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8 de novembro de 2008

O Imperador e o Rouxinol

A graça principal no stop motion (técnica clássica que consiste em animar quadro a quadro objetos), é que absolutamente tudo que vemos na tela é artesanal. Quem tem por base obras recentes como O Estranho Mundo de Jack ou A Noiva Cadáver, dirigidos ou produzidos por Tim Burton num nível técnico que pode fazer algum desavisado acreditar estar diante de computação gráfica, irá se decepcionar com O Imperador e o Rouxinol. Essa produção tcheca, com quase 60 anos, é experimental, sendo que os personagens não possuem expressões faciais com movimento. De forma inteligente, tem em sua abertura atores de verdade para depois chegar à animação. Um garotinho muito rico e aborrecido por não poder brincar à vontade na rua, ao pegar no sono febril sonha com o imperador chinês do conto de Hans Christian Andersen. Dessa forma, justifica-se que objetos, cenários e personagens remetam a elementos vistos antes no quarto do menino. E o mérito de Jirí Trnka é conseguir nos entreter por mais de uma hora de um jeito tão poético e singular acima de qualquer limitação técnica. Consegue nos remeter diretamente à infância, quando brincávamos entre toalhinhas de crochê com action figuras e caixinhas de papelão fingindo serem prédios gigantes. Mágico e sensível como só a arte bruta, depois destes anos ganhou um interessante paralelo entre o pequeno imperador que troca o rouxinol de carne e osso pelo mecânico de canto repetitivo com o trabalho de Trnka e o que tem sido feito e apresentado para as crianças de agora.

O Imperador e o Rouxinol – Cisaruv slavík (The Emperor's Nightingale)

- Tchecoslováquia 1949 De Jirí Trnka e Milos Makovec Com Jaromir Sobotoa, Helena Patockova, Detsky pevecky sbor Jana Kuhna, Boris Karloff (narração) 72’ Animação/Drama


DVD - Distribuído pela Continental, esta pérola da animação mundial de difícil apelo comercial, preserva a narração americana com Boris Karloff e não incluiu versão dublada em português, o que afugenta possíveis espectadores infantis. A imagem está bem ruim, escura, mas a boa notícia é que possui a metragem original de 72 minutos, e não a americana de 55. Como bônus, 4 curtas muito bons da equipe de Trnka e longo material em texto sobre a animação stop motion.

Cotação:

20 de fevereiro de 2008

A Filha de Netuno

Exemplo puro de como Hollywood sabe trabalhar com estereótipos. Esther Williams é a durona empresária norte americana do ramo dos maiôs (óbvio!) que tem dores de cabeça familiares. Sua irmã adolescente, louquinha para dar (!!!) amor acabará se entregando a um massagista virgem que mente ser famoso sul americano jogador de pólo. Caberá à irmã mais velha tomar satisfações ao conquistador, só que ao verdadeiro, interpretado pelo galã latino Ricardo Montalban. A junção das palavras “norte americana” e “sul americano” já pressupõe alguns números de rumba, salsa, merengue e todo um povo caricaturalmente mostrado de forma machista e festeira. Mas trata-se só de uma pequena bobagem romântica dos estúdios Metro com belas garotas de maiô e canções com qualidade acima da média. Toda a latinidade fake não compromete o entretenimento, compreendendo a época em que foi feito. Betty Garret (a garota nem tão garota assim) chega a imitar os movimentos de Carmen Miranda (a grande sensação do momento) em um número. Red Skelton, o massagista mentiroso, é o ponto fraco com seu humor circense entre Chaves e Didi Mocó, destoando de todo o glamour imposto pela dupla central. Montalban, atualmente em uma cadeira de rodas (como foi visto vivendo o avô em Spy Kids 3D) me fez lembrar o que a jornalista Dulce Damasceno de Brito disse a seu respeito. Ele sempre teve deformidade em uma das pernas, mas nem por isso deixou que o limitasse a pegar papeis com números de dança. Realmente não se percebe! Sua nacionalidade no filme é Sul Americana, como se o continente em si fosse um país embora seus ajudantes atrapalhados, quase burros, se vestem como argentinos. Só que no número aquático final há algumas faixas verdes e amarelas que se combinam com outras vermelhas e azuis antes do casal mutli regional dar seu beijo de happy end. Arriba!

A Filha de Netuno – Neptune’s Daughter

- EUA 1949 De Edward Buzzell Com Esther Williams, Ricardo Montalban, Red Skelton, Betty Garret, Xavier Cugat e sua Orquestra 93’ Musical


DVD - Medo! Selo Flash Classics com a assinatura de Amaury Junior e tudo! E sempre que você coloca o disco é obrigado a ver a abertura do programa dele com aquele monte de celebridades trash ao som do famigerado hit disco transformado em seu jingle há décadas. O DVD em si está com a imagem bem ruim, parecendo VHS, e os extras referentes ao filme são alguns textos. O que gostei foi da inclusão de dois Soundies, coisa que jamais tinha ouvido falar! Trata-se do tataravô dos vídeoclips que nos anos 40 eram exibidos em lugares públicos através de máquinas parecidas aos jukeboxes. Um dos presentes aqui é com Yvonne DeCarlo, muito antes de ser a Lili no seriado Os Monstros.

Cotação: