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20 de fevereiro de 2008

Sapatos Vermelhos

Filmes de horror coreanos começam a demonstrar sinais de cansaço. Este por exemplo deixa evidente que malandramente segue uma fórmula: Argumento inteligente (com base na fábula clássica de Hans Christian Andersen), fotografia belíssima, sustos aqui e ali, e um final surpresa. Reeditado, sem tanta gratuidade talvez se tornasse interessante, porque essa coisa de assustar com imagens fortes, muitas de gosto duvidoso, é o caminho mais fácil que se pode esperar. Mas pior que isso é o final forçado, sem justificativas, difícil de ser engolido. Parece que só se chega aquele ponto pra surpreender o telespectador, não para finalizar um roteiro. Tudo muito caretinha, tudo muito premeditado... Demora-se a não gostar do trabalho final porque o argumento realmente é engenhoso. Poucas vezes viu-se nas telas uma das facetas femininas mais bizarras, que é o tesão em comprar sapatos incansavelmente. Mesmo com dois pés (na melhor das hipóteses) elas se empenharão a ter centenas de pares! Em Sapatos Vermelhos, sempre que alguma encontrar um misterioso par de sapatos (rosa!) farão as maiores baixezas para possuí-los. Possessão por possessão, o calçado falará mais alto, já que há um mistério no passado os envolvendo. Ok, lendo isso dá para imaginar um fascinante estudo sobre a vaidade das mulheres, o resguardo do que é valioso, mas estamos falando de um filme de horror coreano, então lá se vão aqueles clichês citados acima...

Sapatos Vermelhos – Bunhongsin (The Red Shoes)

- Coréia 2005 De Yong-gyun Kim Com Hye-su Kim, Seong-su Kim, Yeon-ah Park, Su-hee Go, Eol Lee, Hyon-Jin As 103’ Horror


DVD - A Europa está empenhada em lançar estes filmes asiáticos em edições bem luxuosas, duplas, com luva e embalagem em papel especial. Mas é preciso mais cuidado no material do conteúdo. Os extras sempre estão praticamente jogados em menus estáticos. Parece que eles recebem os arquivos e se preocupam em colocá-los nos discos de qualquer jeito, com muito menos capricho do que o visto na embalagem. Há bastidores, demonstração de efeitos digitais, trailer e versão mp4 dublada em português. Detalhe, está indicado uma faixa de áudio do diretor comentando o filme, mas na verdade é com diretor, produtor e atriz principal.

Cotação:

13 de fevereiro de 2008

Medo

Com rebuscado roteiro e visual, este vigoroso suspense exige que se force nervosamente o maxilar até o limite. Como todo trabalho que navega entre gêneros, na hora de ser divulgado houve tiros para todos os lados. Destacou-se o horror, com direito no trailer a assombração ao estilo Sadako de Ringu e tudo! Nada pior que se assistir a um filme achando ser uma coisa e se deparar com outra. Portanto, esqueça o resuminho na contracapa, trailer, ridículo título em português, e até a alcunha de obra-prima do horror bradado por muitos. Retumbante sucesso internacional chegou com quatro anos de atraso ao Brasil, direto em DVD e foi conquistando fãs. Principalmente pela genial fotografia estampada na embalagem, que se bem analisada, já revela muito da trama. Extremamente poético é um trabalho de carpintaria artística, de resultado final um tanto quanto duvidoso. Por um triz teríamos mesmo uma obra-prima, mas as reviravoltas finais deixam tudo tão confuso a ponto de nos sentirmos burros. Coisa que poucos gostam. Apenas na segunda vez é que aquele rocambole juvenil se torna um pouco mais claro, desabrochando incomodamente como uma papoula em um jardim de rosas.

Medo – Janghwa, Hongryeon (A Tale of Two Sisters)

- Coréia 2003 De Ji-woon Kim Com Su-jeong Lim, Geun-yeong Mun, Jung-ah Yum, Ka-psu Kim 115’ Suspense


DVD - Poucas vezes extras se tornam tão necessários como aqui. Duplo e em capinha de luxo, há inúmeras entrevistas feitas pelo próprio diretor com câmera amadora. As mais reveladoras são exatamente aonde ele deixa escapar seu amor pelo mimetismo de Alfred Hitchcok, com a beleza e o horror de mãos dadas.

Cotação:

18 de maio de 2007

OldBoy

Mais um filme que se não tivesse caído nas graças de Quentin Tarantino, jamais aportaria no Brasil: OldBoy, a segunda parte da trilogia do coreano Chanwook Park sobre (basicamente) a vingança. Isto é, o rótulo comercial, aderido por boa parte da imprensa para definir a obra é a vingança, o que não deixa de ser simplificar de mais. Importa pouco ver o pobre Oh Dae-su resolver seus problemas com quem quer que seja que o tenha aprisionado em um quarto de hotel vagabundo e após 15 anos o ter libertado perto de inúmeras questões que vão sendo apresentadas. Claro, banhadas por uma violência gráfica espetacular, herança do roteiro originalmente explorado em um mangá de mesmo nome. Dia destes li uma entrevista onde Tarantino dizia o quão engessado é o cinema “made in Hollywood”, cheio de regras que nunca serão quebradas a fim de não decepcionar a cada vez mais sonâmbula platéia média. Taí o trunfo dos filmes que vêm da Ásia. Absorvem os trabalhos americanos (a própria fotografia de OldBoy é bem parecida com a de Clube da Luta) em muitos pontos, mas quebram a tal linha citada pelo diretor de Kill Bill. Até quando seus roteiros optam por soluções mais óbvias, a forma em que as imagens são mostradas sempre nos deixa boquiabertos. Não é o caso deste filme absolutamente surpreendente do inicio ao fim. E de tão bem feito, mesmo cheio de surpresas e reviravoltas rocambolescas há substância suficiente para ser visto e revisto inúmeras vezes. Se for pra citar um deslize, dá pra apontar o final ambíguo. Não a solução da trama em si, mas a seqüência final. O que perto das duas horas fantásticas que passamos não é nada!

OldBoy
- Coréia 2003 De Chanwook Park Com CHOI Min-sik, YOO Ji Tae, KANG Hye-jung 120’ Suspense/Policial


DVD - A Europa Filmes lançou duas versões de Old Boy. Uma dupla, e a simples, que foi a que adquiri. Simples é apelido! Menu nojento estático e mais nada de extra. Mas se a ausência de extras fosse o problema maior nesta edição nem me importaria tanto. Dói ver a qualidade péssima da imagem e áudio. Parece DVD pirata! Sem falar nas legendas em francês que aparecem na tela em alguns momentos sem que possamos retirá-las... Vale sonhar com a edição tripla (!!!) lançada pela Tartasian nos EUA. Vem até com alguns fotogramas de 35 mm.

Cotação: