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4 de dezembro de 2008

Finis Homini (O Fim do Homem)

Juro que não lembrava da existência de Teresinha Sodré até ver este filme. Terezinha Sodré foi a Danielle Winits de seu tempo... Proibido pela censura de levar a diante sua trilogia do Zé do Caixão, o mestre José Mojica Marins saiu-se com esta história filosoficamente hilária de irresistível essência camp. Um cara misterioso (o próprio Mojica, quem mais?) sai completamente pelado do mar para espanto geral das pessoas com quem cruza. Claro, virará a São Paulo 70’s de cabeça pra baixo, fazendo inclusive deficientes físicos caminharem pelo susto. Alguns o acham louco, outros, bandido, e muitos outros um messias. A cada frase de efeito (involuntariamente engraçada) que diz, mais e mais fiéis vão lhe seguindo. Até os hippies liberais acreditarão estar diante do profeta máximo, enquanto que a polícia desconfia que a fama súbita tem relação com algum movimento político. Incrível como tanto improviso gerou uma produção coesa, e pra variar, é isto que coloca o cineasta como único em seu estilo no mundo. O roteiro é uma colcha de retalhos de pequenos contos o que lhe faz ser bem desigual até chegar ao (inacreditável) e desconcertante final. Interessante também o fato de que mesmo tão ingênuo mantenha uma mensagem inteligente e atual. Coisa de gênio!

Finis Homini (O Fim do Homem)

- Brasil 1971 De José Mojica Marins Com José Mojica Marins, Teresa Sodré, Roque Rodrigues, Rosângela Maldonado, Mario Lima, Andreia Bryan, Talulah Marilyn, Sabrina Marquezinha, Carlos Reichenbach, 79’ Suspense


DVD- Todos os seis filmes de Mojica lançados pela Cinemagia receberam o tratamento que nós sonhamos e eles merecem. Há uma batelada de extras distribuídos em confusos menus e submenus que devem nos proporcionar horas e horas de entretenimento. Principal destaque à faixa de comentários com o diretor, curta metragem Demônios e Maravilhas, trechos de filmes, textos, trailers, clips, áudios, história em quadrinhos digitalizada, etc.

Cotação:

16 de setembro de 2008

Laranja Mecânica

Não só se manteve bendito/maldito por todos estes anos, como uma excelente demonstração de como um livro deve ser adaptado ao cinema. Kubrick pegou o romance de Anthony Burgess e limou aqui e ali, aumentou acolá, conseguindo extrema fidelidade sem ser chato. Até as gírias, que obrigam o leitor a ficar o tempo todo recorrendo ao glossário das últimas páginas, estão em sua maioria presentes, embora com sutis explicações visuais. Alex, o pequeno delinqüente mais inteligente do que qualquer outro personagem, parece muito mais carismático e de duvidosa identificação com a platéia. Sorrateiramente as vítimas têm destaque quase nulo após suas barbáries. Não é um filme, aliás, sobre vítimas, mas sobre o perigoso jogo de dominação e dominado, que nos lembra que absolutamente todos nós fazemos parte do chamado sistema. A engrenagem que roda infinitamente criando lobinhos para depois os converter a doces cordeirinhos e vice versa. Hermético, de incontáveis paralelos, foi polêmico desde quando lançado, permanecendo proibido na Inglaterra pelo próprio cineasta após algumas ameaças de delinqüentes juvenis. E a vida nunca imitou tanto a arte quanto com Laranja Mecânica. O futuro próximo já virou passado e presente... Dando ritmo ainda mais épico, a chocante trilha sonora de Walter Carlos abraçada a Beethoven, Rossini e Terry Tucker.

Laranja Mecânica – A Clockwork Orange

- Inglaterra 1971 De Stanley Kubrick Com Malcolm McDowell, Patrick Magee, Michael Bates, Warren Clarke, Adrienne Corri, Aubrey Morris, Sheila Raynor 136’ Ficção Científica


DVD - A edição dupla e restaurada dá a sensação de estarmos vendo um filme inédito, tamanha quantidade de novas nuances notadas. É triste que os extras do primeiro disco (faixa de comentários de um historiador, de Malcolm McDowell e o trailer original) estejam sem legendas em português. Tal desleixo desmerece o titulo de edição especial, já que custa mais do que a versão simples vendida antes. O segundo disco tem apenas três documentários bons. Um com o impacto cultural da obra, outro menos feliz sobre os bastidores e um terceiro de uma hora e meia sobre a carreira de McDowell.

Cotação:

6 de março de 2008

O Abominável Dr. Phibes

Como todo gênio enfurecido Dr. Phibes desperta em si uma gana por assassinatos cuidadosamente elaborados. Pela morte de sua amada Victoria fará cair sob a equipe médica responsável as dez pragas do Egito da forma mais inusitada que se pode esperar. Anda tem a sorte de ter em seu encalce uma equipe policial que poderia ter saído do Incrível Exército de Brancaleone. E por aí vai o argumento do filme que poderia ser um abacaxi fenomenal, com idéias improváveis, mas teve força para ser um clássico do absurdo com suas maldades quase infantis. É a síntese da carreira de Vincent Price, um dos maiores atores de todos os tempos no cinema de horror. Canastrão e consciente disto parece ser o único nome possível para encarar o mais incomplacente dos vilões. Nota-se o quanto ele se diverte, seja em campo com sua fiel escudeira Vulnavia, ou regendo sua pequena orquestra de bonecos. É a cereja do bolo nesta gigante brincadeira camp. Tão cafona e primitiva que não se para de lembrar tudo de mais mau gosto que já se viu. É uma Santa Ceia fake de Leonardo da Vinci, daqueles achadas facilmente em lojinhas “A Partir de R$ 1,99”. Não é qualquer um que consegue ter seus defeitos transformados em qualidades...

O Abominável Dr. Phibes – The Abominable Dr. Phibes

- Inglaterra 1971 De Robert Fuest Com Vincent Price, Joseph Cotten, Virginia North, Peter Jeffrey 94’ Horror


DVD - Lançado pela MGM/PlayArte com ótima qualidade de áudio e imagem. Há o trailer original (sensacional!) e de alguns outros da America Internacional, produtora de Roger Corman. Todos devidamente legendados na nossa língua. Entre eles o de Theater of Blood, também com Vincent Price, com o título As Sete Máscaras da Morte, sendo que a Works DVD também o comercializou como Teatro da Morte.

Cotação:

21 de janeiro de 2008

Encurralado

Óbvio que ganhar rios e rios de dinheiro não é crime, se for por meios lícitos, por tanto, este não é um defeito da filmografia de Steven Spielberg. Subverter lógicas plausíveis em favor da lágrima fácil já é outra história. E este cineasta extremamente popular (esco?) estava bem longe do que vemos hoje quando executou Encurralado. Feito para a TV norte-americana no inicio da década de 70 com parcos recursos financeiros e de tempo (duas semanas) criou uma pequena pérola do suspense. Calcado na meticulosidade de um Hitchcock, mas sem o mesmo refinamento clássico, tem como principal mérito o argumento original, baseado em um conto curto da revista Playboy. É de um caminhão antiquado o papel de soberano assassino das estradas. O atual Spielberg, aquele que não perde a chance de dizer que a vida ideal é um comercial de margarina, com papai, mamãe e filhinhos sorridentes, já dá seu olá aqui. Afinal, tudo o que o pobre Dennis Weaver quer é chegar a seu lar, em crise conjugal, para deixar mal entendidos em pratos limpos. Seus planos podem ir por água abaixo se um caminhoneiro tão misterioso quanto furioso conseguir se vingar de sua ultrapassagem aparentemente banal. De final inevitavelmente previsível faz até quem não entende ou não tem interesse por carros, corridas, ou similares, trincar os dentes sem concessões ao humor.

Encurralado – Duel
- EUA 1971 De Steven Spielberg Com Dennis Weaver, Lucile Benson, Eddie Firestone 89’ Suspense


DVD - Uma longa entrevista atual com Spielberg relembrando o que significou para sua carreira esta estréia na TV é o principal atrativo dos extras. Mais curioso é um outro chamado Steven Spielberg e a TV, que disseca as origens do pai de E.T., inclusive o segmento The Eye de Night Gallery feito em 1969 e estrelado por Joan Crawford com algumas imagens raras dos bastidores. De resto especial sobre o autor Richard Mastheson, trailer de quando foi lançado nos cinemas e extensa galeria.

Cotação:

29 de junho de 2007

A Condessa Drácula

Esta deliciosa adaptação da histórica Condessa Erzsébet Bathory firmou-se como um dos últimos grandes filmes da Hammer. Assim como todos da produtora inglesa, muito comentado e pouco visto ou muito confundido. Culpa das incansáveis reprises na TV durante os anos 80. Uma vez por todas, não é quase pornô nem tão trash com morceguinhos de plástico presos a um fio! A propósito, nem vampira a condessa é, o nome é só pra faturar um pouquinho mais nas bilheterias. Com competente suspense do começo ao fim, a grande sacada do roteiro é contar tudo sob a ótica do povão em torno do castelo. Os diabólicos feitos da grã fina têm inicio com um xingamento popular, e o desfecho idem: Devil woman! Muitos historiadores dizem que a lendária sanguinária não matava jovens virgens para se manter sempre bela, mas por sofrer de uma rara doença sanguínea. Antes disso o mito já tinha se criado através dos séculos de boca a boca. A polonesa Ingrid Pitt, uma das principais divas do estúdio, está maravilhosamente sexy e talentosa no papel título com seu make-up 70’s. De velha arrogante de passado devasso a ingenuamente cega pela vaidade, o que não faltam ao seu redor são jogos de interesses, com personagens de relativa profundidade pouco comum no gênero. Quase dá pena! Suigeneris assim como o uso cenográfico. Sempre o mesmo corredor, mas fotografado de ângulos diferentes torna-se um dos melhores castelos góticos já vistos. Envolvente e divertido, uma preciosidade camp da sétima arte!

A Condessa Drácula – Countess Dracula

- Inglaterra 1971 De Peter Sasdy Com Ingrid Pitt, Nigel Green, Sandor Elés 93’ Terror


DVD - Nos EUA foi lançado em edição dupla juntamente com Carmilla – A Vampira de Karnestein(Vampire Lovers)e de bônus uma faixa de comentários (!!!) de ninguém menos que Ingrid Pitt entre outros envolvidos na obra. No Brasil ele é comercializado apenas em versão íntegra e restaurado, com imagem e áudio cristalinos. Ao contrário de Vampire Lovers que parece ter sido copiado de um VHS. De extra nada mais nada menos que o hilário trailer original para o mercado norte americano.

Cotação: