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19 de setembro de 2008

Minority Report – A Nova Lei

Num futuro próximo, a polícia de uma grande cidade consegue controlar o número de crimes existentes a zero. Ela age antes graças ao uso de três videntes que prevêem os assassinatos a serem cometidos. Tudo vai bem e etéreo até que num belo dia, entre estas revelações, aparece o principal detetive mandando ao espaço um completo desconhecido. Caberá ao bom mocinho descobrir quem é o cara que ele irá apagar, por que, e de quebra fugir dos ex colegas, maluquinhos pra colocá-lo atrás das grades. Assim como Blade Runner, é baseado em história de Philip K. Dick, o que já é garantia de muitos subtextos sempre sobre o direito de escolhe, o ir e vir, etc e tal. Nas mãos de outro diretor seria um clássico tal e qual a obra de Ridley Scott de 1982, mas tristemente é Spielberg até o osso. Comprometido acima de tudo com o lucro da classe média americana, não há muito que pensar já que o filme é o mais explícito possível. Tão evidente que dá pra matar a charada logo nos primeiros 10 minutos, o que nos obriga assistir até o final feliz (ei, é Spielberg!) só pra gente dizer: “Eu sabia! Eu sabia!”. Fora isso temos, claro, sua costumeira fixação familiar, que pode até ficar bacaninha em comercial de margarina, mas em suas produções não raras vezes beira o sentimentalismo barato. Papai separado do filhinho, remoendo lembranças, choro... O esmero técnico também outra de suas marcas chama a atenção, embora nestes tempos de tecnologia barata e cada vez mais comum, o visual já está datado e vulgarmente cafona.

Minority Report – A Nova Lei
– Minority Report


- EUA 2002 De Steven Spielberg Com Tom Cruise, Max von Sydow, Steve Harris, Neal McDonough, Patrick Kilpatrick, Jessica Capshaw, Colin Farrell 148’ Ficção Científica


DVD - Como o diretor ainda não entendeu a lógica de um DVD, deixando seus lançamentos a cargo do estúdio que os entope de qualquer tranqueira, dá pra dispensar o duplo. Este simples tem menus muito poluídos de difícil uso. Achar um capítulo é quase trabalho para vidente! Pra piorar, não há nem o trailer, e trocar áudio só sendo obrigado a escaramuçar o tal menu e não pelo controle remoto.

Cotação:

21 de janeiro de 2008

Encurralado

Óbvio que ganhar rios e rios de dinheiro não é crime, se for por meios lícitos, por tanto, este não é um defeito da filmografia de Steven Spielberg. Subverter lógicas plausíveis em favor da lágrima fácil já é outra história. E este cineasta extremamente popular (esco?) estava bem longe do que vemos hoje quando executou Encurralado. Feito para a TV norte-americana no inicio da década de 70 com parcos recursos financeiros e de tempo (duas semanas) criou uma pequena pérola do suspense. Calcado na meticulosidade de um Hitchcock, mas sem o mesmo refinamento clássico, tem como principal mérito o argumento original, baseado em um conto curto da revista Playboy. É de um caminhão antiquado o papel de soberano assassino das estradas. O atual Spielberg, aquele que não perde a chance de dizer que a vida ideal é um comercial de margarina, com papai, mamãe e filhinhos sorridentes, já dá seu olá aqui. Afinal, tudo o que o pobre Dennis Weaver quer é chegar a seu lar, em crise conjugal, para deixar mal entendidos em pratos limpos. Seus planos podem ir por água abaixo se um caminhoneiro tão misterioso quanto furioso conseguir se vingar de sua ultrapassagem aparentemente banal. De final inevitavelmente previsível faz até quem não entende ou não tem interesse por carros, corridas, ou similares, trincar os dentes sem concessões ao humor.

Encurralado – Duel
- EUA 1971 De Steven Spielberg Com Dennis Weaver, Lucile Benson, Eddie Firestone 89’ Suspense


DVD - Uma longa entrevista atual com Spielberg relembrando o que significou para sua carreira esta estréia na TV é o principal atrativo dos extras. Mais curioso é um outro chamado Steven Spielberg e a TV, que disseca as origens do pai de E.T., inclusive o segmento The Eye de Night Gallery feito em 1969 e estrelado por Joan Crawford com algumas imagens raras dos bastidores. De resto especial sobre o autor Richard Mastheson, trailer de quando foi lançado nos cinemas e extensa galeria.

Cotação:

17 de novembro de 2007

Guerra dos Mundos (2005)

Muita bobagem já foi dita desta releitura de Steven Spielberg para o romance homônimo de H. G. Wells. Não se engane! Você terá exatamente o que imagina, quase duas horas de ininterrupta adrenalina! Óbvio que as comparações com o clássico de 1952 existem, mas aqueles eram outros tempos... Os paralelos com os que vêm do espaço sideral são muito mais fortes em qualquer ameaça á instituição “Família” do que comunistas á espreita da tão querida América. Seus olhos verão coisas assustadoras e absurdamente reais e tais apuros técnicos valem sim o tempo gasto assistindo ao sempre canastrão Tom Cruise tentando proteger não o mundo, como se deveria esperar de um herói altruísta de outrora, mas sua prole. Mesmo que sua filha, a prodígio Dakota Fanning, seja insuportável o suficiente para se torcer que seu fim chegue o quanto antes nas garras de um tripod! Estamos diante de um filme do senhor Spielberg, exibindo ainda fôlego para nos mostrar que qualquer coisa com sua assinatura é garantia de diversão espetacular, familiar e os melhores efeitos especiais. O calcanhar de Aquiles é exatamente essa sua assinatura, que compromete vergonhosamente o final da história. Durante toda a metragem os efeitos são tão sensacionais, os alienígenas são tão maléficos e colossais que quase nos leva às gargalhadas o simples e ridículo desfecho. É impossível ao final o saborzinho de ter sua inteligência subjugada por um velhinho que há muitos anos só repete sua fórmula de extremista em pirotecnia cinematográfica e o pior do caretismo classe média estadunidense.

Guerra dos Mundos – War of Worlds
- EUA 2005 De Steven Spielberg Com Tom Cruise, Dakota Fanning, Miranda Otto, Tim Robbins 116’ Ficção Científica/Aventura


DVD - O que estes filmes, feitos pelas majors americanas, têm de óbvios suas edições duplas em DVD seguem os mesmos passos. Os menus animados (e cansativos) nada mais são que cenas do próprio longa, e os extras não trazem nada além do making of gigantesco, dividido em 4 documentários como diários da produção. O que não é de todo ruim. Estranho que temas tão saborosos tenham sido ignorados. O autor H.G. Wells tem um rapidíssimo especial, e sobre a versão clássica (da própria Paramount diga-se de passagem) ouve-se só de raspão. Assim como a película, só mais um produto aprovado por um engravatado atrás de uma grande mesa em Hollywood á espera do fio metal.

Cotação: