande O Inquilino de Roman Polanski, nada pode ser mais terrível quando não se tem com quem contar, quando se está longe do que nos dá segurança. Este conto de fadas macabro, com imagens tão assombrosas quanto belas não se cansa de pregar peças. A garota ao se deparar com duas figuras um tanto quanto bizarras, lhe encarando desprezívelmente, parece escutar em sussurro “wait!” (“espere!”), mas também poderia ser “witch!”(“bruxa!”)... Será que ouvi certo? É só o começo de uma intrincada trama em cenários absurdos e psicodélicos, fotografia em cores berrantes e trilha sonora (da banda Goblin) perfeita a caminho do mais próximo registro do que é um pesadelo! O final simplista chega a incomodar, mas depois de tudo que presenciamos é só um detalhe.

Suspiria - Itália 1977 De Dario Argento Com Jessica Harper, Stefania Casini, Miguel Bosé 98’ Horror

DVD - Êeeeee!!! De babar este lançamento do selo Dark Side!!! Duplo, widescreen, áudio em 5 canais, extras a dar com um pau!!! Trailer americano e europeu, spots de radio e TV, gigante galeria de imagens, biografias, etc! No segundo disco, a cerejinha do bolo: Um documentário longo sobre toda obra de Argento, inclusive com a presença dele, colaboradores (como George Romero) e parentes (as filhas Asia e Fiona e a primeira mulher, a atriz Daria)!

Cotação:

24 de outubro de 2007

Os Aventureiros do Bairro Proibido

Este filme está para quem usava calças curtas nos anos 80 o mesmo que O Mágico de Oz para quem era criança na década de 30. Puro entretenimento escapista pra fazer a imaginação ir longe. Tão escapista que inúmeros furos no roteiro passavam desapercebidos naquela época. Um super fiasco de bilheteria, mamando criativamente onde já haviam mamado Indiana Jones e Star Wars: os seriadinhos de aventura do inicio do século passado, como Flash Gordon. Tornou-se Cult de tantas reprises na Sessão da Tarde. Chegava-se da escola a tempo de almoçar assistindo He-man, tirava-se um cochilinho até acabar Vale A Pena Ver de Novo (provavelmente com Fera Radical, daí era o resto da tarde nos deliciando com o paspalho Jack Burton (Kurt Russel) ás voltas com feiticeiros chineses soltando raios em cenários de neon dignos da Mocidade Independente de Padre Miguel. Uma delicia ao som de sintetizadores estridentes e efeitos especiais mecânicos. Um querido samba do criolo doido que exatos 21 anos depois ainda é diversão pura e garantida!

Os Aventureiros do Bairro Proibido
– Big Trouble in Little China


- EUA 1986 De John Carpenter Com Kurt Russel, Kin Cattrall, Dennis Dun, Victor Wong, James Hong 100’ Aventura


DVD - Wow! Se viesse sem um extra que seja, já seria imperdível na DVDteca de qualquer mortal, mas não é o caso! Edição dupla, com menus animados tridimensionais, repleto de extras como muitas cenas deletadas e remontadas, final alternativo, entrevistas da época, dezenas de fotos raras, trailers, etc, etc.. Lamentável a faixa de comentários de Carpenter e Russel sem legendas no primeiro disco. Mas no segundo tem legendas em praticamente tudo, exceto no conteúdo em texto.

Cotação:

13 de dezembro de 2006

A Máscara de Satã

Ainda dá pra dar boas gargalhadas com uma comédia doida produzida na década de 20 ou 30, segurar a respiração em um suspense datado de 1950 ou derramar lágrimas num dramalhão estrelado por Lana Turner. Mas há dois gêneros que naturalmente criam ferrugem com o passar do tempo: Terror e Pornográfico. Não que películas assim deixem de prestar com os anos, mas mudam seu foco narrativo para as novas platéias. E são justamente os gêneros que mais exigem a identificação do espectador com os personagens. Um dos mais aclamados filmes de terror da década de 60, A Máscara de Satã causou muitos gritos e arrepios naquele período, mas hoje se torna “apenas” um espetáculo saboroso, com sua trama inspirada em Nicolai Gogol em impecável fotografia P&B fazendo a alegria de amantes do verdadeiro cinema. E isso pouco! A estréia (oficial) na direção do italiano Mario Bava foi no Brasil por muitos anos quase uma lenda, inédito em VHS e nunca exibido na TV, pelo menos nos últimos 20 anos. Uma bruxa ao ser assassinada pela inquisição com a jura se vingar da família do líder por toda a eternidade. Assim que consegue se livrar de seu óbito (exatos 200 anos depois) não se faz de rogada. Atente para o brilhante desempenho de Barbara Steele em papel duplo (a bruxa e a princesa Kátia) que a transformaria (junto com a sueca Ingrid Pitt) na principal diva do terror, adorada por fãs da cultura S&M, e góticos em geral. Muito além em qualidade técnica dos trabalhos produzidos na inglesa Hammer, A Máscara de Satã ainda por cima mantém seus efeitos visuais impressionantes.

A Máscara de Satã (Black Sunday/The Mask of Satan/Revenge of the Vampire)
- Itália 1960 De Mario Bava Com Barbara Steele, John Richardson, Ivo Garrani 87’ Terror


DVD - Esta gema rara em terras tapuias está com áudio e imagem tinindo de novos. Nos extras, galeria de fotos com algumas imagens não pertencentes ao filme e biografias de Mario Bava e Barbara Steele. Normalmente texto como extra é um miserê, mas não neste caso devido a pouca informação que temos sobre tais mitos cinematográficos. Ah sim, e o trailer original, uma raridade, arrastado e sensacionalista como eram na época.

Cotação: