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A coisa mais engraçada desta comédia (pouco engraçada) é Melina Mercouri como a larapia ninfomaníaca suspirando pra qualquer mancebo desprevenido. Bem levezinho, pertence ao subgênero comum na época de grupo de ladrões metidos a espertos que têm plano mirabolante a colocar em prática, no caso, roubar valiosa jóia pertencente ao museu de Topkapi, na Turquia. Pesa contra, além do humor mediterrâneo ímpar, as infinitas seqüências onde se discute o tal plano. O elenco internacional passeia livremente por vários países em locações ensolaradas e belas, o que também exige a mínima localização geográfica de quem o assiste. Fora isso poderia ser uma comédia do Black Edwards sem o mesmo jogo de cintura, mas cheio do colorido espírito 60’s. Seus momentos finais são espetaculares minutos de suspense similares à famosa cena dirigida por Brian de Palma no primeiro Missão Impossível. Peter Ustinov fazendo o paspalho que entre pro bando sem saber ao certo do que se trata, acabou valendo-lhe o Oscar de Ator daquele ano. Nos extras de Spartacus ele aparece em entrevista recente contando sobre as incríveis coincidências envolvendo o número 13 que o fizeram ter certeza de que seria o premiado da noite embora não fosse o favorito. Topkapi
- EUA 1964 De Jules Dassin Com Melina Mercouri, Peter Ustinov, Maximilian Schell, Robert Morley, Jess Hahn, Gilles Ségal, Akim Tamiroff 119’ ComédiaDVD - Edição boa da New Line Home Video, respeitando o estilo do filme nos menus animados e na arte da capa. Como extras, incluíram o trailer e biografias em texto incluindo o da atriz grega Mercouri, que se dedicaria à política em seu país de origem .Cotação:
Fosse uma história original, não uma adaptação de graphic novel, poderíamos apontar este noir moderno como um dos melhores filmes deste início de século. É uma pena que apenas sua técnica foi imitada em outras produções, não seu conceito artístico. Estilizado, usando a obra original praticamente como storyboard, à primeira vista é dramaticamente belíssimo,e tanta beleza merece (pelo menos) uma segunda assistida. Isso porque, pelo radicalismo é impossível não se notar o distanciamento dos atores do resto do cenário, dando impressão de que todos estão presos a uma mentira. Na revisão percebe-se que tal coisa parte apenas do ponto de vista do espectador. Assim como os contos criados por Frank Miller ficaram muito bem costurados, a escalação do elenco está irrepreensível. Ainda demonstra um notável amadurecimento narrativo de Robert Rodriguez, que pela primeira vez fez um filme pensando na platéia, não uma experiência tecnológica somente para satisfação própria. Se for necessário apontar alguma falha, dá pra chutar a metragem longa, ou a sensação causada pelo processo, que depois de uma hora parece que se passaram 3. Seguindo a lógica de triplicar, ao final pode-se aplaudir as seis horas de puro e vibrante entretenimento cinematográfico. Sin City – A Cidade do Pecado – Sin City
- EUA 2005 De Robert Rodriguez e Frank Miller Com Bruce Williams, Mickey Rourke, Jessica Alba, Benicio Del Toro, Rosario Dawson, Alexis Bledel, Elijah Wood, Clive Owen 124’ AçãoDVD - Ao contrário de outros países, a Buena Vista só disponibilizou aqui um disco simples em lá maior. O vergonhoso único extra trata-se de pobre documentário que se tiver dez minutos é muito. Pena que na época da Columbia o próprio Rodriguez produzia os DVDs repletos de material bônus. Pelo menos tem menus animados, coisa que nem isso foi feito para a única cópia até agora de Pulp Fiction no Brasil.Cotação:
O ser mitológico mais incompreendido do cinema ainda está por ganhar um filme que preste. A Universal, em sua época áurea no gênero, fez o que pode já que por mais popular que seja, não há nenhum clássico da literatura a ser adaptado como Drácula ou Frankenstein. Optou-se curiosamente por uma trama que anteveria a febre das produções com cientistas loucos mutados da década de 50 e pinceladas de O Médico e o Monstro, estrondoso sucesso com John Barrymore em 1920. Cientista inglês é atacado por um lobisomem ao viajar ao oriente procurando uma rara flor que floresce apenas ao luar. A planta se revelará o único antídoto (paliativo) para a maldição. O resto seria de total banalidade, com o médico enfurnado em seu laboratório quando não está atacando mocinhas indefesas, se não houvesse um toque de brilhantismo, de extrema humanidade. Casado com uma linda jovem, e muito ocupado com descobertas científicas, vê sua relação ruir com a chegada de um ex namorado de infância da garota. A primeira transformação total vem justo num rompante de ciúmes, quando os velhos amigos saem pra passear e ele fica imaginando o que poderia estar acontecendo. Paralelamente há um homem suspeito de olho na tal flor que consegue florescer artificialmente em Londres. Outra peculiaridade são os muitos momentos cômicos, sinal de que a platéia da metade da década de 30 não era tão ingênua como se imagina ou o estúdio não confiava tanto assim neste monstro. Pode-se levar em conta também que o país estava saindo da aterradora crise causada pelo crash da bolsa de 29, uma das explicações para tanto sucesso das películas de horror alguns anos antes. A transformação da criatura (de aparência engraçada, quase fofa pra atualidade) merece algumas linhas porque nem sempre funciona, mas às vezes dá muito certo . Na primeira vez pode-se chamar de verdadeiro milagre técnico, conseguido facilmente apenas nos dias de hoje com o auxílio de computador: Editar uma seqüência feita com a câmera em movimento. O Lobisomem de Londres – Werewolf of London
- EUA 1935 De Stuart Walker Com Henry Hull, Warner Oland, Valerie Hobson, Lester Matthews, Lawrence Grant, Spring Byington, Clark Williams 75’ HorrorDVD- Os direitos autorais são logicamente da Universal, mas a London (WorksDVD) comercializou em “sessões duplas” junto a outros do estúdio. Com imagem muito boa, incluíram A Mulher Fera de Londres, feito quase dez anos depois e os trailers de A Filha de Drácula, O Filho de Drácula e Drácula (de Bela Lugosi) também presentes nos respectivos filmes.Cotação:
Foi o evento do ano sem dúvida! O confronto dos monstros gigantes mais famosos de todos os tempos e ainda por cima ambos pela primeira vez em cores. Como King Kong era bem mais popular no Japão do que o conterrâneo Godzilla, os personagens evidenciam uma torcida por ele, mas a gente acha os dois uma graça e torce para que nenhum saia muito ferido. Por incrível que pareça, a idéia deste crossover surgiu de um produtor americano que tendo seu projeto “King Kong Vs Frankenstein” recusado pelos estúdios de Hollywood foi bater na porta dos japoneses da Toho. Embora os créditos iniciais indiquem que o macaco está sob autorização da RKO, há substanciais mudanças com o que conhecemos no clássico de 31. A começar, lógico, pela troca do bonequinho em stop motion por um homem numa fantasia ridícula. A técnica é usada apenas nos closes, sendo que a figura original aparece nas fotos do departamento de divulgação enfrentando Godzilla em tosca montagem. Ele também não vivia mais na Ilha da Caveira, mas numa outra onde japoneses da raça negra dançam coreografias fáceis. É levado à civilização graças a um ambicioso e atrapalhado empresário do ramo farmacológico e pra não ficar tão em desvantagem com o lagartão que cospe fogo, King Kong fica super forte ao entrar em contato com a rede elétrica, ou levar raios na cabeça... Com carinhos de brinquedo, navios, etc. fingindo ser de verdade, e as sempre engraçadas cenas de multidões em pânico garantem a diversão. Lamentável que estes filmes só chegam até o ocidente com dublagem em inglês e a adição de atores americanos, mas em meio ao samba do criolo doido do roteiro, o que há pra reclamar? Talvez do broxante final do embate... King Kong Vs Godzilla – Kingu Kongu tai Gojira
- Japão/EUA 1962 De Ishirô Honda Com Tadao Takashima, Kenji Sahara, Yu Fujiki, Ichirô Arishima, Jun Tazaki, Akihiko Hirata, Mie Hama, Akiko Wakabayashi, Akemi Negishi, Senshô Matsumoto, Senkichi Omura 91’ AçãoCotação:
Só mesmo Almodóvar para querer nos fazer rir de tanta desgraça alheia e ainda triunfar! Carmen Maura é a coitada suburbana, ironicamente chamada de Glória, que engorda de forma miserável a renda doméstica à custa de faxina. Para levar a vida ainda furta um troco ou outro da carteira do marido, um taxista machão com o incrível dom de imitar caligrafias alheias. Talvez porque sua realidade seja tão dura, com os únicos escapes em calmantes e fungadas em produtos de limpeza tóxicos, que torcemos por ela como se fosse aquela vizinha ferrada na vida. Do mesmo jeito nos decepcionamos aos muitos erros que vai cometendo pelo caminho. É inacreditável quando deixa Miguel, o filho mais novo, nas mãos do dentista pedófilo e vai correndo comprar um baby lise... Mas tudo dá errado pra ela! Sua única tentativa de sexo extraconjugal é justamente com um policial impotente, ao contrário da vizinha, a prostituta simpática de Verónica Fourqué, tão bem sucedida que ambiciona carreira internacional. É o melhor do diretor (que aparece dublando La Bien Pagá) em sua primeira fase, tanto técnica quando artística, já bem à vontade com as mazelas da cultura pop madrilena. No meio do caminho, como em inúmeros de seus roteiros, há um crime, que parece não dar em nada além de ocupar tempo de projeção, assim como os falsários interessados em escrever as memórias de Hitler. Seu brilhantismo ofusca qualquer deslize. Que Fiz Eu Para Merecer Isto? – ¿Qué he hecho yo para merecer esto!!
- Espanha 1984 De Pedro Almodóvar Com Carmen Maura, Luis Hostalot, Ryo Hiruma, Ángel de Andrés López, Chus Lampreave, Gonzalo Suárez, Verónica Forqué, Juan Martínez, Kiti Manver, Sonia Anabela Holimann, Cecilia Roth 101’ ComédiaCotação:
A feroz crítica Pauline Kael considerava a interpretação de Maria Falconetti talvez a melhor já capturada por uma câmera. O fato de ser o único trabalho da atriz no cinema amplifica esse caráter de película singular, obra máxima que nos compele ao tom reverente, sacro, guardando forças como um dos melhores de todos os tempos. A falta de som, responsável por envelhecer drasticamente tantos outros, torna-se um elemento a mais para deixá-lo poeticamente realista. Kael relembra em seu texto as palavras de Cocteu, para quem parecia o registro de uma época a qual o cinema não existia. Baseado nas minutas do inquérito, consegue ser fidelíssimo muito mais às emoções do que à história. Só nos minutos finais é que teremos extravagantes cenas de multidão, com ângulos fantasticamente modernos. Difícil de imaginar, como com o peso dos equipamentos daquele tempo conseguiam dar giros de 180º. Não se sabe se ficamos embasbacados com tudo o que vemos ou se choramos copiosamente pela tragédia que “segue” os desígnios de Deus. Sobram duvidas sobre a pobre Joana, que mal sabia a idade ao certo, ter continuado até seus últimos momentos ancorada na fé cristão-católica, seria sua ignorância um alívio à realidade? Pior, como uma religião que nunca hesitou em usar seu poder pelas vias do sangue sobrevive até os dias atuais, continuamente sacrificando vidas em prol de sua permanência no topo. Dreyer aliás, não abre mão do principal elemento ao qual a igreja de Paulo se firmou: O medo. Cada sacerdote é terrivelmente fotografado de baixo pra cima, dando-lhes contornos de vampiros góticos. Joana, complacente, é mostrada ao contrário. Seus grandes olhos cristalinos refletem sobre tudo a dor de toda a humanidade. O Martírio de Joana D’arc – La Passion de Jeanne d'Arc
- França 1928 De Carl Theodor Dreyer Com Maria Falconetti, Eugene Silvain, André Berley, Maurice Schutz, Antonin Artaud, Michel Simon, Jean d'Yd, Louis Ravet 82’ DramaDVD- A qualidade da imagem no disco distribuído pela Magnus Opus nos faz pensar se mesmo em 1928 as platéias viram tudo tão nítido. O filme teve várias mutilações com o passar do tempo, negativos queimados, etc. Esta versão foi a partir dos negativos muito bem conservados encontrados em um hospício na década de 80. Há bastante texto como extra e longa entrevista com a filha de Falconetti. Ela relembra por exemplo que quebrada, no início da Segunda Guerra, fugiu para a suíça, tentou entrar nos EUA e acabou na bancarrota total num cassino do Brasil. Morreu logo depois na Argentina. Cotação:
Rossana Ghessa é a suburbana que sai em revista de mulher pelada enquanto sonha em encontrar um bom partido. Vê sua grande chance ao servir de “cala-boca” para um milionário gay não ser deserdado pelo pai. De forma confusa, aparece um malandro (Roberto Pirillo, em alta depois de aparecer na novela A Escrava Isaura) se dizendo fazendeiro e leva a belezoca no bico. Bobagem! O argumento explorado nas coxas, pra usar um termo que lhe cabe bem, é só desculpa para Ghessa tirar a diminuta roupa em 9 a cada dez cenas, e por incrível que pareça, por vontade própria já que é a produtora desta vídeo cassetada retrô. Constrange ainda obra de tão baixo calão conseguir ser co-produzido com verba pública via Embrafilme. Este tipo de apoio é a principal diferença entre as comédias cariocas e as da Boca do Lixo, frutos da iniciativa privada, e daí vem mais outra estranheza. Os personagens, em meio a um roteiro muito pobre, de diálogos idem, ficam soltando farpas ao cinema paulista, no sempre ridículo bairrismo entre Rio de Janeiro e São Paulo. Amadoristicamente dirigido, fotografado, escrito e interpretado, serve só pra rir da moda da época, além de dar vergonha alheia. A Pantera Nua
- Brasil 1979 De Luiz de Miranda Corrêa Com Rossana Ghessa, Roberto Pirillo, Neuza Amaral, Heloísa Helena, Agnes Fontoura, Marcos Wainberg, Wagner Montes, 102’ ComédiaDVD- Todo e qualquer filme brasileiro é sempre um upa se achar em DVD, mas também, qual a lógica da CineMagia ter lançado isso com tantos outros mais interessantes ainda inéditos? Mesmo pornochanchadas que pelo menos divertem, continuam lendárias. Ao contrário da imagem, o áudio, principal obstáculo técnico do cinema nacional por muito tempo, está péssimo na maioria do tempo, o que justificaria a existência de legendas. Na contracapa o nome da atriz e política carioca Neuza Amaral está grafado como Nelsa Amaral. Cotação:
Primeira versão do texto de Richard Matheson, que geraria outros dois filmes sendo o mais recente Eu Sou A Lenda com Will Smith, revela-se bem à frente de seu tempo. O IMDB, conta que o projeto original foi criado para a Hammer Films, mas como a censura inglesa o recusou, teve que ser filmado na Itália. Estrelado pelo grande Vincent Price, em silêncio por longos minutos, tem alguma violência explícita e um final nada feliz. Seus zumbis de hábitos noturnos atacam com fúria alguns anos antes dos de Romero no filme que mudaria o rumo do gênero horror para sempre. Aqui, também surgem por um inexplicável vírus, com as vítimas estranhamente cegas antes de se transformarem em mortos-vivos. Apenas um cientista incrédulo sobrevive, e por mais de três anos cria a rotina num cenário apocalíptico, tentando contato com outros possíveis sobreviventes, construindo réstias de alho protetoras e, claro, acabando com os mortos vivos enquanto é de dia. Durante um flashback conhecemos sua história, com a família adorável sendo destruída pela doença junto com a sociedade mundial. Qualquer informação a mais pode estragar as inúmeras surpresas do roteiro muito inventivo filmado com capricho. Mesmo quem viu a versão recente pode esperar um desenrolar diferente e camadas mais profundas do que se vê numa simples produção B. Price, como de costume, parece se divertir (literalmente) horrores enquanto trabalha. Mortos que Matam – L´Ultimo uomo della terra (The Last Man on Earth)
- Itália 1964 De Ubaldo Ragona Com Vincent Price, Franca Bettoia, Emma Danieli, Giacomo RossiStuart, Umberto Raho, Christi Courtland, Antonio Corevi, Ettore Ribotta 86’ HorrorDVD- Com direitos autorais vencidos, pode ser baixado legalmente em sites que disponibilizam filmes nas mesmas condições. A Media Group o comercializou de forma bastante amadora, com a arte da capa muito feita, impressa em impressora caseira, visivelmente cortada com tesoura. O selo do disco está escrito Mortos que Matam e A Casa dos Maus Espíritos, num erro básico de atenção. Os extras são um monte de texto sem sentido algum, trailers feitos por eles de outros lançamentos e vários do diretor Willian Castle, sendo que ele não tem absolutamente nada a ver com o filme. Cotação:
O título medíocre em português esconde logo de cara um elemento importante do filme. Cigarette Burns, ou queimadura de cigarro, refere-se àquelas marcas redondas que aparecem no canto da imagem de um filme para o projetor saber que está na hora de trocar o rolo, e que acabam denunciando que algo de importante acontecerá. Antigamente eram visíveis até na TV, mas com a digitalização ficaram relativamente raras. Milionário cinéfilo (Udo Kier) contrata dono de cinema que só passa cults para que ele encontre uma produção européia lendária. Tal filme muito chocante, teria sido exibido apenas uma vez no começo da década de 70, e causado histeria coletiva na platéia ao ponto de todos terem se matado e colocado fogo na sala. A prova de que ele existiu é que o ricaço guarda na mansão um souvenir das filmagens, o anjo que teve as asas arrancadas diante da câmera. Este instigante e original argumento, serve para John Carpenter, cineaste irregular, encontrar o equilíbrio perfeito com bem dosada violência explícita. Com estrutura de velha história detetivesca, a busca do protagonista pela fita mais escabrosa de todas é um paralelo interessante à sede dos fãs do gênero horror por cada vez mais e mais. Feito para a TV na série Mestres do Terror, é de lamentar sua duração curta. Pesadelo Mortal - John Carpenter's Cigarette Burns
- EUA 2005 De John Carpenter Com Norman Reedus, Udo Kier, Gary Hetherington, Christopher Britton, Zara Taylor, Chris Gauthier 59’ HorrorDVD- A Paris Filmes comercializa no Brasil alguns episódios da série Mestres do Terror separadamente, já que cada episódio conta uma história independente. No caso deste, vem com inúmeros trailers tanto dos outros trabalhos quanto de produtos da distribuidora. Vários documentários sem edição dos bastidores mostram o quanto a equipe canadense se sentiu honrada em trabalhar no projeto, e entrevistas curtas com elenco, roteiristas e o diretor. Carpenter, de ovos virados, dá um banho de grosseria com o péssimo repórter.Cotação:
O filme mais insultuoso e subversivo já feito em todos os tempos tem desconcertante artificialismo cênico. Espetáculo repulsivo quase insuportável de ser revisto, choca antes pela crueza das idéias que defende do que pelas imagens mostradas. Vai radicalmente na contramão do cinema que se acredita ser antes de tudo entretenimento, uma forma de escape. Pasolini, em seu último trabalho, sentia então, resquícios do fascismo na Itália, mas é inegável que ali está todo e qualquer país de qualquer época pseudo civilizada. Enquanto o povo nada literalmente na merda, os poderes vigentes, Estado e igreja, caiem na farra auto-afirmando sua duvidosa superioridade. A história (inspirada em Marquês de Sade) transcorre na década de 40 quando, com o fim de Mussolini, grupo de autoridades mantém grupo de adolescentes presos para a realização de todos os seus desejos, por mais porcos, cruéis e degradantes que possam ser. Se há rapazes armados mantendo a ordem sem a mínima reação humana, não faltam pequenos delatores entre as jovens “vítimas” (de origens humildes semelhantes) preparadas a apontar o próximo. Dividido em três partes, o Ciclo da Paixão, da Merda e do Sangue, faz pensar o último não ter fim, trazendo tal desgraça para o lado de cá da tela, embora as três putas velhas que narram histórias escabrosas tentem nos fazer acreditar que não passa de um conto de fadas tenebroso. Sem exageros, dá vontade de vomitar e inigualável mal estar social. Poderoso na construção de seu universo sistemático, não foi à toa ter sido proibido em muitos países e continuar inédito em DVD. Saló - 120 dias de Sodoma - Salò o le 120 giornate di Sodoma
- Itália/França 1975 De Pier Paolo Pasolini Com Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto Paolo Quintavalle, Aldo Valletti, Caterina Boratto, Elsa De Giorgi, Hélène Surgère, Sonia Saviange 116’ DramaCotação:
Dramalhão tão cafona quanto irresistível sobre atriz de Hollywood decadente. Pela época dá pra apostar que foi produzido (com poucos recursos) no embalo de Crepúsculo dos Deuses, mas claro, sem um terço da acidez de Billy Wilder. Grande dama de Hollywood, Bette Davis parece estar deslocada contracenando com atores muito abaixo de seu talento, fotografada com granulação excessiva e inúmeras cenas em locação. Pelo menos no primeiro item tentaram disfarçar com a maioria de suas falas interpretadas diretamente para a câmera. Por muito tempo acreditou-se erroneamente que estava em situação difícil quando aceitou o papel tal e qual Gloria Swanson no de Wilder. Teoria facilmente descartada, já que dois anos antes tinha concorrido ao Oscar com A Malvada, feito repetido nesta fita quando chegou à histórica 10ª indicação. Falando na academia, Davis aparece com seu próprio troféu, ganho por Jezebel, na seqüência em que dirige bêbada pelas ruas preferidas dos ricos e famosos de Hollywood. Este momento de desespero, após cortar relações com seus familiares sanguessugas, ser ameaçada de despejo e praticamente perder a guarda da filha e mesmo assim agarrar seu Oscar e ir encher a cara merece estar em qualquer antologia do que de mais kitsch o cinema mostrou. O próprio filme tem várias outras que rivalizam com isto, como a grande diva vendendo calcinhas, ou péssima durante teste para um papel pequeno. E sobrevive a tudo! Seu talento, que lhe coloca no patamar de uma das maiores atrizes de todos os tempos, está evidente na emocionante festa dos ricaços, onde se vê em seus grandes olhos o quanto está deslocada em meio àquele luxo que não lhe diz mais respeito. Lágrimas Amargas - The Star
- EUA 1952 De Stuart Heisler Com Bette Davis, Sterling Hayden, Natalie Wood, Warner Anderson, Minor Watson, June Travis, Barbara Lawrence, Fay Baker 102’ DramaDVD- Não dá pra entender a lógica para “The Star” ter ganhado o título “Lágrimas Amargas” no Brasil, mas enfim... Ironicamente é distribuído agora pela Warner, “casa” original de Davis, mas já de relações cortadas quando o filme foi produzido de forma independente. O material bônus é o trailer espalhafatoso original e um documentário de 6 minutos com historiadores desmentindo que a personagem refletia a situação real da atriz. Aparece uma biógrafa apontando semelhanças bem maiores com a vida de Joan Crawford naquele momento, não por acaso, a arquiinimiga de Bette Davis. Cotação:
Como final de trilogia, é grandioso o bastante. Como filme, parece uma colcha de retalho de seqüências extravagantes para Robert Rodriguez exercitar seus malabarismos tecnológicos. É muito mais uma conquista técnica do diretor do que outra coisa. Atrapalha aquela pequena multidão em cena, cada qual querendo alguma coisa que só fará sentido lá pela segunda ou terceira vez que se assiste. Banderas, com a chapinha em dia, tem presença forte como o Mariachi protagonista, mas em meio a tanta gente teve seu personagem diluído. Esquisito é que o passado mostrado nos flasbacks não pertence ao filme anterior da saga, e os três têm pouquíssimo em comum, fora o personagem principal. Sua violência é cartoonesca o suficiente para não chocar ninguém, sendo que Johnny Deep, o agente do FBI pilantra, consegue perfeitamente virar o jogo e se tornar muito simpático aos nossos olhos, numa reviravolta exemplar de roteiro e atuação. Mesmo separado por mais de uma década do primeiro da série, aquele que teria custado apenas 7 mil dólares, tem muito mais a alma barata dele do que o seu sucessor, A Balada do Pistoleiro. Era Uma Vez no México - Once Upon a Time in Mexico
- EUA 2003 De Robert Rodriguez Com Antonio Banderas, Salma Hayek, Johnny Depp, Mickey Rourke, Eva Mendes, Danny Trejo, Enrique Iglesias, Cheech Marin, Willem Dafoe 102’ AçãoDVD- Essencial para quem gosta de cinema, com Rodriguez explicando em horas de extras como fazer um filme barato parecer uma super produção. Assistir à película com seus comentários abre um novo universo, concretamente revelador. Entre os documentários, vemos a garagem onde produz, dissertando sobre o fim do negativo e até a receita passo a passo de Porco Pibil, o prato que se der certo faz o agente Depp matar o cozinheiro para que tal experiência seja única. Para quem tem DVD-Rom há ainda dois joguinhos simples em flash.Cotação:
Cientista bonzinho (Ray Milland) cria colírio que o permite ver absolutamente tudo o que há no mundo sem barreiras. Ao resolver aplicar em si, acarreta uma série de incidentes, além de ficar inebriado com o poder. Esta estranha ficção científica tem a assinatura de Roger Corman, cientista louco como protagonista, fotografia de um bizarro “novo“ sistema com nome engraçado e mesmo assim é muito bom! Transcende o gosto de filmes B só porque são mal feitos ao ponto de involuntariamente causarem risos. Por uma merrequinha Corman colocou o ex-grande astro (oscarizado e tudo) pra trabalhar num roteiro bastante envolvente e divertido, imerso de aura 60’s. Consegue discutir filosoficamente o enxergar além, e os transtornos e delicias que isto acarreta, sem perder o bom humor literalmente de vista. A cena da festinha regada a iê-iê-iê, quando o doutor usa seus poderes para ver todo mundo peladão, é antológica. Há quem critique o tom moralista que a fita assume nos momentos finais, mas seu impacto é compensador. O Homem dos Olhos de Raio X - X: The Man with the X-Ray Eyes
- EUA 1963 De Roger Corman Com Ray Milland, Diana Van der Vlis, Harold J. Stone, John Hoyt, Don Rickles 79’ Horror/Ficção CientíficaCotação: