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30 de outubro de 2008

A Cidade dos Amaldiçoados (1995)

Refilmagem inútil número 4.876. Isso porque, o original de 1960 continua ótimo, empolgante de suspense discreto e eficaz. Feito em 1995 pelo irregular John Carpenter, a pista mais óbvia de sua existência desnecessária são os figurinos de Kirstie Alley. O personagem não presente no original se veste com uma capa de chuva mesmo num visível calor. A médica cética não passa da vontade de tirar casquinha em cima do sucesso do seriado Arquivo X, grande sucesso do inicio dos anos 90, sendo que é absolutamente mal aproveitada. Daria pra cortá-la na edição que não faria diferença alguma. O que era sugerido, tornou-se uma sucessão de sustos fáceis, daqueles em que a música faz um “bam!” e não têm conexão alguma com a história. Tudo é tão mastigado e claro que até evidenciaram a origem das criancinhas, que aliás, muito mal selecionadas. Mesmo a aparência delas, todas loirinhas (referência à guerra fria) foi mudado para um platinado ridículo, ignorando que a outra produção era preto e branco. O argumento é idêntico, mas a forma com que ele foi conduzido é que são elas! Uma neblina (!!!) invade pequena cidade fazendo seus habitantes adormecerem. Alguns meses depois todas as mulheres (umas 9!) ficam grávidas, etc., etc. E não é que entre os pequenos agora há um bonzinho? Nem do final com gancho para uma seqüência (que jamais aconteceu) foi esquecido. Pra piorar a zica, é o último trabalho de Christopher Reeve antes do acidente que o deixaria tetraplégico.

A Cidade dos Amaldiçoados - Village of the Damned

- EUA 1995 De John Carpenter Com Christopher Reeve, Kirstie Alley, Linda Kozlowski, Michael Paré, Mark Hamill, Meredith Salenger, Pippa Pearthree, Cody Dorkin 99’ Horror/Ficção Científica


DVD - Bem antigo, quando a Universal tentou padronizar os ícones de navegação em seus discos. Pelo menos tem o trailer como extra, além de algum texto em inglês.

Cotação:

28 de outubro de 2008

Os 12 Macacos

Uma das mais surpreendentes e pouco reconhecidas ficções científicas dos anos 90. Tão cheia de camadas que é quase automático querer revê-la apenas para observar novas texturas. A primeira surpresa é que sempre se espera mais rococó neste gênero associado à assinatura de Terry Gilliam. Tanto em efeitos especiais, quanto em visual, até que é bem contido, com muitos filtros claros de fotografia para não afugentar fãs dos filmes bobocas estrelados por Bruce Willis e Brad Pitt na época. Aliás, este último somado ao estranhamento do argumento é um desconforto inicial. Quando a trama ainda não decolou, sua interpretação de deficiente mental ensaiadinha demais destoa do realismo cenográfico. Em 2034, a humanidade vive nos subterrâneos graças a um vírus espalhado em 1996. Todo o planeta está novamente tomado por animais selvagens, que vivem livremente sobre o que foi a civilização. Mesmo com a tecnologia ainda precária, cientistas usam detento (Willis) para que ele volte ao passado a fim de conseguir amostras da tal praga antes dela sofrer mutações. Sem controle exato da época em que será enviado, vai primeiro para 1990, e suas convicções o levam ao hospício. Este argumento, baseado no curta francês La Jetée de 1962, pode ter cheiro de “déjà-vu”, mas é só cheiro mesmo. Embalado numa trilha sonora atemporal, Os 12 Macacos (entre dezenas de outras coisas) nos lembra o emaranhado de referências culturais e imagens constroem nossa memória, e sobretudo, se somos por natureza criaturas sociáveis, a quem se agrupar. Com roteiro muito bem amarrado, desliza (sem maiores prejuízos) no final, quando a profundidade sai de cena para dar lugar a um saturado “quem é o culpado?”.

Os 12 Macacos – Twelve Monkeys


- EUA 1995 De Terry Gilliam Com Bruce Willis, Madeleine Stowe, Jon Seda, Brad Pitt, Simon Jones, Carol Florence, Christopher Plummer 129’ Ficção Científica


DVD - Mais uma pobreza franciscana da Universal. Não há nadica de nada além do filme. Como isso é inacreditável em se tratando de uma obra tão interessante, fica-se tentando achar algum easter egg... Não perca seu tempo! Não dá pra clicar no olho do Bruce Willis que fica rodando no menu estático.

Cotação:

29 de julho de 2008

A Balada do Pistoleiro

Contratado pela Columbia, Robert Rodriguez dá continuidade à saga do Mariachi, agora transformado em justiceiro implacável. Muitos e muitos dólares depois, perdeu o frescor, mas ganhou em técnica e humor. É o primeiro grande filme estrelado pelos maiores astros latinos da atualidade, Antônio Bandeiras e Salma Hayek. Banderas assume o papel do músico, consciente de sua função de matador, e já lendário entre os botecos mexicanos. O ator original, Carlos Gallardo, surge como companheiro em duas ou três cenas, assim como parte do elenco anterior, amador e, portanto muito feio ou de estética mal cuidada. Aqui fica evidente que Rodriguez não é grande diretor, mas um hábil e astuto homem de cinema. Há soluções criativas por todos os lados, e o filme é divertido ao ponto de nos prender a atenção, embora também tenha amigos demais em papéis sem função à história que ganham destaque por alguns minutos e depois desaparecem. Por mais frenética que seja a trama, esta superpopulação resulta em lentidão. Mais que uma seqüência, também pode ser encarado como remake, com várias tomadas vistas no anterior agora com recursos financeiras para serem mais bem executadas. Tanto faz qual deles se assistirá primeiro, aliás, mesmo o próximo (Era Uma Vez no México), que encerra a trilogia do Mariachi, são histórias independentes que se passam no mesmo cenário, mas mostram a evolução pessoal do personagem principal.

A Balada do Pistoleiro – Desperado

- EUA 1995 De Robert Rodriguez Com Antonio Banderas, Salma Hayek, Carlos Gallardo, Joaquim de Almeida, Cheech Marin, Steve Buscemi, Quentin Tarantino, Danny Trejo, 106’ Ação


DVD - Lançado no mesmo disco que El Mariachi, com cada qual em um lado. Assim como o outro, há a faixa de áudio de Rodriguez, trailer, e o documentário “Escola de Cinema em 10 minutos” (Anatomia de um tiroteio). Lamentavelmente, exceto no filme, também não há legendas em português.

Cotação: