12 de setembro de 2008

Crime na Mansão Sombria

Logo de cara se nota que, enquanto o cinema americano fazia coisas do tipo ...E O Vento Levou, a Inglaterra ainda estava na idade da pedra em questões técnicas. O filme é de 1940, mas parece ser de 1800 e pouco. Não que a reconstituição de época seja espetacular, mas por precariedade de produção e a qualidade da cópia se desmanchando também não ajuda muito. Em compensação, artisticamente, a partir do roteiro, dá de 10 a zero em muito do que saiu de Hollywood naquela época. Longe do conservador código Hayes, os ingleses ousavam mais na violência, embora fora de quadro. Tod Slaughter, ator já era consagrado nos palcos londrinos como vilão, assumia na tela a persona malvada com bom humor, quase que uma caricatura de si mesmo. Pode soar exagerado, mas combina com o teor farsesco da trama. Na história, impostar mata herdeiro para assumir seu lugar, sem saber que na verdade ganhará apenas dívidas. Sente-se quase que obrigado a assassinar pra conseguir alguns dobrões. Com muitos personagens e subtramas interessantes, várias delas não se encaixam ou acabam mal explicadas. Talvez o motivo seja que, a metragem original dele foi drasticamente encurtada ao ser exibido nos EUA, com leis de moral e conduta muito mais rígidas. Infelizmente, as versões que rodam o mundo com os trabalhos de Slaughter são as de lá.

Crime na Mansão Sombria – Crimes at the Dark House

- Inglaterra 1940 De George King Com Tod Slaughter, Sylvia Marriott, Hilary Eaves, Geoffrey Wardwell, Hay Petrie, Margaret Yarde, David Horne 68’ Horror


DVD - A London Films (WorksDVD) o distribuiu dentro de uma caixa chamada Ataúde Macabro e avulso contendo outro filme de Tod Slaughter. A imagem está novamente péssima, cheia de rabiscos, com o áudio inconstante, mas logicamente, é uma aquisição válida devido à oportunidade rara de se assistir o ator, primeiro mestre do horror inglês.

Cotação:

11 de setembro de 2008

Confissões à Meia-Noite

Esta comédia deu tão certo que é até hoje um dos poucos exemplares do gênero a ter considerável número de indicações ao Oscar. Leve e maliciosa ao mesmo tempo, seu sucesso fez com que o trio de protagonistas, Doris Day, Rock Hudson e Tony Randall, repetissem a parceria mais duas vezes, criando quase um estilo de cinema. Sempre com fotografia clara, direção de arte colorida em tons pastel e invariavelmente uma canção ou outra dela na trilha sonora. Aqui, Day é uma mal-humorada decoradora que tem o azar de dividir a linha telefônica com Hudson, um desconhecido e bonitão compositor. Ele usa o telefone para traçar todas as menininhas cantarolando a mesma canção apenas mudando o nome da homenageada. Não se sabe se a loira fica irritada pela linha estar sempre ocupada, ou, porque isso lhe lembra que é solteirona em Nova York. Como ambos têm um amigo em comum, milionário dono de gravadora, acabam se conhecendo pessoalmente, embora ela não saiba que o simpático caipira texano e o galanteador músico sejam a mesma pessoa. Já o cara não só se esforça para seduzi-la, como se diverte fingindo ser uma terceira pessoa. Escuta a conversa dos pombinhos para dar palpites tentando jogar um contra o outro. O roteiro é realmente engenhoso com as reviravoltas e mal entendidos plausíveis, mas lamentavelmente a mocinha enganada o tempo todo não tem um desfecho compensador. Se a gente esquecer que estamos em 2008, depois de todas as conquistas femininas, e encararmos o filme como se ainda fosse 1959 é diversão classe A garantida com direito a algumas risadas. O elenco ainda tem a querida Thelma Ritter vivendo empregada doméstica alcoólatra. Papel pequeno, mas de desempenho excelente como sempre.

Confissões à Meia-Noite – Pillow Talk

- EUA 1959 De Michael Gordon Com Doris Day, Rock Hudson, Tony Randall, Thelma Ritter, Nick Adams 98’ Comédia


DVD - Como tantos outros da Universal Pictures, o único extra é o trailer original. A imagem, embora em widescreen, mantém muitos rabiscos de película. Para saudosistas, está presente a dublagem de quando passava na TV, com vozes típicas pronunciando erres e esses perfeitinhos.

Cotação:

Eles Vieram do Espaço Exterior

A melhor parte, mas melhor mesmo, é no final quando os heróis descobrem um jeito de proteger mentes de serem invadidas pelos alienígenas. Constroem um capacete de prata que dá pra jurar ser nada mais, nada menos do que um escorredor de arroz pintado! O duro é agüentar o filme até ali. Como 99,9% dos de baixo orçamento, compensam cenas de ação com um interminável blábláblá... Produção da Amicus, concorrente da Hammer, possui muita similaridade com Vampiros de Almas, claro, sem a mesma competência, mas com algum charme trash. Depois que três meteoritos caem na Terra, cientistas vão sendo possuídos por alienígenas, enquanto populações inteiras são atacadas por estranha doença fatal. Muito confuso, as explicações são tantas que fica chato e não tapam a maioria dos furos no roteiro. Por tanto, não se preocupe em tentar entender! Facilmente nos faz dar boas risadas e ainda tem a atriz Jennifer Jayne belíssima tanto boazinha quando malvadinha. Cinematograficamente espanta como é mal feito, sendo que o diretor tem uma carreira longa, incluindo clássicos da Hammer Films.

Eles Vieram do Espaço Exterior – They Came from Beyond Space

- Inglaterra 1967 De Freddie Francis Com Robert Hutton, Jennifer Jayne, Zia Mohyeddin, Bernard Kay, Michael Gough, Diana King 85’ Ficção Científica


DVD - Pode ser baixado de graça em qualquer site de troca de arquivos sem copyrights, embora para colecionadores a London Films (WorksDVD) o comercializou junto a outra bomba no gênero. A imagem está pútrida e não há extras fora biografias mal escritas do diretor e do “astro” principal.

Cotação:

As 7 Faces do Dr. Lao

Voltar a esse filme depois de tanto tempo é como se deparar com as mais misteriosas e profundas crenças infantis. Tentando desvencilhar qualquer saudosismo, a produção se mantém válida e saborosa para todas as idades. Até porque, os valores defendidos por ela não vão morrer nunca, nem o encanto de crianças por mitológicas criaturas executadas com capricho técnico. Velho chinês chega com seu circo mágico a Abalone, pequena e nada próspera cidade do velho oeste. Ela será extinta graças a um soberbo homem que quer comprar as casinhas de todos, convencendo o povo mesquinho de que aquele lugar não vale nada! No circo do Dr. Lao descobrirão que a abundância chegará sim, além de ganharem lições de moral com cada uma das figuras bizarras. Tremendo fracasso de bilheteria em seu lançamento, cozinhou a carreira do diretor, embora a atriz Barbara Eden fosse consagrada logo depois na série Jeannie, É Um Gênio. As 7 Faces do Dr. Lao é uma daquelas produções que se tornaram clássicas na posteridade devido às constantes reprises na TV. Gerações inteiras aprenderam a amá-lo, assim como A Fantástica Fábrica de Chocolate, Fúria de Titãs, O Pássaro Azul entre tantos outros. Tony Randall, muito popular na época, tem desempenho fenomenal fazendo seis papéis com ajuda de maquiagem. Mereceu o único Oscar do filme, especial de melhor maquiagem, já que tal categoria ainda não existia. Curioso como quando Randall envelheceu de verdade ficou muito parecido com o adivinho cego Apollonius de Tyana, interpretado quando tinha 44 anos. O mundo realmente é um circo...

As 7 Faces do Dr. Lao – 7 Faces of Dr. Lao

- EUA 1964 De George Pal Com Tony Randall, Barbara Eden, Arthur O'Connell, John Ericson, Noah Beery Jr., Peggy Rea, John Doucette 100’ Comédia/Fantasia


Cotação:

10 de setembro de 2008

Janela Indiscreta (1954)

Tão elegante e requintado que é difícil de acreditar que tenha sido feito a partir de um conto. James Stewart é o fotógrafo que após se acidentar passa as tarde quentes em seu apartamento nova-iorquino bisbilhotando a vida dos vizinhos. Janela a janela, vai se entretendo com a vida comum dos outros até se deparar com o que pode ser assassinato. Alfred Hitchcock num dos seus melhores momentos também nos imobiliza em gesso. Só vemos o que o protagonista vê, exceto numa madrugada quando ele cochila. Grace Kelly e Thelma Ritter são as coadjuvantes de luxo, sendo a primeira a namoradinha endinheirada e a outra a enfermeira num tipo habitual à atriz, uma espécie de consciência ou grilo falante do papel principal. Assim que Stweart as convencer que presenciou realmente um crime, a trama ganha em agilidade com melhor aproveitamento da cenografia e sua pulsante realidade. Impossível deixar de comentar não só a excelente direção de arte, executada de forma incomum e do uso da trilha sonora, ou da falta dela, já que todo o som é exatamente o que o fotógrafo ouve. Estes dois elementos de impecável apuro técnico, produzidos perfeitamente em época distante, só reforça o emblema de obra prima.

Janela Indiscreta – Rear Window

- EUA 1954 De Alfred Hitchcock Com James Stewart, Grace Kelly, Thelma Ritter, Wendell Corey, Raymond Burr, Judith Evelyn, Georgine Darcy 112’ Suspense


DVD - A Universal manteve em todos os do diretor que lhe dizem respeito capa e menus padronizados, o que além de ser feio por si só, ainda piora na estante ao ser misturado em ordem cronológica com os de diferentes distribuidoras. Pra variar, o tal livreto descrito na contracapa não está neste também. Há um documentário longo de analises e sobre a restauração, um menor só sobre os bastidores, galeria de imagens, trailer original e do relançamento. Este último já presente em outros da série.

Cotação:

6 de setembro de 2008

Rebecca - A Mulher Inesquecível

Bem à frente de seu tempo artisticamente, Hitchcock estreava no cinema americano dando três filmes de gêneros distintos em um. A primeira parte é um magnífico romance, onde uma simplória dama de companhia conhece milionário viúvo. Apaixonada perdidamente por seu charme, aceita de imediato o pedido de casamento. O irresistível (e artificial) conto de fadas é crucial para nossa identificação com a garota já que a trama é contada na primeira pessoa. Na segunda parte, casados vão morar na mansão centenária Manderley. Temos um filme de horror, daqueles góticos com o vento soprando palavras de desordem em mentes desprotegidas, sem faltar nem uma governanta, que pra bruxa só precisa de vassoura. A noivinha descobrirá que caiu numa furada. Desprotegida, terá que enfrentar Rebecca, a falecida esposa mais viva do que nunca em todos os cantos escuros. Exatamente porque a história exigiu nossa identificação com a mocinha lá no começo que neste ponto chega a dar certa raiva da sua inércia diante da vida empoeirada ao qual lhe é imposta. Quando finalmente resolver peitar não só a governanta fidelíssima à finada, mas sua costumeira postura submissa, Hitchcock nos entrega uma trama policial cheia de reviravoltas bem à sua maneira. Todo o esforço de clima faz com que a obra perdure por muito tempo na mente após seu término, e também nos leva a certos raciocínios. É muito discutido o possível lesbianismo da governanta com Rebecca, e até pode ser, mas pouco se aponta para outro traço forte de homossexualidade. Qual seria o motivo para Max, o magnata dono do mundo, se manter casado com Rebecca, sabendo desde o início que a moça não era flor que se cheirasse? Embora posteriormente tivesse torcido o nariz ao resultado, o mestre chegava com muita gana de vencer nos EUA e não ser cozido pelo sistema como aconteceu com vários outros diretores. Toda a munição gasta aqui gerou um de seus filmes mais típicos, e sem dúvida, uma de suas maiores obras-primas. Isso sob o olhar do poderoso produtor Selznick que sempre mandou e desmandou no trabalho de seus contratados. Reza a lenda que ele só deu relativa liberdade a Hitch por estar muito ocupado finalizando ...E O Vento Levou. Ao estrear no Brasil, a escritora Carolina Nabuco acusou a inglesa Daphne Du Maurier, cujo livro originou o roteiro, de ter plagiado seu romance A Sucessora, lançado quatro anos antes. Rebecca teve uma tradução nacional assinada por ninguém menos do que Monteiro Lobato.

Rebecca - A Mulher Inesquecível – Rebecca

- EUA 1940 De Alfred Hitchcock Com Laurence Olivier, Joan Fontaine, Judith Anderson, Nigel Bruce, Reginald Denny, George Sanders, Florence Bates 130’ Suspense


DVD - Com nitidez digna de VHS, a Continental comercializa tal filme no Brasil há quase 20 anos com os costumeiros erros de legendas. Como extras há biografias em texto, lista bem mal feita de atrizes q trabalharam com o diretor, galeria com dois pôsteres que não inclui Rebecca e o trailer original.

Cotação:

Dimensão do Terror

Seguindo a tradição clássica dos filmes de horror em episódios, Dimensão do Terror consegue o pouco comum equilíbrio entre eles. São três histórias divertidas sempre indo mais para a comédia rasgada do que o terror. O nome em português pode dar, portanto, falsas expectativas para quem espera algum calafrio. Muito bem feitinhos como tantos outros independentes do começo dos 90, para virarem um longa-metragem ganharam uma costura. E foi aí que morou o perigo! Em tom de chanchada, três pessoas vão ao psiquiatra para fazerem uso de uma nova invenção científica. Ao serem expostos à máquina são confrontados com seus piores medos, e assim entram as historinhas que logo depois desse plot trash só aumentam seus defeitos. Se a gente conseguir relevar tanta besteira amadora entre um e outro, considerando assim apenas os contos, pode-se dizer que são tão bons quanto Além da Imaginação ou seriados semelhantes. Bill Paxton estrela o segundo episódio, como o inquilino indesejado e a distribuidora Works DVD estampa na ficha técnica “apresentando fulano de tal”. Mentira da grossa, pois quase dez anos antes ele tinha sido o irmão malvado em Mulher Nota 1000.

Dimensão do Terror – Future Shock

- EUA 1993 De Eric Parkinson, Matt Reeves e Brion James Com Vivian Schilling, Bill Paxton, Martin Kove, Brion James, Sydney Lassick, Max John James, Eric Parkinson 98’ Horror/Ficção Científica


DVD - Nada haver da WorksDVD (London Films) comercializá-lo junto com a ótima leva de filmes da Hammer. Assim como não se justifica o fullscreen pavoroso, nem o texto da contracapa falando que é considerado um dos novos clássicos do cinema fantástico.

Cotação:

4 de setembro de 2008

Spartacus

Kubrick e Kirk Douglas deixaram sua marca indelével neste espetáculo literalmente colossal. Dá pra sentir a mão genial do diretor em inúmeras tomadas milimetricamente calculadas, assim como a mão de chumbo do ator-produtor, num personagem principal maniqueísta e bidimensional. Se um busca realismo gráfico, o outro a aprovação da platéia média, que há pouco tinha aplaudido Ben-Hur e vários épicos, além de se firmar como estrela de primeira grandeza. O trabalho de um aponta para uma obra prima, o do outro apela às soluções populares. De qualquer forma, os primeiros 40 minutos, durante a escola de gladiadores, são tão empolgantes que compensam qualquer outro momento enfadonho. A existência da disputa política, mais arrastada do que devia, é outra óbvia concessão para a exploração das estrelas presentes no elenco. E claro, Sir Lawrence Olivier, o imperador bissexual e maquiavélico, rouba a cena! Seu personagem é quase palpável de tão complexo. Spartacus, o escravo que se rebela contra o regime opressor e utopicamente cria seu próprio exército de ex-escravos, ao contrário dos filmes similares, não toca em cristianismo, sua história se passa bem antes do nascimento de Jesus. Embora toda a benevolência do herói lembre a trajetória do Salvador, faz mais paralelo com a situação assustadora de castração ao qual intelectuais do período conviviam em plena era Carter.

Spartacus – Spartacus

- EUA 1960 De Stanley Kubrick Com Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov, John Gavin 198’ Drama/Ação


DVD - A cópia da Universal (que tem minutos a mais) não está tão restaurada quanto deveria, muitas vezes chega a aparecer saraivada de rabiscos pretos. Incluíram um pequeno livreto sobre a obra, o que é sempre bacana para se saber mais, mas não vem com nenhum documentário ou material exclusivo. A maioria dos extras é proeminente de outras vezes em que foi comercializado. Até as duas faixas de comentários são sobras. A do restaurador entrega o jogo ao tratar o telespectador como consumidor de LD. Tudo está legendado em português, inclusive os dois comentários, e as ótimas cenas deletadas.

Cotação:

2 de setembro de 2008

Imitação da Vida

Melodrama barato de sabor irresistivelmente kitsh. Lá pela metade nos dá a sensação de que estamos vendo uma novela com a Regina Duarte às voltas com a filha problemática. É só sensação mesmo, porque é um produto Holywoodianíssimo! Lana Turner transpira um glamour que mesmo quando o filme foi feito já era raro entre as divas. Antes filmado com Claudette Colbert, esta segunda versão da história, uma das campeãs em lágrimas dentro das salas de cinema, gira em torno de duas mães, Turner uma aspirante a atriz que já passou da idade e Juanita Moore, negra, pobre, sofredora e religiosa. Cada qual possui uma filha, que confrontarão ao extremo as posturas exageradas das mães, tanto subserviência quanto ambição desenfreada. Só quase no fim a da atriz, quando estiver bem rica e poderosa, lhe encostará à parede cobrando afeto e sua presença, já a de Juanita, coitada, desde pequenininha deixará bem claro morrer de vergonha da mãe negra. É um dramalhão tão lascado, mas ao mesmo tempo tão exageradamente artificial que se torna engraçado. Susan Kohner, muito parecida com Natalie Wood, a primeira opção para o papel, não só nega a pobre mãe como foge para cair na vida, divertindo velhos senhores em um cabaré de quinta categoria. Turner de pobrezinha escrupulosa no inicio convence muito pouco, e de certa forma nos faz torcer para que o sucesso chegue logo à sua carreira. Já vá esperando choro que lhe será arrancado a fórceps no final!

Imitação da Vida – Imitation of Life

- EUA 1959 De Douglas Sirk Com Lana Turner, John Gavin, Juanita Moore, Karin Dicker, Sandra Dee, Susan Kohner 125’ Drama


Cotação:

Mulher Nota 1000

Comedinha teen 80’s dirigida pelo especialista John Hughes de efeito inferior as outras como O Clube dos Cinco e Gatinhas e Gatões, mas ainda divertida. A visão do adolescente em busca de sexo está bem superada. Não que produtos similares atuais não foquem nesta preocupação, mas é tudo muito soft e careta, duvidosamente a galera de 2008 veria graça naqueles nerds infantilizados. Realmente engraçado é o uso de computadores pessoais de forma tão irreal. Dois garotos (um deles é Anthony Michael Hall astro do gênero) resolvem criar a própria gostosa ao ver o clássico a Noiva de Frankenstein na TV moldando-a com a ajuda da máquina. Sem software nem nada! Apenas desenhando wiframes, como se moldassem barro. É quase como um filme dos anos 40 sobre a chegada do homem à lua, ou um filme de agora sobre daqui a 20 anos. Sempre são tiros n’água! Mais absurdo é que escaneiam um monte de revistas de moda para conseguirem a beleza ideal, assim como fotos de Einstein para que a beldade ainda por cima seja inteligente. O resultado é a modelo Kelly LeBrock, muito famosa naquele tempo, e demonstrando ser astuta ao topar esse papel que brinca com sua imagem pública. Será na verdade uma espécie de fada madrinha, com alguns poderes mal explicados, que deixará os garotos tão nervosos que jamais consumarão seus desejos carnais. Há uma cena onde beija um deles apalpando sua bunda que cheiraria a pedofilia aos padrões 2000 do que é politicamente correto. Robert Downey faz um dos bad boys, quando ainda não assinava “Jr.”.

Mulher Nota 1000 – Weird Science

- EUA 1985 De John Hughes Com Anthony Michael Hall, Kelly LeBrock, Robert Downey
Jr., Ilan Mitchell Smith, Bill Paxton, Suzanne Snyder 94’ Ficção Científica/Comédia


DVD - Dá pena a Universal ser dona destes clássicos adolescentes dos 80. Seus DVDs são pobres de tudo! Menus estáticos, extras que se resumem a trailer e até a impressão da capa é sofrível.

Cotação:

29 de agosto de 2008

A Mosca da Cabeça Branca

Clássico das mutações homem/inseto permanece interessante mais como drama do que ficção científica. O problema é que justo no clímax, quando o cientista revela à esposa no que seu experimento resultou fica completamente cômico! Narrado em flashback, mostra a luta de uma mulher para não ganhar pena de morte ou ser internada num manicômio. A mocinha confessa ao detetive e seu cunhado (Vincent Price) porque esmagou a cabeça de seu querido marido, um cientista obcecado que ficava horas e horas entretido com seu tele transporte. Ao ser a cobaia humana, a fim de não sacrificar nenhum animal, acidentalmente uma mosca entra junto na máquina o que faz com que os átomos de ambos se mesclem. A experiência é o único paralelo com o remake dirigido por David Cronenberg em 85. Enquanto que as nojeiras da refilmagem podem ser referências à decadência da paixão, neste, como era hábito na época, ressoa no pânico político-social das influências de outras culturas dentro do american way. O horror se impõe em um lar comum, destruindo a família perfeita. Deu certo a ponto de ganhar duas seqüências, tão inferiores que nem em Technicolor são, embora o próximo mantivesse Price no elenco em papel de mais destaque. E lógico, centenas de imitações cada vez mais estapafúrdias.

A Mosca da Cabeça Branca – The Fly

- EUA 1958 De Kurt Neumann Com Vincent Price, David Hedison, Patricia Owens, Herbert Marshall, Betty Lou Gerson 94’ Ficção Científica


DVD - O disco brasileiro está com imagem e áudio excelentes realçando as qualidades cinematográficas. Estranhamente a Fox só distribui ele e o terceiro filme, embora venha como extra seu trailer original e o da continuação, com o filho do cientista entrando na mesma máquina. Ainda contém trailers do remake, da continuação e de Viagem ao Centro da Terra. Não é necessariamente um erro, mas o menu principal o indica “Trailer da cópia do DVD”, ao invés de extras ou bônus. Lembra o de Confissões de Uma Mente Perigosa da Imagens Filmes com um botão chamado easter egg!

Cotação:

28 de agosto de 2008

O Invasor Galáctico

Vergonha alheia! Legítimo herdeiro das ficções científicas 50’s, mas que não fica na paródia, na avacalhação o que é pouco comum. É interessante a tentativa de seguir ipsis litteris uma rebuscada produção científica com os recursos artísticos e financeiros que tinham a seu alcance! O resultado? É quase impossível não cair às gargalhadas durante todo o tempo. Efeitos especiais péssimos, diálogos sem sentido, fotografia acidental, interpretações que nem nas épocas de cruzadinha na igreja vi semelhantes. E o principal: elenco medonho, trajando o último grito da moda do começo dos 80. A história é simples e eficiente. Alienígena, parecido com o Mostro da Lagoa Negra, sabe Deus por que, cai na Terra, precisamente na zona rural (!!!) de Baltimore, o que despertará a cobiça de um grupo de caipiras malvados que decidem capturá-lo para ganhar dinheiro. Muitos mortos, armas laser de plástico e um plot familiar mal e parcamente explorado durante uma hora e 20 minutos. Está ruim? Espere pelo final inacreditável!



O Invasor Galáctico – The Galaxy Invader

- EUA 1985 De Don Dohler Com Richard Ruxton, Faye Tilles, George Stover, Greg Dohler, Anne Frith, Richard Dyszel, Kim Dohler 80’ Ficção Científica


DVD - Nos últimos suspiros da Works DVD (London Films) ela vendeu estas produções baixadas de sites que disponibilizam produções aparentemente sem copyrights. A tiragem pequena fez com que desaparecessem das lojas num estalo. Cada disco traz dois filmes do mesmo gênero, com qualidade precária, nos minutos finais a imagem simplesmente some como se a matriz em VHS (!!!) estivesse mofada. Vale sem dúvida para se guardar estas obras primas classe Z.

Cotação:

27 de agosto de 2008

Problemas Femininos

Divine encara uma (anti) heroína do porte de Scarlett Ohara. Acompanha-se a trajetória de Dawn Davenport de adolescente rebelde no início dos 60 à vida adulta, marginal com tendências a modelo e atriz. Ao descobrir que seus pais não lhe compraram sapatinhos de cha-cha-cha na manhã de natal, dá uma surra neles e foge de casa. Na rua acaba violentada ao pegar carona com um sujeito mal encarado, a própria Divine em momento homem. Mãe solteira, a pobre moça faz de tudo para sobreviver: Garçonete, stripper, prostituta e assaltante na companhia das amigas Chicklette e Concetta. Ainda tendo que aturar uma filha problemática, sua trajetória “da ambição ao crime” desembocará num salão de beleza onde conhecerá seu futuro marido (o único hetero no local) e sua beleza reconhecida como top model. Para John Waters, Problemas Femininos significa, sobretudo, um avanço técnico, com argumento melhor desenvolvido, câmera com mais foco, figurinos e cenários próprios, etc. Artisticamente confirma a consistência de sua filmografia, mesmo nesta época de vacas magras, suas idéias absolutamente críticas à classe média, se sobressaem a qualquer falta de recursos financeiros. Esta grande festa entre amigos muitas vezes peca pelo excesso de diálogos interpretados de forma amadora, mas não corre o risco de perder interesse já que as situações absurdas e jocosas se sucedem até o último segundo.

Problemas Femininos – Female Trouble

- EUA 1974 De John Waters Com Divine, Mink Stole, Mary Vivian Pearce, David Lochary, Cookie Mueller, Susan Walsh, George Hulse, Ed Peranio, Elisha Cook Jr. 92’ Comédia


DVD - Inédito no Brasil, lamentavelmente distribuído pela Continental em uma edição paupérrima. Tão podre que a capa mais parece Xerox colorido, com erros grosseiros no argumento da contracapa e nas legendas. Outra coisa de sabor duvidoso é estampar “Trash Collection”... O que é mais lixo, John Waters ou Christopher Nolan? Ter dinheiro suficiente para as massas aplaudirem porcarias conforme o departamento de marketing de um estúdio quer?

Cotação: